quinta-feira, 11 de março de 2021

Para os EUA, pandemia no Brasil ameaça o mundo todo

 Autoridades da saúde e do governo americano estão em estado de alerta e afirmam que nenhum país estará seguro enquanto a disseminação do coronavírus continuar a crescer, pelo risco de surgirem novas variantes, mais transmissíveis e também agressivas

Uma ameaça para o mundo. É assim que a imprensa americana retrata a atual situação da pandemia de coronavírus no Brasil, ecoando a preocupação de cientistas, autoridades da área de saúde e do governo americano sobre os efeitos do descontrole da propagação de uma nova variante do Sars-CoV-2 no País.
Enfermeira de um hospital em Santo André, no Estado de São Paulo, conversa com paciente idosa. 01/01/2021. REUTERS/Amanda Perobelli.
Enfermeira de um hospital em Santo André, no Estado de São Paulo, conversa com paciente idosa. 01/01/2021. REUTERS/Amanda Perobelli.
Foto: Reuters

Nos EUA, a população já discute quando a vida poderá voltar ao normal, diante da aceleração do ritmo de vacinação e da indicação de que até o fim de maio o país terá doses de imunizante para todos. Depois de um ano como epicentro da pandemia, os EUA agora veem uma luz no fim do túnel e a ameaça do lado de fora. Mais especificamente no Brasil.

"Há uma sensação de alarme sobre a natureza não controlada da pandemia no Brasil e o ritmo lento da vacinação - especialmente agora que o Brasil é a fonte de uma nova e preocupante variante da covid-19", afirma Anya Prusia, do Brazil Institute do Centro de Estudos Wilson Center, em Washington. "A atenção aqui está voltada para a disseminação dessa cepa mais contagiosa, a P.1, que se originou em Manaus."


Os primeiros dois casos da variante P.1 foram registrados nos EUA em janeiro, horas depois de o presidente Joe Biden revogar uma decisão de Donald Trump e recolocar a restrição de viagens do Brasil aos EUA.


Duas pessoas que estiveram no Brasil foram diagnosticadas com a nova cepa em Minnesota. Até agora, os EUA registraram 13 casos da mutação, em ao menos sete Estados. Mas ainda não há transmissão comunitária, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).


Mas não foi a chegada nos EUA da cepa de Manaus que alarmou os americanos e sim a recente situação da pandemia no Brasil, que tem batido recorde de mortes. "Enquanto a pandemia continuar a crescer, ninguém estará a salvo", disse o porta-voz do Departamento de Estado americano, Ned Price, em coletiva de imprensa.

Em pronunciamentos e entrevistas recentes, o principal infectologista do governo americano, Anthony Fauci, tem ressaltado que a cepa P.1 está associada a uma maior transmissibilidade e à preocupação de que a mutação possa interromper a imunidade induzida naturalmente e pela vacina.

Há cerca de um mês, Fauci afirmou que isso preocupa os americanos, que não devem derrubar tão cedo o bloqueio de passageiros que estiveram no Brasil. Nesta semana, ele voltou ao tema. "O Brasil está numa situação muito difícil. A melhor coisa é vacinar o maior número de pessoas o mais rápido possível", disse Fauci, que chegou a dizer que os EUA poderiam ajudar os brasileiros.

O ritmo de vacinação nacional, porém, não anima. O Washington Post descreveu a vacinação brasileira como um processo de "escassez e atrasos", enquanto o The New York Times reporta uma vacinação lenta e sem sinalização de melhora.

"O país atingiu o pior momento. Surgiram variantes que parecem mais mortais para pessoas saudáveis, e os cientistas documentaram coinfecção por múltiplas variantes", escreveu Kevin Ivers, vice-presidente da consultoria americana DCI Group, em relatório. "A preocupação é que a disseminação acelere essas coinfecções no Brasil e leve a uma explosão de novas variantes mais agressivas."

A situação brasileira foi definida pelo Washington Post, no dia 4, como "terreno fértil" para outras variantes. O risco foi mencionado também por cientistas, como Bill Hanage, epidemiologista da Faculdade de Saúde Pública da Universidade Harvard (leia entrevista abaixo).

Nas redes sociais, o também epidemiologista e economista da área da saúde Eric Feigl-Ding, membro da Federação de Cientistas Americanos, postou que o Brasil precisa da ajuda de líderes estrangeiros. "A epidemia descontrolada do Brasil será uma ameaça ao mundo, mas ainda não é muito tarde", disse ao Estadão. "Mas é preciso ter sequenciamento genético, controle de fronteiras, quarentenas e testagem em massa."

Para a epidemiologista brasileira Denise Garrett, vice-presidente do Sabin Vaccine Institute, com base em Washington, se o Brasil não for capaz de controlar a situação, os bloqueios de viajantes devem se intensificar.

O neurocientista brasileiro Miguel Nicolelis, pesquisador da Universidade Duke, que nos últimos dias ganhou espaço em jornais estrangeiros pedindo uma pressão de outras nações sobre o Brasil, chama a atenção para a "geopolítica da pandemia". "É a diplomacia do século 21. Já tem países trocando mercadorias por vacinas", afirmou. "Se o fluxo ficar desimpedido, a doença desse país vai migrar para os outros."

Falta de liderança

Na imprensa e entre analistas americanos, Jair Bolsonaro é o presidente que propaga desinformação, é cético sobre a vacina e está em choque com governadores. "Como aconteceu com Trump, o vácuo de liderança de Bolsonaro deu ao vírus abertura para se espalhar", disse o Washington Post. Um dia antes, o The New York Times colocou a preocupação com o Brasil em sua capa.

A crise no País já chamou a atenção no ano passado, com as imagens de cemitérios lotados em Manaus e São Paulo. Desta vez, a preocupação é diferente, porque o que acontece no Brasil, segundo os americanos, pode colocar em xeque os avanços do resto do mundo.

Para os EUA, pandemia no Brasil ameaça o mundo todo

seta-imagem-animada-0182

Secretário de Saúde de MG fura fila da vacina e leva outros 500

Secretário de Saúde de Minas fura fila da vacina e leva outros 500

Questionado, secretário Carlos Amaral alegou que fura a fila da vacina “para dar exemplo”. Mas funcionários eram proibidos de filmar ou fotografar o momento

 

Por Redação RBA

Publicado 11/03/2021 - 16h16




Agência Minas

 

Caso é chamado de "escândalo nacional" e se torna alvo de ação do MP. Governador Romeu Zema abre investigação, mas mantém secretário no cargo

 

 

São Paulo – Aproximadamente 500 servidores administrativos da Secretaria da Saúde de Minas Gerais podem ter sido vacinados contra a covid-19 pelo governo Romeu Zema (Novo), mesmo estando fora do grupo prioritário. A suspeita é de que a pasta organizou um “fura-fila” da vacina, segundo o Ministério Público do estado.

 

A lista de imunizados inclui o próprio secretário de Saúde, Carlos Eduardo Amaral. Além dele, assessores de imprensa, funcionários de almoxarifados e da área administrativa também teriam recebido as doses mesmo não estando dentro dos critérios do Plano Nacional de Imunização e atuando em home office.

   

O caso é investigado pela Assembleia Legislativa, que ontem (10) exigiu do secretário a entrega imediata dos nomes dos servidores. Em audiência pública, que durou quase seis horas, Amaral admitiu que já foi imunizado. Mas alegou que “quis tomar a vacina para dar o exemplo” à população. “Não concordo com nenhum movimento contrário à vacinação”, declarou.

 

 

Aos deputados, o secretário também justificou que a imunização dos servidores, sem respeitar a fila da vacina no estado, foi no “sentido de preservar os serviços de saúde e os órgãos estruturantes funcionando”. “Por isso servidores de secretarias estaduais e municipais são vacinados. Quem viabiliza um respirador chegar a determinado local e quantas vacinas serão destinadas são esses trabalhadores”, mencionou. Amaral, no entanto, disse que teria que consultar o jurídico da pasta sobre a possibilidade de repassar o nome dos funcionários vacinados.

 

Vacinação às escondidas

Os argumentos chamaram atenção de deputados estaduais, que questionaram o sigilo e a justificativa de “exemplo”, já que não houve um ato público de vacinação ou registro e divulgação em campanha. Ao contrário, reportagem da rádio Bandeirantes de Belo Horizonte indica que havia uma orientação interna, por parte da secretaria, para que os servidores não contassem sobre a vacinação. Eles também foram proibidos de filmar ou fotografar o momento em que recebiam as doses sem respeitar a fila da vacina.

 

A matéria destaca que pelo menos 17 assessores de comunicação foram vacinados contra a covid. E os servidores de cargos de confiança foram os primeiros convocados. Os coordenadores da secretaria estariam ainda “pressionando os funcionários para aderirem ao esquema de vacinação fora da política de prioridades”. À eles era apresentado um memorando interno que dizia ser legal a imunização. Mesmo assim, ressalta o veículo, muitos se recusaram a tomar a dose.

 

 

 

Parlamentares qualificaram as denúncias como um “escândalo nacional”. De acordo com o deputado estadual Ulysses Gomes (PT), o “exemplo poderia ter sido dado de outras formas, mantendo a prioridade na fila de vacinação”. Eles acusaram o secretário de Saúde de não deixar claro os critérios de priorização e cobraram por mais doses dos imunizantes.

 

 

O presidente da Assembleia, Agostinho Patrus (PV), anunciou que Amaral pode ser convocado a depor em uma comissão parlamentar de inquérito e responder por improbidade administrativa. O pedido de CPI já conta com pelo menos 30 assinaturas.

 

Furar fila

“Furar a fila da vacina sem nenhum argumento razoável, enquanto avós não veem seus netos há mais de um ano e pessoas morrem em hospitais, é motivo suficiente para aAssembleia abrir uma CPI e investigar a fundo o absurdo ‘trem da alegria’ da imunização”, frisou Patrus em suas redes sociais.

 

A 19ª Promotoria de Justiça de Defesa da Saúde de Belo Horizonte também deu um prazo de cinco dias para que a Secretaria de Saúde informe os cargos das pessoas vacinadas, as datas de imunização, correlacionando-as aos grupos prioritários definidos no plano do Ministério da Saúde. A denúncia de “fura-fila” repercutiu negativamente sobre o governo Zema, que na noite de quarta anunciou a abertura de um inquérito, mas manteve Amaral no cargo.

 

A pandemia em Minas

Até o momento, o governo estadual divulga que 765.338 mineiros receberam a primeira dose, o equivalente a 61,04% do grupo prioritário. A segunda dose já foi aplicada em 358.350 pessoas, menos de 30% das prioridades. Pouco mais de 2 milhões de doses foram enviadas ao estado, que tem 20,8 milhões de habitantes.

 

Em paralelo, a imprensa local repercute que Minas, como todo o país, vive o pior momento da pandemia. No entanto, o governo Zema é o único em todo o Brasil que não faz distinção entre os leitos de UTI destinados a pacientes com covid-19. Nesta quarta, pela primeira vez, a secretaria de Saúde tornou pública a taxa de ocupação, que está em 78,3%.

 

(*) Com informações da CartaCapital, Imprensa ALMG e do Jornal Estado de Minas

https://www.redebrasilatual.com.br/politica/2021/03/secretario-de-saude-de-mg-fura-fila-da-vacina-e-leva-outros-500/

Nenhum comentário:

Postar um comentário