Eles usavam a Bíblia para convencer vítimas de que os atos sexuais tinham um 'propósito espiritual'; polícia acredita que eles fugiram para Manaus
Os pastores evangélicos Wenderson Lima de Souza, de 32 anos, e Arielly Kamila Moraes de Souza, de 24, tiveram as prisões preventivas decretadas pela Justiça em 15 de julho de 2026 e são considerados foragidos. O casal é investigado por estuprar ao menos seis meninas em Roraima, usando a fé e a posição de liderança religiosa para manipular as vítimas, segundo a Polícia Civil.
A investigação, que começou em abril de 2026, aponta que eles podem ter fugido para Manaus, no Amazonas, cidade natal de Wenderson. Em nota, a defesa do casal informou que eles são inocentes, com bons antecedentes e que nunca responderam a processos criminais.
"Eles falavam que estava nos versículos, que aquilo era de Deus, que eles tinham sido mandados para praticar aqueles atos contra as crianças. Algumas das vítimas relataram que questionavam se isso não estava errado, e eles, utilizando da fé dessas crianças, praticavam esses abusos", disse a secretária de Segurança Pública de Roraima, delegada Eliane Gonçalves.
O relatório policial aponta que os suspeitos também ofereciam dinheiro e outras vantagens para manter o silêncio das vítimas. Investigadores afirmam que outras cinco meninas mostraram indícios de terem sido abusadas, mas optaram por não prestar depoimento oficial.
"As práticas sexuais eram fruto de uma cadeia sistemática de manipulação, abuso de autoridade religiosa, chantagem e coerção psicológica, o que afasta qualquer alegação de voluntariedade e reforça a gravidade dos crimes praticados, em razão do temor reverencial", detalhou a polícia.
A igreja do casal
A igreja, que o casal liderava há cinco anos, foi registrada em 2022 e funciona no Bairro Cinturão Verde, em Boa Vista. No registro da instituição, Wenderson consta como presidente e Arielly como vice-presidente.
O documento de fundação descreve a congregação como uma "instituição civil, religiosa e evangélica", "sem fins lucrativos, com sustento, propagação e governo próprios". Em suas redes sociais, o casal divulgava cultos com temas voltados à família, usando passagens como "Crê no Senhor Jesus e serás salvo, tu e tua casa".
Foragidos e crimes investigados
"O paradeiro deles é incerto. Não sabemos onde eles estão, porque senão já os teríamos prendido. Ambos os dois pastores estão na condição de foragidos", explicou a secretária de segurança.
Wenderson é investigado por seis crimes: estupro de vulnerável, importunação sexual, favorecimento da prostituição ou de outra forma de exploração sexual de adolescente ou pessoa vulnerável, registro não autorizado de intimidade sexual, fraude processual e falsidade ideológica. Arielly responde por estupro de vulnerável, importunação sexual e fraude processual.
Uma ferramenta de IA foi usada para auxiliar na produção desta reportagem, sob supervisão editorial humana.



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