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Filho de Cissa Guimarães denuncia bolsonarista que exaltou atropelador de seu irmão

 João Velho registrou boletim de ocorrência e apresentou notícia-crime após comentário no Instagram associar a morte de Rafael Mascarenhas a ataques políticos contra a esquerda

Por: Julinho BittencourtPublicado: 23/10/2026

 João Velho/Foto: Reprodução de Vídeo

Ator João Velho, filho da apresentadora e atriz Cissa Guimarães e irmão de Rafael Mascarenhas, registrou um boletim de ocorrência contra o responsável por um perfil no Instagram que exaltou Rafael de Souza Bussamra, condenado pelo atropelamento que matou seu irmão em 2010. Nesta sexta-feira (23), o ator divulgou um vídeo pedindo ajuda para identificar formalmente o autor da publicação e fornecer informações à polícia.

O comentário foi feito em uma postagem de João sobre seu trabalho artístico e associou a morte de Rafael Mascarenhas a uma ameaça de violência política contra pessoas de esquerda. Na mensagem, o autor escreveu: “Na próxima eleição teremos o Rafael Bussamra para atropelar a esquerda. Meu herói não usa capa, ele usa o volante de um carro”.



Segundo João, o responsável pela mensagem foi identificado por ele como Giovanni Cavalcanti de Albuquerque. O ator pediu que pessoas que conheçam o homem entrem em contato para contribuir com a investigação.

“Se vocês conhecem esse homem, por favor, me mandem alguma informação para a gente poder acelerar o processo da Justiça”, afirmou.


João também ressaltou que o pedido de identificação não está relacionado à posição política de quem possa fornecer informações. “Tanto faz se é eleitor do Lula ou bolsonarista ou de direita, extrema-direita. Se vocês conhecem esse homem, por favor, me mandem alguma informação”, declarou.

O boletim de ocorrência foi registrado em 21 de outubro e classifica o caso como ameaça e apologia de crime ou criminoso. No documento, João de Campos Velho aparece como vítima, enquanto Giovanni Cavalcanti de Albuquerque é indicado como autor ainda não formalmente identificado.


Além do registro policial, o ator e seus advogados apresentaram uma notícia-crime à Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI). O documento, datado de 19 de outubro, pede a abertura de inquérito para apurar a autoria e as circunstâncias da publicação.

A defesa também solicita que a Meta, empresa responsável pelo Instagram, forneça informações associadas ao perfil, incluindo dados cadastrais, telefone, endereço, endereços IP e registros de criação e acesso à conta.

‘Quer pegar na minha ferida mais aberta’, diz ator

No vídeo divulgado nesta sexta-feira, João afirmou que a mensagem atingiu diretamente a família ao utilizar a morte do irmão como instrumento de provocação política.

“O senhor Giovanni Cavalcanti Albuquerque lança mão de um golpe baixo para destilar a fúria política dele. Ele quer pegar na minha ferida mais aberta, pegar na parte que mais me dói, que é a perda do meu irmão”, disse.

O ator também relatou que recebeu mensagens ofensivas na época da morte de Rafael e destacou que o comentário recente foi publicado em uma postagem dedicada à divulgação de seu trabalho.

“Meu irmão que morreu não está aqui para se defender. Só que eu estou, a minha mãe está viva, meu irmão Tomás está vivo, a gente está aqui vivo. E, portanto, nós fizemos uma notícia-crime e também fizemos um boletim de ocorrência para a polícia”, afirmou.

Em entrevista ao g1, o advogado Ricardo Brajterman, que representa João, disse que a família decidiu procurar as autoridades por considerar que a mensagem ultrapassou os limites de uma manifestação política.

“Essa mensagem foi muito cruel, muito sórdida, tocou num lugar muito sensível da família. Porque querer falar de política, discutir de forma educada, serena, equilibrada, é uma coisa. Agora, numa postagem que é para divulgar a arte, a pessoa trazer a morte trágica de um ente querido para destilar ódio e ameaças, isso foi muito cruel, ultrapassou o limite do razoável, do aceitável”, declarou.

O advogado afirmou que a intenção é obter elementos que permitam à polícia identificar formalmente o responsável e dar prosseguimento à investigação. Ele também ressaltou que divergências políticas não justificam ameaças ou manifestações de violência.

“Nenhuma disputa política ou esportiva justifica a agressão, o discurso de ódio, o discurso de violência. A liberdade de expressão não é absoluta”, disse Brajterman.

Morte de Rafael Mascarenhas

Rafael Mascarenhas tinha 18 anos quando foi atropelado, em 20 de julho de 2010, enquanto andava de skate com amigos no Túnel Acústico, na Gávea, Zona Sul do Rio de Janeiro.

Rafael de Souza Bussamra dirigia o veículo envolvido no atropelamento. Ele foi condenado por homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e por não prestar socorro à vítima.

O comentário que motivou a denúncia foi publicado mais de duas semanas antes de sua repercussão, segundo as informações divulgadas. Após o caso ganhar visibilidade, a mensagem foi apagada.

Júri de acusados por matar, esquartejar e jogar corpo de jogador em rio é adiado

 Julgamento estava marcado para 26 de outubro, em Amambai, mas foi adiado após o advogado de um dos réus sofrer uma fratura no pé. O crime ocorreu em junho de 2023, em Sete Quedas.

Por Mirian Machado, Gabi Cenciarelli, g1 MS — Mato Grosso do Sul

Jogador é achado morto 7 dias após desaparecer em festa no Paraguai

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O julgamento dos cinco acusados pela morte do jogador de futebol Hugo Vinicius Skulny Pedrosa, de 19 anos, foi adiado para 22 de fevereiro de 2027, às 8h, em Amambai (MS). A sessão estava marcada para a próxima segunda-feira (26), mas foi cancelada após o advogado de um dos réus sofrer uma fratura no pé esquerdo.

Hugo foi morto a tiros em junho de 2023, em Sete Quedas (MS). Segundo a denúncia do Ministério Público, o corpo do jovem foi esquartejado e partes dos restos mortais foram jogadas no rio Iguatemi.

A decisão que adiou o júri foi assinada na quinta-feira (22) pelo juiz Renan da Silva Pinto, da Vara Criminal da Comarca de Amambai. O magistrado aceitou o pedido da defesa de Danilo Alves Vieira da Silva, cujo advogado, Higo dos Santos Ferré, apresentou atestado médico com recomendação de afastamento do trabalho por 45 dias.

Conforme os documentos apresentados à Justiça, o advogado fraturou um dos ossos do pé esquerdo. Ele recebeu recomendação para manter o membro imobilizado e evitar apoiar o pé no chão ou permanecer em pé por períodos prolongados.

Na decisão, o juiz considerou que o problema de saúde impede a participação do advogado no julgamento e que o adiamento é necessário para garantir o direito de defesa do acusado.

A Justiça também levou em conta a falta de datas disponíveis para julgamentos até o fim de 2026. O magistrado rejeitou a possibilidade de dividir o processo, o que levaria à realização de dois júris sobre os mesmos fatos.

Quem são os cinco réus

Assassinato de jogador: montagem com fotos de Hugo Vinicius Skulny Pedrosa, Danilo Alves Vieira e Rubia Joice de Oliver Luvisetto — Foto: g1

Assassinato de jogador: montagem com fotos de Hugo Vinicius Skulny Pedrosa, Danilo Alves Vieira e Rubia Joice de Oliver Luvisetto — Foto: g1

Três dos acusados respondem por homicídio qualificado e ocultação de cadáver: Rúbia Joice de Oliver Luvisetto, ex-namorada de Hugo na época do crime; Danilo Alves Vieira da Silva; e Cleiton Torres Vobeto.

Os pais de Rúbia, Patrick Eduardo do Nascimento e Noemi Matos de Oliver, também serão julgados, mas respondem por fraude processual. Segundo a acusação, eles teriam ajudado a ocultar provas do crime.

A previsão inicial era de que o julgamento durasse até dois dias, devido à complexidade do caso. A Justiça determinou que os envolvidos sejam comunicados sobre a nova data.

Relembre o caso

Hugo foi morto em 25 de junho de 2023, depois de sair de uma festa em Pindoty Porã, no Paraguai. Segundo a denúncia do Ministério Público, ele foi deixado por amigos nas proximidades da casa da ex-namorada, em Sete Quedas.

Ainda conforme a acusação, Rúbia teria atraído o jovem até uma residência, onde ela e Danilo teriam cometido o assassinato. Depois, o corpo foi esquartejado e partes dos restos mortais foram jogadas no rio Iguatemi, com a participação de Cleiton, segundo a denúncia.

O desaparecimento foi registrado pela mãe do jovem, Eliana Skulny, em 26 de junho daquele ano. Durante sete dias, moradores e equipes de segurança participaram das buscas.

Partes do corpo foram encontradas no rio Iguatemi em 2 de julho de 2023, durante uma força-tarefa que reuniu as polícias Civil e Militar, o Corpo de Bombeiros e a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes de Fronteira (Defron).

O reconhecimento foi feito por meio de uma tatuagem no braço do jovem com o nome do pai, que havia morrido cerca de dois anos antes.

Júri de acusados por matar e esquartejar jogador é adiado | G1