quarta-feira, 15 de julho de 2026

Adolescente que matou família no RJ: o que sabemos sobre o caso

 Crime teria sido motivado por pais não concordarem com viagem ao Mato Grosso, fruto de um relacionamento virtual

Camille Couto, da CNN, no Rio de Janeiro

Em uma rua residencial tranquila e tipicamente de interior, uma família foi encontrada morta dentro de casa, na última terça-feira (24). A tragédia chocou o distrito de Comendador Venâncio, em Itaperuna, no Noroeste do Rio de Janeiro.

As vítimas são Antônio Carlos Teixeira, de 45 anos, enfermeiro; sua esposa, Inaila Teixeira, de 37, cabeleireira; e o filho caçula do casal, Antônio, de apenas 3 anos. O principal suspeito é o filho mais velho, um adolescente de 14 anos, que confessou o crime em depoimento à polícia.

Nas redes sociais, a imagem da família era de afeto e união. Em um post feito em homenagem à data de aniversário do garoto, o pai descreveu o filho como um “companheirinho” e “amigão”, elogiando seu comportamento como aluno exemplar e irmão cuidadoso. Agora, a mesma residência que aparecia como cenário de momentos felizes, tornou-se palco de uma cena de violência que surpreendeu até os investigadores mais experientes.

Durante perícia no imóvel, técnicos encontraram marcas de sangue reveladas com luminol, substância usada para detectar vestígios invisíveis a olho nu. Indícios apontam que um líquido de uso de limpeza foi utilizado para facilitar o deslocamento dos corpos até uma cisterna no quintal, localizada próximo à saída do quarto onde a família dormia.

O delegado Carlos Augusto Guimarães, titular da 143ª DP (Itaperuna), relatou a frieza do jovem durante o depoimento. “Ele estava frio, conversou como qualquer pessoa, numa boa, sem pressão, foi espontâneo, quis falar o que tinha acontecido ali. Em casos assim, é comum as pessoas omitirem partes, mas ele foi direto, contou o que fez e afirmou que não se arrepende”, disse.

Como a polícia chegou ao caso

A ocorrência chegou à delegacia por meio da avó paterna, que procurou as autoridades para relatar o desaparecimento do filho, da nora e do neto mais novo. O adolescente informou inicialmente que os pais teriam saído com o irmão após ele ingerir um objeto cortante. No entanto, após diligências em hospitais e unidades de saúde da região sem qualquer registro da suposta emergência, a polícia iniciou buscas na residência da família.

Na casa, os investigadores localizaram pertences do adolescente junto aos celulares dos pais, em uma bolsa, e manchas suspeitas. Ao se aproximarem da cisterna no quintal, perceberam um forte odor e, em seguida, encontraram os corpos das três vítimas. O adolescente foi levado à delegacia e, ao ser ouvido, confessou o triplo homicídio, cometido no sábado (21).

Segundo ele, os pais haviam proibido uma viagem para encontrar uma adolescente com quem mantinha um relacionamento virtual. A garota, de 15 anos, mora em Mato Grosso e foi identificada e ouvida na quinta-feira (26) por uma equipe especializada no Departamento de Polícia, em Água Boa (MT), acompanhada da mãe e de assistentes sociais. O conteúdo do depoimento ainda será encaminhado para a delegacia de Itaperuna.

Dinâmica do crime

De acordo com o relato do adolescente, ele teria ingerido energético para se manter acordado durante a noite e aguardou os familiares dormirem – todos dividiam o mesmo cômodo por conta do ar-condicionado. Ele afirmou que sabia onde o pai escondia uma arma de fogo, que era registrada como CAC (Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador), guardada embaixo do colchão do casal.

A arma foi posteriormente localizada na casa da avó, o que levantou a hipótese de que ela possa tê-la retirado do local numa tentativa de proteger o neto. A polícia, porém, destacou que a mulher estava emocionalmente abalada ao receber a notícia do crime, e essa linha segue em investigação.

Nesta sexta-feira (27), a Polícia Civil confirmou, por meio de laudo pericial, que as vítimas morreram em decorrência de disparos de arma de fogo, descartando a hipótese inicial de afogamento na cisterna.

As investigações também revelaram que o adolescente acessou o aplicativo no celular do pai, onde descobriu um saldo de R$33 mil. Ele chegou a realizar buscas na internet sobre como realizar saques de benefícios em nome de pessoas falecidas.

Familía foi enterrada e adolescente internado em unidade socioeducativa

Os corpos do casal e do filho mais novo foram sepultados ontem (26), sob forte comoção, na cidade de Itaperuna, na presença de familiares, amigos e moradores do bairro. Já o adolescente foi submetido hoje (27) a exame no Instituto Médico Legal (IML) e, posteriormente, encaminhado à unidade socioeducativa (CENSE) de São Fidélis, onde ficará internado provisoriamente por 45 dias, conforme decisão judicial.

O inquérito policial segue em andamento e apura, entre outros pontos, a influência do relacionamento virtual, a possível premeditação do crime e o papel de outros envolvidos.

Quem é Tayla Peres, deputada estadual de Roraima alvo da PF em ação que apreendeu R$ 2,3 milhões

 Parlamentar do Republicanos é suspeita de mascarar recursos ilegais com a venda de carros. A família dela tem um supermercado e a mãe cumpre mandato de vereadora de Boa Vista.

Por João Gabriel Leitão — Boa Vista

PF apreende milhares em espécie em endereços ligados à deputada Tayla Peres em Roraima

PF apreende milhares em espécie em endereços ligados à deputada Tayla Peres em Roraima


A deputada estadual Tayla Peres (Republicanos), de 35 anos, foi o principal alvo de uma operação da Polícia Federal (PF) contra um esquema de lavagem de dinheiro com compra e venda de veículos em Boa Vista. A parlamentar está no segundo mandato na Assembleia Legislativa de Roraima (Ale-RR).

Nesta sexta-feira (26), a PF cumpriu 16 mandados de busca e apreensão na casa, no gabinete e outros endereços ligados a ela e à família. Foram apreendidos mais de R$ 2,3 milhões em espécie, divididos em dólares e 50 envelopes com dinheiro vivo na própria residência da deputada.

Em 2026, Tayla concorreu a vice na chapa do também deputado Soldado Sampaio (Republicanos), governador interino de Roraima, na eleição suplementar para o governo do estado. A dupla foi derrotada pelos principais opositores, Arthur Henrique (PL) e Subtenente Vélton (PL), nas urnas.

Em um vídeo publicado nas redes sociais após a operação, Tayla afirmou que está "com a consciência tranquila" e que respeita o trabalho das autoridades. "Tenho plena confiança de que todos os fatos serão esclarecidos e que apresentaremos todas as informações necessárias", disse a parlamentar.

Deputada estadual Tayla Peres (Republicanos-RR). — Foto: Marley/Ale-RR/Reprodução

Deputada estadual Tayla Peres (Republicanos-RR). — Foto: Marley/Ale-RR/Reprodução

Quem é Tayla Peres

Natural de Boa Vista, Tayla Ribeiro Peres da Silva é bacharel em Direito e empresária. A família da deputada é proprietária de um dos supermercados mais tradicionais da zona Oeste da capital, o Supermercado Peres, localizado no bairro Tancredo Neves.

Além do setor empresarial, a família também tem influência na política. Tayla é filha da vereadora de Boa Vista Walkiria Ribeiro (Republicanos), eleita pela primeira vez nas Eleições Municipais de 2024.

A deputada estreou na vida pública na Câmara Municipal de Boa Vista. Em setembro de 2017, aos 26 anos, ela assumiu uma cadeira como suplente do PRTB, ao substituir a então vereadora Aline Rezende, e se tornou a vereadora mais jovem da Casa à época.

No ano seguinte, em 2018, ela foi eleita para o primeiro mandato de deputada estadual com 2.608 votos, ainda pelo PRTB. Na Assembleia, chegou a presidir o Procon e a Comissão de Defesa do Consumidor.

Em 2022, já filiada ao Republicanos, Tayla Peres foi reeleita como a quarta deputada estadual mais votada de Roraima, com 7.292 votos. À época, ela declarou um total de R$ 1.406.663,70 em bens, que incluem um terreno localizado no bairro Paraviana, de R$ 800 mil.

Ela é casada com um empresário do setor de venda de veículos e tem dois filhos.

Operação Testa de Ferro

A investigação da Polícia Federal aponta que um grupo ligado à deputada usava "laranjas" e simulava a compra e venda de carros para maquiar recursos de origem ilegal. Para desarticular o esquema, a ação cumpriu mandados de busca e apreensão em 11 endereços.

Foram apreendidos 53 veículos e mais de R$ 2,3 milhões em espécie. A maior fatia desse valor (cerca de R$ 2,1 milhões) foi encontrada escondida em imóveis, empresas e em um posto de combustíveis administrados por investigados ligados à parlamentar.

O irmão dela, Leonardo Reis, foi preso em flagrante durante as buscas por suspeita de corrupção eleitoral. Com ele, os policiais apreenderam envelopes com dinheiro vivo e nomes de moradores de diversos municípios do interior de Roraima.

A suspeita é de que a verba seria usada para compra de votos na eleição suplementar em que Tayla concorreu. Ele pagou fiança e foi solto. Na mesma operação, outras duas pessoas acabaram presas por posse ilegal de arma de fogo, mas também pagaram fiança e respondem em liberdade.

Deputada Tayla Peres, o irmão, Leonardo Reis, e o dinheiro apreendido em operação da PF — Foto: Reprodução

Deputada Tayla Peres, o irmão, Leonardo Reis, e o dinheiro apreendido em operação da PF — Foto: Reprodução