quarta-feira, 28 de outubro de 2026

Cidade de vídeo de Nikolas dá ao PT maior votação desde 2018

 Em Luís Eduardo Magalhães (BA), Lula recebeu 24,7 mil votos no segundo turno, 4,5 mil a mais que no primeiro; Flávio Bolsonaro venceu na cidade

Repórter de Política do Estado de Minas. Jornalista e mestre em Comunicação Social pela UFMG, com pesquisa em Inteligência Artificial aplicada ao jornalismo. Atua na cobertura dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário em Minas Gerais e Brasília.

28/10/202

O resultado representa o maior número absoluto de votos recebido pelo PT no município nas três últimas eleições presidenciais

crédito: Bruno Spada/Câmara dos Deputados | Evaristo Sá/AFP

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) registrou, no segundo turno das eleições presidenciais de 2026, a maior votação do Partido dos Trabalhadores (PT) desde 2018 em Luís Eduardo Magalhães, no Oeste da Bahia. 

O município foi escolhido pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) para a gravação de um vídeo em que apresenta relatos de moradores sobre dificuldades socioeconômicas na região, divulgado na reta final da campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL). Apesar da vitória do candidato do PL na cidade, Lula ampliou sua votação de 20.173 para 24.739 votos entre os dois turnos, um crescimento de 4.566 votos.

O vídeo foi publicado em 20 de outubro, cinco dias antes da votação que garantiu a reeleição de Lula para um quarto mandato. Na gravação, Nikolas apresenta depoimentos de moradores, supostamente, em situação de pobreza e critica as condições de vida na região, que classificou como "o Nordeste que foi esquecido". A produção tinha como objetivo reduzir a vantagem eleitoral do petista no Nordeste, principal reduto de votos do presidente.

A divulgação, no entanto, provocou críticas de adversários políticos e até de aliados de Flávio Bolsonaro. Imagens dos bastidores da gravação, que circularam nas redes sociais dias depois, mostram integrantes da equipe sugerindo que uma antena digital não fosse filmada por ser "mais tecnológica".

Também surgiram questionamentos sobre a escolha de personagens que reclamavam das condições de vida na região, após a divulgação de informações de que alguns deles seriam proprietários de caminhonetes Toyota Hilux, veículos de alto valor comercial.

Em meio à repercussão, Lula ampliou sua votação em Luís Eduardo Magalhães. No primeiro turno, realizado em 4 de outubro, o presidente recebeu 20.173 votos, equivalentes a 32,51% dos votos válidos. Três semanas depois, alcançou 24.739 votos, ou 38,4%. 

O resultado representa o maior número absoluto de votos recebido pelo PT no município nas três últimas eleições presidenciais. Em 2018, Fernando Haddad (PT), então candidato à Presidência, obteve 15.773 votos no segundo turno, o equivalente a 41,20% dos válidos. Quatro anos depois, Lula recebeu 22.542 votos, ou 41,39%.

Flávio Bolsonaro, por sua vez, manteve a liderança no município e também alcançou a maior votação absoluta da família Bolsonaro desde 2018. O senador recebeu 38.496 votos (62,03%) no primeiro turno e 39.688 (61,6%) no segundo. Desde 2018, o município integra o grupo de cidades baianas em que candidatos da família Bolsonaro superam os adversários petistas nas eleições presidenciais.

Em 2018, Jair Bolsonaro, então filiado ao PSL, recebeu 22.509 votos (58,8%) no segundo turno, contra 15.773 (41,20%) de Haddad. Em 2022, já pelo PL, o ex-presidente ampliou sua votação para 31.918 votos (58,61%), enquanto Lula alcançou 22.542 (41,39%).

No primeiro turno, Flávio Bolsonaro terminou à frente de Lula, com 47,03% dos votos válidos, contra 45,16% do petista, uma diferença de aproximadamente 2,2 milhões de votos.

No segundo turno, Lula reverteu a desvantagem e venceu com 51,7% dos votos válidos, o equivalente a mais de 64 milhões de votos, contra 48,2% de Flávio, que recebeu mais de 59 milhões, segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A diferença ultrapassou 4,4 milhões de votos.

Aos 80 anos, Lula se tornou o primeiro candidato desde a redemocratização a vencer uma eleição presidencial após terminar o primeiro turno na segunda colocação. O resultado também garantiu ao petista um quarto mandato na Presidência da República, feito inédito na história democrática brasileira.

Postagem que estimula demissão de funcionário petista é criminosa, diz MPT

 Página de Juiz de Fora fez postagem com orientações para patrões driblarem a legislação e evitarem o enquadramento da dispensa como discriminatória. Para procuradora do MPT, situação trata-se de assédio eleitoral e deverá ser apurada.

Por Gabriel Landim, TV Integração — Juiz de Fora

Denúncias de assédio eleitoral crescem, e MPT alerta para casos após as eleições

Denúncias de assédio eleitoral crescem, e MPT alerta para casos após as eleições


Uma publicação que circula nas redes sociais pede que empregadores demitam funcionários que se identificam com o Partido dos Trabalhadores (PT). A postagem, feita por uma página de Juiz de Fora, também orienta patrões a driblar a legislação para evitar o enquadramento da dispensa como discriminatória.

O conteúdo acendeu um alerta sobre a perseguição de trabalhadores por causa de suas convicções políticas.

Segundo a procuradora regional do Trabalho Luciana Marques Coutinho, práticas como essas podem configurar assédio eleitoral e resultar em consequências trabalhistas e criminais.

“Estamos diante de uma flagrante constatação de prática de assédio eleitoral, porque isso é um constrangimento em relação à opção de voto do trabalhador. Isso é uma irregularidade trabalhista muito grave e, além de ser uma irregularidade trabalhista, ela pode ter repercussão, inclusive, criminal”.

400 denúncias no dia seguinte ao segundo turno

De acordo com Luciana Marques Coutinho, o Ministério Público do Trabalho (MPT) recebeu mais de 400 denúncias de casos semelhantes no Brasil nos dois dias seguintes ao segundo turno das eleições

Entre as situações relatadas estão trabalhadores que teriam sido demitidos por causa de suas preferências políticas e empregadores que anunciaram a intenção de investigar as publicações de funcionários nas redes sociais para identificar posicionamentos políticos.

Para Luciana Marques Coutinho, procuradora regional do Trabalho, estímulo à demissão pode configurar assédio eleitoral — Foto: Gabriel Landim/TV Integração

Para Luciana Marques Coutinho, procuradora regional do Trabalho, estímulo à demissão pode configurar assédio eleitoral — Foto: Gabriel Landim/TV Integração

A procuradora também citou manifestações de empresários e influenciadores digitais que incentivam esse tipo de prática.

“Temos recebido casos de trabalhadores que foram de fato dispensados, possivelmente em relação a essa opção de voto. Trabalhadores que se manifestaram anteriormente, com preferência por esse ou aquele candidato”.

Segundo ela, pessoas físicas e jurídicas que incentivam ou praticam essas condutas também podem ser responsabilizadas.

Minas registrou 223 denúncias até o 2º turno

Em Minas Gerais, o Ministério Público do Trabalho recebeu 223 denúncias de assédio eleitoral durante as eleições deste ano, até o segundo turno. Segundo a procuradora, o número de registros vem aumentando, principalmente em razão de possíveis retaliações após o resultado das urnas.

A circulação de conteúdos em aplicativos de mensagens e redes sociais também contribui para ampliar o alcance dessas práticas, de acordo com o MPT.

Sede do Ministério Público do Trabalho, em Belo Horizonte — Foto: Gabriel Landim/TV Integração

Sede do Ministério Público do Trabalho, em Belo Horizonte — Foto: Gabriel Landim/TV Integração

Luciana Marques Coutinho destacou que publicações com grande número de visualizações podem provocar danos que vão além dos trabalhadores diretamente afetados.

“Quando estamos falando de postagens nas redes sociais, isso tem um alcance muito maior. Muitas vezes, são milhares de visualizações, milhões de visualizações, e o dano social, a indenização pelo dano social, é calculada de acordo com esse potencial ofensivo, de acordo com o potencial de dano que foi ocasionado pela prática”.

Trabalhadores podem reunir provas e denunciar

O Ministério Público do Trabalho informou que vai atuar para garantir os direitos dos trabalhadores afetados e reforçou a importância de denunciar casos de perseguição ou retaliação por posicionamento político.

Segundo a procuradora, é importante que as vítimas reúnam provas que possam ajudar na apuração das denúncias, como:

  • capturas de tela de mensagens
  • áudios de conversas
  • documentos enviados pelo empregador
  • informações sobre a conduta da empresa

O relato de testemunhas que presenciaram as situações também pode contribuir para a investigação.

“É importante que as pessoas denunciem se sofreram dispensas retaliatórias ou deixaram de ser admitidas, por exemplo, em razão de uma retaliação pela orientação política ou pela opção de voto. É fundamental que o trabalhador reúna essas provas e possa juntá-las à denúncia”, orientou.

A procuradora ressaltou que, embora já tenham sido registrados casos semelhantes em eleições anteriores, o volume e a forma de organização das manifestações observadas neste pleito chamam a atenção do órgão.

As denúncias podem ser feitas pela internet, pelo site do MPT, pelo link mpt.mp.br/pgt/servicos/servico-denuncie. A pessoa pode se identificar ou optar pelo envio das informações de forma anônima.

Postagem que incentiva demissão de petista é criminosa, diz MPT | G1