quarta-feira, 29 de abril de 2026

Messias diz a Flávio que 8 de Janeiro foi 'um dos episódios mais tristes da história recente'

 Indicado de Lula ao STF respondeu a questionamentos do pré-candidato do PL à Presidência durante sabatina na CCJ do Senado. Flávio fez críticas a Moraes ao formular perguntas.

Por Luiz Felipe BarbiériCaetano Tonet, g1 — Brasília

Messias diz a Flávio que 8 de janeiro foi um dos episódios mais tristes da história

Messias diz a Flávio que 8 de janeiro foi um dos episódios mais tristes da história


O advogado-geral da União, Jorge Messias, disse nesta quarta-feira (29), em resposta ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que o 8 de Janeiro de 2023 "foi um dos episódios mais tristes da história" do Brasil.

Indicado por Lula para o Supremo Tribunal Federal (STF), Jorge Messias deu a declaração durante sabatina na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado.

Ele foi questionado por Flávio sobre a condenação, pela Suprema Corte, de idosos que participaram dos atos golpistas em Brasília. Na pergunta, o pré-candidato do PL fez críticas ao ministro Alexandre de Moraes, que relatou os inquéritos sobre o 8 de Janeiro no STF.

"O 8 de Janeiro, como já pude declarar, foi um dos episódios mais tristes da história recente e acho que fez muito mal ao país. Efetivamente, as pessoas que foram presas no 8 de Janeiro foram submetidas a um processo, foram processadas, muitas foram condenadas, algumas assinaram acordos de não persecução penal, algumas ainda estão presas. A prisão e o processo penal sempre carregam uma tragédia pessoal e familiar, nós não podemos desconhecer", disse Jorge Messias.

Na resposta a Flávio Bolsonaro, Messias disse também que o sistema penal brasileiro prevê mecanismos de revisão criminal, que permitem a condenados solicitar, na Justiça, uma reanálise e eventuais correções dos seus casos.

Sobre a possibilidade de o Congresso conceder anistia a condenados, por meio da derrubada do veto de Lula ao projeto que trata do tema, Messias evitou fazer comentários e disse que cabe ao Legislativo tomar uma decisão sobre o perdão aos envolvidos no 8 de Janeiro.

"A discussão acerca de anistia é própria do ambiente político e institucional. A crítica pública também é própria. A liberdade de expressão permite que se critique qualquer tipo de posição. Agora, a definição acerca deste tema compete às vossas excelências. E não a mim, na condição de operador do direito. Anistia é um ato jurídico político institucional que cabe ao parlamento", declarou.

Ao formular perguntas a Jorge Messias, Flávio Bolsonaro também citou o escândalo de desvios de aposentadorias e pensões pagas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), investigado pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto, cuja primeira fase ocorreu em abril de 2025 na gestão Lula.

Nas suas perguntas, no entanto, Flávio não mencionou integrantes do governo Jair Bolsonaro que foram alvos das investigações da PF.

Na resposta, Jorge Messias disse que a Advocacia-Geral da União cumpriu seu papel "de forma absolutamente técnica e republicana" nos processos sobre as fraudes no INSS.

"Eu quero dizer que nós já bloqueamos mais de R$ 2,33 bilhões em valores e bens. E quero dizer também que neste processo nós já conseguimos devolver para mais de 4,5 milhões de aposentados e pensionistas os valores que foram indevidamente descontados e integralmente corrigidos", disse Messias.

Messias é sabatinado na CCJ do Senado para vaga no STF — Foto: Reuters/Jorge Silva

Messias é sabatinado na CCJ do Senado para vaga no STF — Foto: Reuters/Jorge Silva

Messias diz a Flávio que 8 de Janeiro foi 'um dos episódios mais tristes da história recente' | G1

Caetano Veloso agradece a Otto Alencar por corrigir senador que disse que ele pegou em armas: 'Fake news'

 Correção de senador ocorreu após fala do colega Marcio Bittar (PL-AC) na sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, no Senado.

Por TV Globo e g1 — Brasília

Senador do PL diz que Caetano 'pegou em armas' e é corrigido: 'Só no violão'

Senador do PL diz que Caetano 'pegou em armas' e é corrigido: 'Só no violão'


Caetano Veloso agradeceu ao senador Otto Alencar (PSD-BA) por corrigir uma declaração do senador Marcio Bittar (PL-AC), que afirmou que o cantor pegou em armas durante a ditadura militar.

"Meu agradecimento ao senador @ottoalencar por restabelecer a verdade e desfazer mais uma FAKE NEWS repetida com tanta convicção. Tenho horror a armas! Como bem foi dito, me muno apenas do violão, da palavra e da canção. Abraçaço", disse ao republicar uma notícia do g1 nas redes sociais.

A correção ocorreu na sabatina do advogado-geral da União, Jorge Messias, no Senado, nesta quarta-feira (29).

"Fernando Gabeira, até o Caetano Veloso, em um momento de lucidez admitiram isso, os dois disseram isso: 'Nós não lutávamos pela democracia, lutávamos pela implantação da ditadura do proletariado'. E em nome disso pegaram em armas. Foram para a guerrilha urbana e rural. Mataram pessoas, fizeram justiçamento, e todas foram perdoadas e anistiadas em 1979", disse Bittar

Após a fala, Otto Alencar, presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), disse o seguinte: "Apenas peço que Vossa Excelência retire da sua fala. Caetano nunca pegou em armas, só pegou a vida inteira em violão", comentou.

🔎 Segundo registros oficiais, Caetano Veloso foi preso em 1968, acusado de “subversão e incitamento à desordem”, em razão de sua atuação artística. Não há qualquer menção a uso de armas ou participação em guerrilha. Em 1969, o cantor deixou o país e viveu no exílio em Londres até 1972.

Caetano Veloso e Maria Bethânia no réveillon de Copacabana — Foto: Fernando Maia/Riotur

Caetano Veloso e Maria Bethânia no réveillon de Copacabana — Foto: Fernando Maia/Riotur

Quem é Messias?

O advogado-geral da União, Jorge Messias, foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para assumir a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) após Luís Roberto Barroso anunciar sua aposentadoria da Corte. Seu nome precisa ser aprovado no Senado.

Jorge Rodrigo Araújo Messias tem 45 anos e é natural de Pernambuco. Está no governo desde o início da terceira gestão Lula, em 2023.

Saiba os principais pontos da trajetória de Jorge Messias:

➡️ Tomou posse na AGU em 2023, no início do governo Lula. Antes mesmo da nova gestão começar, já integrava a equipe de transição;

➡️ Servidor público desde 2007, com atuação em diversos órgãos do Executivo, como o Banco Central e o BNDES;

➡️ É considerado um nome de confiança de Lula, com apoio de ministros do PT e da ala palaciana;

➡️ Mantém relação próxima e leal com o presidente, desde os tempos do governo Dilma Rousseff.

➡️Como advogado-geral da União, defendeu as instituições democráticas, especialmente o Supremo Tribunal Federal (STF), diante das ameaças do governo dos Estados Unidos, chefiado por Donald Trump;

➡️Também liderou ações judiciais ligadas a pautas consideradas estratégicas para o governo Lula, como a defesa do decreto do IOF, derrubado no Congresso, e a regulamentação de redes sociais (veja mais abaixo).

Caetano Veloso agradece a Otto Alencar por corrigir senador que disse que ele pegou em armas: 'Fake news' | G1