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Os deputados federais Rogério Correia (PT-MG), Lindbergh Farias (PT-RJ), André Janones (Avante-MG), Alencar Santana (PT-SP), Erika Hilton (PSOL-SP), e o vereador do Rio de Janeiro Rick Azevedo (PSOL) foram condenadoscrédito: Kayo Magalhães, Bruno Spada, Vinicius Loures / Câmara dos Deputados e Reprodução/Redes sociais
Os deputados federais de esquerda Rogério Correia (PT-MG), Lindbergh Farias (PT-RJ), André Janones (Avante-MG), Alencar Santana (PT-SP) e Erika Hilton (PSOL-SP), o vereador do Rio de Janeiro Rick Azevedo (PSOL) e um usuário do Threads, Patrick Fritz, terão que excluir postagens que relacionam o senador e pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-SP) ao crime organizado e a uma PEC que substituiria a escala 6x1 a uma escala 7x0. A decisão é do ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), André Mendonça.
O ministro entendeu que Flávio Bolsonaro tem notoriedade por ser apresentado como pré-candidato à Presidência da República, o que confere caráter estritamente eleitoral às publicações e justifica a atuação da Justiça Eleitoral para coibir a propaganda antecipada negativa.
No processo contra André Janones, a punição foi motivada por um vídeo publicado no Instagram no início de junho. Na gravação, que teve mais de 1,9 milhão de visualizações, o deputado aparecia dizendo que estava viajando para os Estados Unidos para entregar uma "capivara" de Flávio Bolsonaro ao presidente estadunidense Donald Trump e a parlamentares americanos.
No vídeo, Janones chamou o senador de “bandido” e “vagabundo”. Ele acusou Flávio diretamente de roubar dinheiro do povo brasileiro, de ter envolvimento com milicianos e traficantes, e de ter ligação com o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), morta a tiros em 2018.
Publicação de Janones no InstagramReprodução/Instagram @andrejanones
Ao analisar o caso, Mendonça entendeu que Janones não fez uma crítica política comum sobre os planos ou viagens do senador, mas jogou nas redes acusações criminais “gravíssimas” sem apresentar nenhuma investigação, documento ou prova que sustentasse o que disse.
Postagens solo e conjunta
Já os deputados Lindbergh Farias e Rogério Correia foram acionados juntos por causa de duas postagens, também no Instagram. A primeira foi uma publicação feita em formato colaborativo, que aparece no perfil dos dois ao mesmo tempo, de 1º de junho, mostrando um carrossel de 12 fotos que associava a imagem de Flávio Bolsonaro a pessoas investigadas e a facções como o Comando Vermelho e milícias, usando o título "Flávio Bolsonaro e relações com o crime organizado".
A segunda postagem, publicada por Lindbergh no mesmo dia, traz uma montagem com a frase: “A seleção do crime organizado está escalada. E Flávio Bolsonaro é o técnico”. O ministro afirmou que as publicações usaram recursos visuais fortes para fazer o eleitor acreditar que o senador de fato comanda e coordena grupos criminosos.
Postagem de Lindbergh traz uma montagem com a frase: "A seleção do crime organizado está escalada. E Flávio Bolsonaro é o técnico"Reprodução/Instagram @lindberghfarias
Como os deputados apenas juntaram fotos e nomes sem mostrar decisões judiciais ou relatório oficial que comprovasse esse vínculo, o ministro considerou que o material passou dos limites da ironia e da liberdade de expressão, servindo apenas para atacar a honra do pré-candidato. Os citados incluem o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro; o miliciano Adriano da Nóbrega, o membro do CV Índio do Lixão, dentre outros facionados.
“O conteúdo não veicula apenas crítica dura, ironia, sarcasmo ou juízo de valor negativo. Ele sugere que Flávio Bolsonaro possui vínculos com organizações criminosas, grupos paramilitares, traficantes e integrantes do Comando Vermelho, sem indicar elemento mínimo que demonstre o alegado vínculo ilícito”, afirma trecho da decisão.
“Embora a propaganda antecipada não se caracterize por toda e qualquer menção a pré-candidato, a jurisprudência desta Corte admite a configuração de propaganda eleitoral antecipada negativa quando o conteúdo veiculado, antes do período permitido, desqualifica a honra ou a imagem de adversário político ou divulga fato sabidamente inverídico ou gravemente descontextualizado”, diz outro trecho.
Segundo Mendonça, embora o debate democrático proteja críticas políticas ácidas e contundentes, a liberdade de expressão não permite a divulgação de acusações graves sem comprovação. Nos dois casos, o magistrado concluiu que associar o parlamentar a milícias, facções e práticas criminosas, sem apresentar investigações oficiais ou provas mínimas, ultrapassa os limites da opinião pública e introduz uma narrativa desinformativa no ambiente digital.
O relator também destacou o grande alcance e a rápida dispersão dos conteúdos nas redes sociais, o que gerava um risco imediato de prejudicar a honra do pré-candidato e influenciar o eleitorado antes mesmo do início oficial da campanha.
Escala 6x1
Uma terceira decisão, também de relatoria de Mendonça, abrange publicações feitas no X (antigo Twitter) e no Threads pelos deputados federais Rogério Correia, Alencar Santana e Erika Hilton, além do vereador Rick Azevedo e do produtor de conteúdo Patrick Fritz. O Partido Liberal (PL) acionou a corte alegando que o grupo utilizou as redes sociais para espalhar desinformação ao associar o senador Flávio Bolsonaro à criação de uma suposta "escala 7x0" de trabalho.
Nas postagens, os denunciados afirmavam que Flávio e seus aliados políticos haviam apresentado ou defendiam uma proposta para instituir a "escala 7x0", que consistiria em trabalhar sete dias por semana sem direito a nenhum dia de descanso.
Mendonça descreveu que material utilizava expressões de "forte impacto emocional" e apelo popular, chamando o senador de "inimigo do trabalhador" e "inimigo do povo", além de classificar o projeto defendido por ele como uma "proposta escravocrata" feita para "destruir a CLT" e "acabar com tudo que é direito do trabalhador". As mensagens afirmavam ainda que o pré-candidato "queria ver" o cidadão trabalhando sem direito a folgas.
Na publicação de Rogério Correia, por exemplo, o deputado afirmava que "o fim da 6x1 corre perigo" porque o senador Rogério Marinho, apontado por ele como responsável pelo programa de governo de Flávio Bolsonaro, teria protocolado uma emenda para barrar o fim da jornada 6x1 que havia sido aprovada na Câmara. Segundo o post de Correia, essa emenda tentava instituir a "escala 7x0" por meio do pagamento por horas trabalhadas, contando ainda com a assinatura dos senadores mineiros Carlos Viana (PSD) e Cleitinho Azevedo (Republicanos).
Atenção, o fim da 6x1 corre perigo??
O Senador Rogerio Marinho, responsável pelo programa de Flávio Bolsonaro, protocolou emenda para barrar o fim da jornada 6x1, que aprovamos na Câmara, instituindo escala 7x0 via pgto por horas trabalhadas. Em MG,Viana e Cleitinho assinaram. pic.twitter.com/jx9rCfvL93
Publicação de Rogerio Correia sobre escala 7x0Reprodução/X @RogerioCorreia_
Ao analisar o texto da PEC nº 12/2026, que é o projeto de lei usado como base para os ataques, o ministro André Mendonça constatou que a publicação distorceu a realidade. Ele explicou que a proposta legislativa não altera o trecho da Constituição que assegura o repouso semanal remunerado e muito menos cria uma jornada de sete dias seguidos de trabalho. O ministro entendeu, no documento da decisão, que os políticos e o produtor de conteúdo “extrapolam os limites da crítica política e configuram propaganda eleitoral negativa antecipada”.
Segundo Mendonça, qualificar um projeto como prejudicial aos trabalhadores ou inadequado faz parte do debate político e é protegido por lei. No entanto, entendeu que o erro jurídico e a ilegalidade aconteceram quando o grupo transformou essa divergência ideológica em uma informação falsa, inventando um fato que não existe no papel para queimar a imagem do pré-candidato diante dos eleitores em um tema altamente sensível, que é o emprego e a jornada de trabalho.
“A presente decisão não impede a crítica política à PEC nº 12/2026, a qualquer pré-candidato, aos parlamentares que subscreveram a proposta ou ao debate sobre jornada de trabalho, desde que não se afirme, de modo categórico, que a proposta cria ou impõe a escala 7x0 ou extingue o repouso semanal remunerado”, diz trecho da decisão.
O ministro determinou a remoção imediata das publicações no prazo de 24 horas e proibiu que os envolvidos voltem a postar esse conteúdo ou variações dele, sob pena de multa diária.
Exclusões
Até o momento da publicação desta reportagem, apenas a postagem conjunta de Lindbergh Farias e Rogério Correia foi retirada do ar pelos parlamentares. As demais citadas ainda não haviam sido excluídas, mesmo após a determinação da Justiça Eleitoral para que a remoção ocorresse no prazo de 24 horas.
Pelo descumprimento da ordem nessas postagens que seguem ativas, os deputados ficam sujeitos ao pagamento da multa diária pessoal estipulada pelo TSE. Além disso, o ministro enviou uma ordem oficial diretamente ao Instagram, que deve fazer a remoção forçada dos links que continuam no ar, sob pena de a plataforma também sofrer sanções financeiras. A decisão do tribunal prevê ainda uma nova multa diária para o caso de qualquer tentativa futura de republicar ou impulsionar esse mesmo material, inclusive se os deputados utilizarem truques de edição de imagem ou texto para tentar burlar o sistema de bloqueio.
Reações
Em nota enviada à imprensa, a equipe de Flávio Bolsonaro afirmou que as decisões do TSE restabelecem a verdade no ambiente digital e freiam uma "estratégia mentirosa" desenhada para atacar a honra do senador. De acordo com a assessoria, os parlamentares processados recorreram a "fake news e desinformação" por não terem propostas reais para debater, optando por tentar vincular o pré-candidato a crimes e “fatos inexistentes”.
A nota destaca ainda que, enquanto os opositores se concentram em criar narrativas falsas nas redes sociais, o senador segue focado em apresentar soluções concretas para o país. Para a assessoria, as decisões do tribunal dão uma resposta firme ao que classificaram como uma "goleada em ações vitoriosas contra postagens irregulares do PT".
“A decisão do TSE indica a gravidade da conduta praticada por adversários do senador. Os adversários petistas tentam interferir na opinião dos eleitores com fatos inexistentes”, afirma trecho da declaração.
O deputado Rogério Correia, nas redes sociais, relacionou a condenação a um acordo entre Mendonça e o “filho 01” de Jair Bolsonaro. “Ministro Mendonça proibiu vincular Flávio com Vorcaro e Flávio com as milícias, porque? É segredo de polichinelo, até o reino mineral sabe. Só falta proibir o Tariflávio”, escreveu no X.
Ministro Mendonça proibiu vincular Flávio com Vorcaro e Flávio com as milícias, porque? É segredo de polichinelo, até o reino mineral sabe. Só falta proibir o Tariflávio.
Já em conversa com o Estado de Minas, ele definiu as decisões como “censura pura” e declarou que irá recorrer ao Supremo Tribunal Federal contra a decisão das publicações relacionadas à escala de trabalho. Ele foi intimado a apagar as postagens trabalhadas em ambas as decisões.
As equipes dos parlamentares Lindbergh Farias, André Janones, Alencar Santana, Erika Hilton e Rick Azevedo foram procurados para comentar as condenações. Eles não se pronunciaram publicamente. A reportagem não conseguiu contato com Patrick Fritz. O espaço segue aberto para quaisquer declarações.
O RIVA CRAVOU: NEYMAR NUNCA MAIS 100%? 👀
Nessa resenha de campeões do mundo, a convite da bet365, nosso TRI, o Riva, soltou essa: O único diferente é o Neymar, mas as condições físicas dele não deixam mais ele ser AQUELE cara!
Concorda com o riva? O bate-papo, na íntegra, você encontra no Youtube da CazéTV!
A ocorrência foi divulgada neste domingo (21) e segundo a Polícia Militar, a operação foi no Aglomerado Buraco do Peru, na Região Noroeste da capital; cocaína e crack estavam escondidos em uma área de vegetação.
Ao todo, a PM apreendeu 1.017 pinos de cocaína e 544 pedras de crack durante a operação. — Foto: Polícia Militar
A Polícia Militar apreendeu mais de 1,5 mil porções de drogas durante uma operação contra o tráfico e homicídios no Aglomerado Buraco do Peru, na Região Noroeste de Belo Horizonte. Os entorpecentes estavam escondidos em uma área de vegetação próxima a uma creche. A informação foi divulgada neste domingo (21).
Segundo o boletim de ocorrência, os militares receberam informações sobre um esconderijo utilizado para armazenar droga e passaram a monitorar a área. Durante as diligências, um homem foi visto acessando uma área de vegetação e manipulando os entorpecentes próximos a uma escadaria.
Na abordagem, os policiais encontraram 1.017 pinos com substância semelhante à cocaína, 544 pedras com características de crack e R$ 48 em dinheiro.
De acordo com a PM, o suspeito assumiu a posse do material apreendido. Ele foi preso em flagrante por tráfico de drogas.
O g1 entrou em contato com a Polícia Civil e aguarda retorno.
Mais de 1,5 mil porções de cocaína e crack foram apreendidas pela PM no Aglomerado Buraco do Peru, na Região Noroeste de Belo Horizonte. — Foto: Polícia Militar
Os Estados Unidos e a Otan têm sido garantidores da segurança da Islândia por décadas, mas a volta de Donald Trump à Casa Branca colocou essa garantia em xeque.
Por décadas, o país confiou sua defesa a seus aliados na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e aos Estados Unidos. Mas o atual contexto internacional e o segundo mandato de Donald Trump colocaram essa certeza em xeque.
As ameaças do presidente estadunidense à vizinha Groenlândia e à aliança atlântica causaram preocupação na Islândia e abriram um debate sobre sua posição no mundo, a ponto de o governo ter convocado um referendo para 29 de agosto sobre a reabertura das negociações para adesão à União Europeia, que estavam congeladas há anos.
Esta é a história de como um pequeno país que não se sentia ameaçado foi forçado a repensar sua segurança.
Por que a Islândia não tem exército
Localizada a cerca de 2.300 quilômetros do Polo Norte, a ilha da Islândia é um país relativamente jovem, tendo conquistado sua independência da Dinamarca em 1944, durante a Segunda Guerra Mundial.
Após a guerra, a república islandesa foi um dos membros fundadores da Oten em 1949, com uma característica única: era, e continua sendo, a única sem um exército permanente.
No contexto da crescente rivalidade com a União Soviética, os Aliados reconheceram o valor estratégico da ilha, que o lendário líder britânico Winston Churchill descreveu como "um porta-aviões inafundável".
E, apesar de não contribuírem com tanques nem tropas para a aliança, concordaram em garantir sua defesa em um acordo posteriormente reforçado por um tratado bilateral com os Estados Unidos em 1951. Desde então, caças dos EUA, noruegueses e de outros países da Otan patrulham rotineiramente seus céus, e as forças aliadas frequentemente realizam exercícios de treinamento e reconhecimento na ilha.
A base aérea de Keflavik recebe regularmente aeronaves da OTAN, como o caça norueguês Pia Hansen, diretora do Instituto de Assuntos Internacionais da Universidade da Islândia, disse à "BBC": "Em nosso país, temos experiência com a presença de exércitos estrangeiros, mas não com o nosso próprio."
Parte da explicação para esse paradoxo reside na geografia.
Com uma densidade populacional de 3,8 habitantes por quilômetro quadrado, a Islândia é o país menos densamente povoado da Europa e um dos menos densamente povoados do mundo, e por décadas prevaleceu a visão de que os aproximadamente 400 mil islandeses são uma população insuficiente para fornecer um exército estável capaz de defender seus mais de 103 mil quilômetros quadrados de território.
Principalmente porque 80% do país é composto pelas Terras Altas, um território inóspito com um clima extremo, composto por geleiras, campos de lava e vulcões, onde quase ninguém vive.
"Não faz sentido; não temos gente suficiente", respondeu Maria, uma jovem estudante de direito da Universidade da Islândia, quando a "BBC" lhe perguntou se seu país deveria ter um exército.
Todos os seus compatriotas que consultamos durante nossa visita a Reykjavik, a capital, deram a mesma resposta, e uma pesquisa realizada no ano passado revelou que 72% dos islandeses se opõem à ideia do país estabelecer forças armadas convencionais.
Por ora, os islandeses parecem continuar confiando em sua guarda costeira, uma força considerada bem equipada e eficiente, que frequentemente aparece em pesquisas como uma das instituições mais valorizadas.
A guarda costeira é dedicada principalmente ao resgate marítimo em um país cuja subsistência depende da pesca em condições ambientais desafiadoras.
Também é responsável pela vigilância das fronteiras e pela administração da base aérea de Keflavik, de onde decolam os caças da OTAN para suas patrulhas aéreas e que, durante a Guerra Fria, foi um dos principais pontos de monitoramento dos movimentos de submarinos soviéticos.
Por que a segurança está sendo questionada agora?
O retorno de Donald Trump à Casa Branca em 2025 e sua visão para a região do Ártico causaram grande impacto.
Trump insistiu que os Estados Unidos devem "possuir" a Groenlândia por razões de segurança nacional e, em meio a crescentes divergências com seus aliados europeus, chegou a questionar o compromisso dos EUA com a Otan.
No Fórum de Davos, em janeiro, o presidente americano disse sobre seus aliados europeus: "Não sei se eles estariam lá por nós. Eles não estavam lá na Islândia, posso garantir. Quer dizer, nossa bolsa de valores despencou ontem por causa da Islândia. Então, a Islândia já nos custou muito dinheiro."
Embora um porta-voz da Casa Branca tenha esclarecido posteriormente que Trump se referia à Groenlândia, suas palavras foram recebidas na Islândia com uma mistura de espanto e preocupação.
As ameaças de Donald Trump em relação à Groenlândia causaram preocupação na Islândia
"Os comentários de Trump deixaram muitas pessoas na Islândia sem palavras, embora eu acredite que todos entenderam que ele se referia à Groenlândia", afirmou Eirikur Bergmann, cientista político da Universidade de Bifröst.
"No entanto, o tipo de agressão que o governo dos EUA iniciou para tomar a Groenlândia, às vezes em tom hostil, tem sido motivo de preocupação na Islândia, porque os argumentos sobre a necessidade dos EUA de adquirir a Groenlândia poderiam ser igualmente aplicados à Islândia", acrescentou o especialista.
Na realidade, a mudança na política externa dos EUA promovida por Trump e o crescente interesse de Washington no Ártico apenas intensificaram uma preocupação pré-existente sobre a crescente percepção da ameaça russa na Europa, especialmente após a invasão da Ucrânia em 2022.
Devido à pequena população da Islândia, o governo não considera a possibilidade de criar um exército convencional
A aposta europeia
Mas talvez a mudança estratégica mais significativa iniciada em Reykjavík tenha sido o renovado foco na União Europeia.
O governo de coalizão da primeira-ministra Kristún Frostradottir quer reabrir as negociações para a adesão da Islândia ao bloco europeu, congeladas desde 2013, e convocou um referendo sobre o assunto.
Se os islandeses votarem a favor em 29 de agosto, a Islândia retomará as negociações para a adesão à União Europeia, uma questão sobre a qual o país está dividido há anos.
Embora o debate sobre a adesão já dure décadas, o novo contexto e a presença de Trump deram ao tema da adesão uma nova dimensão: a segurança do país.
O governo da primeira-ministra Kristrún Frostadóttir está pressionando por um referendo para reabrir as negociações de adesão da Islândia à União Europeia
"Embora a União Europeia não seja uma aliança militar, os seus tratados contêm cláusulas mais explícitas, mesmo sobre defesa mútua, do que a Carta do Atlântico da Otan, o que convence muitos sobre a conveniência da adesão", diz Bergmann.
Na realidade, a Islândia faz parte do espaço Schengen há anos, da área europeia de livre circulação de pessoas e bens, e de outros elementos-chave do quadro da União Europeia, mas nunca deu o passo de se tornar formalmente um estado-membro.
Um dos obstáculos à entrada no bloco tem sido a resistência da Islândia em chegar a acordo com Bruxelas sobre o acesso aos abundantes recursos pesqueiros dos quais depende a sua economia.
Os Estados Unidos e a Otan tinham garantido a segurança da Islândia há décadas, mas isso pode estar mudando com a volta de Trump à Casa Branca
Os eurocéticos rejeitam a negociação de quotas de pesca e a transferência de soberania que a adesão à União Europeia implicaria.
Os defensores da adesão contrapõem essa rejeição à vantagem de ter uma moeda estável como o euro num país que, nos últimos anos, sofreu uma inflação mais elevada do que o resto da Europa, e cada vez mais, com o apoio adicional de pertencer ao bloco num momento em que os pilares do passado parecem estar ruindo.
A disputa acirrada demonstrada nas sondagens torna difícil prever o resultado do referendo.
Num mundo cada vez mais volátil, a única certeza é que os islandeses terão de responder, de uma forma ou de outra, a uma pergunta que não se fazem há décadas: quem garante a sua segurança e como?