segunda-feira, 26 de outubro de 2026

IFTM investiga ofensas xenofóbicas em grupo de WhatsApp contra estudante nordestina após vitória de Lula: 'Você polui nosso estado'

 Em áudio, estudante manda colega, que comemorava a reeleição de Lula neste domingo (25), voltar para o Nordeste; Instituto Federal do Triângulo Mineiro, em Uberaba, repudiou as declarações e informou que as vítimas recebem apoio.

Por g1 Triângulo — Uberaba

IFTM de Uberaba investiga ofensas xenofóbicas de aluno em grupo de WhatsApp
Drop here to attach

IFTM de Uberaba investiga ofensas xenofóbicas de aluno em grupo de WhatsApp


O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Triângulo Mineiro (IFTM), em Uberaba, informou, nesta segunda-feira (26), que apura declarações racistas e xenofóbicas feitas por um estudante em um grupo de WhatsApp formado por alunos do curso técnico em Agropecuária da instituição.

Capturas de tela de conversas divulgadas nas redes sociais mostram áudios enviados por um estudante em resposta a uma mensagem de uma colega de turma que, segundo a publicação, é natural da região Nordeste do Brasil e comemorava a reeleição de Lula nas eleições de 2026, realizadas neste domingo (25).

Entre xingamentos, ele sugere que a colega deixe Minas Gerais. Ouça acima.

“Você é Lula, volta lá pro Nordeste, comer calango, tijolo. Sai de Minas Gerais, você polui nosso estado. Dá licença, por favor”

Os nomes e as idades dos estudantes envolvidos não foram divulgados.

As conversas ocorreram em um grupo de WhatsApp formado por alunos do curso técnico em Agropecuária integrado ao ensino médio. Após o resultado das eleições, os estudantes reagiram à vitória de Lula. Diante das ofensas, o envio de mensagens foi limitado no grupo, mas outro foi criado, onde as trocas de insultos continuaram.

De acordo com a denunciante, há mais de uma aluna nordestina na turma. Ao se deparar com as ofensas de caráter xenofóbico, ela decidiu divulgar as mensagens nas redes sociais.

🔎 A xenofobia é a aversão, o preconceito ou a discriminação contra pessoas consideradas estrangeiras ou provenientes de outras regiões. Pode se manifestar por meio de ofensas, hostilidade e exclusão social motivadas pela origem geográfica ou nacionalidade de uma pessoa.

As ofensas aconteceram em um grupo de Whatsapp de alunos da IFTM de Uberaba — Foto: Redes Sociais/reprodução

As ofensas aconteceram em um grupo de Whatsapp de alunos da IFTM de Uberaba — Foto: Redes Sociais/reprodução

Em nota, a Direção-Geral do IFTM em Uberaba manifestou repúdio às declarações e informou que instaurou os procedimentos necessários para apurar os acontecimentos e avaliar a eventual responsabilização dos envolvidos.

Segundo a instituição, as medidas seguem os regulamentos internos, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), o ECA Digital e a legislação vigente.

“Racismo e xenofobia não são opiniões, mas práticas discriminatórias que podem configurar crimes e graves violações dos direitos humanos, sendo inaceitáveis em qualquer ambiente social”, informou a nota.

O comunicado também destaca que as vítimas estão recebendo acolhimento por meio de escuta qualificada e apoio institucional. Leia a nota, na íntegra, abaixo.

    O que disse a IFTM campus Uberaba

    "A Direção-Geral do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Triângulo Mineiro (IFTM) Campus Campus Uberaba manifesta seu mais veemente repúdio às declarações e condutas de caráter racista e xenofóbico recentemente divulgadas por estudantes em um grupo de rede social.

    Tais manifestações violam os princípios fundamentais da dignidade da pessoa humana, da igualdade e do respeito à diversidade, além de contrariarem os valores que orientam a educação pública, democrática e inclusiva. Racismo e xenofobia não são opiniões, mas práticas discriminatórias que podem configurar crimes e graves violações dos direitos humanos, sendo inaceitáveis em qualquer ambiente social.

    Diante da gravidade dos fatos, o IFTM Campus Uberaba informa que adotou prontamente as providências cabíveis e instaurou os procedimentos necessários à apuração dos acontecimentos e à eventual responsabilização dos envolvidos, em observância aos regulamentos institucionais, ao Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), ao ECA Digital e à legislação vigente. Os órgãos externos competentes também estão sendo formalmente notificados para a adoção das medidas legais pertinentes.

    Paralelamente, servidores da instituição estão em contato direto com as vítimas para oferecer acolhimento, escuta qualificada e o apoio institucional necessário neste momento.

    A Direção-Geral destaca, ainda, o trabalho contínuo do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros e Indígenas (NEABI), que desenvolve ações voltadas à educação para as relações étnico-raciais, ao letramento racial, à valorização da diversidade e ao enfrentamento do racismo e das desigualdades no ambiente escolar. O Núcleo também permanece à disposição para acolher e acompanhar a comunidade acadêmica.

    O IFTM Campus Uberaba reafirma seu compromisso inegociável com a defesa dos direitos humanos, a formação cidadã e a construção de um ambiente educacional seguro, inclusivo, ético e livre de qualquer forma de preconceito, discriminação ou violência.

    Racismo e xenofobia não serão tolerados.

    Direção-Geral do IFTM Campus Uberaba"

    Instituto Federal do Triângulo Mineiro IFTM campus Uberaba — Foto: IFTM/Divulgação

    Instituto Federal do Triângulo Mineiro IFTM campus Uberaba — Foto: IFTM/Divulgação

    IFTM de Uberaba investiga xenofobia em WhatsApp após vitória de Lula | G1

    Lula venceu em 62 países; Flávio Bolsonaro, em 38: MAPA mostra como foi a eleição no exterior

     Na comparação com o primeiro turno, houve viradas em cinco países e dez cidades. A abstenção caiu, e cerca de 40 mil eleitores a mais compareceram às urnas.

    Por Wesley Bischoff, g1 — São Paulo

    Veja como foi as eleição presidencial no exterior — Foto: Bruna Azevedo/Arte g1

    Veja como foi as eleição presidencial no exterior — Foto: Bruna Azevedo/Arte g1


    O presidente Lula (PT) foi reeleito no domingo (25) e terminou o segundo turno da eleição presidencial na liderança entre os brasileiros que vivem no exterior. Flávio Bolsonaro (PL) ficou em segundo lugar.

    Ao todo, Lula foi o mais votado em 62 países e territórios, enquanto Flávio liderou em 38. Na comparação com o primeiro turno, o candidato do PL virou o resultado em três países e três cidades, enquanto o petista passou à frente em dois países e sete cidades.

    • A votação no exterior foi organizada em 186 cidades de 134 países e territórios, incluindo a Guiana Francesa.
    • Mais de 916 mil brasileiros estavam aptos a votar no exterior, mas apenas 381.443 compareceram às urnas.
    • Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a abstenção foi de 58,37%. Apesar do índice, cerca de 40 mil eleitores a mais votaram no segundo turno em comparação com o primeiro.
    • Ao todo, 9.762 eleitores votaram nulo ou em branco.

    Veja o placar no exterior:

    • Lula (PT): 200.154 votos (53,86%)
    • Flávio Bolsonaro (PL): 171.497 (46,14%)

    Na comparação com o segundo turno de 2022, Lula recebeu 47.249 votos a mais no exterior. Na disputa contra Jair Bolsonaro (PL), o petista havia obtido 152.905 votos (51,28%), contra 145.264 (48,72%) do então presidente.

    ▶️ Confira a seguir como foi a votação por região.

    América

    Veja como foi o resultado das eleições no continente americano — Foto: Arte g1

    Veja como foi o resultado das eleições no continente americano — Foto: Arte g1

    Mais de um terço dos votos válidos no exterior se concentrou na América. Flávio Bolsonaro foi o mais votado na região, com 75.678 votos (56,44%), contra 58.409 de Lula (43,56%).

    O resultado positivo para Flávio foi puxado principalmente pelos Estados Unidos, onde o senador recebeu 53.718 votos, ante 32.023 do petista.

    • Flávio venceu em 19 países e territórios da região, enquanto Lula liderou em oito.
    • Os Estados Unidos foram o principal reduto de Flávio no exterior. Ele recebeu 53.718 votos no país (62,65%).
    • O senador também teve vantagem expressiva no Paraguai, onde recebeu 4.542 votos (86,60%), seis vezes mais que Lula.
    • Lula foi o mais votado em países como Argentina (68,77%), Chile (53,76%) e Uruguai (52,42%). No Canadá, recebeu 15.776 votos (64,98%), quase o dobro dos votos de Flávio.
    • Em Cuba, Lula registrou o maior percentual de votos válidos entre os brasileiros no exterior: 97,73%.

    Na comparação com o primeiro turno, houve virada na Costa Rica e na Venezuela, onde Flávio passou à frente. Já no México e na Guiana Francesa, Lula foi o mais votado. As mudanças também apareceram em cidades.

    • Lula virou o placar em Passos de Los Libres e Mendoza, na Argentina; em La Paz, na Bolívia; em Nova York, nos Estados Unidos; em Caiena, na Guiana Francesa; e na Cidade do México.
    • Flávio venceu em São José, na Costa Rica, e em Caracas, na Venezuela.

    Em quatro países onde havia urnas, nenhum eleitor compareceu: Antígua e Barbuda, Barbados, Belize e Santa Lúcia.

    ⚠️ Os dados da América não incluem os votos registrados no Brasil.

    Europa

    Veja os resultados da eleição na Europa — Foto: Arte g1

    Veja os resultados da eleição na Europa — Foto: Arte g1

    Lula foi o candidato mais votado na Europa e venceu em 25 países. O presidente recebeu 120.314 votos (67,12%), mais que o dobro dos 58.930 (32,88%) de Flávio. A região concentrou quase metade dos votos válidos registrados no exterior.

    • Portugal foi o país onde Lula recebeu mais votos: 34.319 (59,42%), contra 23.433 (40,58%) de Flávio.
    • Alemanha (79,09%), Espanha (68,42%), França (83,96%), Reino Unido (63,34%) e Itália (59,99%) também contribuíram para a vantagem do petista no continente.
    • Assim como no primeiro turno, Flávio venceu em apenas dois países europeus: Grécia (54,95%) e Ucrânia (84,21%).

    Nenhum eleitor compareceu às urnas na Albânia e na Bósnia e Herzegovina.

    Ásia e Oceania

    Veja os resultados das eleições na Ásia e na Oceania — Foto: Arte g1

    Veja os resultados das eleições na Ásia e na Oceania — Foto: Arte g1

    Flávio Bolsonaro foi o mais votado na Ásia, com 32.669 votos (69,76%), contra 14.160 de Lula (30,24%). Apesar da vantagem no total de votos, os dois empataram no número de países em que venceram: 14 cada.

    O Japão foi o principal responsável pela vantagem de Flávio na região. O senador recebeu 28.538 votos (80,08%) no país, enquanto Lula teve 7.098 (19,92%).

    • Além do Japão, Flávio venceu em países como Israel, Emirados Árabes Unidos, Catar e Filipinas.
    • No Nepal, o senador recebeu 92,31% dos votos válidos, o maior percentual obtido por ele no exterior.
    • Lula foi o mais votado em países como China, Coreia do Sul, Jordânia, Líbano e Palestina.
    • A Malásia foi um dos países onde houve virada entre os turnos, com vitória de Flávio. Já em Nova Délhi, na Índia, Lula venceu após uma virada na cidade.
    • Em dez países asiáticos, nenhum eleitor compareceu às urnas. Entre eles estão Armênia, Azerbaijão, Cazaquistão, Iraque e Paquistão.

    Na Oceania, Lula foi o mais votado nos dois países com urnas. O petista recebeu 6.435 votos (64,34%), contra 3.566 (35,66%) de Flávio.

    • Na Austrália, Lula teve 6.017 votos (63,46%), enquanto Flávio recebeu 3.465 (36,54%).
    • Na Nova Zelândia, o petista recebeu 418 votos (80,54%), contra 101 (19,46%) do senador.

    África

    Confira o resultado das eleições brasileiras na África — Foto: Arte g1

    Confira o resultado das eleições brasileiras na África — Foto: Arte g1

    A África foi a região com o menor número de votos registrados para os dois candidatos. Lula recebeu 836 votos e Flávio Bolsonaro, 654. O petista venceu em 13 países, enquanto o senador liderou em três.

    • Lula foi o mais votado em países como Angola (58,60%), Marrocos (83,78%), Nigéria (86,49%) e Senegal (72,84%).
    • Flávio venceu na África do Sul (57,92%), Guiné-Bissau (53,66%) e em Moçambique (52,00%).
    • A Guiné-Bissau havia registrado empate no primeiro turno. Na votação de domingo, Flávio terminou na liderança com uma vantagem de apenas três votos.
    • Na Líbia, nenhum eleitor compareceu às urnas no segundo turno. No primeiro, Lula havia sido o mais votado no país, com apenas dois votos.

    Em 17 países africanos, nenhum eleitor compareceu às urnas. Entre eles estão Camarões, Etiópia e Zimbábue.

    Montagem Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) — Foto: Reprodução

    Montagem Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) — Foto: Reprodução

    Lula venceu na Argentina, e Flávio Bolsonaro, nos EUA; veja MAPA | G1