quarta-feira, 19 de agosto de 2026

PF faz buscas contra suspeito de municiar perseguidor de Flávio Dino

11 de agosto de 2026

O cerco ao maranhense Luís Pablo Conceição de Almeida, que se apresenta como jornalista, está um pouco mais próximo de se fechar. Nesta terça-feira (11/8), a Polícia Federal cumpriu mandados de busca e apreensão contra o ex-secretário de governo do Maranhão Raimundo Cutrim no âmbito de uma investigação que apura a perseguição ao ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal. A ação policial foi autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF, a pedido da PF e com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República.

Reprodução / X
O suposto jornalista Luís Pablo Conceição de Almeira responde a mais de 350 processos

Cutrim, que também foi deputado estadual, entrou na mira dos investigadores após a análise de materiais apreendidos com Luís Pablo — alvo de busca e apreensão em março deste ano, quando teve celular e computador recolhidos pela PF.

Segundo as informações obtidas na investigação, o ex-secretário é uma fonte do suposto jornalista. A PF busca esclarecer como Luís Pablo obteve documentos e dados sigilosos, como trajetos, horários, endereços e placas de veículos blindados do TJ-MA usados por Flávio Dino, além de rotinas da sua equipe de segurança.

A apuração também avançou sobre pessoas que ajudaram o blogueiro na obtenção de informações. A PF quer saber, entre outros pontos, a origem de dados utilizados nas publicações e eventual acesso indevido a sistemas públicos. Informações divulgadas sobre o inquérito mencionam consultas a bases ligadas ao Detran e ao Judiciário maranhense.

A defesa de Cutrim afirmou que ainda não teve acesso aos processos relacionados às operações e sustentou que as medidas desta terça-feira estão vinculadas às reportagens sobre o suposto uso irregular de veículos oficiais por Dino.

Ficha corrida

Pela plataforma Jusbrasil, na aba “diários oficiais”, o registro é de mais de 350 processos contra o chantagista Luís Pablo, como réu. Nem todos são sobre extorsão. Em alguma dezenas ele tem condenações por deixar de pagar salários e direitos trabalhistas (clique aqui para ler a reportagem do g1 sobre o esquema de extorsões, que mostra recibos da chantagem e depoimento de uma das vítimas da quadrilha de Luís Pablo).

Com amplo apoio da imprensa, o criminoso, já condenado outras vezes pelas mesmas práticas, tenta desacreditar as decisões do STF e as investidas da PF.

Pelas centenas de processos registrados no Jusbrasil, a organização criminosa age mais ativamente em períodos eleitorais, quando vende a publicação de ataques ou imunidades para interferir nas eleições. A grande maioria dos partidos políticos já acionou a Justiça e o grupo é forçado, repetitivamente, a tirar acusações mentirosas do ar. Em parte delas, o alvo é exatamente Flávio Dino, que é do Maranhão.

O suposto jornalista e sua família acumulam ações judiciais por motivos variados, que incluem, além de processos por extorsão, reclamações trabalhistas e queixas por excesso de barulho em festas.

Em 2017, ele chegou a ser preso junto com um irmão e com o pai, também blogueiros, por cobrar dinheiro de investigados para não publicar informações recebidas clandestinamente. Em 2019, foi condenado por difamação contra três juízes do Tribunal de Justiça do Maranhão por causa de textos publicados em seu site.

Os jornais e entidades representativas do setor têm defendido ardorosamente o direito de publicar notícias sabidamente falsas sem que haja responsabilização das empresas. Em novembro de 2023, o STF fixou a tese que permite responsabilização de jornais por acusações mentirosas feitas por entrevistados.

Direito de mentir

Em março do ano passado, o tribunal atenuou a norma. Agora, a empresa jornalística só pode ser responsabilizada civilmente se for comprovada a sua má-fé, em duas situações:

1. Dolo: Quando o veículo sabia previamente que a informação/acusação era falsa e, mesmo assim, a publicou;

2. Culpa grave: Quando houve uma negligência evidente no dever de checagem (o veículo não ouviu o outro lado ou ignorou indícios claros de que a história era mentira).

Duas das principais notícias sobre os crimes de Luís Pablo, publicadas pelo g1, foram suprimidas depois de terem sido citadas na decisão de Alexandre de Moraes que determinou o bote contra a quadrilha dos Almeida. Os links dos textos estavam disponíveis aqui e aqui, mas não aparecem mais no ar.

Depois que a “lava jato” introduziu nos Códigos de Processo Civil e Penal a mentira como ferramenta jurídica, largos setores da imprensa lutam para validar o direito de chantagear e extorquir, publicando ou deixando de publicar acusações — verdadeiras ou falsas.

Pet 15.206

Candidata do PL que criticou Bolsa Família recebe o auxílio desde 2018

 Conhecida como "Trans de Direita", Sophia Barclay utilizou as redes sociais para criticar o Bolsa Família mesmo sendo beneficiária há 8 anos

19/08/2026 02:00
 Reprodução
Candidata do PL que criticou Bolsa Família recebe o auxílio desde 2018
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A candidata a deputada federal por São Paulo Sophia Barclay (PL), que usou as redes sociais para criticar programas de assistência do governo federal, como o Bolsa Família e o Gás do Povo, apareceu como beneficiária dos auxílios desde 2018, segundo dados do Portal da Transparência. Nos últimos oito anos, com exceção de 2024, Barclay teria recebido cerca de R$ 21 mil das iniciativas sociais.

A influenciadora política, também conhecida como “Trans de Direita”, começou a receber o Bolsa Família em maio de 2018, quando tinha 18 anos e ainda morava no Rio de Janeiro. Os pagamentos eram vinculados ao Cadastro Único (CadÚnico), sistema usado pelo governo para reunir informações de famílias de baixa renda.

Mas, a partir de 2025, quando passou a produzir conteúdos voltados à direita na internet, logo começaram as críticas ao funcionamento dos programas. Barclay insinuou que as iniciativas eram ineficientes e chegou a ofender os beneficiários. Em 11 de setembro de 2025, ela criticou o programa em publicação no X.

“Gostam de viver na extrema miséria, porque é nisso que vocês vivem. Vá por mim: tem gente que merece mesmo viver apenas de Bolsa Família e se contentar com pouco. Bando de porco”, escreveu.

Dias depois, no mesmo mês, a então influenciadora política recebeu R$ 600 do Bolsa Família, segundo os dados oficiais. As críticas continuaram neste ano. No mês de julho, ela publicou vídeo em seu perfil do Instagram em que questionou o programa Gás do Povo:

“Por que ao invés de aplicar auxílio, não diminui o valor do gás? Não! Mete auxílio e aumenta o imposto. E no final de tudo quem paga por isso? O próprio povo”.

O documento, obtido pela reportagem, mostrou que ela havia recebido o benefício relacionado ao gás em março deste ano.

“Serviços Comunitários”

Durante a pré-campanha, Barclay também apresentou proposta para mudar as regras do Bolsa Família. A ideia era exigir que beneficiários considerados “saudáveis” e que não tivessem filhos menores prestassem serviços comunitários para continuar recebendo o auxílio.

Segundo ela, a proposta foi apresentada como forma de fazer com que as pessoas que recebiam o auxílio também “contribuíssem” para a sociedade.

“Não é justo que apenas o trabalhador sustente essa conta. Beneficiários do Bolsa Família que não possuem filhos menores também precisam contribuir com trabalho e serviços comunitários. Bolsa Família não é aposentadoria”, afirmou.

O que diz a candidata?

Ao Metrópoles, a assessoria de Sophia Barclay afirmou que a candidata não é contra programas de assistência social. Segundo a nota, para a candidata, os auxílios devem servir como proteção para quem precisa, mas não como fonte permanente de renda.

“A candidata defende que o Estado ofereça amparo a quem realmente necessita, especialmente em situações de vulnerabilidade, mas entende que programas sociais devem funcionar como uma rede de proteção e não como uma condição permanente de dependência.”

Sobre os registros no Bolsa Família e no Gás do Povo, a equipe disse que a candidata ficou surpresa ao saber que aparecia como beneficiária e pontuou que isso teria acontecido porque o nome de Barclay consta no CadÚnico de um familiar.

A assessoria afirmou ainda que a influenciadora trabalha, declara seus rendimentos e não teve a intenção de esconder renda ou receber os benefícios de forma irregular.