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domingo, 27 de setembro de 2026
Antonio Tabet republicou o post sobre Nossa Senhora Aparecida após decisão do ministro Flávio Dino, do STF
Antonio Tabet republicou o post sobre Nossa Senhora Aparecida após decisão do ministro Flávio Dino, do STF.
Dino derrubou a ordem de André Mendonça que havia determinado a remoção do conteúdo. Ao comentar a decisão, Tabet disse que ela preserva “a liberdade de expressão e a liberdade religiosa”.
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#CongressoEmFoco #FlávioDino #AntonioTabet #NossaSenhoraAparecida #STF
Dino derrubou a ordem de André Mendonça que havia determinado a remoção do conteúdo. Ao comentar a decisão, Tabet disse que ela preserva “a liberdade de expressão e a liberdade religiosa”.
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O dia em que bolsonaristas invadiram Santuário de Nossa Senhora Aparecida para beber e agredir jornalistas:
O dia em que bolsonaristas invadiram Santuário de Nossa Senhora Aparecida para beber e agredir jornalistas: No dia 12 de outubro de 2022, Dia de Nossa Senhora Aparecida, às vésperas das eleições do segundo turno para presidente, um grupo de… https://t.co/ktstKsTt2V #revistafórum
— Revista Fórum (@revistaforum) September 25, 2026
ATENÇÃO 🚨🚨🚨 PASTOR BOLSONARISTA chama NOSSA SENHORA APARECIDA DE SATANÁS FANTASIADO DE AZUL
ATENÇÃO 🚨🚨🚨 PASTOR BOLSONARISTA chama NOSSA SENHORA APARECIDA DE SATANÁS FANTASIADO DE AZUL 😱😱😱
— Ricardo Cloro 🇧🇷🟥🚩 (@CloroEquino) September 25, 2026
NINGUÉM TOCA NA PADROEIRA
PROTEJAM A MÃE DO BRASIL
DEFENDAM APARECIDA pic.twitter.com/2SwBLPuhrx
sábado, 26 de setembro de 2026
Tabet repudia decisão de Mendonça para tirar post sobre Nossa Senhora do ar… -
Do UOL, em São Paulo
Antônio Tabet recebe Natalia Beauty no AltTabet
Imagem: UOL… - Veja mais em https://noticias.uol.com.br/eleicoes/2026/09/25/tabet-repudia-decisao-de-mendonca-para-tirar-post-sobre-nossa-senhora-do-ar.ghtm?cmpid=copiaecola
O humorista Antonio Tabet repudiou hoje a decisão do ministro André Mendonça, do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), que determinou a remoção de uma publicação sobre Nossa Senhora Aparecida.
O que aconteceu
Defesa de Antonio Tabet criticou decisão de Mendonça e anunciou recursos. Em comunicado, os dvogados afirmaram que liminar determinou remoção de publicação no X (antigo Twitter) que não citava o candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL) e sustentaram que medida restringe a liberdade de expressão.
A principal (mas não única) fragilidade jurídica da decisão reside na presunção de que uma crítica genérica teria um destinatário certo, referendando um curioso fenômeno de autoidentificação. A postagem limitou-se a afirmar, acompanhada de uma imagem da padroeira, que 'a família miliciana odeia tanto mulher preta, que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!'. O fato de o representante ter se reconhecido de forma tão imediata nessa exata descrição é revelador, mas vestir a própria carapuça não deveria fornecer o alicerce jurídico para a decretação de censura.
A liberdade de expressão e a crítica política, por mais ácidas ou incômodas que sejam, constituem elementos ordinários e constitucionalmente protegidos do debate democrático. Tratar uma opinião incisiva e uma hipérbole retórica como se fossem a divulgação de um 'fato objetivamente falso' subverte a finalidade do combate à desinformação. Por essa razão, informamos que serão interpostos todos os recursos cabíveis para reverter a decisão e resguardar o direito à livre manifestação.Trecho de comunicado divulgado nas redes sociais
Mendonça atendeu a um pedido da campanha de Flávio Bolsonaro (PL). Na decisão, o ministro afirmou que a publicação contém "expressões de elevada carga crítica e depreciativa". Segundo Mendonça, o conteúdo ultrapassou o campo da opinião política e passou a veicular fato "objetivamente falso, informação fabricada ou grave descontextualização", capaz de interferir na formação da vontade do eleitor.
Publicação teve mais de 195 mil visualizações, 2 mil compartilhamentos e 11 mil curtidas. Mendonça afirmou que a capacidade de propagação das redes sociais, somada à proximidade da eleição, reduz o tempo disponível para que informações falsas sejam esclarecidas antes do voto.
Mendonça proibiu Tabet de republicar conteúdos semelhantes. O ministro também fixou multa de R$ 30 mil em caso de descumprimento da decisão.
Polêmica sobre Nossa Senhora
Informação de que Flávio apoiaria projeto para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil viralizou. A polêmica surgiu após uma declaração de Flávio feita há cerca de um mês, quando afirmou que, caso eleito, um dos seus primeiros atos seria "decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo". A fala foi uma resposta às críticas por ter faltado a um debate da Band.
Flávio negou ter intenção de retirar o título de Nossa Senhora Aparecida. O candidato classificou a informação como "fake news" e afirmou que respeita todas as religiões. Ele também acusou a "milícia do PT" de espalhar o conteúdo nas redes sociais.
Após pedido de Flávio, Mendonça censura até posts de perfis dedicados ao Santuário de Nossa Senhora
Lista de links a remover, pedida pela campanha, inclui posts de perfis religiosos dedicados ao Santuário, Leonardo Boff e Erika Hilton
Após um pedido dos advogados do candidato à presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o ministro André Mendonça, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), determinou que X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube removam publicações, sem necessidade de nova decisão judicial, que tragam como conteúdo textos dizendo que o candidato do PL teria um plano para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil . A ordem vale inclusive para conteúdos futuros.
O ministro escreve que estariam fora desse alcance textos jornalísticos ou de sátira e humor. No entanto, uma série de postagens que apenas mencionam o tema sem reproduzir o suposto plano também foram removidos. O ICL Notícias verificou que posts da conta “santuarionacional”, dedicada a posts religiosos sobre Nossa Senhora e a Basílica, entrou na lista. O perfil não contém nenhum conteúdo político.
Além disso, um post do advogado Lucas Mourão que simplesmente informou que o ex-presidente Jair Bolsonaro teve entre seus assessores na Presidência um ex-deputado que foi o autor do projeto de lei já arquivado que realmente propôs a retirada do título de padroeira para Nossa Senhora
O tema que voltou a circular nos últimos dias foi alvo do PL 2.623/2007, já arquivado. Ele propunha substituir a expressão “Padroeira do Brasil” por “Padroeira dos brasileiros católicos apostólicos romanos” e foi rejeitado e arquivado pela Câmara em agosto de 2008. O autor é o ex-deputado Victório Galli Filho, que, após se aproximar do bolsonarismo, foi nomeado assessor especial da Presidência por Jair Bolsonaro em 2019. Flávio negou publicamente ter feito qualquer proposta nesse sentido.
Decisão de Mendonça
A ordem quer censurar a informação de que “Flavio Nantes Bolsonaro ou sua família propôs, articulou, apoiou, está comprometido com ou pretende promover a retirada de Nossa Senhora Aparecida da condição ou do título de Padroeira do Brasil”. Segundo a decisão, devem ser removidas também publicações “substancialmente equivalentes”, definidas como aquelas que, “embora empreguem redação, imagem, áudio, vídeo, meme ou formato diverso, transmitam esse mesmo núcleo factual”.
No entanto, quem fará a distinção são as empresas de tecnologia. Na prática, caberá às plataformas decidir o que se enquadra nessa definição. A decisão determina que os provedores, “uma vez cientes desta decisão”, removam essas publicações “independentemente de nova ordem judicial específica”.
O ministro acrescenta que novos posts poderão ser notificados diretamente às empresas pela campanha, “sem necessidade de nova decisão judicial específica”. O descumprimento gera multa de R$ 50 mil por dia para cada plataforma, que tem 48 horas para informar ao tribunal as providências adotadas e quantos conteúdos derrubou.
No texto, o ministro afirma que a atuação preventiva das plataformas “não pode converter-se em delegação genérica às plataformas para suprimir manifestações politicamente desfavoráveis ao candidato”. Não há na decisão, porém, previsão de controle judicial sobre o que as empresas efetivamente irão remover.
Quem está na lista
Além da regra geral para conteúdos futuros, Mendonça mandou remover uma extensa lista de endereços apresentada pela campanha. Entre os endereços aparecem publicações dos perfis do teólogo Leonardo Boff, da deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP), dos deputados federais Rogério Correia (PT-MG) e Ivan Valente (PSOL-SP), do ex-deputado Jean Wyllys e do MST. Constam também posts no Facebook de parlamentares petistas, como Tadeu Veneri e Jonas Reis, um vídeo do perfil de TikTok do frei carmelita Gilvander Moreira e um vídeo da conta @santuarionacional no TikTok, nome usado pelo Santuário Nacional de Aparecida.
Segundo o levantamento apresentado pela campanha de Flávio Bolsonaro e reproduzido na decisão, a narrativa circulou em 2.086 publicações de 1.674 contas. Esses posts somaram mais de 21 milhões de visualizações, cerca de 1,49 milhão de curtidas e 312 mil compartilhamentos, e 1.301 novas publicações surgiram depois do desmentido público.
Para Mendonça, a nova decisão se dá porque a remoção pontual de links não se mostrou suficiente. As plataformas também deverão usar ferramentas de correspondência de imagem para derrubar cópias idênticas de um card com o título “Para agradar evangélicos, Flávio Bolsonaro articula retirada de Nossa Senhora Aparecida como Padroeira do Brasil”.
Após pedido de Flávio, Mendonça censura até posts de perfis dedicados ao Santuário de Nossa Senhora
Mendonça considera Bolsonaro 'clã miliciano' ao censurar Tabet | Sakamoto
'Soberania' no altar: falas de bispos católicos viralizam e viram ativo da campanha de Lula na reta final
Bispo de Aparecida, Orlando Brandes, e bispo auxiliar de Manaus, dom frei Samuel Ferreira
- Vitor Tavares
- Role,Da BBC News Brasil em São Paulo
- Published
- Tempo de leitura: 7 min
O que significa quando um religioso fala sobre a importância da "soberania" do Brasil, em meio a uma eleição disputada? As interpretações a essa pergunta aqueceram o debate sobre religião e eleições nas redes sociais nesta última semana, reta final antes do primeiro turno.
Entre vídeos de bispos da Amazônia divulgados no Instagram e um resgate de uma fala do arcebispo emérito de Aparecida, dom Orlando Brandes, na missa em 7 de Setembro deste ano, religiosos aparecem dizendo que é preciso "defender a soberania" do país.
Os vídeos se somaram à polêmica sobre retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil, que perfis de esquerda associaram a Flávio Bolsonaro (PL). O candidato desmentiu a informação e foi à Justiça Eleitoral pedir a remoção de posts.
O único projeto de lei com esse objetivo foi apresentado em 2007 pelo então deputado Victório Galli (PMDB-MT), que anos depois foi assessor do governo Jair Bolsonaro, e arquivado em 2008. Não há registro de participação de Flávio Bolsonaro na proposta.
O termo "soberania", utilizado pelos religiosos nos vídeos, chama atenção por ser usado como bandeira pelo governo e pela campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), impulsionado pelos embates diplomáticos do Brasil com o governo de Donald Trump, nos EUA.
Coordenador do Grupo de Análise de Conjuntura Padre Thierry Linard, órgão de assessoramento da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Francisco Lima disse à BBC News Brasil que não acredita numa finalidade eleitoral.
Segundo ele, o tom das mensagens está de acordo com a doutrina da igreja, mas padres deveriam evitar se pronunciar dessa forma em período de campanha.
"Toda a fala nesse momento só precisaria ser da CNBB. Uma fala isolada de um bispo isolado pode fazer assimetria com relação aos outros. E a gente não faz isso", criticou Lima, bispo de Carolina, interior do Maranhão. "Isso é perigoso."
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Dom Francisco Lima contou que, numa reunião recente do grupo de análise da CNBB que ele coordena, os integrantes chegaram a classificar "soberania" como uma palavra a ser evitada, porque, dita por alguém da Igreja, poderia ter repercussão política.
"Tentamos não fomentar termos que polarizam mais ainda, porque não ganhamos nada com isso", declarou Lima.
O vídeo que viralizou foi publicado na segunda-feira (21/09), com bispos do Amazonas e Roraima, da Regional Norte 1 da CNBB.
Em um trecho, dom Frei Samuel Ferreira, bispo auxiliar da Arquidiocese de Manaus, diz: "É importante a soberania do Brasil, a soberania da nossa Amazônia, a soberania das nossas riquezas e bens. A democracia, portanto, é um bem precioso a ser cuidado e garantido."
Também passou a circular o vídeo em que dom Orlando Brandes, de Aparecida, declara aos fiéis que "vamos defender a soberania". "Nenhum poder de fora, seja quem for, deve mandar aqui".
O sociólogo Alexandre Landim, autor do recém-lançado livro O Deus das urnas: evangélicos e católicos em eleições presidenciais no Brasil (Telha, 2026), avalia que o que chama mais atenção é a forma inédita como a campanha da esquerda está usando esses vídeos numa disputa religiosa com a direita.
"Este ano parece que as eleições ainda não emplacaram, por conta da temperatura eleitoral sem debate intenso. Ao que parece, nessa reta final, as candidaturas entenderam que a pauta da religião anima o eleitorado", avalia.
"Até então, era uma retórica só da direita, desde 1989, quando evangélicos diziam que o PT fecharia igrejas. Então, a retórica agora é muito parecida, só que está com o sinal trocado", explica Landim.
O que indicam os vídeos
As orientações oficiais recentes da CNBB apontam para o não envolvimento do clero com questões eleitorais, explica Landim.
Os vídeos que se espalharam nas redes, porém, mesmo sem apoio direto a Lula, podem levar a interpretações nesse sentido.
"O conteúdo dos vídeos tem teor mais educativo, de orientar os fiéis, mas vemos uma preocupação maior com justiça social, com soberania. E a gente sabe que isso tem viés político hoje. Então, a gente pode entender que seria um pensamento mais progressista nesse momento", avalia Landim.
O padre jesuíta Luís Corrêa Lima, professor de teologia da PUC-Rio, avalia que as frases ditas no vídeo "estão relacionadas com a doutrina social da Igreja e com pronunciamentos de documentos recentes do papa Francisco e do papa Leão 14".
"Nesse contexto eleitoral, ela pode favorecer um candidato ou outro. Mas esse discernimento quem deve fazer são os fiéis", diz o padre professor.
Para Landim, a ideia de que há um temor dessas lideranças católicas com a chegada de Flávio Bolsonaro, que é evangélico, deve ser considerada, apesar de isso ser apenas uma "interpretação".
"Jair Bolsonaro, apesar de ser declaradamente católico, foi um dos maiores porta-vozes das pautas evangélicas. Então, a gente pode compreender, sim, que tenha esse temor da Igreja Católica diante desse espaço", avalia.
Mas Landim diz ser importante notar que a Igreja Católica é muito diversa, com várias correntes mais progressistas ou conservadoras.
Essa disputa em torno da religião também apareceu na polêmica envolvendo Nossa Senhora Aparecida, com novos contornos nesta sexta-feira.
Durante a tarde, o ministro André Mendonça determinou a derrubada de publicações nas redes sociais que associam Flávio Bolsonaro a uma suposta articulação para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.
Na decisão, Mendonça determinou que as plataformas Meta, X, TikTok e YouTube adotem medidas para impedir a disseminação das publicações.
O tribunal já havia decidido, em análise preliminar, que não havia "suporte fático mínimo" para a alegação de que Flávio Bolsonaro ou sua família teriam promovido ou articulado uma iniciativa para retirar o título de Nossa Senhora Aparecida.
Mais cedo, a primeira-dama, Janja da Silva, havia postado nas redes sociais uma foto do presidente Lula segurando a santa. Na legenda, ela escreveu: "Nossa Senhora Aparecida, padroeira do Brasil, olhai por nós!".

Crédito,Reprodução
O vice-presidente e candidato à reeleição na chapa de Lula, Geraldo Alckmin (PSB), também gravou um vídeo dizendo ter recebido mensagens de católicos "preocupados com os rumos do país".
Sem mencionar diretamente a questão de Nossa Senhora Aparecida, ele prometeu que as tradições religiosas estarão "protegidas e preservadas" em um eventual novo governo.
Procurada, a CNBB não se manifestou sobre o conteúdo dos vídeos que estão circulando. Apenas informou que a mensagem da CNBB para o período eleitoral é a que foi publicada aos fiéis em 18 de junho.
O texto diz, entre outras coisas que "não podemos silenciar diante da escandalosa desigualdade social, da corrupção, da compra de votos, da utilização indevida dos recursos públicos e da disseminação deliberada de mentiras (fake news)".
A CNBB diz também sobre a necessidade de "confiança nas instituições democráticas", ao "Estado Democrático de Direito, à independência dos Poderes e à liberdade de expressão".
Católicos nas eleições

Crédito,Getty Images
O bispo Dom Francisco Lima avalia que o acirramento das eleições presidenciais tem contribuído para o uso desses elementos religiosos agora.
"Cada detalhe importa, porque agora a diferença que um ganha do outro é muito pequena. E aí pode se querer buscar o detalhe dentro do religioso", critica.
A pesquisa de Landim feita no seu doutorado e livro mostra que a diferença do voto entre o eleitor evangélico e católico tem ficado mais evidente no Brasil.
O eleitor católico tende a votar mais no PT, enquanto o evangélico vai para o lado do bolsonarismo. Isso faz com que campanhas possam se direcionar a grupos que tenham mais afinidade, segundo Landim.
A pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (24/9) também deixa evidente essa divisão quando o assunto é religião. Entre os católicos, 45% afirmaram que pretendem votar em Lula no primeiro turno, contra 33% que dizem preferir Flávio. Entre os evangélicos, Flávio tem 47%, contra 27% de Lula.
"Hoje, no Brasil, a gente sabe que religião é um determinante de voto do eleitor. Há uma cisão muito clara. Por exemplo, na faixa das pessoas que recebem até dois salários mínimos nas últimas três eleições, se a gente faz uma divisão entre católicos e evangélicos, a votação no PT entre católicos aumentou e a entre evangélicos diminuiu", comenta Landim.
Ou seja, na mesma faixa de renda, o comportamento de voto muda muito a depender da religião da pessoa.
Essa diferença vem se consolidando desde 2010, segundo a pesquisa.
Foi ali que o campo da direita de fato começou a utilizar a retórica religiosa com mais força, na disputa entre José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT).
"Num papel difícil para oposição com a popularidade em alta de Lula, Serra tentou a retórica religiosa, com a pauta do aborto", explica o autor.
Isso porque, em 2009, o governo Lula havia publicado um programa sobre direitos humanos que trazia o tema da descriminalização do aborto.
Naquela eleição, diz Landim, também houve envolvimento direto da CNBB, inclusive com impressão de panfletos orientando os eleitores a não votarem em quem era "favorável" ao aborto.
Em 2014, a atuação da CNBB foi mais discreta, promovendo apenas debates sobre a pauta de costumes com Aécio Neves (PSDB) e Dilma.
Já em 2018, avalia o pesquisador, a religião teve papel importante na eleição entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad, mas pelos evangélicos, e não pela Igreja Católica, que teve participação reduzida.
Em 2022, a CNBB chegou a emitir um comunicado desincentivando que os religiosos participassem da campanha. Isso não quer dizer que membros não se manifestaram.
"A gente não pode dizer que a Igreja Católica tem um posicionamento único. Isso daí vai depender de qual é a corrente interna", diz Landim.
"Tem religiosos ali com um pensamento mais progressista, como o padre Júlio Lancelotti, e outros com pensamento mais conservador, como os movimentos carismáticos, com uma tendência a escolherem candidaturas da direita."
Durante a ditadura militar, especialmente a partir dos anos 1970, setores importantes da Igreja Católica brasileira, como a CNBB, passaram a atuar fortemente em direitos humanos, defesa dos pobres e redemocratização, o que pode levar a uma interpretação de alinhamento a um campo mais progressista.
Mas a própria entidade tem afirmado que não se identifica com nenhuma ideologia ou partido político e justifica sua atuação política a partir da doutrina social da Igreja.
Alexandre Landim avalia ainda que as falas de líderes católicos como as dos vídeos serve mais para animar o debate do que influenciar voto. Entre os católicos, diz, essa transferência do que fala um líder religioso para a decisão é ainda menor do que entre os evangélicos.
"Eu não acredito que essas declarações vão mudar a orientação dos votos."
Segundo ele, a estratégia de ativar o eleitor por meio da religião, entretanto, pode funcionar. "Mas, pensando em projeto de país, é prejudicial, porque gera animosidade religiosa", conclui.
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