quarta-feira, 24 de junho de 2026

'Chora com vontade, senão vou te dar um tiro': a ameaça em escola militar

 Após criança de 3 anos acordar aos prantos, psicóloga registrou áudio chocante com ameaças de tiro e gritos na escola

24/06/2026


Diante do comportamento do filho, Shaiane tentou contato com a coordenadora da escola, mas conta que nunca recebeu acolhimento nem orientaçõescrédito: Arquivo pessoal


A psicóloga Shaiane Costa achou estranho quando o filho de 3 anos começou a acordar de madrugada, aos prantos, perguntando se tinha que ir para a escola no dia seguinte.

Causou desconfiança na mãe o fato da criança chorar rotineiramente no caminho para a Escola de Educação Tio Chico, em Porto Alegre. Mantida pela Brigada Militar do Rio Grande do Sul, a instituição atende gratuitamente filhos dos brigadistas com idades entre 2 e 6 anos.

Ela conta que Pedro, cujo nome foi alterado para preservar a criança, chegava em casa dizendo que havia ficado de castigo. Desculpava-se, com insistência, diante de qualquer situação. "Se ele derrubasse uma água, ele me pedia desculpas várias vezes", diz. E começou a chorar muito ao se aproximar da escola.

Foi depois de mais um dia em que Pedro entrou pelo corredor da escola aos berros, pulando, "sendo levado", sem que ela pudesse acompanhá-lo, que a situação chegou ao limite para Shaiane.

No dia seguinte, ela colocou um gravador dentro da mochila da criança.

No início, Shaiane disse que não tinha razões para se preocupar com a instituição onde seu filho passava algumas horas do dia.

Para chegar ali, a família esperou que ele completasse dois anos — pré-requisito para a matrícula — e passou por um processo seletivo, do qual ela desconhece os critérios de aceitação.

Passado o período comum de adaptação, Pedro foi se acostumando e começou a fazer amiguinhos.

Esporadicamente, algumas situações na escola incomodavam a mãe, como quando ele chegou com uma mordida no braço sem explicação.

"Perguntei se ele não avisou à professora [sobre a mordida] e ele disse que não, que ela estava ocupada cuidando de outros coleguinhas e por isso ele não quis falar", conta ela.

"Fiquei sem entender. Como ninguém viu aquela mordida?"

Ao perguntar à professora, a mãe ouviu que ninguém viu o ocorrido e que o menino não havia chorado.

"Achamos estranho. Uma mordida daquelas deve ter doído, e é normal que a criança chore."

Na mesma lista de situações que causaram estranheza à família do menino, está o dia em que ele voltou para casa com febre alta sem que ninguém houvesse avisado a mãe ou o pai, segue ela.

Um dia, Pedro chegou com uma assadura tão severa que ficou com dificuldade de caminhar pela casa.

Em nenhum desses episódios a escola demonstrou ter tomado conhecimento do ocorrido, de acordo com a mãe.

"Essas situações pequenas iam acontecendo e parecia que ninguém estava vendo", diz ela.

As tentativas de contato com a escola, segundo a mãe, eram todas frustradas.

"Eu tenho vários registros de mensagens que eu tentava mandar para a professora, e ela sempre minimizando", afirma. "Eu não tinha nenhum acolhimento da parte deles, era sempre 'ah, isso aí acontece, é normal'."

"Mandei mensagens para a sargenta, que é como se fosse a coordenadora da escola, e não tive retorno", diz. "Eu ficava ali sendo ignorada."

Com o passar dos meses, a mãe diz ter percebido que a primeira coisa que o filho perguntava ao acordar era se ele teria de ir para a escola. Diante da resposta positiva, ela diz, o menino permanecia a manhã toda em casa calado.

"Ele não brincava, não tinha aquela energia, não tinha disposição. Parecia que ele ficava a manhã inteira só esperando aquela hora [de ir para a escola] que ia ser um sofrimento."

Sem diálogo com a escola e diante dos episódios duvidosos, Shaiane teve a ideia do gravador.

No dia em que ela colocou o aparelho na mochila do menino, ele voltou para casa rouco.

"Ele chegou quase sem voz, e eu lembro que naquele dia mandei mensagem para o meu esposo e falei 'olha, ele está resfriando'."

Em seguida, a mãe foi ouvir as gravações.

"Aí foi um choque."

Imagem de duas mensagens enviadas por WhatsApp por Shaiane à coordenadora da escola em que ela diz que a adaptação do filho está difícil e pede orientações e notícias sobre o garoto. Apenas na segunda mensagem, enviada num intervalo de três dias, há uma resposta:
Arquivo pessoal
Diante do comportamento do filho, Shaiane tentou contato com a coordenadora da escola, mas conta que nunca recebeu acolhimento nem orientações

A BBC News Brasil teve acesso a trechos da gravação. É possível ouvir o menino chorando, pedindo a chupeta e chamando pela mãe.

"Meu filho ficou cerca de 40 minutos berrando, e acaba se acalmando sozinho, porque tem um momento da gravação que ele volta e diz 'eu me acalmei'", conta. "Ele foi totalmente escanteado."

Em um trecho, é possível ouvir uma mulher dizendo para o garoto: "O que tu fazendo? Tu não vais pintar mais", e o menino responde: "Desculpa".

A mulher então diz "não, tu não vais pintar mais, acabou. Eu adoro pintar e vou". O menino então começa a chorar e pede pela mãe. A mulher responde: "Não me vem com mamãe".

Em outro trecho, o que deixou Shaiane mais assustada, ouve-se a voz de uma mulher dizendo: "Chora, pode chorar, chora bastante, chora com vontade. Senão vou te dar um tiro".

"Na gravação é possível ouvir barulhos o tempo inteiro, e eu escuto ele berrando, pedindo pela mamãe", conta Shaiane.

"Ou seja, naquele dia, ele chegou em casa rouco, não era por conta de um resfriado. Foi de tanto que ele chorou."

Foto de um braço de criança com uma marca redonda no que parece ser uma mordida.
Arquivo pessoal
Shaiane procurou a professora de Pedro para perguntar sobre uma marca de mordida, mas ouviu que ninguém viu o que aconteceu e que a criança não chorou

'O que mais ele passou?'

Os episódios relatados ocorreram no ano passado. Shaiane e o marido recorreram ao Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), que os orientou primeiro a realizar uma denúncia via Corregedoria da Brigada Militar do Rio Grande do Sul.

A BBC News Brasil procurou o departamento de imprensa da Brigada que afirmou, por meio de nota, que um inquérito foi aberto para apurar os fatos e que a professora de Pedro foi afastada durante o período de investigação.

No entanto, ela retornou à escola antes da conclusão do inquérito. Segundo Shaiane, famílias de outras crianças fizeram um abaixo-assinado pedindo a volta da servidora.

"Tentaram nos calar. Uma mãe inclusive colocou no grupo de WhatsApp um trecho do processo, que corria em sigilo", conta Shaiane.

Segundo a nota da Brigada, o laudo pericial feito pela própria Corregedoria concluiu que "os arquivos analisados não apresentaram elementos técnicos suficientes para confirmar integralmente o conteúdo divulgado, nem permitiram a identificação conclusiva da autoria vocal".

"Com base no conjunto de provas reunido, incluindo depoimentos e laudo pericial, não foram identificados elementos suficientes para comprovar ilícito penal ou transgressão disciplinar", diz a nota.

No entanto, depoimentos de duas servidoras da escola aos quais a BBC News Brasil teve acesso, e que constam no processo, mostram que elas reconheceram a voz e identificaram a professora de Pedro.

Mesmo com a Brigada alegando ausência de provas, a professora deixou a escola no fim do ano. Mas não houve uma explicação para a saída dela do cargo.

"Não cabe à instituição divulgar informações individualizadas sobre servidores ou empregados", afirmou a Brigada.

Perguntada se a professora reconhece o que diz nos áudios, a instituição afirmou que "não está autorizada a divulgar manifestações, declarações ou posicionamentos atribuídos a pessoas específicas envolvidas em procedimentos administrativos ou investigatórios".

Sobre as tentativas frustradas de diálogo de Shaiane com a escola, a Brigada afirmou que "mantém canais permanentes de comunicação com as famílias e trata com seriedade todas as demandas recebidas". No entanto, não confirmou ou comentou "fatos específicos" em razão da proteção de dados e informações.

Por fim, o inquérito aberto pela Corregedoria pediu pelo arquivamento na Justiça Militar do Rio Grande do Sul, mas o processo ainda não está encerrado.

Agora, a mãe espera que o MPRS realize sua própria investigação. Há um inquérito aberto na promotoria, mas a BBC News Brasil não conseguiu mais informações sobre a situação do processo nem com a assessoria de imprensa e nem com a promotora do caso.

Desde o início deste ano, Pedro está em outra escola, uma particular, onde já fez amigos e tenta viver uma vida normal. Shaiane conta que ele ainda tem dificuldades com portas fechadas e ainda pede muitas desculpas diante de um erro corriqueiro.

"Ele tem pânico de portas fechadas, porque ele dizia que ficava trancado na sala da sargento de castigo", diz Shaiane. "Isso sempre foi negado pela escola, mas durante o processo foi encaminhado um documento com informações da coordenadora afirmando que ele esteve sim na sala dela, com data e horário."

"Eu me questiono por que uma criança de dois anos e meio foi parar numa sala da sargento."

A criança ainda tem alguns gatilhos que os pais não conseguem compreender exatamente de onde vêm. "Justamente por não saber de tudo o que acontecia."

A mãe espera que o tempo e a terapia consigam ajudar a criança a esquecer um pouco do que passou.

Já ela, não esquece.

"Aquelas gravações todas de um único dia, de um único dia, um recorte, o que me assombra muito, porque com frequência a gente se questiona o que mais ele passou?

terça-feira, 23 de junho de 2026

VÍDEO: Chamada de ‘Hitler’, Júlia Zanatta briga com mulher contra escala 6×1 e promete denúncia

 Deputada afirmou nas redes sociais que mulher foi identificada e que o caso será denunciado à Polícia Legislativa

27/05/2026


Júlia Zanatta e manifestante contra a escala 6×1 (de branco) discutem na saída da comissão especial que debateu a proposta na CâmaraFoto: Matheus Santos/Divulgação/NDMais


A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) discutiu com uma manifestante a favor do fim da escala 6×1 na saída da comissão especial que debateu a proposta nesta quarta-feira (27), na Câmara dos Deputados

Zanatta e uma mulher não identificada trocaram ofensas. A deputada foi chamada de “fascista” e associada a Adolf Hitler (1889 – 1945), ditador nazista responsável pelo Holocausto na Segunda Guerra Mundial, como mostra um vídeo que circulou nas redes sociais.


Nas redes sociais, Júlia Zanatta escreveu que vai denunciar a mulher, que já teria sido identificada por sua equipe, à Polícia Legislativa.

A deputada disse ainda que ela tentou tirar sua tiara de flores, marca registrada de Zanatta.

Zanatta rebate a mulher no vídeo, dizendo repetidas vezes: “Hitler é você”. No final, a mulher pede para Zanatta “tomar vergonha”Vídeo: Matheus Santos/Divulgação/ND Mais

Júlia Zanatta abandonou sessão sob vaias na semana passada

Júlia Zanatta se envolveu em confusões e polêmicas se posicionando contra o fim da escala 6×1 em debates da comissão.

Na semana passada, a deputada deixou uma sessão com sindicalistas sob vaias após defender que a redução de jornada prejudicaria as empresas e que muitos trabalhadores prefeririam manter a carga horária semanal.

A deputada também denunciou ter recebido centenas de ataques nas redes sociais devido à participação ativa na comissão, informou a Folha de S.Paulo. Na última semana, a equipe de Zanatta fez 16 denúncias à Polícia Legislativa por postagens com injúria, difamação, incitação ao crime e ameaça.

TSE determina retirada de postagens contra Flávio feitas por deputados

Ministro André Mendonça determina a parlamentares de esquerda que apaguem posts com acusações e ataques o pré-candidato

Editoria de Gerais
22/06/2026 

Os deputados federais Rogério Correia (PT-MG), Lindbergh Farias (PT-RJ), André Janones (Avante-MG), Alencar Santana (PT-SP), Erika Hilton (PSOL-SP), e o vereador do Rio de Janeiro Rick Azevedo (PSOL) foram condenadoscrédito: Kayo Magalhães, Bruno Spada, Vinicius Loures / Câmara dos Deputados e Reprodução/Redes sociais


Os deputados federais de esquerda Rogério Correia (PT-MG), Lindbergh Farias (PT-RJ), André Janones (Avante-MG), Alencar Santana (PT-SP) e Erika Hilton (PSOL-SP), o vereador do Rio de Janeiro Rick Azevedo (PSOL) e um usuário do Threads, Patrick Fritz, terão que excluir postagens que relacionam o senador e pré-candidato à presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-SP) ao crime organizado e a uma PEC que substituiria a escala 6x1 a uma escala 7x0. A decisão é do ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), André Mendonça.

    O ministro entendeu que Flávio Bolsonaro tem notoriedade por ser apresentado como pré-candidato à Presidência da República, o que confere caráter estritamente eleitoral às publicações e justifica a atuação da Justiça Eleitoral para coibir a propaganda antecipada negativa. 

    No processo contra André Janones, a punição foi motivada por um vídeo publicado no Instagram no início de junho. Na gravação, que teve mais de 1,9 milhão de visualizações, o deputado aparecia dizendo que estava viajando para os Estados Unidos para entregar uma "capivara" de Flávio Bolsonaro ao presidente estadunidense Donald Trump e a parlamentares americanos. 

    No vídeo, Janones chamou o senador de “bandido” e “vagabundo”. Ele acusou Flávio diretamente de roubar dinheiro do povo brasileiro, de ter envolvimento com milicianos e traficantes, e de ter ligação com o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL-RJ), morta a tiros em 2018. 

    Publicação de Janones no Instagram
    Publicação de Janones no InstagramReprodução/Instagram @andrejanones

    Ao analisar o caso, Mendonça entendeu que Janones não fez uma crítica política comum sobre os planos ou viagens do senador, mas jogou nas redes acusações criminais “gravíssimas” sem apresentar nenhuma investigação, documento ou prova que sustentasse o que disse.

      Postagens solo e conjunta

      Já os deputados Lindbergh Farias e Rogério Correia foram acionados juntos por causa de duas postagens, também no Instagram. A primeira foi uma publicação feita em formato colaborativo, que aparece no perfil dos dois ao mesmo tempo, de 1º de junho, mostrando um carrossel de 12 fotos que associava a imagem de Flávio Bolsonaro a pessoas investigadas e a facções como o Comando Vermelho e milícias, usando o título "Flávio Bolsonaro e relações com o crime organizado".  

      A segunda postagem, publicada por Lindbergh no mesmo dia, traz uma montagem com a frase: “A seleção do crime organizado está escalada. E Flávio Bolsonaro é o técnico”. O ministro afirmou que as publicações usaram recursos visuais fortes para fazer o eleitor acreditar que o senador de fato comanda e coordena grupos criminosos.

      Postagem de Lindbergh traz uma montagem com a frase: "A seleção do crime organizado está escalada. E Flávio Bolsonaro é o técnico"
      Postagem de Lindbergh traz uma montagem com a frase: "A seleção do crime organizado está escalada. E Flávio Bolsonaro é o técnico"Reprodução/Instagram @lindberghfarias

      Como os deputados apenas juntaram fotos e nomes sem mostrar decisões judiciais ou relatório oficial que comprovasse esse vínculo, o ministro considerou que o material passou dos limites da ironia e da liberdade de expressão, servindo apenas para atacar a honra do pré-candidato. Os citados incluem o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro; o miliciano Adriano da Nóbrega, o membro do CV Índio do Lixão, dentre outros facionados.

      “O conteúdo não veicula apenas crítica dura, ironia, sarcasmo ou juízo de valor negativo. Ele sugere que Flávio Bolsonaro possui vínculos com organizações criminosas, grupos paramilitares, traficantes e integrantes do Comando Vermelho, sem indicar elemento mínimo que demonstre o alegado vínculo ilícito”, afirma trecho da decisão.

        “Embora a propaganda antecipada não se caracterize por toda e qualquer menção a pré-candidato, a jurisprudência desta Corte admite a configuração de propaganda eleitoral antecipada negativa quando o conteúdo veiculado, antes do período permitido, desqualifica a honra ou a imagem de adversário político ou divulga fato sabidamente inverídico ou gravemente descontextualizado”, diz outro trecho.

        Segundo Mendonça, embora o debate democrático proteja críticas políticas ácidas e contundentes, a liberdade de expressão não permite a divulgação de acusações graves sem comprovação. Nos dois casos, o magistrado concluiu que associar o parlamentar a milícias, facções e práticas criminosas, sem apresentar investigações oficiais ou provas mínimas, ultrapassa os limites da opinião pública e introduz uma narrativa desinformativa no ambiente digital. 

          O relator também destacou o grande alcance e a rápida dispersão dos conteúdos nas redes sociais, o que gerava um risco imediato de prejudicar a honra do pré-candidato e influenciar o eleitorado antes mesmo do início oficial da campanha.

          Escala 6x1

          Uma terceira decisão, também de relatoria de Mendonça, abrange publicações feitas no X (antigo Twitter) e no Threads pelos deputados federais Rogério Correia, Alencar Santana e Erika Hilton, além do vereador Rick Azevedo e do produtor de conteúdo Patrick Fritz. O Partido Liberal (PL) acionou a corte alegando que o grupo utilizou as redes sociais para espalhar desinformação ao associar o senador Flávio Bolsonaro à criação de uma suposta "escala 7x0" de trabalho.  

          Nas postagens, os denunciados afirmavam que Flávio e seus aliados políticos haviam apresentado ou defendiam uma proposta para instituir a "escala 7x0", que consistiria em trabalhar sete dias por semana sem direito a nenhum dia de descanso.

          Mendonça descreveu que material utilizava expressões de "forte impacto emocional" e apelo popular, chamando o senador de "inimigo do trabalhador" e "inimigo do povo", além de classificar o projeto defendido por ele como uma "proposta escravocrata" feita para "destruir a CLT" e "acabar com tudo que é direito do trabalhador". As mensagens afirmavam ainda que o pré-candidato "queria ver" o cidadão trabalhando sem direito a folgas.  

          Na publicação de Rogério Correia, por exemplo, o deputado afirmava que "o fim da 6x1 corre perigo" porque o senador Rogério Marinho, apontado por ele como responsável pelo programa de governo de Flávio Bolsonaro, teria protocolado uma emenda para barrar o fim da jornada 6x1 que havia sido aprovada na Câmara. Segundo o post de Correia, essa emenda tentava instituir a "escala 7x0" por meio do pagamento por horas trabalhadas, contando ainda com a assinatura dos senadores mineiros Carlos Viana (PSD) e Cleitinho Azevedo (Republicanos).

          Ao analisar o texto da PEC nº 12/2026, que é o projeto de lei usado como base para os ataques, o ministro André Mendonça constatou que a publicação distorceu a realidade. Ele explicou que a proposta legislativa não altera o trecho da Constituição que assegura o repouso semanal remunerado e muito menos cria uma jornada de sete dias seguidos de trabalho. O ministro entendeu, no documento da decisão, que os políticos e o produtor de conteúdo “extrapolam os limites da crítica política e configuram propaganda eleitoral negativa antecipada”. 

          Segundo Mendonça, qualificar um projeto como prejudicial aos trabalhadores ou inadequado faz parte do debate político e é protegido por lei. No entanto, entendeu que o erro jurídico e a ilegalidade aconteceram quando o grupo transformou essa divergência ideológica em uma informação falsa, inventando um fato que não existe no papel para queimar a imagem do pré-candidato diante dos eleitores em um tema altamente sensível, que é o emprego e a jornada de trabalho. 

          “A presente decisão não impede a crítica política à PEC nº 12/2026, a qualquer pré-candidato, aos parlamentares que subscreveram a proposta ou ao debate sobre jornada de trabalho, desde que não se afirme, de modo categórico, que a proposta cria ou impõe a escala 7x0 ou extingue o repouso semanal remunerado”, diz trecho da decisão.

          O ministro determinou a remoção imediata das publicações no prazo de 24 horas e proibiu que os envolvidos voltem a postar esse conteúdo ou variações dele, sob pena de multa diária. 

          Exclusões

          Até o momento da publicação desta reportagem, apenas a postagem conjunta de Lindbergh Farias e Rogério Correia foi retirada do ar pelos parlamentares. As demais citadas ainda não haviam sido excluídas, mesmo após a determinação da Justiça Eleitoral para que a remoção ocorresse no prazo de 24 horas. 

          Pelo descumprimento da ordem nessas postagens que seguem ativas, os deputados ficam sujeitos ao pagamento da multa diária pessoal estipulada pelo TSE. Além disso, o ministro enviou uma ordem oficial diretamente ao Instagram, que deve fazer a remoção forçada dos links que continuam no ar, sob pena de a plataforma também sofrer sanções financeiras. A decisão do tribunal prevê ainda uma nova multa diária para o caso de qualquer tentativa futura de republicar ou impulsionar esse mesmo material, inclusive se os deputados utilizarem truques de edição de imagem ou texto para tentar burlar o sistema de bloqueio. 

          Reações

          Em nota enviada à imprensa, a equipe de Flávio Bolsonaro afirmou que as decisões do TSE restabelecem a verdade no ambiente digital e freiam uma "estratégia mentirosa" desenhada para atacar a honra do senador. De acordo com a assessoria, os parlamentares processados recorreram a "fake news e desinformação" por não terem propostas reais para debater, optando por tentar vincular o pré-candidato a crimes e “fatos inexistentes”.

          A nota destaca ainda que, enquanto os opositores se concentram em criar narrativas falsas nas redes sociais, o senador segue focado em apresentar soluções concretas para o país. Para a assessoria, as decisões do tribunal dão uma resposta firme ao que classificaram como uma "goleada em ações vitoriosas contra postagens irregulares do PT".

          “A decisão do TSE indica a gravidade da conduta praticada por adversários do senador. Os adversários petistas tentam interferir na opinião dos eleitores com fatos inexistentes”, afirma trecho da declaração.

          O deputado Rogério Correia, nas redes sociais, relacionou a condenação a um acordo entre Mendonça e o “filho 01” de Jair Bolsonaro. “Ministro Mendonça proibiu vincular Flávio com Vorcaro e Flávio com as milícias, porque? É segredo de polichinelo, até o reino mineral sabe. Só falta proibir o Tariflávio”, escreveu no X. 

          Já em conversa com o Estado de Minas, ele definiu as decisões como “censura pura” e declarou que irá recorrer ao Supremo Tribunal Federal contra a decisão das publicações relacionadas à escala de trabalho. Ele foi intimado a apagar as postagens trabalhadas em ambas as decisões.

          As equipes dos parlamentares Lindbergh Farias, André Janones, Alencar Santana, Erika Hilton e Rick Azevedo foram procurados para comentar as condenações. Eles não se pronunciaram publicamente. A reportagem não conseguiu contato com Patrick Fritz. O espaço segue aberto para quaisquer declarações.