segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Preso em casa: o vaivém judicial do piloto acusado de agressão

 O jovem Pedro Arthur Turra Basso, acusado de agredir um adolescente de 16 anos, teve a prisão preventiva mantida pela Justiça na audiência de custódia de ontem. No primeiro dia atrás das grades, ele relatou ameaça por parte de um agente e de outros detentos e foi colocado em uma cela especial

01/02/2026

Pedro Turra pede perdão à família de jovem em coma após agressão no DFcrédito: Material cedido ao Correio

Pedro Arthur Turra Basso, de 19 anos, foi o terceiro nome chamado na lista de presos conduzidos à sala do Núcleo de Audiência de Custódia (NAC), no Complexo da Polícia Civil, nesse sábado (31/1). Durante cerca de 30 minutos, o autor das agressões a um adolescente de 16 anos relatou à juíza ter sido ameaçado por agentes e por outros detentos da cela. Ao fim da audiência, a Justiça determinou o encaminhamento para uma cela individual, medida provisória até a transferência — prevista para ocorrer até terça-feira — ao Centro de Detenção Provisória, no Complexo Penitenciário da Papuda (CDP).

Essa foi a segunda vez que o piloto afastado de Fórmula Delta passou por uma audiência de custódia. Ele foi apresentado à Justiça pela primeira vez em 24 de janeiro, um dia depois da agressão que deixou em coma o adolescente, em Vicente Pires. Até o fechamento desta edição, a vítima permanecia internada em estado gravíssimo na UTI do Hospital Brasília Águas Claras. Turra responde por lesão corporal grave.

Na audiência de 24 de janeiro, o juiz arbitrou fiança de R$ 24,3 mil, paga pela família. Com isso, Pedro foi liberado. No período em que esteve solto, familiares do adolescente agredido se mobilizaram e demonstraram preocupação com o risco de fuga do acusado. "Estamos pedindo por justiça, não é por vingança. Todos compreendem a gravidade do caso. O cara tem Ferrari, Porshe, viaja, usa relógio de R$ 100 mil. O que impede dele sair do país? Ele gasta para ostentar, por que não vai gastar com a liberdade dele?", declarou Flávio Henrique Fleury, tio do adolescente, em um vídeo gravado nas redes sociais

  • Advogados de Pedro Turra saem do Departamento de Polícia Especializada (DPE), onde foi realizada a audiência de custódia ontem
    Advogados de Pedro Turra saem do Departamento de Polícia Especializada (DPE), onde foi realizada a audiência de custódia ontem Luiz Fellipe Alves/CB/D.A Press
  • Pedro Terra - Chegando na DP
    Pedro Terra - Chegando na DP Paulo Gontijo/Esp.CB/D.A Press
  • Chegada de Pedro Turra
    Chegada de Pedro Turra Paulo Gontijo/CB/D.A Press
  • Pedro Turra pede perdão à família de jovem em coma após agressão no DF
    Pedro Turra pede perdão à família de jovem em coma após agressão no DF Material cedido ao Correio
  • Pedro Turra pede perdão à família de jovem em coma após agressão no DF
    Pedro Turra pede perdão à família de jovem em coma após agressão no DF Reprodução/Redes Sociais 
  • Na quinta-feira, o advogado da família da vítima pediu a prisão preventiva de Turra, alegando risco iminente de fuga e necessidade de assegurar a aplicação da lei penal. O juiz Wagno Antonio de Souza, da 1ª Vara Criminal e do Tribunal do Júri de Águas Claras, indeferiu a solicitação por ausência de legitimidade, ao considerar que o advogado da vítima não pode atuar formalmente como parte acusadora enquanto o caso ainda está na fase de investigação policial e indeferiu a solicitação. A decisão se estendeu ao pedido de segredo de justiça apresentado pela defesa de Turra.
  • Interferência

As coisas mudaram quando a polícia identificou possível interferência de Pedro nas investigações. Conversas das redes sociais analisadas pelos policiais sugeriam a combinação de versões, de modo que beneficiasse o jovem.

Dessa vez, o Ministério Público entrou em cena e recomendou a prisão preventiva do acusado. A decisão, proferida pela Justiça na última sexta-feira, atendeu ao pedido do MP e da Polícia Civil.

No fim da tarde de ontem, agentes da 38ª Delegacia de Polícia (Vicente Pires) e equipes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPDFT) montaram uma força-tarefa e prenderam Pedro em casa, em Águas Claras. No local, foram apreendidos um soco inglês e uma faca.

Na delegacia, horas antes da prisão, por volta das 14h, o delegado à frente do caso, Pablo Aguiar, concedeu uma coletiva de imprensa e se emocionou ao falar sobre o caso. Afirmou que o agressor "é uma pessoa que não aceita não". Para ele, pelo perfil traçado, Pedro é violento. "Não demonstra empatia pelo próximo. Agride as pessoas e fica se vangloriando para os amigos ", comentou. "Eu o considero um sociopata", acrescentou. De acordo com ele, as pessoas que filmaram as agressões serão indiciadas por omissão de socorro.

Pouco depois das 18h, Pedro chegou à delegacia já algemado. Ontem, o Correio conversou novamente com os advogados de Pedro, Daniel Kaefer e Eder Fior. Os defensores veem com perplexidade a prisão preventiva e protocolaram pedidos à Justiça para que o piloto saia da cadeia. "Nós requeremos a revogação de prisão por entender que ela não é legal por uma série de motivos. A polícia descumpriu várias determinações judiciais, incluindo a espetacularização em cima do caso", declararam.

Em uma conversa rápida com os advogados, Pedro narrou ter sido ameaçado por um agente de custódia. "Em outras palavras, o policial disse que ele (autor) deveria apanhar até sair sangue", disseram os advogados. O piloto afirmou, ainda, ter sido ameaçado por colegas de cela, na Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP). Na audiência, Kaefer e Fior delataram as ameaças à juíza, que determinou a instauração de uma sindicância e a transferência de Pedro para uma cela privada. A magistrada também pediu que a Corregedoria da PCDF apure a conduta dos investigadores.

A revogação da prisão, segundo os advogados, é justificLeável. "Mesmo se condenado, a pena aplicada não cabe a prisão." Entre as alternativas levantadas pela defesa está o uso da tornozeleira eletrônica, o comparecimento mensal em juízo e a entrega do passaporte. "Estamos colocando-o (o autor) na posição de risco. O Estado tem a obrigação de gerar segurança e respeito à integridade física. Nosso papel é defender o que está na lei e exigir que seja respeitado", finalizaram.


O caso

Após a agressão em Vicente Pires vir à tona, outras supostas vítimas de Pedro apareceram. Nesta semana, o jovem tornou-se alvo de mais três investigações. A queixa mais recente foi registrada na 38ª DP, na quarta-feira, e refere-se a um episódio no qual um homem de 50 anos denunciou ter sido agredido por Pedro e um amigo, após uma discussão sobre um acidente de trânsito. Segundo a vítima, que nega responsabilidade na colisão, o rapaz desferiu tapas e empurrões contra ele. Imagens do confronto gravadas pela namorada de Pedro, à época, mostram o ataque. O caso foi encaminhado à 21ª DP (Taguatinga Sul).

A PCDF também investiga uma ocorrência registrada na mesma delegacia, na qual uma jovem — que tinha 17 anos à época — relatou ter sido coagida por Pedro Arthur a ingerir vodca durante uma festa no Jockey Club. O episódio, que circula em vídeo, deu origem a um inquérito próprio. A menina alega que foi torturada para ingerir a bebida.

Um terceiro boletim de ocorrência, de 28 de junho de 2024, descreve uma agressão em uma praça pública de Águas Claras. A vítima relatou ter sido atacada por Pedro, acompanhado de quatro amigos, com socos e um golpe de mata-leão, enquanto os outros apenas assistiam à cena.



Os advogados do meliante já correram atrás para colocar o criminoso em um ape de luxo.
                                                        



domingo, 1 de fevereiro de 2026

Steve Bannon: "Tenho de manter isso de Bolsonaro nos bastidores"

 Conversa de ideólogo da ultradireita com homem não identificado foi divulgada nesta sexta (30) pelo governo Trump


Steve Bannon fala a repórteres fora do tribunal um dia antes de ser condenadocrédito: Getty Images

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - Steve Bannon, um dos principais ideólogos e estrategistas da ultradireita global, afirmou que precisava "manter essa coisa do Jair [Bolsonaro] nos bastidores" em diálogo que consta nos lotes de arquivos do caso de Jeffrey Epstein, financista morto em 2019, divulgados pelo governo de Donald Trump nesta

    No documento, que aparenta ser um chat de mensagens e é datado de 12 de outubro de 2018 -cinco dias após o primeiro turno da eleição entre Jair Bolsonaro (PL) e Fernando Haddad (PT)- duas pessoas conversam sobre temas diversos. Uma delas é Bannon; o nome da outra está sob tarjas, mas, com base em conversas anteriores, possivelmente é Epstein.

    Estima-se que o bilionário americano, que se suicidou na prisão em 2019, antes de ser julgado, tenha traficado mais de mil adolescentes em um esquema de coação em que cada menina recrutada chamava outra. O caso ganhou notoriedade não apenas pela gravidade dos crimes, mas também pela associação de Epstein com figuras públicas e poderosas.

    Uma delas é Trump que, durante sua campanha de 2024, prometeu revelações contundentes sobre o financista à sua base de eleitores, obcecada com o caso há anos. Ao chegar ao poder, porém, o republicano relutou em liberar os arquivos.

    Na troca de mensagens divulgada nesta sexta, a pessoa de identidade desconhecida afirma: "Não gostei de Bolsonaro chamando qualquer associação com você de 'fake news', embora eu compreenda". "Eu preferiria um boné MBGA [possível menção a Make Brazil Great Again]", continua. Bannon, então, responde: "Tenho de manter a coisa do Jair nos bastidores. Meu poder vem de não ter ninguém me defendendo".

    Dois dias antes, o indivíduo desconhecido e Bannon haviam comentado sobre a eleição no Brasil.

    "Bolsonaro é um divisor de águas. Sem refugiados querendo entrar. Sem Bruxelas dizendo a ele o que fazer. Ele só tem de reiniciar a economia. GIGANTE. 1,8 trilhão PIB", diz a pessoa que, provavelmente, é Epstein. Bannon, então, responde: "Eu sou muito, muito próximo desses caras -eles me querem como conselheiro. Devo fazer isso?".

    Em agosto daquele ano, o estrategista havia se encontrado com o Eduardo Bolsonaro em Nova York. Na ocasião, o ex-deputado federal disse que Bannon era um entusiasta de Jair Bolsonaro e que os dois manteriam contato "para somar forças, principalmente contra o marxismo cultural". Em novembro, depois da conversa, portanto, Eduardo esteve no jantar de aniversário de Bannon, em Washington.

    "É meio que reinar no inferno", diz o interlocutor em resposta. "Diferente da Europa e o jogo de bridge, América do Sul é mais tipo joga as 52 para o alto e pega." A frase faz uma provável referência ao bridge, um jogo de cartas com muitas regras, e uma brincadeira em que se espalha as 52 cartas do baralho.

      Bannon responde: "Eu entendo -massa crítica'- se você controla o Brasil e 25 países na Europa, isso é vantagem".

      Em um terceiro documento, novamente uma pessoa sem nome, mas com número de telefone, conversa sobre uma possível visita de Bannon ao Brasil com uma pessoa identificada como "Miro Lajcak".

      O número de telefone da pessoa desconhecida corresponde ao citado como "telefone do Epstein" em outro documento divulgado pelo arquivo. Já Miro Lajcak pode se referir a Miroslav Lajcak, chanceler da Eslováquia de 2012 a 2020, que é citado em diversos documentos divulgados, como emails, mensagens e alertas de eventos em um calendário.

      Nessa suposta conversa entre Lajcak e Epstein, datada de 9 de outubro de 2018, a pessoa que seria o financista diz que "Steve está pensando em ir ao Brasil para ver Bolsonaro". Lajcak pergunta se não é melhor a visita ocorrer "depois do segundo turno". A pessoa que seria Epstein pergunta: "Você acha que seria melhor ele esperar?" A resposta de Lajcak é: "Depende do motivo para a viagem, mas depois é mais seguro".

        Em um quarto documento, datado do mesmo dia 9 de outubro de 2018, uma terça-feira, a pessoa não identificada diz a Bannon: "Sobre Bolsonaro: se você está confiante de uma vitória, pode ser bom para a marca se você estivesse lá". O estrategista responde: "Pode ser que eu vá no sábado".

        No mesmo diálogo, o interlocutor diz: "Miro acha mais seguro ir ao Brasil DEPOIS do segundo turno". Bannon, então, pergunta: "Por que Miro acha melhor depois?". Em seguida, a conversa muda de assunto.



        Um idiota fazendo saudação de imbecil
                                      


        O colunista Reinaldo Azevedo analisa os gestos feitos por Elon Musk durante a posse do presidente Donald Trump nos Estados Unidos e relembra ...
        YouTube · UOL · 22 de jan. de 2025





        Em disparada, maus-tratos vitimam legião de "Orelhas" em Minas

         Violência contra cão de SC que chocou o país não é isolada. Apenas em território mineiro, os ataques cresceram 47,9% em 11 meses


        Atacado na Praia Brava, em Santa Catarina, em 4 de janeiro, o cão comunitário Orelha teve que ser submetido a eutanásia devido à gravidade dos ferimentos
        crédito: Reprodução/Redes Sociais


        “Orelhas são muitos e muitas”, afirma Adriana Araújo, coordenadora do Movimento Mineiro pelos Direitos Animais (Mmda). A ativista faz referência ao ataque brutal, ocorrido em 4 de janeiro, que resultou na morte do cão comunitário Orelha, em Santa Catarina. O caso repercutiu nacionalmente e reacendeu o alerta do país para os maus-tratos a animais. Em Minas Gerais, o número de “Orelhas” aumentou.

          Dados da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) revelam que de 2024 a 2025, considerando o período entre janeiro e novembro, os registros de maus-tratos a animais consumados foram de 4.148 para 6.135, o que representa um crescimento de 47,9%. Ativistas avaliam que cenário pode refletir, ao mesmo tempo, um quadro de penas leves e uma população mais consciente sobre o direito animal na hora de denunciar. Hoje uma manifestação em Belo Horizonte cobra justiça.

          Daniela Recchioni, advogada e presidente da Comissão Estadual de Direitos dos Animais da OAB-MG, acredita que o aumento de registros de maus-tratos a animais tenha relação com a sensação de impunidade. Ela avalia que a pena é branda e insuficiente para inibir a pessoa de cometer o crime. Além disso, Recchioni acredita que a sensação de que “não vai dar em nada” desmotiva outras pessoas a denunciarem os crimes.

          “Deveríamos ter leis mais duras (...) As leis no Brasil ainda são fracas e a polícia ainda não tem um aparato específico (para esses casos), ela não dá conta de todas as ocorrências”, afirma a presidente da Comissão Estadual de Direitos dos Animais da OAB-MG. Atualmente, a pena para maus-tratos contra cães e gatos é de reclusão de dois a cinco anos, multa e proibição da guarda dos animais.

          Daniela Sousa, ativista da causa animal e jornalista, também acredita que haja falta de responsabilização para os autores dos crimes. “A população está exausta, cansada, sufocada de ver tanta impunidade, desrespeito as leis e crueldade contra animais”, afirma.

          Para ela, os poderes Executivo, Judiciário e Legislativo não atuam de maneira eficaz contra esses crimes. “Quem toma frente e vai para a linha de batalha para tentar dar o mínimo de dignidade para os animais é a população, a sociedade civil organizada, são os protetores — que estão adoecidos, lotados de dívidas, que sofrem deboches e são desqualificados.”

          Para Adriana Araújo, coordenadora do Movimento Mineiro pelos Direitos Animais (Mmda), faltam fiscalização e políticas públicas para proteger os animais no estado, assim como uma melhora nos canais de denúncia.

            Estado de Minas perguntou à Sejusp em quantos registros de maus-tratos em Minas e BH os autores sofreram punições, mas a pasta informou que esse monitoramento não é sua competência. A reportagem também solicitou à Polícia Civil o número de inquéritos relativos a esse crime instaurados em 2025 e ao Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) quantas denúncias foram oferecidas e acatadas, mas não obteve retornos até o fechamento desta edição.

            MAIS DENÚNCIAS


            A presidente da Comissão Estadual de Direitos dos Animais da OAB-MG acredita que o aumento nos registros de maus-tratos a animais em Minas também pode ser um reflexo da conscientização de parte da população. “As pessoas hoje conseguem entender que maus-tratos é crime, e que os animais têm direitos e podem sofrer de muitas maneiras”, afirma Daniela Recchioni. Adriana Araújo também acredita que o aumento da consciência sobre os direitos dos animais e da cobrança dos ativistas pode ajudar inibir os autores de maus-tratos. 

            Na direção oposta ao cenário de Minas Gerais, os registros de maus-tratos aos animais consumados no mesmo período caíram em Belo Horizonte, de 394 ocorrências para 344, um recuo de 12,69%. Adriana Araújo atribui a redução ao trabalho do movimento de proteção a todas as espécies de animais na capital mineira. “O povo está cada vez mais vigilante”, diz.


            A coordenadora do Mmda, que em 2026 completa 20 anos de existência, também destaca o investimento do movimento na conscientização quanto à legislação, a criação da Delegacia Especializada de Investigação de Crimes contra a Fauna e a Coordenadoria Estadual de Defesa dos Animais (Ceda) do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG). Mas, apesar da redução, Adriana destaca que ainda há muito a ser feito para garantir a proteção de todas as espécies de animais.


            DESAFIOS

            Um dos pontos em Belo Horizonte que revela o caminho ainda a ser percorrido na defesa animal é a Estrada do Sanatório, localizada entre os bairros Solimões e Ribeiro de Abreu, na Região Norte da cidade, onde muitos animais são abandonados. “A crueldade contra os animais não acontece só quando há violência explícita, ela também se manifesta todos os dias no abandono. O que fizeram com o Orelha foi um ato cruel, que choca e revolta. Mas, na prática, o abandono frequente de animais nas ruas, especialmente na Estrada do Sanatório, também é uma forma de violência, lenta, silenciosa e, muitas vezes, fatal”, afirma Joyce Mendes, coordenadora do projeto Amor a Quatro Patas, que realiza resgates no local.


            De acordo com informações do governo de Minas enviadas à reportagem em dezembro do ano passado, a legislação estadual promove controle populacional via castração e microchipagem, além de programas de resgate, adoção e educação para a posse responsável, combatendo o abandono com ações conjuntas, inclusive de conscientização com municípios e ONGs.

            CASOS RECENTES


            Neste mês, casos de maus-tratos a animais foram registrados em Minas e BH. Na sexta-feira (30/1), mãe e filho foram presos em flagrante por maus-tratos a animal doméstico em Itumirim, no Sul de Minas. Segundo a equipe do Grupamento de Polícia Militar de Meio Ambiente de Lavras os suspeitos teriam agredido uma cadela da raça boxer dentro de casa, e, em seguida, levado o animal para uma área de mata. Lá, a cadela teria sido amarrada e agredida a pauladas. Após acharem que a cachorra estava morta, eles a teriam jogado na mata e ido embora. A cadela foi encontrada com feridas na cabeça e nos olhos. Com o apoio de uma protetora local, a cachorra foi encaminhada a uma clínica veterinária para atendimento e demais cuidados.


            Na quarta-feira (28/1), um homem de 60 anos foi preso suspeito de praticar maus-tratos contra cães no município de Guaxupé, no Sul do estado. A ação foi realizada após denúncia. Durante a fiscalização, os agentes encontraram uma série de irregularidades. Os cães viviam em confinamento, sem alimentação apropriada e água potável. Em alguns casos, a comida oferecida estava estragada. Foi identificado acúmulo de resíduos orgânicos no ambiente e a exposição constante ao sol e à chuva. A ocorrência contou com o apoio de uma médica veterinária do município, que elaborou um laudo técnico, que constatou o sofrimento físico e debilidade extrema em parte dos animais.


            No mesmo dia da prisão do homem no Sul de Minas, casinhas para cães comunitários foram queimadas no Bairro Jardim Canadá, em Nova Lima, na Região Metropolitana de BH. O caso foi denunciado pela ONG Adote Jardim, que relatou que as estruturas já haviam sido destruídas antes. Em nota, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que apura os casos e realiza diligências visando identificar os envolvidos.

            LEI SANSÃO


            Em 2020, um pitbull chamado Sansão tornou-se um símbolo depois de ter as patas traseiras arrancadas por agressores com o uso de um facão. O crime ocorreu em Vespasiano, na Grande BH. A veterinária que cuidou dele na época afirmou que o cachorro foi amarrado pela boca com arame farpado para que pudessem cortar suas patas sem que reagisse.

            A história de Sansão causou comoção em todo o país, com a criação de um abaixo-assinado que pedia mais rigor para punir crimes contra animais. Em cinco dias, mais de 500 mil pessoas pediram justiça por Sansão. O cachorro recebeu doações para tratamento, cadeira de rodas e próteses para a readaptação. Um perfil foi criado nas redes sociais para mostrar a rotina de cuidados e agradecer o apoio à causa.

            Após o crime cometido contra Sansão, o Projeto de Lei nº 1.095/2019, que tramitava no Congresso Nacional, se transformou na Lei Federal nº 14.064/2020 e foi batizado com o nome do cachorro. A ação representou uma alteração da lei de crimes ambientais, que agora aumenta o castigo para maus-tratos contra cães e gatos, cuja pena vai de dois a cinco anos de reclusão, incluindo multa e perda da guarda do animal.

            ATAQUE NA PRAIA


            A nova legislação, entretanto, ainda não foi suficiente para deter os crimes contra animais. No caso recente que chocou o país, Orelha, de cerca de 10 anos de idade, foi atacado por quatro adolescentes na Praia Brava, litoral de Santa Catarina, em 4 de janeiro. No dia 5, foi submetido a eutanásia por um veterinário devido à gravidade dos ferimentos.


            Na sexta-feira, dois dos quatro adolescentes suspeitos da violência contra Orelha voltaram ao Brasil após viagem para a Disney, nos Estados Unidos. A Polícia Civil de Santa Catarina fez uma operação no aeroporto durante a chegada deles, cumprindo mandado de busca e apreensão de celulares dos dois jovens. Eles foram intimados a prestar depoimento às autoridades e seus celulares encaminhados à Polícia Científica, que fará a análise e extração de dados. Além dos quatro adolescentes, pais de dois deles e um tio, segundo a polícia, são suspeitos de coagir testemunhas e atrapalhar as investigações.


            Hoje (1º/2), uma manifestação para pedir justiça para o caso Orelha será realizada na capital mineira. O ato será realizado na Feira Hippie, na Avenida Afonso Pena, na Região Centro-Sul de BH. O ponto de encontro será na Rua dos Guajajaras, na entrada da feira, às 10h.

            *Com informações de Fernanda Santiago e Agência Brasil

            Em disparada, maus-tratos vitimam legião de "Orelhas" em Minas

            sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

            Moraes determina transferência de Jair Bolsonaro para Complexo da Papuda

             

            Jair Bolsonaro na Superintendência da PF, em Brasília; ex-presidente foi transferido para a Papudinha. (Brenno Carvalho/Agência O Globo/.) 


            Leia mais em: https://veja.abril.com.br/politica/moraes-determina-transferencia-de-jair-bolsonaro-para-complexo-da-papuda/

            O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta quinta-feira, 15, a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro para a Sala de Estado Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, que fica dentro do Complexo Penitenciário da Papuda, em Brasília. A decisão foi tomada após a defesa dele argumentar que ele estava em “vulnerabilidade clínica permanente” e correndo risco de vida na sede da Polícia Federal. O ex-presidente já foi transferido.

            Na decisão de 36 páginas (leia a íntegra ao final), Moraes afirma que há uma “campanha de notícias fraudulentas” na tentativa de desqualificar o trabalho da Justiça. O ministro enumerou várias entrevistas concedidas por Flávio e Carlos Bolsonaro, nas quais eles afirmam que o pai estaria sofrendo uma espécie de “tortura” na sala da Polícia Federal em que está cumprindo a pena de 27 anos e três meses a que foi condenado pela tentativa de golpe de estado. Em vários trechos da decisão, Moraes enumerou as benesses a que Bolsonaro teve acesso na Sala de Estado Maior da PF.

            “Não há dúvidas da existência de uma campanha de notícias fraudulentas com o intuito de tentar desqualificar e deslegitimar o Poder Judiciário, ignorando que as condições absolutamente excepcionais e privilegiadas do cumprimento de pena privativa de liberdade em regime fechado de Jair Messias Bolsonaro, na Sala de Estado Maior da Superintendência da Polícia Federal/DF, com sala exclusiva e com o dobro do tamanho previsto pela LEP (Lei de Execuções Penais), banheiro exclusivo, frigobar, televisão, ar-condicionado e procedimento de entrega de comida caseira todos os dias, não existem para os demais 384.586 (trezentos e oitenta e quatro mil, quinhentos e oitenta e seis) presos em regime fechado no Brasil”, diz trecho da decisão.

            Moraes também argumentou que, ao enviar Bolsonaro para a Papudinha, ele terá mais espaço e poderá ter uma rotina de cuidados médicos mais ampla: “a transferência possibilitará o início imediato da intervenção fisioterapêutica requerida pela defesa, que, segundo seus médicos, precisa ser realizada no início da noite, o que não é possível na Superintendência
            da Polícia Federal”. A Sala de Estado Maior da PMDF tem 64 metros quadrados, enquanto a da PF tinha doze.

            Prisão domiciliar humanitária

            Os advogados do ex-presidente pediram na quarta-feira, 14, a prisão domiciliar humanitária dele por questões de saúde. Moraes determinou que Bolsonaro seja avaliado por uma junta médica da Polícia Federal, que vai decidir se, no caso dele, é necessária a transferência para um hospital penitenciário.

            “Antes da análise do novo pedido de prisão domiciliar humanitária, deverá ser realizada perícia por junta médica da Polícia
            Federal, para analisar a atual situação do custodiado Jair Messias Bolsonaro e as eventuais adaptações para a manutenção do
            cumprimento de pena no novo local, ou necessidade de transferência para hospital penitenciário”, disse o ministro na decisão.

            quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

            Após alerta da Interpol, brasileiro de Ipatinga é extraditado de Portugal

             

            Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na Região Metropolitana de BH — Foto: Júlio César Santos/TV Globo

            A Polícia Federal realizou, nesta segunda-feira (22), a extradição de um brasileiro de 29 anos, natural de Ipatinga, no Leste de Minas, que era procurado pela Justiça pelo crime de tráfico de drogas.


            O homem foi localizado e preso em Portugal pela Polícia Judiciária, após emissão de uma difusão vermelha da Interpol. Havia um mandado de prisão em aberto contra ele, expedido pelo Tribunal do Júri da Comarca de Ipatinga (TJMG).

            Aniversário de tragédia na BR-116, morte de família e feminicídio: veja a notícia mais lidas da semana | G1

            Três homens são presos com armas e munições na MGC-381, em Mantena

             

            Três homens foram presos por porte ilegal de arma de fogo de quinta-feira (18), na MGC-381, em Mantena, no Leste de Minas. A ação foi realizada pela Polícia Militar Rodoviária durante abordagem a um carro.

            Segundo a PM, os militares desconfiaram da atitude dos ocupantes e realizaram busca pessoal. No bolso de um dos passageiros, foi encontrada uma caixa com 21 munições intactas.

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            Jovem é morta pelo namorado e cunhado durante confraternização de natal em Governador Valadares

             


            Jovem foi morta durante confraternização de Natal em Governador Valadares — Foto: Redes sociais

            Uma jovem de 18 anos foi morta durante uma confraternização de natal na madrugada de quinta-feira (25), no bairro Santa Paula, em Governador Valadares. De acordo com a Polícia Militar, o crime foi registrado como feminicídio, e os principais suspeitos são o cunhado e o namorado da vítima.

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