A Ditadura e seus Crimes de Tortura

Exemplo de vida.



imagem acima do Tim Garrocho
Quando flagra uma manifestação na praça municipal de Teófilo Otoni, o ex-militante da causa operária Tim Garrocho, com autoridade que lhe concedem seus 82 anos, não consegue segurar. Ele se aproxima dos manifestantes, puxa um deles no canto pelo braço e diz: "Você pode até não saber disso mas ajudei vocês a estarem hoje reunidos aqui na praça". Tim é exemplo de vida para os filhos, netos e bisnetos. Segundo ele, o operário que mais apanhou em Minas foi Porfírio Francisco de Souza. "Eu o vi entrando na prisão, ainda forte, e no final, irreconhecível" afirma.
Porfírio, militante do extinto PCB , morreu em 2004 em Montes Claros, aos 84 anos. "Além dechoques elétricos e ter levado no pau de arara, ele sofreu com agulhadas nos dedos entre as unhas. Chegaram até a arrancar as unhas dele na sede do antigo Dops, em BH, em 1969, logo depois do AI-5", conta o aposentado e ex-soldado da PM Aran Francisco de Matos, sobrinho do ex-militante.
"Aquela cambada não respeitava ninguém. Em Governador Valadares, quebraram meu braço esquerdo e me chutaram até eu vomitar sangue", revela Tim sem esconder raiva. "Meu torturador era Klinger Sobreira de Almeida, que na época era tenente em Valadares. Antes de bater, ele tirava o relógio, para não se machucar. Não me esqueço disso."
Tim, ex-líder sindical, que antes de ser preso chegou a ter 3 mandatos de vereador. "Depois do golpe, não pude crescer politicamente. Eles me liquidaram, minha esposa ficou adoentada e eu tiveque vender muita coisa para me sustentar. Hoje não tenho aposentadoria, pois não consegui comprovar meus direitos políticos" afirma.

Relatos das torturas ainda em anonimato.

O depoimento pessoal de Dilma Rouseff que 30 anos depois de sofrer tortura em Juiz de Fora seria eleita presidente do Brasil, é apenas uma parte num conjunto de 916 peças de horror que estavam até agora esquecidas na última sala do Conselho de Defesa dos Direitos Humanos de Minas Gerais (Conedh-MG). Nesse meio de barbárie e agonias não tem protagonistas. São histórias de centenas de militantes políticos de Minas torturados na frente de seus bebês, homens casados que se tornaram estéreis por levar choques nos órgãos genitais e mulheres que seriam violadas no anonimato das celas pelos seus algozes.
Uma das técnicas mais sádicas de tortura era a da latinha. Os torturadores arrancavam as roupas das pessoas e deixavam elas completamente nuas. Depois, as colocavam descalças em cima de duas latinhas abertas, como a de salsicha, com as bordas afundando no pé. Essas pessoas tinham que aguentar até não poder mais. Se caíssem ou descessem, eram espancados. Era um tipo de crueldade abaixo do nível humano.
Umas das 53 pessoas indenizadas em 2002 foi Gilse Westin Cosenza, que foi presa aos 25 anos quando era vice-presidente do Diretório Central dos Estudantes (DCE) da PUC Minas. Ela foi vítima não da violência física mas sim de ameaça psicológica, que era usada principalmente com mães ou grávidas. Tratava-se de colocar uma criança engatinhando em cima de uma mesa pra forçar a "confissão" da torturada. Caso ela não falasse, o torturados avisava que a criança poderia cair. "Manusearam meu corpo, torceram o bico dos meus seios e enfiaram a mão em mim. Um dia, eu estava arrebentada depois de ter sido torturada das 19hs até as 5hs da manhã quando fui estuprada pelo sargento Leo, da PM" conta Gilse.
No longo período em que permaneceu presa, ela não apenas não enlouqueceu, como também nunca desistiu de lutar pela volta da democracia no Brasil. "Sou privilegiada. Muitos ficaram afetados psicologicamente pela tortura e nunca conseguiram se reerguer. Os torturadores ainda estão impunes. Jurei que enquanto estiver viva não vou parar de lutar por um país mais justo para nossos filhos."

Essas pessoas que torturavam as outras sem dó e nem piedade mereciam um castigo, não a morte, porque muitas vezes a morte não é dolorosa. Mas infelizmente muitos torturadores já morreram e não pagaram pelo que fizeram, outros estão vivos mas velhos. E quem sofreu tortura sempre vai carregar essa sede de justiça, que pelo menos não tão cedo será alcançada




Mulheres torturadas

Cheguei na Oban e a violência começou no interrogatório, com choque elétrico. Quando eu vi o pau de arara, não reconheci o que era porque estava em choque. Vi um copo cheio de uma substância branca e achei que era açúcar, para tomar com água na hora do nervoso. Mas era sal, para pôr nas feridas. Eles faziam piadas sobre o corpo das mulheres, se era feio, jovem, velho, gozavam dos defeitos. Era uma mesquinharia muito grande. Eles abusam, violentam, de uma maneira ou outra, humilham, tornam objeto. Eles faziam a gente se sentiruma porcaria. Também faziam uma certa gozação, como se eu tivesse me metido nisso sem saber o que era. Eles tinham muito prazer na tortura. Não me pareceu que eles faziam por obrigação. Havia o Ustra [coronel Carlos Alberto Brilhante Ustra], que era o mais terrível, porque vinha com uma conversinha, com uma diplomacia: ‘Minha filha, como você vai se meter numa coisa dessas, você é de uma família boa, vai prejudicar os seus filhos por essa coisa de comunismo’. E, de repente, inesperadamente, ele lançava uma bofetada. Uma vez, o torturador “Jesus Cristo” [codinome do delegado de polícia Dirceu Gravina] saiu de um interrogatório e foi para o meu. Ele estava muito nervoso e falou: ‘Você é psicóloga, né, acho que vou precisar do seu auxílio. Eu estou descontrolado, chego em casa e arrebento tudo, bato na minha mulher’. Depois da Oban, fui para o Dops e para o Tiradentes, onde a coisa foi ficando mais de tortura psicológica e não física. Mas sempre com aquele horror de saber que a qualquer momento a gente poderia voltar para a Oban.
LÚCIA COELHO, ex-militante do Partido Operário Comunista (POC), era professora da Faculdade de Medicina da USP quando foi presa em 15 de julho de 1971, em São Paulo (SP), juntamente com seu marido Ruy Coelho, vice-diretor da Faculdade de Filosofia da USP. Hoje, vive na mesma cidade, é psicóloga e presidente da Sociedade Rorschach de São Paulo.
Muitos deles vinham assistir para aprender a torturar. E lá estava eu, uma mulher franzina no meio daqueles homens alucinados, que quase babavam. Hoje, eu ainda vejo a cara dessas pessoas, são lembranças muito fortes. Eu vejo a cara do estuprador. Era uma cara redonda. Era um homem gordo, que me dava choques na vagina e dizia: ‘Você vai parir eletricidade’. Depois disso, me estuprou ali mesmo. Levei muitos murros, pontapés, passei por um corredor polonês. Fiquei um tempão amarrada num banco, com a cabeça solta e levando choques nos dedos dos pés e das mãos. Para aumentar a carga dos choques, eles usavam uma televisão, mudando de canal, ‘telefone’, velas acesas, agulhas e pingos de água no nariz, que é o único trauma que permaneceu até hoje. Em todas as vezes em que eu era pendurada, eu ficava nua, amarrada pelos pés, de cabeça para baixo, enquanto davam choques na minha vagina, boca, língua, olhos, narinas. Tinha um bastão com dois pontinhos que eles punham muito nos seios. E jogavam água para o choque fi car mais forte, além de muita porrada. O estupro foi nos primeiros dias, o que foi terrível para mim. Eu tinha de lutar muito para continuar resistindo. Felizmente, eu consegui. Só que eu não perco a imagem do homem. É uma cena ainda muito presente. Depois do estupro, houve uma pequena trégua, porque eu estava desfalecida. Eles tinham aplicado uma injeção de pentotal, que chamavam de ‘soro da verdade’, e eu estava muito zonza. Eles tiveram muito ódio de mim porque diziam que eu era macho de aguentar. Perguntavam quem era meu professor de ioga, porque, como eu estava aguentando muito a tortura, na cabeça deles eu devia fazer ioga. Me tratavam de ‘puta’, ‘ordinária’. Me tratavam como uma pessoa completamente desumana. Eu também os enfrentei muito. Com certa tranquilidade, eu dizia que eles eram seres anormais, que faziam parte de uma engrenagem podre. Eu me sentia fortalecida com isso, me achava com a moral mais alta.
DULCE MAIA, ex-militante da Vanguarda Popular Revolucionária (VPR), era produtora cultural quando foi presa na madrugada de 26 de janeiro de 1969, em São Paulo (SP).Hoje, vive em Cunha (SP), é ambientalista, dirige a ONG Ecosenso e é cogestora do Parque Nacional da Serra da Bocaina.
Ele me disse: ‘Se você sair viva daqui, o que não vai acontecer, você pode me procurar no futuro. Eu sou o chefe, sou o Jesus Cristo [codinome do delegado de polícia Dirceu Gravina]’. Ele falava isso e virava a manivela para me dar choque. Ele também dizia: ‘Que militante de direitos humanos coisa nenhuma, nada disso, vocês estão envolvidos’. E virava a manivela. Havia umas ameaças assim: ‘Vamos prender todos os advogados de direitos humanos, colocá-los num avião e soltar na Amazônia’. Nos outros interrogatórios, eles perguntavam qual era a minha opção política, o que eu pensava, quem pagava os meus honorários, quais eram os meus contatos no exterior, o que eu pensava do comunismo. Para mim, fi cou muito claro que eles queriam atemorizar advogado de preso político. Havia uma mudança no tom das equipes. Eram três, e ia piorando. Durante o interrogatório da segunda equipe, eu levei uma bofetada de um e o outro me segurou: ‘Está bravinha porque levou uma bofetada?’. E os homens da terceira equipe diziam: ‘Saia disso, onde já se viu defender esses caras, gente perigosíssima, não se meta nisso!’. Eu estava formada havia menos de um ano, e trabalhava desde o segundo ano no escritório do advogado José Carlos Dias, defendendo presos políticos. Essa era a forma que eu tinha de resistir à ditadura militar, foi minha opção de participação na resistência. Eu fui presa sem nenhuma acusação, fiquei três dias lá sem saber porque estava presa. No terceiro ou quarto dia, eu descobri o motivo: teriam achado num ‘aparelho’ um manuscrito do Carlos Eduardo Pires Fleury, que tinha sido banido do país e que foi meu colega e cliente no escritório. Eu não fui das mais torturadas. Levei choque uma manhã inteira, acho que para saber se eu tinha algum envolvimento com alguma organização clandestina e paraque os advogados soubessem que não era fácil para quem militava.
MARIA LUIZA FLORES DA CUNHA BIERRENBACH era advogada de presos políticos quando foi presa em 8 de novembro de 1971, em São Paulo (SP). Hoje, vive na mesma cidade, onde é procuradora do Estado aposentada.
Essas mulhers tiveram de forma individual a sua maneira de resistir a ditadura, e por isso, sofreram torturas. Eu coloquei aqui aquelas que mais "gostei", as que mais me falaram alguma coisa, é dificil, pois existem tantos depoimentos que é muito triste de ver, e ler.



Relatos de terror

Um documento foi encontrado no acervo de Prestes com 233 nomes de torturadores. Além disso, encontraram descrições de sequestros, falsos suicídios e ligações de grupos paramilitares clandestinos com milícias argentinas.
O documento começa contando casos de militantes que desapareceram misteriosamente, mas no ano de 1976  as táticas tinham mudado. Até então, a vítima comparecia aos órgãos de repressão antes de "desaparecer", mas a partir daquele ano, os militantes não seriam mais vistos por outros presos, fazendo crer que tenham sido torturados em endereços diferentes não conhecidos pela opinião pública nacional.
 Um exemplo é que em 1975, um jornalista, depois de ter sido preso e torturado, resolveu denunciar à imprensa os maus tratos que tinha sofrido.Alguns dias depois, recebeu uma carta intitulada como " braço clandestino de repressão" contendo uma série de ameaças a ele e sua família, incluindo um aviso: " você é um, nós somos milhares". A suspeita, segundo os autores do relatório, é de que o tal grupo de extermínio, tinha ligações com a sanguinária Aliança Anticomunista Argentina (AAA).
Os autores do documento contam que venceram "obstáculos aparentemente intransponíveis" ao conseguirem se reunir pela quarta vez em quatro anos. A primeira reunião foi em fevereiro de 1973, quando elaboraram o primeiro relatório constando 28 casos de presos políticos assassinados sob tortura, descrevendo os casos minuciosamente. A segunda, no ano seguinte, contou com revelações de "elementos vinculados profissionalmente à maquina militar de sustentação do regime"- que, inclusive, ajudaram a levantar o nome dos primeiros torturadores. Já o terceiro relatório de 1975, fala das tentativas de camuflar as ações repressivas do regime, a partir de sequestros, assassinatos e desaparecimento de cadáveres.


In memorian

Vladimir Herzog foi uma entre várias vítmas das torturas cometidas contra presos políticos durante a ditadura militar de 1964. Como era frequente naquela época, a morte do jornalista foi divulgada como suicídio. Muitos foram os casos em que os prisioneiros morreram e desapareceram ou foram dados como mortos por outras causas e não pelas violências que sofreram. 

Em protesto ao jornal Folha de São Paulo, Latuff critica o jornal por chamar a ditadura militar brasileira de Ditabranda


Dilma Rousseff na Ditadura.

A presidente Dilma foi torturada na época da Ditadura em Juiz de Fora (MG), Rio de Janeiro e em São Paulo. Em Minas, ela foi colocada no pau de arara, apanhou de palmatória, levou choques e socos que causaram problemas graves na sua arcada dentária. Isso é o que revelam os documentos obtidos com exclusividade pelo Estado de Minas, que até então mofavam na última sala do Conselho dos Direitos Humanos de Minas Gerais (Conedh-MG).
O depoimento de Dilma foi o único que mereceu uma cópia entre os mais de 700 processos de presos políticos mineiros analisados pelo Conedh-MG. No testemunho, ela relata todo o sofrimento vivido em Minas na pele da militante política de codinomes Estela, Stela, Vanda, Luíza, Mariza e Ana. Ela contava então com 22 anos e militava no setor estudantil do Comando de Libertação Nacional (Colina), que mais tarde se fundiria com a Vanguarda Popular Revolucionária, dando origem a VAR-Palmares.
As terríveis sessões de tortura enfrentadas pela então jovem estudante subversiva já foram ditas e repisadas ao longo dos últimos anos, mas relatos sempre se referiam ao eixo Rio-São Paulo, envolvendo a Operação Bandeirantes, a temida OBAN de São Paulo. Já o episódio da tortura sofrida em Minas, onde segundo ela própria exerceu 90% de sua militância durante da Ditadura, tinha ficado no esquecimento.
Dilma disse: "No início, não tinha rotina. Não se distinguia se era dia ou noite. Geralmente, o básico era o choque. E se o interrogatório fosse de longa duração, com interrogador experiente, ele te botava no pau de arara alguns momentos e depois levava para o choque, uma dor que não deixa rastro, só te mina. Muitas vezes usava a palmatória, usaram em mim muita palmatória."
Quando Dilma ficou presa possivelmente no quartel da Polícia do Exército, foi submetida a péssimas condições carcerárias, por dois meses. Nesse período foi mantida na clandestinidade e jogada numa cela, onde permaneceu na maior parte do tempo sozinha.
Pesquisando sobre as torturas que Dilma sofreu, e foram muitas, fiquei com pena. Ela sofreu uma coisa pior que a outra. Mesmo com ela tendo hemorragias no útero, ela sofreu tortura. E o fato dos dentes dela serem um pouco para fora foi por causa de ter levado socos no maxilar. Em um dos socos, o dente se deslocou e apodreceu. Um tempo depois disso, um capitão do DOI-Codi de São Paulo terminou o serviço. Deu um soco e o dente caiu.
Dilma ficou presa por 3 anos. Passou frio, fome, dor e solidão


Em busca de uma justiça




Militares da reserva e policiais envolvidos comatos de tortura e outros abusos cometidos durante a ditadura militar no Brasil foram alvo de manifestações realizadas em seis cidades do país. Integrantes do Levante Popular da Juventude – movimento de jovens que surgiu há seis anos no Rio Grande do Sul e hoje tem representantes em todo país – levaram faixas e fizeram apitaços em frente às casas ou endereços de trabalho dos agentes do Estado, com o intuito de constrangê-los em função da participação deles em atos do regime. As ações ocorreram em Belo Horizonte, São Paulo, Porto Alegre, Fortaleza, Belém e Aracaju.
Os manifestantes chamam os atos de “escracho” e se inspiraram em ações semelhantes que aconteceram na Argentina e no Chile. Eles levam cartazes com imagens dos militares e de vítimas, com base em informações de processos conduzidos pelo Ministério Público Federal, livros da época e relatos de familiares de opositores do regime. "Eram jovens como muitos de nós que você torturou e assassinou nos porões da ditadura milita, vamos ficar atrás de você e cobrar a verdade. Que seja feita justiça com a sua condenação" – gritavam os manifestantes. O ato reuniu cerca de 200 manifestantes e pessoalmente achei muito legal esses jovens se importarem e irem em busca de uma punição para essas pessoas.



BRASIL: NUNCA MAIS

A seguir, irei escrever um trecho do livro Brasil: nunca mais, em que o autor denunciou os crimes praticados por integrantes dos órgãos de segurança a serviço dos governos militares:

 Diz o artigo 5º da Declaração Universal dos Direitos Humanos, assinada pelo Brasil, que " ninguém será submetido à tortura ou castigo cruel, desumano ou degradante".
 Em 20 anos de regime militar, esse princípio foi ignorado pelas autoridades brasileiras. A pesquisa do projeto " Brasil: nunca mais" (1964-1979) mostrou quase uma centena de modos diferentes de tortura mediante agressão física, pressão psicológica e utilização dos mais variados instrumentos, aplicados aos presos políticos brasileiros. Instrumentos de tortura como o "pau de arara", o choque elétrico, o " afogamento", a "geladeira", a " cadeira do dragão", o uso de produtos químicos etc.
 Durante a ditadura militar, a tortura foi utilizada em pessoas de todas as idades, sexo ou situação física psicológica. Assim, crianças foram sacrificadas diante dos pais, mulheres grávidas tiveram seus filhos abortados, esposas sofreram para incriminar seus maridos.
 O emprego da tortura foi peça essencial da engrenagem repressiva posta em movimento pelo regime militar que se implantou em 1964





Maiores torturas

Uma pesquisa coordenada pela Igreja Católica com documentos produzidos pelos próprios militares identificou mais de cem torturas usadas nos "anos de chumbo" (1964-1985). Contando com a "assessoria técnica" de militares americanos que ensinavam a torturar, grupos policiais e militares começavam a agredir no momento da prisão, invadindo casas ou locais de trabalho
Em 1969, a tortura teve seu período mais difícil no país, onde os principais tipos de tortura eram aCadeira do Dragão  que era uma cadeira eletrizada onde os presos eram obrigados a sentar nela nus, e quando a eletricidade era ligada, eles levavam choques por todo o corpo.
Havia também a Geladeira  onde presos nus eram colocados em uma cela pequena, de forma que eles não pudessem ficar em pé. A temperatura do local era alternada entre muito fria e muito quente e muitas vezes, eles tinham que ficar lá por varios dias. 
Arrastamento pela viatura onde a vítima era amarrada no carro, sendo arrastada e obrigada a inalar o gás que saía pelo escapamento da viatura, também era uma técnica comum.
Por último e pra mim a pior era a Coroa-de-Cristo ou Capacete,  que era basicamente um anel metálico, colocado na cabeça do torturado, que tinha um mecanismo para diminuir seu tamanho, esmagando o crânio.
Ninguém acusado de torturar presos políticos durante a ditadura militar chegou a ser punido. Em 1979, o congresso aprovou a Lei da Anistia, que determinou que todos os envolvidos em crimes políticos incluindo os torturadores fossem perdoados pela Justiça


Dilma Rousseff na Ditadura.

A presidente Dilma foi torturada na época da Ditadura em Juiz de Fora (MG), Rio de Janeiro e emSão Paulo. Em Minas, ela foi colocada no pau de arara, apanhou de palmatória, levou choques e socos que causaram problemas graves na sua arcada dentária. Isso é o que revelam os documentos obtidos com exclusividade pelo Estado de Minas, que até então mofavam na última sala do Conselho dos Direitos Humanos de Minas Gerais (Conedh-MG).
O depoimento de Dilma foi o único que mereceu uma cópia entre os mais de 700processos de presos políticos mineiros analisados pelo Conedh-MG. No testemunho, ela relata todo o sofrimento vivido em Minas na pele da militante política de codinomes Estela, Stela, Vanda, Luíza, Mariza e Ana. Ela contava então com 22 anos e militava no setor estudantil do Comando de Libertação Nacional (Colina), que mais tarde se fundiria com a Vanguarda Popular Revolucionária, dando origem a VAR-Palmares.
As terríveis sessões de tortura enfrentadas pela então jovem estudante subversiva já foram ditas e repisadas ao longo dos últimos anos, mas relatos sempre se referiam ao eixo Rio-São Paulo, envolvendo a Operação Bandeirantes, a temida OBAN de São Paulo. Já o episódio da tortura sofrida em Minas, onde segundo ela própria exerceu 90% de sua militância durante da Ditadura, tinha ficado no esquecimento.
Dilma disse: "No início, não tinha rotina. Não se distinguia se era dia ou noite. Geralmente, o básico era o choque. E se o interrogatório fosse de longa duração, com interrogador experiente, ele te botava no pau de arara alguns momentos e depois levava para o choque, uma dor que não deixa rastro, só te mina. Muitas vezes usava a palmatória, usaram em mim muita palmatória."
Quando Dilma ficou presa possivelmente no quartel da Polícia do Exército, foi submetida a péssimas condições carcerárias, por dois meses. Nesse período foi mantida na clandestinidade e jogada numa cela, onde permaneceu na maior parte do tempo sozinha.
Pesquisando sobre as torturas que Dilma sofreu, e foram muitas, fiquei com pena. Ela sofreu uma coisa pior que a outra. Mesmo com ela tendo hemorragias no útero, ela sofreu tortura. E o fato dos dentes dela serem um pouco para fora foi por causa de ter levado socos no maxilar. Em um dos socos, o dente se deslocou e apodreceu. Um tempo depois disso, um capitão do DOI-Codi de São Paulo terminou o serviço. Deu um soco e o dente caiu.
Dilma ficou presa por 3 anos. Passou frio, fome, dor e solidão.

Vídeo

Esse vídeo é interessante. Mostra um homem que foi torturado na época da ditadura militar, ele foi vítima de afogamento e de várias outras torturas seguidas.
Link: http://www.youtube.com/watch?v=itCbMSezTus




Memórias da Ditadura Ditadura Militar no Brasil. Entrevista com um torturado