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sexta-feira, 7 de abril de 2023

Racismo na Alesp


Vivi para contar: 'Não adianta o cargo que ocupo. Minha raça sempre chegará primeiro', diz deputada alvo de racismo

Eleita com 90 mil votos para a Alesp, Thainara Faria conta que os episódios de discriminação são frequentes desde a posse e promete lutar para que este tipo de violência não seja a tônica da legislatura

Por Thainara Faria* — São Paulo

 

05/04/2023 04h30  Atualizado há 2 dias

 

A deputada estadual Thainara Faria (PT-SP) relatou o episódio de racismo em discurso na tribunaA deputada estadual Thainara Faria (PT-SP) relatou o episódio de racismo em discurso na tribuna Reprodução/TV Alesp

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“Eu sofro racismo na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) desde o primeiro dia em que adentrei esta Casa. Por isso, na sexta-feira, quando percebi que havia esquecido o meu bóton de identificação de deputada, pedi para a minha secretária parlamentar ir até o cerimonial solicitar um outro. Eu queria evitar um constrangimento porque sei que, sendo uma mulher preta e circulando de trança neste espaço, sofreria racismo. Primeiro, me negaram o bóton, sob a justificativa de que não haveria acessório para todas as novas parlamentares. Mas depois de muita insistência, acabaram cedendo.

 

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Segui para o plenário e, por três horas, participei de uma solenidade da deputada Leci Brandão (PCdoB). Sentei em frente a uma placa com o escrito ‘deputada estadual Thainara Faria (PT)’. Discursei, me posicionei e fui citada por várias outras pessoas. E no momento em que desci para assinar o livro de presença dos deputados, a dois metros dali, fui barrada. ‘Não. Essa lista é só para os deputados’, me disse a servidora.

 

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A sensação foi de desânimo, tristeza e muita, muita exaustão. Eu mostrei o bóton, que estava visível e pregado na minha roupa, e assinei a lista, sem falar nada. Quando fui dar entrevista à TV Alesp, logo em seguida, acabei ouvindo a servidora reclamando da situação para outra funcionária do cerimonial. Ela disse que era ‘difícil’. Eu respondi que era difícil todos os dias ser confundida com qualquer pessoa, menos com deputada. A servidora argumentou que não tem como saber quem são todos os deputados. Mas existe um ‘carômetro’ com a foto de cada parlamentar, e a função do guardião do livro de presença é justamente saber quem pode ou não assiná-lo.

 

 

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A partir disso, entendi uma coisa: não adianta o cargo que eu ocupo, o quanto eu recebo por mês ou a minha posição. Nada. A minha raça sempre vai chegar primeiro para as pessoas.

 

A minha fala na tribuna, algumas horas depois do ocorrido, foi para colocar um ponto final nessa história. Eu não quero mais passar por isso.

 

A parlamentar em seu gabinete: ela reforça que as tranças representam a sua ancestralidade — Foto: Divulgação

A parlamentar em seu gabinete: ela reforça que as tranças representam a sua ancestralidade — Foto: Divulgação

 

Eu me recolhi todos esses dias para tentar recuperar as minhas forças. Porque toda vez que eu ia falar sobre o assunto, acabava chorando. Esse episódio me remeteu a recordações muito difíceis da minha vida.

 

Uma delas, quando eu ia para a escola, e meu pai, um homem branco, parava no posto de gasolina para abastecer o carro, um Corcel velho. Eu me escondia, pois era frequentemente confundida com uma profissional do sexo. Não imaginavam que eu era filha dele. Num outro dia, voltei do colégio com uma banana na mochila.

 

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Quando comecei na vida pública, sofri muito com o racismo. Fui eleita a primeira vereadora preta na Câmara Municipal de Araraquara (SP). Falaram, na ocasião, ‘agora sim, tendo uma representante negra, a Câmara poderia sair com uma escola de samba’. Nas redes sociais, diziam que eu tinha ‘cabelo de vassoura’ e faziam comentários sobre meu corpo. Nunca sobre o meu trabalho.

 

 

Aqui na Alesp, isso só se multiplicou. Não dá para dizer que sexta-feira foi uma exceção. Da posse para cá, os episódios de racismo têm sido muito violentos. A gente pede que haja renovação na política, mas quando a sociedade elege novos quadros, o Parlamento não está pronto para lidar. Querem a todo momento nos tirar desse espaço. Quando estou sem bóton, nem bom dia me falam. Não me cumprimentam. Eu pareço invisível aqui na Assembleia.

 

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Cotidianamente, estou na porta do meu gabinete e alguém me pede para ‘entregar à deputada’ um ofício de emenda parlamentar ou ‘pedir para a deputada’ assinar o documento de criação de uma frente parlamentar. Ninguém nem cogita que eu seja a deputada. E isso acontece toda hora. Toda hora.

 

 Thainara Faria diz que legislatura não será pautada por racismo  — Foto: Divulgação

Thainara Faria diz que legislatura não será pautada por racismo — Foto: Divulgação

 

No dia da posse, foram dez casos de racismo. Eu contei. A começar quando cheguei de carro dirigindo, com o meu assessor sentado no banco do passageiro. Eu abaixava o vidro para cumprimentar os funcionários e ouvia um ‘oi, deputado’, sempre se referindo a ele. Porque a figura de um homem, branco, de terno, é muito mais reconhecível como deputado do que eu.

 

 

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Neste mesmo dia, fui impedida de entrar no plenário para tomar posse. Uma policial e uma servidora me pediram para sair do caminho, pois ‘a passagem é para os deputados’. Quando eu disse que era uma das parlamentares eleitas, elas justificaram que eu estava sem bóton. Mas só era possível retirar o tal bóton depois de passar por aquele local.

 

Vejo que é muito necessário haver um letramento antirracista dentro do Parlamento, para que servidores e funcionários escutem de pessoas pretas o que é ou não racismo. Racismo não é só chamar de macaca.

 

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A minha trança não é uma questão estética. Ela reforça a presença da minha ancestralidade. Eu renunciei à minha infância quando passei a trabalhar aos 7 anos lavando pratos. Renunciei à minha adolescência e, de alguma forma, renunciei à minha juventude. Quando adentro espaços como este daqui é para representar os segmentos que votaram em mim. Foram 91.388 votos. Não preciso negá-los e não preciso escondê-los. Não faço esforço nenhum para não me parecer com quem eu sou.

 

A última legislatura foi marcada pela violência contra mulher. Esta não será pautada pelo racismo, de jeito nenhum.”

sexta-feira, 31 de março de 2023

Às lágrimas, racismo na Alesp; presidente André do Prado substitui servidora envolvida

Por Gabriel Souza -31/03/2023

 Foto: reprodução

Prefeitura de Guararema

A deputada estadual Thainara Faria (PT) disse ter sido vítima de racismo, nesta sexta-feira, 31, na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp). A parlamentar denunciou o caso em plenário, segundo reportagem da CNN Brasil. Em nota, o presidente da Alesp, André do Prado (PL), solidarizou-se com a colega e disse ter tomado providências sobre o assunto.

 

De acordo com a deputada, após participar da entrega do “Prêmio Theodosina Rosário Ribeiro”, proposto pela deputada Leci Brandão (PCdoB), uma servidora tentou impedir que ela assinasse a lista de presença de deputados.

 

“Eu passei três horas numa solenidade belíssima da deputada Leci Brandão, sentada aqui, com a placa escrita ‘deputada Thainara Faria’. Quando eu desci da mesa e fui assinar os livros, a servidora falou: ‘não, esses livros são só para os deputados’. Eu mostrei o bottom para ela, assinei o livro, e fui dar entrevista para a TV Alesp. Quando eu virei para dar entrevista para a TV Alesp, eu que tenho o tato, o olfato e a audição muito apurados, ouvi ela reclamando para outra servidora: ‘é difícil’”, iniciou o relato.

 

“Dei entrevista, voltei, e falei para ela: é difícil todos os dias nesta Casa ser confudida”, acrescentou.

 

A deputada disse que se desdobrou para estar com identificação especialmente no dia de hoje, por estar de tranças. “Hoje, por estar de trança, e por ter esquecido o meu bottom na minha casa, eu pedi para que minhas assessoras pedissem outro bottom para que eu não fosse confundida. Negaram o bottom primeiro e disseram ‘não, a deputada já tem. Nós temos poucos bottons de deputada, porque tem muita deputada agora’. Mesmo assim, deram o bottom”, contou em plenário.

 

Ela afirmou que relatou esse inconveniente à servidora. “Nós procuramos vocês hoje para que fosse garantido meu botton para que eu não precisasse passar racismo e vocês negaram esse botton. Porque não estão acostumados com uma mulher preta, jovem, de 28 anos, circulando por essa casa. E eu sabia que por estar de trança eu seria confundida, eu queria evitar esse tipo de situação”, disse à ela.

 

“Eu não gostaria de estar chorando aqui agora, mas a questão é que dói muito. Toda hora sofrer racismo. Quando não dói, ele mata, gente. E eu não quero que mais ninguém passe por isso”, continuou o desabafo em plenário.

 

“E a servidora então disse: ‘é que a senhora é nova e a gente não aprendeu ainda quem são os deputados’. Eu quero mostrar para a sociedade paulista o ‘carômetro’”, disse, enquanto mostrava um papel com as fotos individuais dos parlamentares.

 

“Todos os deputados novos estão aqui há muito tempo. Não tem como ficar confundindo. Todos nós estamos aqui. Não tem por que me barrar nos espaços. Não tem por que impedir que eu assine um livro com o peso de uma mão de 91.388 votos do povo de São Paulo”, disse, às lágrimas.

 

“E aí, eles acham que é mimimi. Mas eu não posso voltar com essa dor e esse constrangimento para casa. Este constrangimento tem que ser da servidora e de todas as racistas e os racistas deste país. Chega de tratar nós, pretos e pretas, como escória da sociedade. Muitos desses servidores são os que passam reto das mulheres da faxina que em sua maioria são mulheres pretas. Muitos servidores não aceitam que eu esteja aqui sendo a voz do estado de São Paulo”, completou.

 

A deputada elogiou o tratamento recebido por outras pessoas: “Faço um parêntesis para todas as pessoas que me trataram bem nessa casa, inclusive, muito surpreendida pela postura dos policiais e das policiais que estão extremamente respeitosos comigo. Agradeço. Mas eu não posso deixar mais uma situação como essa”.

 

No Instagram, a deputada também publicou um vídeo sobre o assunto. “Eu vou perguntar para vocês: isso foi um mal-entendido? Hoje de manhã eu fui pegar esse bottom aqui que a gente usa, justamente pra identificar que a gente é deputada exatamente por causa disso. Eu justamente não queria passar por esse racismo por causa da trança, por conta de estar circulando nessa casa fora dos padrões. Isso não é mal-entendido gente, isso é racismo puro e o pior tipo de racismo que existe, que é o estrutural”, disse na rede social.

 

Presidente determina providências imediatas

 

O presidente da Assembleia, André do Prado (PL), solidarizou-se com a deputada Thainara Faria. “De imediato, o presidente determinou providências ao secretário-geral Parlamentar, que substituiu a funcionária pública envolvida no episódio. O caso será avaliado em âmbito administrativo”, disse, em nota.


https://oidiario.com.br/as-lagrimas-deputada-do-pt-denuncia-racismo-na-alesp-presidente-andre-do-prado-substitui-servidora-envolvida/

                                                                              


Garimpeiro encontra enorme pedra de ouro quvae le mais de R$ 800 mil

 Descobridor rachou a rocha no meio porque estava suja e não via o ouro


 

Um garimpeiro amador encontrou uma enorme pepita de ouro no valor de US$ 160 mil (R$ 831 mil) na Austrália.

Descoberta no estado de Victoria, em uma área conhecida como “Triângulo Dourado”, a rocha cheia de ouro pesa 4,6 quilos, com o metal precioso perfazendo 2,6 quilos.

Chamado de “Lucky Strike Nugget”, o espécime de ouro foi levado para a loja de prospecção Lucky Strike Gold no final do ano passado e caiu nas mãos do dono da loja Darren Kamp, que o avaliou.

“Quando chegou minha mão, meu queixo caiu”, disse Kamp. “Foi simplesmente incrível. Uma descoberta única na vida”.

Kamp está no ramo de prospecção de ouro há 43 anos e disse que “nunca viu uma rocha deste tamanho com aquela quantidade de ouro”.

Muitas vezes, as pessoas vão à loja com uma pedra que parece ouro, mas não é, acrescentou.

O homem que encontrou a pedra inicialmente pegou apenas metade dela para ser avaliada e perguntou a Kamp se poderia haver US$ 6.675 em ouro nela.

A rocha estava muito suja, então o observador, que não quer ser identificado, não conseguiu ver o ouro do lado de fora, e ele a partiu em duas porque pensou que haveria uma pepita de ouro dentro, disse Kamp.

Depois de limpo, “você podia ver o ouro saindo da rocha por toda parte”, disse ele.

“Vale a pena procurar ouro”

O garimpeiro usou um detector Minelab Equinox 800 que custou US$ 800 (R$ 4,1 mil) disse Kamp.

“Isso apenas prova que uma máquina pode encontrar ouro”, acrescentou Kamp, que disse que sua loja tem vendido mais detectores recentemente, provavelmente porque as taxas de juros estão subindo e as pessoas estão procurando maneiras de complementar sua renda.

“Vale a pena procurar”, disse Kamp. “Você só precisa de dois pedacinhos e tem basicamente 200 dólares [australianos]”.

Em 2020, garimpeiros no sul da Austrália encontraram duas enormes pepitas no valor de US$ 250.000 (R$ 1,2 milhão) em campos de ouro históricos.

Em 2013, um explorador amador descobriu um valendo pelo menos US$ 300.000 (R$ 1,5 milhão).

A descoberta de ricos depósitos de ouro nas regiões de Ballarat e Bendigo de Victoria em 1851 levou a uma série de corridas de ouro na Austrália na década de 1850.

Era comum que os caçadores de fortuna encontrassem pepitas enormes, sendo a maior a “Pepita de Holtermann”, que pesava mais de 90 quilos.

https://justocantins.com.br/noticias/garimpeiro-encontra-enorme-pedra-de-ouro-que-vale-mais-de-r-800-mil/