O pré-candidato à Presidência teve reação semelhante à registrada em debate de 2016
Por: Marcelo HailerPublicado: 07/04/2026
- Reprodução/ frame/ inteligência Ltda.
O ex-senador Flávio Bolsonaro (PL), que hoje é pré-candidato à Presidência da República, virou meme em 2016 após quase desmaiar durante um debate eleitoral. À época, ele concorria ao cargo de prefeito do Rio de Janeiro.
Na segunda-feira (6), Flávio Bolsonaro deu uma entrevista para o podcast Inteligência Ltda. e quase repetiu a cena do debate de 2016, ou seja, quase desmaiou ao ser questionado sobre o esquema de rachadinha do qual foi acusado de operar em seu gabinete na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).
Em determinado momento, o apresentador do programa seleciona algumas perguntas de internautas sobre o esquema de rachadinha e Fabrício Queiroz. Ao ser questionado, Flávio Bolsonaro começa a ficar nervoso e a morder os lábios, assim como fez no fatídico debate de 2016, e a transpirar muito. Confira o momento no vídeo abaixo:
Flávio Bolsonaro processa o X e quer dados de quem o critica
A política brasileira é pródiga em ironias, mas poucas são tão cristalinas quanto o recente movimento jurídico do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O parlamentar, cuja família construiu carreira política sob o pilar inabalável, ao menos no discurso, da “liberdade de expressão absoluta”, decidiu que essa mesma liberdade tem um teto: o limite do seu próprio desconforto. Em uma ofensiva contra a plataforma X (antigo Twitter), o filho “01” do ex-presidente agora tenta usar o Judiciário para arrancar o anonimato de cidadãos que o criticam, provando que a régua da censura, para a extrema direita, é meramente conveniência.
A tática é velha, mas o palco é novo. Flávio acionou a Justiça do Rio de Janeiro exigindo que a big tech entregue dados sensíveis, como CPF, e-mail e telefone, de cinco perfis que o fustigam na rede social. O objetivo? Identificar as faces por trás de nomes como @crt444ph, @AbortoFavelado, @JorgeLFCoelho, @ivantuita e @opalmiery, para que todos respondam criminalmente pelo que disseram. É o famoso “liberdade para mim, lei para você”.
O sigilo negado e a tese do “crime”
O senador deu entrada na ação em janeiro, na 2ª Vara Cível da Pavuna, e tentou, de saída, colocar uma mordaça no próprio processo: pediu segredo de Justiça. O magistrado Marcello Filho, contudo, não comprou a obscuridade e negou o sigilo, embora tenha dado cinco dias para a plataforma se manifestar. Flávio alega ser alvo de uma “campanha difamatória e caluniosa” que, segundo sua ótica, “transcende os limites da crítica política”.
A defesa de Flávio sustenta que as contas usam o “anonimato para cometer crimes” e que deseja apenas “fazer valer a lei e retirar do ar as mentiras publicadas pela esquerda”. O tom, agressivo e marcado pela polarização, ignora um detalhe fundamental: quem define o que é mentira ou crime não é o político atingido pela crítica, mas o devido processo legal, o mesmo que ele e seus aliados atacam diariamente quando as decisões do STF não lhes agradam.
O feitiço contra o feiticeiro: O X evoca a Liberdade
A grande ironia desta batalha jurídica reside na resposta da plataforma X. Em um movimento que soa como um espelho invertido do discurso bolsonarista, a rede social de Elon Musk utilizou justamente a liberdade de expressão e a livre manifestação do pensamento para negar a entrega dos dados. A empresa alegou que a quebra de anonimato deve ser uma medida excepcional e proporcional, sob risco de configurar assédio judicial.
O X foi além e tocou na ferida aberta do clã: relembrou o caso das “rachadinhas”. Na manifestação enviada à Justiça, a rede social citou jurisprudência para afirmar que homens públicos devem “tolerar críticas mais severas” e que os temas abordados pelos perfis, como as investigações sobre desvios de salários no antigo gabinete de Flávio e suas supostas ligações com milícias, são de amplo debate público e interesse social há anos.
“Efeito silenciador” e a sombra do autoritarismo
A plataforma argumentou que a entrega “gratuita” de dados, sem uma análise minuciosa de ilicitude em cada postagem, pode causar um “efeito silenciador” na sociedade. Para o X, não se pode presumir crime apenas pela “contundência da linguagem ou pelo desconforto gerado por críticas políticas”.
É o retrato de uma desfaçatez monumental: o grupo político que rotula qualquer tentativa de regulação de redes sociais como “PL da Censura” é o primeiro a bater à porta do juiz quando o post do cidadão comum dói no calo. Enquanto Flávio Bolsonaro se projeta como o herdeiro de um espólio que prega o fim das amarras digitais para propagar suas pautas, no fórum ele prefere a caneta do magistrado para calar o opositor.
O processo segue parado na Justiça do Rio após recurso da empresa. Por enquanto, os perfis permanecem protegidos pelo mesmo direito que o senador diz defender, mas que, na prática, parece só querer para si. A liberdade, para o projeto de poder que Flávio representa, é um palanque; a justiça, um porrete contra a divergência.

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