Mostrando postagens com marcador Moraes Estamos chegando aos financiadores das fake news. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Moraes Estamos chegando aos financiadores das fake news. Mostrar todas as postagens

sábado, 30 de abril de 2022

Moraes: "Estamos chegando aos financiadores" das fake news

 Moraes nega intenção de arquivar inquérito e diz que apuração está perto de descobrir quem banca a divulgação de notícias falsas

Luana Patriolino
Vinicius Doria
postado em 30/04/2022 06:00
(crédito: STF/Divulgação)
(crédito: STF/Divulgação)

Um dos mais sensíveis pontos de atrito entre o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF), o inquérito das fake news seguirá independentemente das pressões políticas para que seja finalizado. O relator do processo, ministro Alexandre de Moraes, disse, ontem, que as investigações estão perto de revelar quem são os financiadores da produção e dos disparos em massa de notícias falsas. "Liberdade de expressão não é liberdade de agressão", declarou Moraes, em palestra a um grupo de estudantes de uma faculdade paulista.

"A desinformação é tanta que, às vezes, a imprensa tradicional repete fake news. Hoje (ontem), saiu uma notícia que o Supremo quer arquivar o inquérito das fake news. Isso é uma fake news", frisou. "Não vai arquivar porque nós estamos chegando aos financiadores. A investigação tem seu momento público e o momento sigiloso, que, na maioria das vezes, é mais importante, em que vai costurando as atividades ilícitas que a Polícia Federal está investigando em relação a isso."

O inquérito das fake news foi aberto em março de 2019, por decisão do então presidente da Corte, ministro Dias Toffoli, para investigar notícias fraudulentas, ofensas e ameaças a ministros do STF. O processo avançou para a apuração sobre a disseminação de mentiras a respeito da segurança das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral.

O presidente Jair Bolsonaro (PL) foi incluído na ação como investigado, assim como um dos filhos dele, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), entre outros políticos. A apuração levará em conta os ataques, sem provas, feitos pelo chefe do Executivo às urnas eletrônicas e ao sistema eleitoral do país.

Segundo Moraes, o combate à desinformação é o maior desafio do Judiciário nas eleições deste ano. "A verdade é que (em 2018) ninguém esperava isso, ninguém estava preparado. Como disse, o maior erro é subestimar e ficar repetindo 'só falam para as bolhas', 'ah, quem tem cabeça olha, sabe que a notícia é falsa'. Não é verdade, é tudo direcionado por algoritmos", argumentou.

Para evitar uma crise institucional, um grupo de senadores passou a semana articulando uma espécie de proteção política do Supremo diante dos ataques que partem do Planalto. Entre terça e quarta-feira, Renan Calheiros (MDB-AL), Eduardo Braga (MDB-PA), Marcelo Castro (MDB-PI) e Randolfe Rodrigues (Rede-AP) conversaram com praticamente todos os ministros do STF, incluindo o presidente da Corte, Luiz Fux. Depois, o grupo se reuniu com o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG).

A ideia do grupo, segundo apurou o Correio, é criar uma "barreira de contenção política" para que o debate se dê no palco apropriado. "O STF não pode ficar na linha de frente desse bate-boca, o embate político se faz na arena política, que é o Congresso", comentou uma fonte que acompanhou os senadores nesses encontros.

As últimas declarações de Pacheco defendendo a lisura do processo eleitoral foram vistas como uma boa sinalização dessa estratégia. A mesma leitura está sendo feita em relação à postura do presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), diante da indicação do deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) para integrar cinco comissões da Casa, incluindo a poderosa Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). Lira fez chegar a ministros do STF a informação de que Silveira não integrará as comissões. O deputado foi condenado à prisão pelo Supremo, mas recebeu indulto de Bolsonaro.

O inquérito das fake news, comandado por Alexandre de Moraes, ainda é um empecilho a esse esforço político. Parlamentares de várias legendas defendem a tese de que esse processo não deve se prolongar indefinidamente.

"A atuação do Supremo merece reparos, o inquérito das fake news se arrasta por mais de dois anos, muito além dos limites tradicionais do direito brasileiro. O Supremo tem que caminhar para o encerramento do inquérito", disse ao Correio o senador Alessandro Vieira (PSDB-SE), que chegou a apresentar um pedido de impeachment do ministro Moraes, em 2019, quando da instauração do processo. Posteriormente, o próprio Supremo considerou a investigação constitucional.

Vieira defende que o Senado seja a "Casa da ponderação", que cumpra a função de "pacificar esse cenário por meio da construção de acordos políticos e legislativos".

"Se eu discordo do Supremo, que permitiu a instauração do inquérito que, na minha visão, é absolutamente arbitrário, o que cabe é mudar a Constituição em um processo legislativo", destacou.