domingo, 21 de junho de 2026

Entenda histórico de pistolagem em cidade onde influencer do agro foi morta

 Mutum ainda carrega marcas da pistolagem em Minas Gerais e no Espírito Santo; veja outros casos recentes de mortes violentas na região

Repórter especial do Estado de Minas/UAI (2011), com passagens por Folha de SP (stringer Europa 2011), Agora SP (2010-2011) e Hoje em Dia (2004-2010). Sempre envolvido em grandes reportagens e séries em áreas como meio ambiente, segurança pública, tran
20/06/2026


A influenciadora digital Alzira Maria Theodoro Luiz, de 43 anos, foi morta a tiroscrédito: Redes Sociais/Reprodução

Mutum é um município que ainda carrega o estigma de remanescente da pistolagem mineira e capixaba no Vale do Rio Doce. Em 8 de junho, a produtora rural Alzira Maria Theodoro Luiz, conhecida nas redes sociais como “influenciadora do agro”, foi morta a tiros dentro da própria casa. Ela tinha 43 anos e deixou quatro filhos.

A cidade do Vale do Rio Doce chegou a ser conhecida por ser um entreposto da contratação de pistoleiros e mantém essa fama enquanto em outros lugares, como no Jequitinhonha, isso não é mais realidade. 

Há vários casos recentes. Um deles foi o triplo homicídio do Córrego Ponte Alta, na zona rural do município, em 5 de novembro de 2025. A perícia técnica recolheu no local 15 cápsulas de pistola calibre 9 mm e resquícios de entorpecentes. Três pessoas sem grau de parentesco entre si foram executadas a tiros dentro de um imóvel rural.  

A linha de investigação apontou para um acerto de contas promovido por uma associação criminosa voltada ao tráfico de drogas e à contenção territorial.

Morreram Davily Helen Batista Alves, de 18 anos, e Verônica Campos da Costa, de 32, pessoas sem registros criminais anteriores, e Nelson Teixeira de Arruda, de 60, dono da propriedade, que possuía registros antigos por injúria e ameaça.

Após o crime, a polícia prendeu um homem e duas mulheres (de 24, 27 e 29 anos) escondidos em uma casa no mesmo lugarejo. 

Eles caíram em contradição e tentaram ocultar celulares. Uma das suspeitas, de 27, já havia sido baleada e sobrevivido à chacina das Lavouras de Café, ocorrida em 2024.

    Chacina das Lavouras de Café

    A Chacina das Lavouras de Café, em 2 de junho de 2024, foi um dos episódios mais violentos da história recente de Mutum, pois o caso ganhou repercussão nacional uma vez que os próprios executores filmaram a ação em tom de ostentação e ameaça.

    Quatro pessoas foram mortas na zona rural do município. O ataque foi planejado como uma operação de "limpeza" e cobrança armada por um grupo que controlava uma rede clandestina de financiamento e pistolagem na região.

    A investigação policial desmantelou uma estrutura que misturava extorsão de meeiros e trabalhadores de grandes lavouras de café, agiotagem e tráfico de drogas. Quem não pagava os juros abusivos ou tentava romper com o esquema de fornecimento de entorpecentes entrava na lista de mortes encomendadas aos pistoleiros locais.

    Operação Lucas 3:14 – a escolta e a pistolagem fardada (junho de 2026)

    Embora abranja a divisa do Espírito Santo com o Leste de Minas, esse caso chegou à engrenagem que abastece a violência em Mutum: o envolvimento de agentes de segurança do estado atuando como matadores profissionais ou seguranças de bicheiros e latifundiários.

    Deflagrada pelas polícias civis de MG e ES, a operação mirou uma organização criminosa interestadual especializada em homicídios por encomenda e atividades típicas de milícia/pistolagem. 

    O nome da operação ironiza a conduta dos envolvidos, citando o versículo bíblico: "A ninguém maltrateis, não deis denúncia falsa e contentai-vos com o vosso soldo."

    Policiais militares de ambos os estados foram investigados e presos sob a acusação de usar o aparato, o treinamento e as armas do estado para executar desafetos, fazer cobranças sob ameaça armada e dar proteção a negócios ilícitos na faixa de fronteira, operando em municípios do eixo Mutum-Brejetuba.  

      Outro caso ocorreu em outubro de 2025 no distrito de Imbiruçu. A dinâmica geográfica da "pistolagem de fronteira" fica evidente nas prisões integradas entre as delegacias de Mutum (sob comando da delegada Dária Cristina) e de Brejetuba/ES (sob comando do delegado Arthur França).

      Criminosos do Espírito Santo utilizavam os distritos mais afastados de Mutum para se esconder após cometerem assassinatos na modalidade de pistolagem. 

      Em uma das operações decorridas ao longo do mês, as equipes cercaram o isolado distrito de Imbiruçu, em Mutum, para capturar o coautor de uma execução ocorrida na localidade capixaba de São Jorge.

      O suspeito de ser pistoleiro contratado já havia sido preso anteriormente no Espírito Santo. A logística de esconder os partícipes e mandantes nas propriedades cafeeiras de Mutum era o padrão para que os crimes ficassem sem resposta, aproveitando-se do fato de que cruzar a divisa por estradas de terra cortava a jurisdição das polícias estaduais.

      Mãe de vítima de estupro coletivo diz que foi coagida por pais de suspeitos: 'Como se um pedido de desculpa fosse resolver'

       Caso ocorreu na sexta-feira (12), em Contagem, na Grande BH. Adolescente relata possível droga em bebida e afirma que ao menos quatro jovens participaram de abusos.

      Por g1 Minas — Belo Horizonte

      Polícia ouve adolescentes suspeitos de estupro coletivo

      Polícia ouve adolescentes suspeitos de estupro coletivo


      A mãe da adolescente vítima de um estupro coletivo em Contagem, na Grande BH, disse que, enquanto acompanhava a filha realizando exames e recebendo medicação no hospital, pais de dois envolvidos nos abusos foram até o local na tentativa de negociar um acordo.

      A vítima denunciou que foi abusada por ao menos quatro adolescentes durante um encontro com amigos em sua casa, e suspeita que perdeu a consciência após ter sua bebida adulterada. No local estavam oito jovens.

      "Eles ficaram na porta, dois dos pais dos adolescentes abusadores. Ficaram na porta nos coagindo, querendo conversar para resolver o problema como se uma conversa, um pedido de desculpa fosse resolver. As médicas que ficaram revoltadas e elas acionaram o 180 e registraram boletim de ocorrência", relatou a mulher.

        A mãe da vítima explicou ainda, em entrevista ao g1, que, após o crime, algumas mensagens de celular foram enviadas por um dos adolescentes. Segundo ela, o rapaz é o melhor amigo da filha e teria feito ameaças para evitar que a jovem contasse o ocorrido (veja foto abaixo). Os conteúdos das conversas já foram encaminhados à polícia.

        "Eu quero ir até as últimas consequências. Eu quero que eles paguem. Por mais que sejam menores de idade, precisam pagar. Se com essa idade eles fizeram isso, com a melhor amiga, quem garante que não vão fazer de novo?!", destacou a mãe da adolescente.

        Prints mostram conversa entre adolescente vítima de estupro coletivo e um dos suspeitos — Foto: Reprodução/Redes sociais

        Prints mostram conversa entre adolescente vítima de estupro coletivo e um dos suspeitos — Foto: Reprodução/Redes sociais

        Adolescentes começaram a ser ouvidos

        O crime aconteceu no bairro Arvoredo, na última sexta-feira (12). A vítima, de 17 anos, relata ter ingerido bebida possivelmente adulterada, perdido a consciência e ter sido abusada por ao menos quatro jovens.

        No churrasco, estavam presentes oito jovens, incluindo duas amigas da vítima, o namorado de uma delas, um amigo do casal e outros quatro conhecidos (veja o que se sabe sobre o caso).

        Nesta quinta-feira (18) os adolescentes suspeitos de envolvimento no estupro começaram a ser ouvidos pela Polícia Civil. Em nota, o órgão informou que a investigação segue sob sigilo na Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher de Contagem.

        Por serem menores de idade, os adolescentes não respondem criminalmente da mesma forma que adultos. Caso o envolvimento seja comprovado, eles poderão responder por ato infracional análogo ao crime de estupro, com aplicação de medidas socioeducativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).

        Mãe de vítima de estupro coletivo diz que foi coagida por pais | G1