segunda-feira, 13 de fevereiro de 2023

Homem que era procurado por bombeiros após desaparecer em cachoeira conta ao g1 Vales como sobreviveu

 Antônio Joel desapareceu na tarde de domingo (12), enquanto nadava com amigos na cachoeira conhecida como Pedra Lascada, em Ipatinga, no Leste de MG. Ele contou que caiu em um vão de uma pedra onde era possível respirar e permaneceu lá por cerca de 7 horas até conseguir sair. O homem disse ao g1 que no fim da noite uma pedra se quebrou e cortou a correnteza que impedia a saída dele. A família já tinha sido comunicada da provável morte quando ele reapareceu.

Por Gabriel Ferreria e Cristiane Rodrigues, g1 Vales de Minas Gerais

 

13/02/2023 15h47  Atualizado há 4 horas

 


Bombeiros iam retomar as buscas quando descobriu que Antônio estava vivo e já tinha até voltado para o trabalho — Foto: Corpo de Bombeiros Militar

  

Uma história curiosa aconteceu, nesta segunda-feira (13), quando os bombeiros militares retomavam as buscas por um homem que teria se afogado numa cachoeira de Ipatinga, no dia anterior. Antônio Joel do Nascimento, de 31 anos, que havia desaparecido após ser levado pela correnteza, foi localizado vivo, no local de trabalho. Ele disse que ficou preso no vão de uma pedra, onde era possível respirar e permaneceu lá por cerca de 7 horas até conseguir sair e voltar para casa.

 

No domingo (12), o Corpo de Bombeiros foi acionado por dois amigos que relataram que a vítima tentou atravessar a cachoeira em um ponto com correnteza, se afundou e não foi mais vista. Os militares realizaram buscas no local, mas não conseguiram localizar Antônio, deixando para a retomada dos trabalhos para o dia seguinte.

 

 

No entanto, antes de voltar aos trabalhos os militares foram surpreendidos. "No momento que uma nova guarnição se deslocava para continuar as buscas, chegou a informação por um conhecido da vítima de que ela teria aparecido viva e ido para o trabalho", informou a nota enviada pela corporação. Os militares confirmaram a informação e encontraram Antônio Joel.

 

Como a vítima sobreviveu

 

A reportagem do g1 conseguiu localizar Antônio Joel e conversou sobre como tudo aconteceu na cachoeira conhecida como Pedra Lascada.

 

Antônio é cearense, vive com a família em São Paulo, mas atualmente passa por uma temporada no Vale do Aço à trabalho. Esta é a mesma situação dos amigos que estavam com ele na cachoeira. Eles moram juntos em um imóvel no bairro Limoeiro, que fica a poucos quilômetros de onde ocorreu o acidente. Segundo Joel, o grupo já tinha o costume de visitar o local.

 

"Já fomos a cachoeira umas três ou quatro vezes. A gente sempre pulava de uma pedra. Quando eu pulei, escorreguei e caí em um redemoinho, dentro da pedra. Lá era bem estreito, só cabia a pessoa de lado e a profundidade era funda. Eu fiquei no cantinho da pedra, onde a correnteza não batia e fiquei lá, na esperança de que viria o resgate. Na hora que eu ficava nervoso, dava falta de ar. Aí, tinha que respirar com calma, ter a cabeça fria, porque, se for um cara que fica agoniado, ele morre". 

 


Bombeiros fizeram buscar por Antônio Joel durante o domingo (12) — Foto: Corpo de Bombeiros Militar

 

Antônio também detalhou os pensamentos que teve durante os momentos de aflição enquanto aguardava por horas preso à pedra. Boa parte deles direcionados à família, principalmente aos dois filhos. Um com dois meses recém-completados.

 

"Eu vou morrer. Não tem pra onde eu sair aqui. Se eu for pra frente, a água está me puxando. Se eu ficar aqui e não tentar sair, eu vou morrer de toda forma. Deu vontade de pular logo lá no meio e acabar logo com o sofrimento. O jeito foi se apegar com Deus. O que vinha mais na minha mente eram meus filhos. Eu fiquei dez dias com o meu filho, que acabou de completar dois meses. Eu pensei: eu vou morrer e não tive nem tempo de ficar com o meu filho".

 

Antônio concordou que as circunstâncias do acidente indicavam que não havia como escapar com vida. Ele disse que a família já tratava a situação como morte e a mulher dele chegou a sair de São Paulo para vir para Ipatinga para auxiliar nas buscas.

 

"Ela veio para reconhecer o corpo. Quando ela soube que eu tava vivo e ela estava a caminho, ela continuou vindo. Minha família toda ficou desesperada. Tem sete ou oito anos que eu não vejo minha mãe. Todo mundo ficou sabendo. No Facebook, todo mundo ficou postando mensagens de pesar", relatou.

Os momentos de tensão e desespero tiveram fim por volta das 22h quando, de repente, uma pedra se quebrou ao lado de onde ele estava preso e bloqueou a correnteza que o impedia de sair do lugar.

 

"Do nada, a pedra que tava do meu lado quebrou. Quando ela quebrou, a correnteza que tava por cima acabou. Foi a hora que consegui escalar a pedra e consegui sair. Quando saí, não conseguia ficar nem em pé. Era impossível sair dali. Nem eu tô acreditando. Vou voltar ao local pra tirar uma foto da pedra, porque não acredito que ela caiu. A pedra era muito grande", relembrou surpreso.

 

 

A volta pra casa

 

Antônio ainda deu detalhes ao g1 de como deixou o local e foi para casa. Segundo a vítima, a força da correnteza acabou arrancando a roupa que ele vestia, por isso, precisou usar uma sacola plástica para se cobrir e ir embora a pé, já que o carro dele tinha sido levado pelos amigos.

 

Durante o trajeto, ele disse que foi abordado por policiais que questionaram o fato dele estar seminu. Joel explicou o que tinha acontecido e depois de confirmar as informações, o militares entenderam a situação e perguntou se ele queria ser levado para o hospital, mas ele preferiu ir direto pra casa.

 

O reencontro com os amigos

 

Antônio contou ainda como foi a reação dos amigos que estavam com ele e o acompanhavam na cachoeira quando o reencontraram. Alguns estavam se sentindo culpados.

 

"Quando eles me viram, encheram o olho de lágrimas. O pessoal já saiu me abraçando quando me viu. Naquele momento ali, era como se eu não os visse há dez anos. Eles me contaram que ficaram olhando as ferramentas no meu quarto e pensando em mim. Antes de pular, eu olhei e dei um sorriso pra um deles. Ele me falou que estava pensando no meu último sorriso antes de 'morrer'. O outro rapaz também se sentia culpado porque não conseguiu me salvar".

 

Por fim, com o susto já passado, Antônio brincou com a situação e disse que "agora não quer saber de cachoeira. Água só a do chuveiro".

 

Vídeos do Leste e Nordeste de MG

https://g1.globo.com/mg/vales-mg/noticia/2023/02/13/homem-que-era-procurado-por-bombeiros-apos-desaparecer-em-cachoeira-conta-ao-g1-vales-como-sobreviveu.ghtml

Nenhum comentário:

Postar um comentário