Perfis de apoiadores bolsonaristas tem usado valor para atacar Zema, que classificou áudios de Flávio Bolsonaro ao banqueiro como 'tapa na cara do Brasil'
Preso pela Polícia Federal nesta quinta-feira, o pai de Daniel Vorcaro, Henrique Moura Vorcaro, fez uma doação no valor de R$ 1 milhão para o diretório estadual de Minas Gerais do partido Novo em 2022. A doação aparece na prestação de contas anual da sigla disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e voltou a ser compartilhada por perfis de aliados bolsonaristas e depois do ex-governador Romeu Zema (Novo) afirmar que os áudios enviados por Flávio Bolsonaro (PL) ao banqueiro seriam "um tapa na cara do Brasil".
A doação, divulgada pelo ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em um post no X, é datada do dia 4 de agosto de 2022, nas vésperas do início da campanha eleitoral, que teve em Minas Romeu Zema como candidato à reeleição para o comando do estado. O valor foi descrito como oriundo de uma "transferência eletrônica" de R$ 1 milhão e destinado para a "manutenção do partido".
No mesmo ano, a sigla conseguiu arrecadar R$ 28 milhões em cerca de 20 doações de outros empresários e agentes políticos. Em nota, o Novo afirmou que "é pública e devidamente registrada nas prestações de contas do partido a doação feita por Henrique Vorcaro ao Partido Novo nas eleições de 2022". Segundo o texto, na época, "as ilegalidades do Banco Master ainda eram desconhecidas" e, desde que o caso veio à tona, "o partido e sua bancada no Congresso têm criticado e atuado na investigação dos escândalos em que o banco está envolvido".
Procurado pelo GLOBO, Zema também afirmou, em nota, que o valor foi destinado para a sigla, mas "nenhum centavo" entrou em sua campanha. "A doação ao partido foi perfeitamente legal e transparente, está registrada na Justiça Eleitoral", também disse o ex-mandatário, acrescentando que "não tem rabo preso" e dizendo que é "o pré-candidato que mais denuncia os intocáveis".
Entenda a prisão do pai de Vorcaro
Conhecido no meio empresarial de Minas Gerais por atuar há décadas nos setores de infraestrutura, engenharia e construção pesada, Henrique Vorcaro foi preso hoje ao ser acusado de integrar "A Turma", uma espécie de milícia privada e estrutura de coerção montada sob o comando do ex-banqueiro para vigiar, intimidar e ameaçar críticos, autoridades e jornalistas.
De acordo com a Polícia Federal, Vorcaro usou a conta do pai para ocultar R$ 2,2 bilhões das vítimas do Master, em atuação conjunta com a empresa CBSF DTVM, a ex-Reag, citada na Operação Carbono Oculto, que investiga a lavagem de dinheiro do PCC em fundos de investimento. A empresa tem negado irregularidades.
Ofensiva de Zema
Depois da veiculação dos áudios enviados por Flávio a Vorcaro, Zema veio a público, em um vídeo postado nas suas redes sociais, dizer que a atuação do senador era "imperdoável". Em resposta, Carlos Bolsonaro, pré-candidato ao Senado por Santa Catarina e irmão de Flávio, se referiu ao ex-governador mineiro como "comedor de casca de banana" e disse que ele está "passando de todos os limites".
Além dele, Eduardo Bolsonaro acusou Zema de se aproveitar da situação de forma "vil". O ex-parlamentar também disse que ele "não sequer ouviu o outro lado" e que "bastou um par de horas para a 'união da direita', e o potencial vice se aproveita e larga esta acusação sem fundamentos". O senador e coordenador de campanha de Flávio, Rogério Marinho (PL-RN), classificou o ex-governador de "oportunista". Em resposta, Zema escreveu em um post no X: "para quem não sabe diferenciar oportunismo de coerência: o problema é seu".


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