Outro objetivo da conversa, realizada no sábado (5), foi verificar a viabilidade da compra de petróleo do país caso os americanos deixem de importar o produto da Rússia
Nicolás Maduro é aliado de Vladimir Putin
MANAURE QUINTERO/REUTERS - 22.1.2021
Altos funcionários da Casa Branca e do Departamento de Estado americano foram à Venezuela no sábado (5) para conversar com o governo do presidente Nicolás Maduro sobre a relação do país com a Rússia após a invasão da Ucrânia, que completa 11 dias.
Os EUA tentam pressionar Maduro a retirar o apoio declarado a Vladimir Putin, da Rússia.
A viagem também tinha como objetivo estabelecer se seria viável comprar mais petróleo da Venezuela, caso o governo de Joe Biden decida cortar a compra do produto da Rússia.
Funcionários dos dois governos se encontraram no sábado, mas não chegaram a nenhum acordo, disse uma fonte próxima das autoridades americanas, que não quis se identificar. Não está claro se será realizada uma nova reunião.
A visita foi divulgada inicialmente pelo jornal The New York Times.
EUA discute aliviar sanções à Venezuela para conter petróleo
UE mantém sanções contra 55 funcionários do governo Maduro
Chanceler alemão alerta: ‘Petróleo da Rússia é essencial
para a Europa’
Segundo Scholz, fornecimento de energia para Europa “não
pode ser assegurado de outra forma”. Sem grandes avanços nas negociações de
paz, Rússia e Ucrânia devem voltar a se reunir na quinta (10), na Turquia
Publicado 07/03/2022 - 19h22
Reproução/Youtube - Arte: Leandro Siman
Há menos de um mês, o presidente russo e o chanceler alemão se encontraram em Moscou para debater crise na Europa
São Paulo – Nesta segunda-feira (7), o chanceler alemão,
Olaf Scholz, afirmou que as importações de energia (gás e petróleo) da Rússia
são “essenciais” para a “vida diária dos cidadãos” da Europa. Segundo ele, no
momento o abastecimento do continente não pode ser garantido de outra forma. O
alerta do sucessor de Angela Merkel foi uma resposta à informação de domingo
(6) de que os Estados Unidos estudam, com os aliados europeus, um bloqueio ao
petróleo russo.
A Rússia não depende do Ocidente e pode “redirecionar” sua
produção para outros lugares, disse o vice-primeiro-ministro da Rússia,
Aleksandr Novak. De acordo com ele, os europeus “mais uma vez tentam colocar a
culpa por suas próprias recentes falhas na política energética na Rússia”,
segundo o site RT (Russia Today).
“O fornecimento de energia da Europa para produção de calor,
mobilidade, eletricidade e indústria não pode ser assegurado de outra forma”,
advertiu o premiê alemão. Cerca de 40% do gás consumido pelos europeus é
comprado dos russos. A energia fóssil vendida pela Rússia não foi alvo inicial
das sanções por temor de que a medida provoque caos ao mercado global, fora os
problemas da população.
Escalada
As estimativas mais pessimistas dão conta de que uma medida
como essa do Ocidente poderá levar os preços a atingirem o impensável valor de
mais de US$ 300 o barril de petróleo. O preço do petróleo Brent ultrapassou US$
130 por barril pela primeira vez em uma década nesta segunda.
Há menos de um mês, o presidente da Rússia e o chanceler alemão
se encontraram em Moscou. Putin e Scholz discutiram a situação na Europa, a
segurança e as discussões então em curso, “particularmente em relação à
Ucrânia”, disse Putin à época.
Dois dias dia após o presidente russo reconhecer a
independência de regiões separatistas da Ucrânia Donetsk e Luhansk, no Leste da
Ucrãnia, um dia antes de atacar o país vizinho, o presidente dos Estados
Unidos, Joe Biden, impôs sanções ao gasoduto submarino russo Nord Stream 2. A
Alemanha já havia interrompido o funcionamento do projeto, que dobraria o
fornecimento de gás para a Europa
Mas, mesmo com a perspectiva de piora da vida dos europeus,
enquanto a guerra se desenvolve no campo de batalha, o Ocidente promete
aumentar sanções econômicas contra o governo de Vladimir Putin. Ao mesmo tempo,
Scholz disse que seu país aumentará ajuda financeira à Ucrânia, o que inclui
fornecimento de armas.
Negociações sem avanços
Hoje, a terceira rodada de negociações entre a Rússia e a
Ucrânia – realizada em Brest, na Bielorerússia – foi encerrada apenas com
“pequenos progressos” para melhorar a logística dos corredores humanitários,
segundo o conselheiro do Gabinete Presidencial ucraniano, Mikhail Podolyak. Já
o assessor presidencial russo, Vladimir Medinsky, informou que Moscou tencionava
assinar protocolos sobre vários tópicos, mas isso não aconteceu. O encontro de
hoje se prolongou por três horas.
“Nossas expectativas com as negociações não se
concretizaram, mas esperamos que da próxima vez possamos dar passos mais
substanciais. As negociações vão continuar”, disse Medinsky.
Segundo o representante ucraniano, não houve resultados “que
melhorem significativamente a situação” sobre cessar-fogo, trégua e fim das
hostilidades. “Mas enfatizo mais uma vez que as negociações continuarão”, disse.
Na quinta-feira (10), haverá um encontro entre chanceleres
dos dois países em conflito na Turquia, que se ofereceu para intermediar o
diálogo, de acordo com o chanceler turco Mevlut Cavusoglu.
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