terça-feira, 8 de fevereiro de 2022

Ministro da Educação defende que pais devem causar dor a filhos e que o 'homem aponta o caminho' da família'

 Vídeos de pregações de Milton Ribeiro viralizaram após nomeação por Bolsonaro


postado em 10/07/2020 22:47 / atualizado em 10/07/2020 23:18
Pastor evangélico Milton Ribeiro, novo ministro da Educação do governo Bolsonaro
(foto: Reprodução)
Vídeos do pastor evangélico Milton Ribeiro, novo ministro da Educação, defendendo que pais devem causar dor a seus filhos e que o ‘homem aponta o caminho que a família vai’ viralizaram nas redes sociais nesta sexta-feira, logo após o anúncio de seu nome para a pasta.

Em uma das pregações do pastor, ele afirma que, durante a educação das crianças, elas devem sofrer castigos físicos por seus pais.

“Talvez uma porcentagem de crianças muito pequena, de criança precoce, superdotada, é que vai entender o seu argumento. Deve haver rigor, desculpe, severidade. E vou dar um passo a mais, talvez algumas mães até fiquem com raiva de mim: devem sentir dor.

De acordo com o art. 18-A do Estatuto da Criança e do Adolescente, ‘a criança e o adolescente têm o direito de ser educados e cuidados sem o uso de castigo físico ou de tratamento cruel ou degradante, como formas de correção, disciplina, educação ou qualquer outro pretexto’. 

Já o art. 136 do Código Penal prevê que pais ou responsáveis que abusarem dos ‘meios de correção ou disciplina’ estão sujeitos a pena de detenção de dois meses a um ano ou multa.

Homem 'se impõe'

Em outro vídeo, Milton Ribeiro aparece falando que o homem deve se impor no relacionamento com a mulher.

“Quando o pai não está em casa, o inimigo ataca. Quando o pai não impõe. Impõe! Essa é a palavra. Me desculpe, é a palavra usada. Impõe a direção que a família vai tomar, não é que ele é o mandatário, que sabe tudo não. Mas ele, o paio homem dentro de uma casa, segundo a bíblia, o cabeça do lar. Ele que aponta o caminho que a família vai”, afirmou. 

Currículo

Milton Ribeiro tem 62 anos e será o quarto ministro a comandar o Ministério da Educação em um ano e meio de governo Bolsonaro. Antes dele, Ricardo Vélez Rodríguez, Abraham Weintraub e Carlos Alberto Decotelli passaram pelo cargo.

Ele foi membro da Comissão de Ética Pública da Presidência e membro da Igreja Presbiteriana de Santos, em São Paulo. Ele é advogado e militar da reserva do Exército. 

De acordo com seu currículo Lattes, Milton Ribeiro também é graduado em teologia pelo Seminário Presbiteriano do Sul, doutor em educação pela Universidade de São Paulo (USP) e mestre em direito constitucional pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, da qual foi vice-reitor.
                                                                  

Kim Kataguiri discorda da criminalização do nazismo na Alemanha em podcast que defendeu existência de partido nazista

Redação Hypeness - 08/02/2022

Nessa segunda-feira (7), os deputados federais Tabata Amaral (PSB-SP) e Kim Kataguiri (Patriotas-SP) participaram de um show de horrores no Flow Podcast. O apresentador do programa, Monark, defendeu a existência de um partido nazista no Brasil e o direito de ser “anti-judeu”.

Já o deputado Kim Kataguiri, eleito democraticamente por meio do voto popular, afirmou que é contra a criminalização do nazismo e criticou a legislação alemã que proíbe a ideologia difundida por Adolf Hitler no país.

Deputado federal e influenciador digital defenderam direito de nazistas em podcast

 

“Eu sou mais louco do que vocês. Eu acho que tinha que ter partido nazista reconhecido pela lei”, afirmou Monark. “Se um cara quisesse ser anti-judeu, eu acho que ele tinha o direito de ser”, bradou. E perguntou: “Você vai matar quem é anti-judeu? […] Ele não está sendo anti-vida, ele não gosta dos ideais [dos judeus]”, concluiu.

A deputada federal Tabata Amaral criticou a fala de Monark.  “O judaísmo é uma identidade, uma religião, uma raça”. E reiterou que uma ideologia que nega a existência de uma minoria não pode ser permitida dentro do jogo democrático.

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O deputado Kim Kataguiri, que é uma das lideranças do Movimento Brasil Livre (MBL) e parlamentar pelo estado de São Paulo, disse que é contra a criminalização do nazismo. Segundo o deputado, trata-se de uma forma de expor “a ideologia nefasta” do nazismo.

– Leilão virtual com símbolos do nazismo é suspenso pela Justiça 

Monark já havia defendido direito ao racismo


Monark já havia defendido direito ao racismo

No ano passado, Monark já havia entrado em uma polêmica após, em discussão com o advogado Augusto de Arruda Botelho, defender o direito de expressão de ideias racistas. “Ter opinião racista é crime?”, disse o apresentador nas redes sociais.

Monark defende direito amplo de liberdade de expressão, inclusive daqueles que apoiam a erradicação de raças do planeta terra

A ideia entrou em debate novamente. Monark faz a defesa de um uso amplo da liberdade de expressão de forma incondicional, incluindo precedentes para crimes de ódio. E após muita pressão, o Flow Podcast perdeu seu principal patrocinador: o Ifood.

 

O podcast se pronunciou afirmando que não era racista. “Em tempos de intolerância como os atuais, faz-se necessário reforçar o óbvio: repudiamos qualquer atitude criminosa ou autoritária que firam os princípios da Justiça, do diálogo e da diversidade”, disse.

 

Meses depois, Monark aparece publicamente em sua plataforma defendendo a legalização de um partido neonazista no Brasil. Porque, aparentemente, ele defende a “diversidade”.

Não deve existir liberdade para nazistas

É fato conhecido que o Holocausto promovido pelo governo nazista entre 1933 e 1945 vitimou mais de 6 milhões de judeus em campos de concentração ao redor de toda a Europa. A ideologia – cujo direito é defendido por Monark – foi a responsável direta pela morte de milhões de pessoas: além dos judeus, foram perseguidos os homossexuais, os ciganos, os negros e os opositores do regime nazista.

Judeus foram presos e mortos em campos

 de extermínio durante regime nazista

A defesa da liberdade de expressão de um nazista é a defesa da possibilidade de que esse tipo de ideia seja fomentada dentro do debate público e ganhe tração para ascender ao poder. Ao permitir que esse debate ocorra de forma pública, permitimos:

 

1. a negação dos fatos históricos sobre o nazismo, como o Holocausto, e à defesa do extermínio de minorias

 

2. a chegada de defensores do nazismo ao poder, que pode levar em, última instância, à perseguição a judeus, homossexuais, ciganos, negros e opositores, levando, por fim, ao fim da liberdade de expressão.

– Ele coloriu 10 fotos do holocausto para que ninguém se esqueça do horror do nazismo

 

O tema já foi amplamente debatido na academia. “O direito fundamental à liberdade de expressão não pode servir de escudo para afastar condenações, penais ou civis, de qualquer pessoa que dele abuse a fim de atentar contra os valores fundamentais da ordem constitucional, como democracia, liberdade, igualdade e dignidade humana”, explica Karina Nunes Fritz, doutora (summa cum laude) pela Humboldt Universität de Berlim em direito ao Migalhas.

 

Crescimento do nazismo no Brasil

A fala de Monark e a defesa ampla da liberdade de expressão promovida inclusive por parlamentares como Kim Kataguiri fomentam a permissividade com esse tipo de ideologia, que só cresce nos últimos anos no Brasil.

A defesa da liberdade de expressão ampla também passa pelo próprio presidente Jair Bolsonaro, que é contra a posição das Big Techs – como Twitter, Facebook e Google – de censurar informações falsas e discurso de ódio das redes sociais. Também vale lembrar do ex-Secretário Especial de Cultura do governo federal, Roberto Alvim, que parafraseou o nazista Joseph Goebbels em um discurso oficial em 2019.

Nazismo não está tão distante; em 2019, um membro do governo federal utilizou de estética e discurso nazista durante pronunciamento


Ao ver essas ideologias sendo fomentadas no espaço público de debate – como no próprio governo federal – e em veículos de grande alcance, como o Flow Podcast, que os nazistas saem da toca.

A pesquisadora Adriana Lima, da Universidade Estadual e Campinas (UNICAMP) trabalha mapeando o neonazismo no Brasil. Entre janeiro de 2019 e janeiro de 2022, os grupos nazistas cresceram 270%: há, atualmente, mais de 500 células neonazi operando no país.

 

“A sociedade brasileira está nazificando-se. As pessoas que tinham a ideia de supremacia guardada em si viram o recrudescimento da direita e agora estão podendo falar do assunto com certa tranquilidade. Precisamos abordar o tema para ativar o sinal de alerta. Justamente para não dar palanque a essas ideias, precisamos falar sobre criminalização de movimentos de ódio e resgatar a questão crucial: compartilhar humanidades”, afirmou a pesquisadora em uma entrevista à Deustche Welle Brasil.

 

A defesa de Monark, Kataguiri e Bolsonaro por uma liberdade ampla de expressão é nociva às minorias brasileiras. “Pessoas que até há algum tempo estavam escondidas e caladas agora começam a achar que têm espaço para cuspir o seu veneno. Isso é muito perigoso”, Luiz Kignel, da Federação Israelita do Brasil.

 

Pressão nos patrocinadores

Dono de uma das maiores audiências da internet na atualidade, o Flow está na berlinda mais uma vez. A pressão é grande para que patrocinadores do podcast se manifestem após a apologia ao nazismo realizada por Monark. A Flash Benefícios e a Inside Store são algumas das marcas que aparecem durante a transmissão ao vivo. Elas ainda não se pronunciaram.

 

Quem se manifestou nas redes foi a Puma, que garantiu não ter mais vínculo com o Flow. As outras companhias não pronunciaram até o final desta reportagem.


Deputado se manifesta

Kim Kataguiri (Patriotas-SP) usou seu perfil no Twitter para esclarecer sua opinião sobre a criminalização do nazismo durante entrevista no Flow Podcast. O parlamentar salientou que sua fala foi retirada de contexto e que “sufocar o debate só faz com que grupos extremistas cresçam na escuridão e não sejam devidamente combatidos e rechaçados”, justificou Kim.

Fotos 1 e 2: Reprodução/Youtube Fotos 3: Domínio Público Foto 4: Reprodução/Montagem

https://www.hypeness.com.br/2022/02/kim-kataguiri-discorda-da-criminalizacao-do-nazismo-na-alemanha-em-podcast-que-defendeu-existencia-de-partido-nazista/

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