Vídeos de pregações de Milton Ribeiro viralizaram após nomeação por Bolsonaro
Homem 'se impõe'
"Quando o pai é ausente dentro da casa, o inimigo ataca. Quando não impõe, essa é a palavra, a direção que a família vai tomar (...) o homem dentro de uma casa, ele aponta o caminho que a família vai".
%u2014 William De Lucca (@delucca) July 10, 2020
Milton Ribeiro, pastor evangélico e novo ministro da Educação de Bolsonaro pic.twitter.com/bpWh3m8cBK
Currículo
Kim Kataguiri discorda da criminalização do nazismo na
Alemanha em podcast que defendeu existência de partido nazista
Redação Hypeness - 08/02/2022
Nessa segunda-feira (7), os deputados federais Tabata Amaral
(PSB-SP) e Kim Kataguiri (Patriotas-SP) participaram de um show de horrores no
Flow Podcast. O apresentador do programa, Monark, defendeu a existência de um
partido nazista no Brasil e o direito de ser “anti-judeu”.
Já o deputado Kim Kataguiri, eleito democraticamente por
meio do voto popular, afirmou que é contra a criminalização do nazismo e
criticou a legislação alemã que proíbe a ideologia difundida por Adolf Hitler
no país.
Deputado federal e influenciador digital defenderam direito de nazistas em podcast
“Eu sou mais louco do que vocês. Eu acho que tinha que ter
partido nazista reconhecido pela lei”, afirmou Monark. “Se um cara quisesse ser
anti-judeu, eu acho que ele tinha o direito de ser”, bradou. E perguntou: “Você
vai matar quem é anti-judeu? […] Ele não está sendo anti-vida, ele não gosta
dos ideais [dos judeus]”, concluiu.
A deputada federal Tabata Amaral criticou a fala de
Monark. “O judaísmo é uma identidade,
uma religião, uma raça”. E reiterou que uma ideologia que nega a existência de
uma minoria não pode ser permitida dentro do jogo democrático.
.
O deputado Kim Kataguiri, que é uma das lideranças do Movimento Brasil Livre (MBL) e parlamentar pelo estado de São Paulo, disse que é contra a criminalização do nazismo. Segundo o deputado, trata-se de uma forma de expor “a ideologia nefasta” do nazismo.
– Leilão virtual com símbolos do nazismo é suspenso pela Justiça
Monark já havia defendido direito ao racismo
Monark já havia defendido direito ao racismo
Monark defende direito amplo de liberdade de expressão,
inclusive daqueles que apoiam a erradicação de raças do planeta terra
A ideia entrou em debate novamente. Monark faz a defesa de
um uso amplo da liberdade de expressão de forma incondicional, incluindo
precedentes para crimes de ódio. E após muita pressão, o Flow Podcast perdeu
seu principal patrocinador: o Ifood.
O podcast se pronunciou afirmando que não era racista. “Em
tempos de intolerância como os atuais, faz-se necessário reforçar o óbvio:
repudiamos qualquer atitude criminosa ou autoritária que firam os princípios da
Justiça, do diálogo e da diversidade”, disse.
Meses depois, Monark aparece publicamente em sua plataforma
defendendo a legalização de um partido neonazista no Brasil. Porque,
aparentemente, ele defende a “diversidade”.
Não deve existir liberdade para nazistas
É fato conhecido que o Holocausto promovido pelo governo
nazista entre 1933 e 1945 vitimou mais de 6 milhões de judeus em campos de
concentração ao redor de toda a Europa. A ideologia – cujo direito é defendido
por Monark – foi a responsável direta pela morte de milhões de pessoas: além
dos judeus, foram perseguidos os homossexuais, os ciganos, os negros e os
opositores do regime nazista.
Judeus foram presos e mortos em campos
de extermínio durante
regime nazista
A defesa da liberdade de expressão de um nazista é a defesa
da possibilidade de que esse tipo de ideia seja fomentada dentro do debate
público e ganhe tração para ascender ao poder. Ao permitir que esse debate
ocorra de forma pública, permitimos:
1. a negação dos fatos históricos sobre o nazismo, como o
Holocausto, e à defesa do extermínio de minorias
2. a chegada de defensores do nazismo ao poder, que pode
levar em, última instância, à perseguição a judeus, homossexuais, ciganos,
negros e opositores, levando, por fim, ao fim da liberdade de expressão.
– Ele coloriu 10 fotos do holocausto para que ninguém se
esqueça do horror do nazismo
O tema já foi amplamente debatido na academia. “O direito
fundamental à liberdade de expressão não pode servir de escudo para afastar
condenações, penais ou civis, de qualquer pessoa que dele abuse a fim de
atentar contra os valores fundamentais da ordem constitucional, como
democracia, liberdade, igualdade e dignidade humana”, explica Karina Nunes
Fritz, doutora (summa cum laude) pela Humboldt Universität de Berlim em direito
ao Migalhas.
Crescimento do nazismo no Brasil
A fala de Monark e a defesa ampla da liberdade de expressão
promovida inclusive por parlamentares como Kim Kataguiri fomentam a
permissividade com esse tipo de ideologia, que só cresce nos últimos anos no
Brasil.
A defesa da liberdade de expressão ampla também passa pelo
próprio presidente Jair Bolsonaro, que é contra a posição das Big Techs – como
Twitter, Facebook e Google – de censurar informações falsas e discurso de ódio
das redes sociais. Também vale lembrar do ex-Secretário Especial de Cultura do
governo federal, Roberto Alvim, que parafraseou o nazista Joseph Goebbels em um
discurso oficial em 2019.
Nazismo não está tão distante; em 2019, um membro do governo
federal utilizou de estética e discurso nazista durante pronunciamento
Ao ver essas ideologias sendo fomentadas no espaço público de debate – como no próprio governo federal – e em veículos de grande alcance, como o Flow Podcast, que os nazistas saem da toca.
A pesquisadora Adriana Lima, da Universidade Estadual e
Campinas (UNICAMP) trabalha mapeando o neonazismo no Brasil. Entre janeiro de
2019 e janeiro de 2022, os grupos nazistas cresceram 270%: há, atualmente, mais
de 500 células neonazi operando no país.
“A sociedade brasileira está nazificando-se. As pessoas que
tinham a ideia de supremacia guardada em si viram o recrudescimento da direita
e agora estão podendo falar do assunto com certa tranquilidade. Precisamos
abordar o tema para ativar o sinal de alerta. Justamente para não dar palanque
a essas ideias, precisamos falar sobre criminalização de movimentos de ódio e
resgatar a questão crucial: compartilhar humanidades”, afirmou a pesquisadora
em uma entrevista à Deustche Welle Brasil.
A defesa de Monark, Kataguiri e Bolsonaro por uma liberdade
ampla de expressão é nociva às minorias brasileiras. “Pessoas que até há algum
tempo estavam escondidas e caladas agora começam a achar que têm espaço para
cuspir o seu veneno. Isso é muito perigoso”, Luiz Kignel, da Federação
Israelita do Brasil.
Pressão nos patrocinadores
Dono de uma das maiores audiências da internet na
atualidade, o Flow está na berlinda mais uma vez. A pressão é grande para que
patrocinadores do podcast se manifestem após a apologia ao nazismo realizada
por Monark. A Flash Benefícios e a Inside Store são algumas das marcas que
aparecem durante a transmissão ao vivo. Elas ainda não se pronunciaram.
Quem se manifestou nas redes foi a Puma, que garantiu não
ter mais vínculo com o Flow. As outras companhias não pronunciaram até o final
desta reportagem.
Deputado se manifesta
Kim Kataguiri (Patriotas-SP) usou seu perfil no Twitter para
esclarecer sua opinião sobre a criminalização do nazismo durante entrevista no
Flow Podcast. O parlamentar salientou que sua fala foi retirada de contexto e
que “sufocar o debate só faz com que grupos extremistas cresçam na escuridão e
não sejam devidamente combatidos e rechaçados”, justificou Kim.
Fotos 1 e 2: Reprodução/Youtube Fotos 3: Domínio Público
Foto 4: Reprodução/Montagem

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