segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

Mesmo entre os mais votados em Valadares, Wagner e Iracy não conseguiram reeleição

Mesmo entre os mais votados em Valadares, Wagner e Iracy não conseguiram reeleição

Os vereadores Coronel Wagner (PRTB) e Iracy de Matos (Solidariedade), apesar de terem recebido votação expressiva na eleição em novembro, não conseguiram se reeleger para mais quatro anos na Câmara de Governador Valadares. Mesmo tendo recebido a oitava e a nona quantidade de votos, respectivamente, seus partidos não atingiram o quociente eleitoral, número de votos necessário para garantir uma vaga, e a votação em suas legendas também foi insuficiente para assegurar uma eleição por média.

“O sistema eleitoral brasileiro, na minha opinião, não é justo. Embora tenha sido o oitavo mais votado na escolha da população valadarense, dentre os quase 600 candidatos, ficamos em oitavo e não fomos eleitos por causa da legenda. Com isso, entendo que tinha que ser o contrário, a legenda procurar o candidato que tivesse o maior número de votos. Mas agradeço às pessoas que confiaram em nós, no nosso trabalho. Somos eternamente gratos”, desabafou Coronel Wagner, que recebeu 1.425 votos na eleição.

Apesar de não ter sido reeleito, Wagner promete continuar participando da política do município. “Vamos continuar fiscalizando e acompanhando, no intuito de melhorar a vida dos valadarenses. Além de propor projetos futuros que já estamos analisando”, afirmou o vereador.

Quociente e média

O partido do vereador recebeu 4.052 votos, somando o voto de legenda e os votos recebidos pelos 21 candidatos pela sigla, que não chegou a apresentar uma chapa completa, com 31 candidatos. A votação do PRTB foi inferior ao quociente eleitoral que garantiria uma vaga na Câmara – no caso, 6.322 votos, que é o número de votos válidos para vereador dividido pelo número de cadeiras no Legislativo (em Valadares, foram 132.771 votos válidos, divididos por 21 vagas).

Ainda era possível conquistar uma vaga, mesmo sem atingir o quociente, e se eleger por média. Na eleição valadarense, cinco partidos conseguiram eleger um vereador, mesmo com votação inferior aos 6.322 votos. Foi o caso de PSL (que recebeu 5.195 votos e elegeu Juarez Gomes), PV (4.928 votos e a eleição de Roncali da Farmácia), MDB (4.325 votos e uma cadeira para Maurício Dutra), Avante (4.240 votos e a eleição de Rildo do Hospital) e PSD (4.167 votos no total, garantindo a vaga de Pastor Elias).

“Na eleição deste ano, nove cadeiras foram preenchidas pelo quociente e 12 foram por média. Pela primeira vez em Valadares, o número de eleitos por média é maior que o eleito por quociente. Isso em função da mudança da lei, que passou a permitir a eleição mesmo se um partido não atingir o quociente”, destacou o jornalista e comentarista político Paulo de Tarso. Na avaliação dele, os partidos em Valadares não se prepararam para as mudanças na lei eleitoral, que incluíram ainda o fim da coligação em votações proporcionais, como a de vereador.

Para Iracy, mudanças favorecem arranjos partidários

Além do PRTB de Coronel Wagner, o Solidariedade de Iracy de Matos não conseguiu votos suficientes para assegurar ao menos uma cadeira na Câmara. Iracy foi a nona candidata com mais votos, 1.315. Mas sua sigla, que teve uma chapa com 22 candidatos, obteve 3.642 votos no total. Para Iracy, as mudanças nas regras prejudicam o desejo do eleitorado e fortalecem arranjos partidários que confundem a população.

“Isso fragiliza a democracia e deixa de prevalecer o desejo do eleitor, significando uma perda irreparável, pois elege candidatos com votação mínima e sem o mesmo protagonismo. É como votar em uma lista fechada. Os arranjos partidários para a montagem de chapa de candidatos ficam sujeitos a um jogo de interesses, perpetuam no poder candidatos e partidos que fazem trocas com o Executivo, partidos que dominam a máquina pública e oferecem cargos e empregos públicos. Esse processo, na prática, prejudica a independência dos poderes no exercício dos mandatos, por causa dos acordos políticos”, avaliou a vereadora.

Iracy afirma que, mesmo sem se reeleger, permanecerá atenta à execução de políticas públicas no município, em especial à condução da Saúde durante a pandemia. “Eu vou continuar como aquela cidadã que sempre lutou para dar voz àquelas pessoas que não têm voz e têm sofrimento invisibilizado. Eu vou continuar denunciando as injustiças sociais que ocorrerem na cidade de Governador Valadares, continuo na luta pela população valadarense”, declarou.

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