O Estado de Minas conversou com especialistas em direito, comunicação e psicologia para entender por que a busca pelo príncipe encantado pode ser perigosa
Um homem bonito, bem relacionado e rico dá match com você em um aplicativo de namoro. É bom de papo, já te leva pra viajar no segundo encontro, se declara apaixonado e diz que você é pra casar, a mulher da vida dele. Olha que sortuda é você, encontrou o seu príncipe encantado! Você se sente especial, afinal, em meio a tantas mulheres, foi a escolhida por ele. Só que não! É golpe. E foi com esse discurso que um homem ficou multimilionário enganando mulheres ao redor do mundo.
Aí você pode estar até pensando: "Tem gente boba pra tudo. O golpe tá aí, cai quem quer". Será? O Estado de Minas conversou com especialistas em direito, comunicação e psicologia para entender por que algumas mulheres são tão vulneráveis a golpes amorosos.
Em fevereiro de 2022, a Netflix lançou o documentário "O golpista do Tinder". O documentário conta como um homem supostamente enganou várias mulheres depois de conhecê-las pelo aplicativo.
As mulheres narram que, algum tempo depois de conhecê-las no aplicativo e iniciar um relacionamento - nem sempre amoroso -, o falso milionário começava a pedir dinheiro. Esse é um resumo bem geral da história. Um golpe que não tem nada de novo. É tão antigo quanto atual. E a pergunta que persiste é: por que nós mulheres ainda caímos nesse papinho de príncipe encantado?
Sentimento de confirmação
"Nós somos é socializadas tendo no casamento e na maternidade a confirmação do que é ser mulher. Isso a Simone de Beauvoir já falava lá no Segundo Sexo, também nessa perspectiva eurocêntrica. A gente é criada para ter a confirmação do que é ser mulher no 'eu ser escolhida'. Então, a mulher que não casa não é a mulher que não quis casar, não se interessou pelo casamento. Ela com certeza tem algum problema, ou ela não foi escolhida porque ela não fez o certo o caminho feito para ela ser escolhida", afirma Maria Carol Medeiros, doutora em comunicação e pesquisadora da socialização feminina.Ela pontua como no documentário, o Golpista do Tinder, é possível visualizar como as mulheres se arriscam. "Desde, você entrar num jatinho com um cara que você tomou um café, com quem você conversou durante meia hora, porque ela não está pegando um jatinho com aquele homem, ela não está fazendo isso com aquele cara, ela está fazendo isso com o sonho dela. Como sonho do casamento, como sonho dela, eventual, da maternidade. Aquele cara está personificando o amor romântico, que ela foi criada para acreditar", acrescentou.
Nesse modelo machista de socialização, nossa ideia de amor também é construída para colocar o homem nesse papel de validação. E a arma para a fraude é justamente o romantismo: eles falam o que as mulheres querem ouvir.
"Nossa autoestima fica terceirizada"
''O amor é aprendido para as mulheres de uma forma indenitária, como não é para os homens. Isso não quer dizer que os homens não sofram no amor. Tomar um fora é ruim pra todo mundo. Mas as mulheres não sofrem só quando estão em uma relação. Elas sofrem quando não estão em uma relação. A nossa autoestima fica terceirizada. A gente aprende no nosso processo de subjetivação de torna-se mulher que a gente só é desejável se tem alguém nos desejando'', disse Valeska Zanello, pós-doutora em psicologia clínica e autora do livro ''Saúde Mental, Gênero e Dispositivos''.A especialista aponta que aplicativo não é o problema. "O problema é o dispositivo amoroso. Então é buscar meios para ter o letramento de gênero, estudar, leiam, leiam o livro, leiam outros materiais, participar de grupo de mulheres. É ter consciência desse lugar que deixa completamente nebriada", disse.
E se o milagre é grande demais, desconfie. "Preste atenção nesse botãozinho em você porque ele é profundamente invisibilizado, inconsciente e muito facilmente manipulável", acrescentou, Valeska.
Dicas para se proteger em relacionamentos amorosos
O delegado Éric Brandão, Titular da Delegacia Especializada de Investigação de Crimes Cibernéticos e Defesa do Consumidor, explica que o estelionato é previsto no Código Penal brasileirono artigo 171. "Ele prevê pena de 1 a 5 anos de reclusão para quem comete esse crime. Só que com a inovação legislativa, a fraude eletrônica, quando o estelionato é cometido diante informações repassados por terceiros ou pela vítima por meio de redes sociais e por aplicativo tinder, a pena é aumentada de 4 a 8 anos.’’
Não existe fórmula para escapar de qualquer tipo de violência que seja. Até porque a culpa nunca é da vítima. No entanto, segundo especialistas, para além da informação, também é possível tomar alguns cuidados.
"A gente quando fala de sentimento, no carinho, no amor, é difícil a gente ter uma fórmula. São situações específicas que a cada momento, cada pessoa que a pessoa está convivendo acontecem sentimentos diferentes. Obviamente, nós temos que nos precaver. Por exemplo: existe um perfil dos criminosos praticando esse tipo de golpe. Eles se mostram apaixonados de uma forma muito rápida, avassaladora", aponta.
"Uma dica é: aproximar os familiares da pessoa que você está se relacionando. Esses golpistas costumam ser bem apessoados, bem vestidos, falam bem… O príncipe encantado. Não posso dizer que não exista, mas precisamos de ter cautela. Muito cuidado com esse tipo de envolvimento", acrescentou.
Se você foi vítima de golpe em aplicativo de relacionamento, denuncie. Ligue 197 para falar com a Polícia Civil. Em caso de emergência, ligue 190
Zema sobre recuperação fiscal de MG: 'Estou com uma espada
em minha cabeça'
O Governo do Estado quer o aval dos deputados ao ingresso de
Minas Gerais ao regime e poder renegociar as dívidas com a União, que somam R$
140 bilhões
LR
Luiz Ribeiro
11/02/2022 18:14 - atualizado 11/02/2022 18:59
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Zema cumprimenta presidente do Hospital Aroldo Tourinho,
Paulo César de Almeida
O governador Romeu Zema foi recebido no Hospital Aroldo
Tourinho pelo presidente da instituição, Paulo César de Almeida
(foto: Martins/Assessoria HAT/divulgação)
“Estou com uma espada em cima da minha cabeça”. Foi esta a expressão usada pelo governador Romeu Zema (Novo) para justificar a situação das dívidas do Tesouro Estadual e do projeto do Regime de Recuperação Fiscal (RRF) encaminhado à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). O governo do Estado quer o aval dos deputados para a adesão de Minas ao modelo, para renegociar as dívidas com a União, que somam cerca de R$ 140 bilhões. O plano é a esperança do governo do Estado para aliviar o aperto em suas finanças.
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Porém, a votação do projeto encontrou resistências na
Assembleia. Na semana passada, Zema entrou com uma ação no Supremo Tribunal
Federal (STF) para conseguir colocar a proposta da recuperação fiscal em pauta.
Em entrevista ao EM nesta sexta-feira (11/2), o presidente da ALMG, deputado
Agostinho Patrus (PV), criticou a decisão do governador de recorrer ao STF para
viabilizar a votação.
Em visita nesta sexta (11/2) a Montes Claros, no Norte de
Minas, Romeu Zema enfatizou a importância do projeto de recuperação fiscal para
dar uma folga no caixa do estado, chamando atenção da necessidade de votação da
proposta. “O nome técnico do projeto é
regime de recuperação fiscal. Mas, eu preferiria chama-lo de plano de
recuperação econômica de Minas Gerais”.
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O governador lembrou que outros estados “endividados como
Minas Gerais” – Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e Goiás, já aderiram ao
regime de recuperação fiscal. “Então, o que nós
estamos fazendo aqui não é inventar a roda. O que estamos fazendo é o
que outros estados em dificuldades já
fizeram”, argumentou.
Ele explicou que o plano tem como objetivo assegurar um prazo de 30 anos para que o estado possa parcelar o pagamento de R$ 40 bilhões de débitos já vencidos dentro do total de um passivo total de R$ 140 bilhões.
O chefe do executivo estadual salientou que, há alguns anos,
o governo estadual não vem pagando os R$ 40 bilhões de dívidas vencidas, por
conta de liminares conseguidas junto ao STF. Porém, Zema revelou que já foi
alertado pelo ministros Luis Roberto Barroso, Luiz Fux e Rosa Weber,
responsáveis pela questão na Suprema Corte, “que deixaram claro que a liminar
vai cair”.
“Na hora que a liminar cair,
vai chegar pra mim uma conta (pra pagar) de R$ 40 bilhões. O estado tem
esse dinheiro? Não. Então, estou com uma espada em cima da
minha cabeça”, afirmou Romeu Zema.
Ele lembrou que, para Minas Gerais ter prazo de 30 anos para
parcelar os débitos, por legal, é
preciso que o Parlamento Mineiro aprove o projeto. “Mas, me parece que alguém
na Assembleia não quer que Minas Gerais tenha o benefício dos 30 anos (de prazo
para parcelar as dívidas)”, disse o governador.
“A saída as que nós enxergamos é esta. Se a Assembleia tiver
outra saída, ótimo. Nós estamos dispostos a analisar. Agora, o que eu quero é
previsibilidade”, comentou. “Se alguém
tem uma dívida alta e vai ter 30 anos pagar, ele sabe que aquilo está
condizente com o seu ganho. Isso é que queremos para o estado. Agora, se a
Assembleia não votar (o projeto), com certeza, vamos ter percalços em Minas
Gerais”.
Questionado pelo Estado de Minas se acha que o fato de 2022
ser ano eleitoral pode interferir para a resistência á votação do projeto de
recuperação fiscal na Assembleia, Zema concordou. “Com certeza. O motivo é que deve ter alguém
lá (na Assembleia) que não quer que Minas Gerais vá pra frente. E Minas Gerais
ir para a frente significa que nós estamos fazendo que ele funcione”.
Recursos para a saúde
Em Montes Claros, acompanhado do secretário de estado de
Saúde, Fábio Baccheretti, de outros integrantes de sua equipe e deputados
estaduais da região,Zema anunciou
liberação de cerca de R$ 175 milhões para a área de saúde do Norte
de Minas.
O governador visitou o Hospital Aroldo Tourinho, que é
filantrópico, uma das instituições beneficiadas com os recursos. A comitiva de
Zema foi recebida pelo presidente da
Fundação Hospitalar Aroldo Tourinho, Paulo César Gonçalves de Almeida, que
solicitou ao governador e ao secretário Fábio Baccheretti os recursos
destinados aos hospitais por meio do
Programa Valora Minas, do governo Estadual, hoje liberados a cada quatro
meses, passem a ser pagos mensalmente.

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