quinta-feira, 10 de dezembro de 2020

Botijão de gás sofre reajuste no preço e prejudica consumidores e comerciantes valadarenses

Botijão de gás sofre reajuste no preço e prejudica consumidores e comerciantes valadarenses

O preço do botijão de 13 quilos, hoje, pode variar de R$85,00 a R$88,00. No acumulado do ano, houve aumento de 21,9%, ou R$ 6,08

A Petrobras anunciou na última semana o aumento de 5% no preço médio do gás liquefeito de petróleo (GLP), mais conhecido como gás de cozinha. No acumulado de 2020 houve alta de 21,9% por botijão. No começo da pandemia, em março deste ano, ele podia ser encontrado por R$70, e hoje o preço pode variar de R$85,00 a R$88,00.

Para Patrícia Basílio, 43 anos, analista ambiental, não é um valor justo. “Eu compro em média um botijão a cada dois meses, e esse reajuste para o consumidor final é um absurdo, pois a maioria das famílias está sem a renda normal do mês, por causa da pandemia, juntando com os custos de supermercado, que estão altíssimos. Em janeiro de 2021, com certeza nossa economia terá o maior índice de endividados de todos os tempos. Não acho justo, e não é a época de reajuste. A população será prejudicada, e muito”, reclamou.

Segundo o economista Marcos Chaves, além da política de preços internacionais, outro motivo para alta é que boa parte do consumo interno é fruto de importação. “A política de preços praticados pela Petrobras tem como referência o preço de paridade de importação (PPI), o que inclui o preço do GLP no mercado internacional, geralmente praticado em economias abertas. Em meados de maio o produto chegou a uma variação percentual acumulada de 21,4%, e mediante a recuperação de mercado já acumula a nona alta. Além da política de preços internacionais, outro motivo para a alta é que boa parte do consumo interno é fruto de importação, o que envolve câmbio para moedas estrangeiras”, informou.

Segundo relatório apresentado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) do mês de novembro apresentou alta de 0,89%, 0,03 ponto percentual (p.p.) acima do resultado de outubro (0,86%).

Essa é a maior variação registrada para um mês de novembro desde 2015, quando o IPCA foi de 1,01%. No ano, o indicador acumula alta de 3,13% e, em 12 meses, de 4,31%, acima dos 3,92% observados nos 12 meses imediatamente anteriores. Em novembro de 2019, a variação havia sido de 0,51%.

O reflexo para o consumidor se dá mediante ao aumento do custo para as distribuidoras, além dos custos de logística de distribuição, que geralmente são altos no Brasil.

Breno Silveira, 37 anos, empresário, acredita que esse aumento acaba sendo prejudicial não só para o consumidor final, mas para os empresários que trabalham no ramo, pois, além de terem de lidar com o alto custo do produto, ainda precisam competir com depósitos clandestinos.

“Neste ano o preço do gás já aumentou várias vezes, mas não conseguimos passar todos os aumentos para o consumidor. Nós, empresários do ramo, estamos trabalhando praticamente sem lucro. Se tivéssemos passado todos os aumentos, o gás de cozinha já estava R$100, visto que temos que pagar o gás, frete, imposto, funcionário, manutenções de veículos etc. Nos últimos três meses foram dois a três aumento por mês. Quem aguenta!? Mas, além de sofrermos com os aumentos, sofremos também com os depósitos clandestinos, que não pagam impostos, para vendê-los mais barato”, denunciou.

Os consumidores devem ficar atentos aos valores cobrados não só do botijão de gás, mas de outros produtos. Procurado pelo DRD, o Programa de Proteção e Defesa do Consumidor (Procon) informou que comparar preços de vários estabelecimentos pode ajudar a identificar preços abusivos, e que caso haja desconfiança em relação a preços, o consumidor deve entrar em contato com o programa.

“Periodicamente, a pesquisa de preços de alguns produtos específicos é revisada. Contudo, pelo contingente, outros são feitos de acordo com a demanda que surgir. É sempre importante o consumidor pesquisar em alguns fornecedores antes de realizar a compra de qualquer produto. Porém, em caso de desconfiança quanto ao valor, vale procurar documentos que comprovem valores praticados anteriormente e fazer contato com o Procon, pois, com os meios legais, podemos verificar se há ou não abusividade. O simples fato de um produto estar caro não significa que o fornecedor está infringindo a lei; é preciso olhar todo o contexto para chegar a uma conclusão, sem tomar medidas autoritárias e contrárias ao ordenamento jurídico.”

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