quarta-feira, 16 de dezembro de 2020

Vivência e inquietação Atleticana

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Ninguém, seja presidente, treinador ou jogador – todos transitórios – irá abalar meu sentimento Atleticano. Sobrevivi por muitas gestões que prescindiam a tragédia – Paulo Cury, pra ficar num único exemplo –, treinadores indolentes à beira do gramado e o time caindo em campo – Tite, quando passou por aqui –, e jogadores que melhor nem citar as barcas anuais em tempos até recentes.

São mais de 50 anos de muitas alegrias e emoções nas arquibancadas do Mineirão, Independência e tantos outros estádios pelo interior, no Brasil e mundo afora. Talvez tenha somado maior número de decepções que comemorações. Disse talvez, não estou afirmando, mas – seguramente – as festividades em torno do Galo foram muito fortes.

Desde títulos, passando por “ruas de fogo”, até mesmo aniversário, todo 25 de março, em vigília na sede. Isso é o que aprendi a chamar de Atleticanidade. Um sentimento único, que só quem é Torcedor do Clube Atlético Mineiro pôde e pode experimentar e contar para todo o mundo ouvir.

Saí do estádio derrotado em 1977, estive no Rio de Janeiro em 1980, no empate que decretou o rebaixamento em 2005, Marrocos 2013, e em tantas outras datas, sem que isso abalasse o meu sentimento de Torcedor. Ao contrário, em muitas delas, até foi fortalecido pelas circunstâncias questionáveis em campo.

Disse que meus tempos são outros, pois percebo – diferente dessas ocasiões – um estresse emocional provocado pelos momentos modernos. Não sei se as redes sociais, tão nocivas noutros casos, tenham tanta responsabilidade sobre isso. Fato é que, se nos anos 70 e 80 – época que fui membro da organizada Gargalo 13 – nosso sarro era na sala de aula, em família e pessoas próximas, nos dias atuais, extrapolam e afastam torcedor do estádio.

Estou blogüeiro aqui neste espaço, já aproximando de cinco anos, onde sempre tive a intenção de fazer desse canto Atleticano um local para dar voz e vez ao Torcedor do Galo. Eventualmente, e especialmente com o blogüeiro, aparecem adversários com a intenção de ofender. Via de regra, leio metade da primeira linha e já atiro na lixeira. Muitas delas, pelo e-mail e IP já caem no spam.

Isso não me afeta, mas perceber – entre nós – posições divergentes se tornarem motivação para alfinetadas, sim. Essa situação, mais que entristecer, sinaliza para uma reflexão sobre a validade e intenção deste minifúndio Atleticano. Gosto dessa expressão, pois me remete ao saudoso e inseparável amigo de muitos jogos, Roberto Drummond.

Sem mais devaneios e para fechar esse chamado de reavaliação entre nós, Atleticanos – os outros não me interessam – aproveito para outra vez apresentar meu lamento com o foguetório da terça-feira na sede de Lourdes. Ano passado, nesta mesma data, isso já ocorrera e registrei aqui. Dirigente não pode agir como Torcedor.

Ao Torcedor Atleticano ou não é facultado, desde que com respeito, tirar sarro dos adversários. Essa liberalidade não se aplica a diretoria e redes oficiais do clube. Minha condição de Atleticano deseja que o oposto fique ad eternum na Segundona, porém para o futebol mineiro, o ideal seria que mais e mais clubes do Estado acendessem a elite. Só assim seríamos respeitados pela CBF, que historicamente privilegia aos clubes paulistas e cariocas.

E mais, atitudes como essa e outras, além de serem idiotas, só servem de motivação ao ofendido. Precisamos de dirigentes com perfil de estadistas e não de torcedor de arquibancada. Essa situação, entre os mineiros, teve início em gestões recentes, quando tanto do lado de lá quanto do lado de cá, dirigentes se ocupavam muito mais em alfinetar o adversário que montar time. Pagamos uma série B e adversários também foram condenados à mesma condição.

Por fim, ainda dentro desse contexto de provocação, uma última consideração. Esse sarro é bom, gostoso e até saudável entre pessoas do mesmo ambiente. Gente que se respeita e sabe brincar. Quando o clube patrocina uma idiotice dessa natureza, além de expor seus torcedores – consumidores –, cria um ambiente de hostilidade.

Com isso, contribui consideravelmente para o agravamento da perigosa rede de ódio que tanto tem preocupado a humanidade nos tempos recentes. Eu brinco muito sobre o assunto, mas no meu ambiente restrito e com aqueles que têm a mesma liberdade de tirar sarro comigo, como tem acontecido nas últimas partidas do Galo. Dirigentes, treinadores e jogadores passam. Nós ficamos e carregamos o fardo de seus erros e excessos. Sigo esperando por novos e bons tempos.

*fotos: Atlético

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