Vítima tentava defender o primo, que foi abordado por indivíduos com distintivos da Polícia Civil
Um homem de 32 anos morreu após ser baleado em uma confusão na tarde de quarta-feira (2), em Guarujá. Segundo apuração da reportagem com o advogado da família da vítima, identificada como Maycon, ele tentava defender o primo, que teria sofrido uma tentativa de sequestro após falsos policiais apresentarem um mandado de prisão para o levarem.
Em conversa, o advogado Rafael Fortes Almeida disse que o primo da vítima – cuja identidade não foi revelada – estava surfando quando foi abordado por indivíduos que se apresentaram como policiais civis e, com um mandado falso, anunciaram a prisão. Porém, o homem resistiu com a ajuda de Maycon e outras pessoas.
Nas imagens obtidas pela reportagem é possível ver o momento da confusão. Maycon, de camisa branca, aparece em alguns momentos tentando acalmar o primo, o homem mais alto que aparece sem camiseta. Enquanto isso, dois homens – trajados com distintivos da Polícia Civil ameaçam o grupo com armas de fogo.
Durante a confusão, Maycon foi atingido e morreu. Segundo a Secretaria de Segurança Pública, o autor do disparo fugiu e a vítima chegou a ser encaminhada para o Hospital Casa de Saúde, mas não resistiu.
“Aconteceu essa fatalidade com ele que não tinha culpa alguma”, relata o advogado. Ainda de acordo com Rafael, uma investigação preliminar já confirmou que o grupo de ‘policiais’ não era composto por agentes, mas por indivíduos suspeitos da prática de crimes que usam o nome da Polícia Civil.
“O grupo, inclusive, é apontado como autor de um roubo no município de Bertioga momentos antes do fato delituoso em Guarujá, onde abordou o homem com a intenção de sequestrá-lo e, assim, extorquir dinheiro de sua família”, diz.
Rafael ainda destaca que o fato de não existir mandado de prisão expedido em nome do primo de Maycon comprova que os ‘policiais’ são falsos. O advogado também afirma que o homem também se voluntariou como testemunha para a Polícia Civil, a fim de contribuir com as investigações do homicídio do primo e da própria tentativa de sequestro.
O advogado ainda faz um alerta sobre informações falsas que circularam nas redes sociais sobre o caso: “Não bastasse o delito em si e o luto que agora a família vive, estão sendo veiculadas informações falsas e mentirosas, as quais não correspondem aos verdadeiros fatos e violam os direitos das vítimas”. Na internet, diversas pessoas compartilharam vídeos afirmando que o homem que morreu (Maycon) era um criminoso.
Por meio de Rafael, a família lamentou a perda de Maycon, informou que ele jamais será esquecido e realizou uma homenagem ao jovem

Em nota, a Secretaria de Segurança Pública (SSP) informou que o caso foi registrado e está sendo investigado na Delegacia de Polícia de Guarujá.
Leia a nota na íntegra:
Um homem, de 32 anos, foi baleado e morto, na tarde da última quarta-feira (02), por volta das 17h30, na Alameda Marechal Floriano Peixoto, centro do Guarujá.
Segundo registro, policiais militares foram acionados via Copom para atender uma ocorrência de disparo de arma de fogo. Na área dos fatos, a vítima já havia sido socorrida por populares para o Hospital Casa Saúde onde não resistiu. O autor dos disparos fugiu do local em um veículo.
Segundo uma testemunha e parente da vítima, ambos estavam surfando quando foram a um comércio para comprar um salgado e, de repente, uma pessoa pegou em seu braço falando “já era, perdeu”.
Eles se diziam policiais e apresentaram um distintivo, mas a vítima e testemunha não acreditaram e, em um determinado momento, a testemunha ouviu um disparo de arma de fogo e notou que seu primo havia tomado um tiro no peito.
O caso foi registrado como Homicídio simples na Delegacia de Polícia de Guarujá, que investiga os fatos. Foi solicitada perícia para o local.
Com informações do ATribuna

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