terça-feira, 7 de junho de 2022

Defesa de PMs presos em Manaus apoia investigação por considerar acusações ‘frágeis’

 

Policiais militares foram presos por suspeita de extorsão (Foto: Felipe Campinas/ATUAL)

7 de junho de 2022 no Dia a Dia

Por Felipe Campinas, da Redação

MANAUS – Em resposta ao ATUAL, a defesa dos policiais militares presos em Manaus por suspeita de extorquir empresários da região defendeu a continuação das investigações para “demonstrar a fragilidade das acusações” contra os agentes. Eles são investigados na Operação Pundonor, do MP-AM (Ministério Público do Amazonas).

O tenente Lourenço da Silva Souza e os cabos David Sales Moreira, Carlos Henrique Medeiros Moreira e Sebastião Vieira Silva foram presos preventivamente no último dia 30 de maio na capital amazonense. No dia seguinte, em audiência de custódia, a Justiça do Amazonas decidiu que não havia ilegalidade nas prisões e manteve os agentes na cadeia.

As investigações do MP indicam que o grupo, usando a estrutura da PM, abordava as vítimas, incluindo empresários da região, e “plantava” elementos que poderiam virar prova ou descobria algum tipo de irregularidade cometida por elas. Com base nisso, faziam chantagem com as vítimas – ameaças de morte, tortura e agressão – e as extorquiam.

“Foram extorsões cometidas no ambiente militar, utilizando-se da função militar para a prática desses crimes. A extorsão segue a ideia de ameaça de causar um mal físico, ameaça de morte, ameaça de ‘plantar’ objetos ilícitos como armas e drogas, para incriminar a pessoa”, disse o promotor de Justiça Armando Gurgel. Os valores pedidos não foram revelados.

Armando disse que, para pressionar as vítimas, os agentes seguravam as vítimas por horas dentro de carros. “Era a privação de liberdade por horas, com algemação. A pessoa era colocada em veículos, inclusive não militares, para dificultar a investigação, para facilitar uma fuga durante abordagem.”, afirmou o promotor de Justiça.

Ainda de acordo com Armando, os militares usavam viaturas descaracterizadas para não gerar desconfiança sobre a ação criminosa. “É algo muito sério, envolvendo grave ameaça e violência, contra empresários inclusive (…) O Ministério Público não vai tolerar o comportamento de quem tem o dever de combater o crime, e não de cometê-lo”, disse.

Os promotores evitaram dar mais detalhes sobre o possível esquema sob alegação de que o caso ainda está sob investigação e que a Lei de Abuso de Autoridade proíbe a exposição dos implicados. A reportagem identificou os nomes dos policiais envolvidos através dos autos de prisão registrados pela Polícia Civil na Justiça do Amazonas.

Procurada pela reportagem, a advogada Ingrid Mendonça Ossuosky, que atua na defesa dos militares, afirmou que as investigações estão em curso, seguem em caráter sigiloso, e que em respeito ao princípio da presunção de inocência, entende que “qualquer juízo de culpabilidade nesse momento se torna prematuro e desprovido de provas concretas”.

A reportagem questionou a Corregedoria-Geral da SSP-AM (Secretaria de Segurança Pública do Amazonas) sobre a existência de sindicância contra os policiais militares presos, mas até a publicação desta matéria não recebeu resposta.

Leia a nota do Escritório Ossuosky Advogados:

Nenhum comentário:

Postar um comentário