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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2023

Casal apontado como membro de facção abriu ao menos sete igrejas evangélicas para lavar dinheiro do tráfico, diz MP

 Geraldo dos Santos Filho e Thais Cristina de Araújo Soares se declaram fundadores e pastores de igreja evangélica. Eles foram presos em Sorocaba (SP) e são investigados por integrarem uma das maiores organizações criminosas do país.

Por TV TEM

 15/02/2023 08h45  Atualizado há 21 horas

 

Policiais civis cumpriram mandado de busca em igreja evangélica em Sorocaba — Foto: Arquivo Pessoal

  

O casal preso em Sorocaba (SP) apontado como membro de uma associação criminosa abriu ao menos sete igrejas evangélicas para lavar dinheiro do tráfico de drogas, de acordo com o Ministério Público do Rio Grande do Norte. Geraldo dos Santos Filho e Thais Cristina de Araújo Soares foram presos nesta terça-feira (14), durante a operação Plata.

 

A ação foi deflagrada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte (MPRN), que cumpriu mandados de prisão e de busca e apreensão contra o grupo suspeito de lavar dinheiro do tráfico com compra de imóveis, fazendas, rebanhos e até igrejas, em oito estados, além do DF.

Casal suspeito de lavagem de dinheiro em igreja é preso em Sorocaba
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Casal suspeito de lavagem de dinheiro em igreja é preso em Sorocaba

 A investigação do MP apontou que o esquema é liderado por um homem do Rio Grande do Norte, identificado como Valdeci Alves dos Santos, conhecido como Colorido. Valdeci, irmão de Geraldo, foi condenado pela Justiça de São Paulo e já estava preso na Penitenciária Federal de Brasília, onde foi cumprido novo mandado de prisão nesta operação.

 

Segundo o MP, Valdeci é o segundo maior chefe de uma facção criminosa que surgiu nos presídios paulistas e que tem atuação em todo o Brasil e em países vizinhos. Há pelo menos duas décadas, os irmãos mantêm o esquema de lavagem de dinheiro, tendo como participantes seus irmãos, filhos, sobrinhos e comparsas fora da família, informou o MP. 


Documentos apreendidos por promotores do Gaeco durante operação Plata, realizada em 8 estados e no DF — Foto: MP-RN/Divulgação

 

Fundadores e pastores de igreja

A Igreja Assembleia de Deus Para as Nações, em Sorocaba, foi alvo da operação, a qual a polícia cumpriu seis mandados de busca e dois de prisão.

 

Foram apreendidos celulares e documentos. A análise dos objetos, feita pela Polícia Científica, fará parte das investigações, que vão continuar para determinar se há outras pessoas que também integram o esquema criminoso.

 

Ainda conforme a polícia, Geraldo e Thais se autodenominavam fundadores e pastores da igreja. Todas teriam sido abertas através de "laranjas". Os promotores suspeitam que a associação criminosa, da qual o casal faz parte, tenha movimentado mais de R$ 23 milhões. 

Policiais cumprindo mandado de busca na unidade da igreja Assembleia de Deus Para as Nações no Rio Grande do Norte — Foto: MP-RN/Divulgação

 

"Dá pra ver que o casal vivia uma vida de alto padrão, com muitos objetos de luxo", aponta a promotora do Gaeco de Sorocaba, Luciana Andrade Maia.

Policiais também estiveram em dois condomínios fechados de alto padrão, um prédio comercial e na igreja em Sorocaba. A equipe também foi até um condomínio fechado em Araçoiaba da Serra (SP), e a um imóvel em Itu (SP).

 

A ação contou com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público, e da Divisão Especializada de Investigações Criminais (Deic).

 


Casal que se declarava de pastores são suspeitos de lavagem de dinheiro; eles foram presos em condomínio de alto padrão em Sorocaba (SP) — Foto: Arquivo Pessoal

 

 

Integrantes de quadrilha

Geraldo e a esposa foram presos em um condomínio de alto padrão em Sorocaba, onde moram. A função deles dentro da quadrilha, a princípio e de acordo com a investigação, seria lavar o dinheiro das operações criminosas.

 

As investigações do MP-RN apontam que os irmãos ocultaram e dissimularam a origem dos recursos por meio do uso de “laranjas” em várias regiões do país. O dinheiro era lavado com a compra de bens e animais em nome dessas pessoas - a maioria irmãos, filhos, cunhados e sobrinhos deles.

Operação do MP do Rio Grande do Norte investiga grupo suspeito de lavar dinheiro do tráfico de drogas
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Operação do MP do Rio Grande do Norte investiga grupo suspeito de lavar dinheiro do tráfico de drogas

O MP informou que "laranjas" com nenhuma ou quase nenhuma renda declarada movimentaram milhões de Reais, sem justificativa aparente.

 

 

Ainda de acordo com o Ministério Público, Geraldo já foi preso em 2019 usando um documento falso. Ele tem uma extensa ficha criminal, com passagens por roubo, tráfico de drogas e uso de documento falso.

 

Geraldo foi encaminhado para a cadeia de São Roque (SP). Ele se manifestou e alegou que foi preso injustamente. Já Thais foi levada para a cadeia de Cesário Lange (SP). Os dois foram presos preventivamente.

 

A TV TEM não conseguiu contato com a defesa dos acusados.

https://g1.globo.com/sp/sorocaba-jundiai/noticia/2023/02/15/casal-apontado-como-membro-de-faccao-abriu-ao-menos-sete-igrejas-para-lavagem-de-dinheiro-diz-mp.ghtml