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terça-feira, 27 de agosto de 2024

Deputadas vão ao STF contra reversão de resgate de mulher encontrada por fiscais do trabalho em regime de escravidão

Elas iniciaram na Câmara mobilização pela campanha #sonialivre em busca de solução para o caso
Da Agência Câmara - 27/08/2024 - Audiência Pública - Combate ao trabalho análogo à escravidão de pessoas com deficiência. Diretora dos Direitos da Pessoa com Deficiência da Secretaria Nacional dos Direitos da Pessoa do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, Naira Rodrigues Gaspar. Dep. Sâmia Bomfim (PSOL-SP)
Sâmia Bomfim (D) iniciou mobilização na Câmara dos Deputados - Foto: Vinicius Loures/Câmara dos Deputados

Após audiência na Comissão de Legislação Participativa nesta terça-feira (27), a deputada Sâmia Bomfim (Psol-SP) iniciou mobilização na Câmara dos Deputados em busca de solução para o chamado “Caso Sônia Maria de Jesus”, a história da mulher de 50 anos, negra, surda e com visão monocular, resgatada da casa do desembargador Jorge Luiz de Borba, em Santa Catarina, sob a denúncia de ter sido mantida por 40 anos em trabalho análogo à escravidão.

O resgate ocorreu em junho do ano passado, feito por auditores fiscais do trabalho. Dois meses depois, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) discordou da denúncia e autorizou a volta da vítima à casa dos patrões. Houve repercussão internacional, que levou ao surgimento da campanha global #sonialivre. O caso já chegou ao Supremo Tribunal Federal, onde Sâmia Bomfim quer debater o tema em reunião com os ministros e parlamentares das Comissões de Legislação Participativa, de Direitos Humanos e de Defesa dos Direitos das Pessoas com Deficiência e da Bancada Negra da Câmara. Também não está descartada a hipótese de denúncia do Brasil à ONU por violação da Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência.

“Mais parlamentares e mais comissões envolvidas aumentam a pressão junto ao Supremo. Também, claro, diante de um não retorno, denúncia à ONU, justamente porque o país, na prática, descumpre a convenção da qual é signatário, bem como (denúncia) à Comissão Interamericana dos Direitos Humanos, para endossar as denúncias que já foram feitas”, disse a deputada.

A sugestão de participação da Câmara na pressão ao STF partiu da ex-secretária nacional dos direitos da pessoa com deficiência, Izabel Maior, para quem o “Caso Sônia” revela “extrema violação dos direitos humanos” e reprodução das relações escravagistas. Izabel atualizou a análise jurídica, por enquanto a cargo da Segunda Turma do Supremo, em que o ministro André Mendonça solicitou mais informações sobre o caso e manteve Sônia na casa da família do desembargador catarinense.

“Até agora, só temos um posicionamento de natureza individual do ministro Mendonça, a quem nenhum de nós quer perder o respeito. Mas, nós precisamos saber a opinião da corte”.

Organizadores da campanha #sonialivre rebateram os argumentos do desembargador catarinense de que Sônia sempre foi tratada “como se fosse da família”. Lembraram, por exemplo, que seus quatro filhos biológicos têm formação superior, enquanto a Sônia foram sonegados direitos básicos de educação, saúde e cidadania, como documentos e o aprendizado de Libras para se comunicar. Coordenadora da campanha, a juíza do trabalho aposentada Mylene Seidl leu trechos da ação pública em curso na Justiça para dizer que Sônia pode ter sido vítima de outros crimes.

“Outras hipóteses que vêm sendo levantadas são de trabalho infantil, tráfico de pessoa e Lei Maria da Penha. Tudo isso precisa ser verificado também”, ressaltou.

A família biológica de Sônia é de Osasco (SP). A irmã dela, Marta de Jesus, lembrou que a mãe, já falecida, jamais abandonou ou deu os filhos para outras famílias criarem. Sônia perdeu o vínculo com a família biológica aos nove anos de idade. Mesmo agora, o contato tem sido difícil, com visita praticamente uma vez por mês.

“Entendemos que, em um primeiro momento, eles não tinham a informação da família, mas, uma vez que nós aparecemos, nós seríamos a primeira opção de ressocialização para a Sônia, e não a volta dela para o lugar onde foi constatado todo esse cenário", argumentou a irmã. "Eu sempre digo: a Sônia é a prova viva de tudo que está sendo acusado. Você visita ela e tem vontade de perguntar: como é que você está? E a Sônia não tem a possibilidade de nos informar como está a situação dela. E isso dói demais”.

Denúncias

O Ministério dos Direitos Humanos acompanha o caso e informa que, só em 2023, houve 3.400 denúncias de trabalho escravo no Brasil, o maior registro desde que o Disque 100 passou a receber notificações desse tipo. Representante do Ministério, Naira Gaspar lembrou que o próprio ministro Silvio de Almeida visitou Sônia. Segundo ela, a prioridade, no momento, é garantir acesso à linguagem para que Sônia tenha condições de comunicar seus sentimentos por Libras. Naira também manifestou preocupação sobre o Plano Nacional de Erradicação do Trabalho Escravo ter recomendações especiais em relação às pessoas com deficiência.

“O marcador da deficiência, em intersecção com a raça, com o gênero e com a classe, torna essas pessoas muito mais excluídas e muito mais suscetíveis a todos os tipos de violência”, afirmou.

O presidente do Quilombo PCD, Marcelo Zig, lembrou que só a partir de 2020 as pessoas com deficiência entraram oficialmente nas edições do “Mapa da Violência” e, mesmo assim, os dados estão subnotificados diante da dificuldade de denúncias por parte das vítimas.

A deputada Carla Ayres (PT-SC) anunciou um projeto de lei para barrar situações de “desresgate” – quando as vítimas são encontradas mas acabam retornando para o local de onde foram resgatadas.

“É lidar com esse fato como uma distorção da Justiça. O Estado brasileiro efetivamente precisa dar respostas, porque senão nós teremos um prejuízo histórico em todas as tentativas de avanço no combate ao trabalho análogo à escravidão”, disse.

Os participantes da audiência na Câmara também se solidarizam com os auditores que denunciaram o “Caso Sônia” e foram afastados do trabalho. Um dossiê sobre o caso foi entregue, na semana passada, à relatora da ONU sobre Formas Contemporâneas de Racismo, Ashwini K.P. Até 6 de agosto, a campanha intensifica as ações por meio da mobilização 30 dias de ativismo por #sonialivre.

 A reprodução das notícias é autorizada desde que contenha a assinatura “Agência Câmara”.


                                                                           


 

 Eduardo Bolsonaro, Zanatta, Gayer e Nikolas a incêndios criminosos em SP - Internautas relacionam ato de Silas Malafaia a queimadas em São Paulo em meio a crise de saúde pública e aumento de queimadas.

Internautas relacionam ato de Silas Malafaia a queimadas em São Paulo em meio a crise de saúde pública e aumento de queimadas.

Vídeo liga bolsonaristas a incêndios e atos antidemocráticos

25/08/2024

São Paulo – O empresário da fé Silas Malafaia, conhecido por suas posições de extrema-direita, foi associado por internautas aos incêndios criminosos que ocorreram em São Paulo. Malafaia, que tem convocado manifestações contra instituições para o dia 7 de setembro, usou a expressão “vai pegar fogo” em vídeos e memes, o que muitos interpretam como um “apito de cachorro”, incitando atos violentos.

Internautas ligaram a expressão “vai pegar fogo” usada por Silas Malafaia aos recentes incêndios em São Paulo. O termo, que pode ser considerado um “apito de cachorro”, tem sido utilizado por outros bolsonaristas, como Eduardo Bolsonaro, Gustavo Gayer, Julia Zanatta e Nikolas Ferreira, que aparecem em vídeos e memes compartilhando mensagens similares.

Investigações em Andamento

O governo federal, por meio da Polícia Federal (PF), investiga a origem criminosa dos incêndios que atingem várias regiões de São Paulo. A ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, declarou que há suspeitas de ação criminosa, semelhante ao ocorrido no “dia do fogo” em 2019. A PF já abriu duas investigações para apurar os incidentes em São Paulo.

Vídeo correlaciona Malafaia, Eduardo Bolsonaro, Zanatta, Gayer e Nikolas a incêndios criminosos em SP | Diário Carioca (diariocarioca.com)

quarta-feira, 23 de novembro de 2022

Bolsonarista golpista é preso pela PRF em bloqueio

22 de nov. de 2022 



                                                                         


Polícia identifica 'incentivo' de deputado federal eleito Zucco, mais votado do RS, a atos antidemocráticos


Nome do parlamentar aparece na lista de investigados que foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF). Nas redes sociais, ele fez publicação incentivando manifestações contra o resultado das urnas.

Por Redação, g1 RS

 

16/11/2022 13h13  Atualizado há 5 meses

 

Luciano Zucco (Republicanos). — Foto: Celso Bender/Agência ALRS

  

A Polícia Civil aponta o deputado federal eleito Tenente Coronel Zucco (REPUBLICANOS), o mais votado do Rio Grande do Sul, como incentivador dos atos antidemocráticos de bolsonaristas contra o resultado das eleições de 2022. O nome do parlamentar aparece na lista de investigados que foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF).

 

Por meio de nota, Zucco afirma que recebeu "com surpresa pela imprensa" a informação de que a Polícia Civil do RS teria feito uma notificação ao STF a respeito de uma postagem sua nas redes sociais. "Já determinei a minha equipe de comunicação que analise tal conteúdo para saber exatamente do que se trata e qual o seu teor. Minha assessoria jurídica também já está analisando a questão." 

 

O documento da Polícia Civil cita uma postagem feita por Zucco, que atualmente é deputado estadual pelo RS. Nela, o parlamentar postou uma foto de um ato antidemocrático em frente ao Comando Militar do Sul que bloqueou vias da região – a Brigada Militar orientou os integrantes a desobstruí-las, e o MPF recomendou que a prefeitura de Porto Alegre atuasse para isso acontecer. (Veja abaixo)

 



Publicação feita pelo deputado Tenente Coronel Zucco nas redes sociais — Foto: Redes sociais/Arquivo pessoal

 

De acordo com a investigação, na publicação Zucco pedia que as pessoas fossem protestar no local. Segundo a polícia, ele ainda respondia internautas alegando retomar ‘aquilo que as eleições supostamente teriam subtraído do povo’.

 

 

O documento faz parte das investigações que vem sendo feitas em todo o país buscando identificar as lideranças, patrocínios e envolvidos nos protestos contra o resultado das urnas em todo o país. No documento que cita Zucco, assinado pelo chefe da Polícia Civil, delegado Fábio Motta Lopes, os nomes são destacadas apenas como envolvidos, sem detalhar suas participações.

 

"Os fatos, em tese, confirmados como infração penal, terão a apuração dos órgãos competentes desta instituição", diz o texto.

Documento da Polícia Civil do RS enviado ao STF.  — Foto: Reprodução

 

Lista tem políticos, policiais e pessoas com ficha criminal

Quem é o deputado

No Rio Grande do Sul, Zucco foi o candidato a deputado federal mais votado nas eleições deste ano, com 259.023 votos. Em 2018, também foi o candidato mais votado no estado, mas para o cargo de deputado estadual.

 

 

Ao longo da campanha, esteve ao lado de aliados de Bolsonaro como o candidato derrotado a governador Onyx Lorenzoni (PL) e do candidato eleito ao senado Hamilton Mourão (Republicanos).

 

As manifestações


Bolsonaristas realizam ato antidemocrático em Porto Alegre — Foto: Reprodução/RBS TV

 

Bloqueios de estradas e ruas, além de mobilizações no entorno de quartéis são realizados desde 30 de outubro no estado, quando houve o resultado do segundo turno. Em Porto Alegre, apoiadores de Bolsonaro cercam a região onde fica sediado o Comando Militar do Sul (CMS).

 

Manifestantes envolvidos nesses atos afirmam não concordar com o resultado das urnas, que registraram o desejo da maioria dos brasileiros. Eles defendem abertamente um golpe, por meio de intervenção militar no governo, o que é uma afronta à constituição do Brasil e à democracia. Em todo o processo eleitoral, não foi detectado nenhum caso de fraude, inclusive pelas Forças Armadas.

 

 

Nota deputado Zucco

Recebo com surpresa pela imprensa a informação de que a Polícia Civil do Rio Grande do Sul teria feito uma notificação ao STF a respeito de uma postagem em minhas redes sociais.

 

Já determinei a minha equipe de comunicação que analise tal conteúdo para saber exatamente do que se trata e qual o seu teor. Minha assessoria jurídica também já está analisando a questão.

 

Desde já reitero o que já foi externado na nota publicada pelas Forças Armadas no dia 11 de novembro:

 

“A Constituição Federal estabelece os deveres e os direitos a serem observados por todos os brasileiros e que devem ser assegurados pelas Instituições, especialmente no que tange à livre manifestação do pensamento; à liberdade de reunião, pacificamente; e à liberdade de locomoção no território nacional.

 

Nesse aspecto, ao regulamentar disposições do texto constitucional, por meio da Lei nº 14.197, de 1º de setembro de 2021, o Parlamento Brasileiro foi bastante claro ao estabelecer que: “Não constitui crime [...] a manifestação crítica aos poderes constitucionais nem a atividade jornalística ou a reivindicação de direitos e garantias constitucionais, por meio de passeatas, de reuniões, de greves, de aglomerações ou de qualquer outra forma de manifestação política com propósitos sociais”.

 

 

Assim, são condenáveis tanto eventuais restrições a direitos, por parte de agentes públicos, quanto eventuais excessos cometidos em manifestações que possam restringir os direitos individuais e coletivos ou colocar em risco a segurança pública; bem como quaisquer ações, de indivíduos ou de entidades, públicas ou privadas, que alimentem a desarmonia na sociedade.”

 

Dessa forma, me coloco à disposição para quaisquer outros esclarecimentos e reitero meu respeito às instituições e à Constituição Federal.

 

VÍDEOS: Tudo sobre o RS

https://g1.globo.com/rs/rio-grande-do-sul/noticia/2022/11/16/policia-aponta-deputado-federal-zucco-mais-votado-do-rs-como-incentivador-de-bloqueios-ilegais.ghtml