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domingo, 22 de maio de 2022

Serra do Curral: a história do símbolo de BH

 Belo Horizonte nasceu mirando a imponência e a beleza da Serra do Curral, que é parte da história da capital mineira e precisa ser preservada

08/05/2022 04:00 - atualizado 10/05/2022 16:00


E agora, Drummond? O que você diria? Como traduziria em palavras, sentimentos do mundo, paixão, espanto a mais nova ameaça a pairar sobre a Serra do Curral? Uma das respostas, com a volta no tempo, pode estar no poema “Triste horizonte”, aquele em que o mineiro de Itabira Carlos Drummond de Andrade (1902-1987) escreveu, em 1976: “Esta serra não tem dono. Não mais a natureza a governa. Desfaz-se, com o minério, uma antiga aliança, um rito da cidade”.
Certamente, seria com olhos de tristeza e ouvidos atentos que a ex-primeira dama da França Danielle Miterrand (1924-2001) tomaria conhecimento da situação que hoje horroriza os mineiros, temerosos da degradação ainda maior do símbolo de Belo Horizonte pela Taquaril Mineração S/A (Tamisa), já com licenciamento do Conselho de Política Ambiental (Copam).

Ambientalista e presidente da Fundação France Libertés, madame Miterrand, que visitou BH, era defensora da Serra do Espinhaço, a cordilheira reconhecida como Reserva da Biosfera pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) e da qual faz parte a Serra do Curral.


A Serra do Curral vista da Praça da Liberdade, em outros tempos(foto: John Passig/Arquivo EM)


“Danielle Miterrand nos ajudou a montar o dossiê com os estudos que fundamentaram o projeto enviado ao Itamaraty e, na sequência, à Unesco, sendo aprovado com louvor”, revela o biólogo Sérgio Augusto Domingues, presidente da Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica de Belo Horizonte.

Todos esses capítulos – e tantos outros de uma história escrita com sensibilidade, coragem, emoção – fazem parte da Serra do Curral, denominada nos primórdios Serra das Congonhas, tombada como paisagem cultural pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e conjunto paisagístico pelo Conselho Deliberativo do Patrimônio Cultural do Município de Belo Horizonte.



“Impossível dissociar a Serra do Curral da capital e dos belo-horizontinos. É a moldura da cidade, está no brasão de BH, integrada à nossa vida por tudo o que representa como paisagem natural. De importância tão grande que, na época da construção de BH, a comissão chefiada pelo engenheiro Aarão Reis (1853-1936) fez estudos minuciosos sobre os aspectos biofísicos do maciço para nortear o projeto”, diz o historiador Yuri Mello Mesquita, doutorando em história ambiental na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

foto histórica em preto e branco mostra a serra do curral na época que bh era curral del rey
Vista da Serra do Curral na época do Curral del-Rey(foto: Arquivo EM)


Nos estudos, os integrantes da Comissão Construtora da Nova Capital detalharam informações sobre solo, nascentes, qualidade das águas, direção dos ventos, regime de chuvas, temperatura e outros fatores que interferiam no antigo Curral del-Rei, que saiu de cena para dar lugar à capital, inaugurada em 12 de dezembro de 1897.


Construção da nova capital mineira

“A ideia de conquista da natureza na construção da nova capital de Minas incluiu o singelo arraial anterior a Belo Horizonte. Essa concepção esteve presente nos textos do arquiteto Alfredo Camarate (1840-1904), membro da comissão construtora da nova capital, que registrou suas impressões em crônicas”, conta Yuri Mesquita.

"Em texto de dia 18 de julho de 1894, Camarate descreveu o pequeno arraial como “algo pitoresco, incivilizado, com casas pobres”. Na visão dele, o lugarejo com “toda esta miséria, que provém mais do abandono do que da pobreza, é emoldurado numa vegetação opulenta”.

  
Apesar dessa descrição, explica o historiador, as crônicas narram a beleza da paisagem natural da região, “que merecia ser preservada nos arquivos da municipalidade futura ou nos da Secretaria da Agricultura; não em fotografias em tons de cinza, mas sim em pinturas feitas por artista conhecido”.


Caso contrário, “estas belezas deixarão de ficar arquivadas, embora deixando em seu lugar as belezas que provêm das futuras conquistas da civilização”.

Em resumo, “a paisagem antiga deveria ser preservada em telas artísticas que fizessem jus a suas cores e formosuras, pois, em seu lugar, outro tipo de beleza se instalaria, a civilização que conquistaria a natureza da região do antigo arraial Belo Horizonte”.

Exploração de minério começou a partir de 1960

A Serra do Curral, dona de destaques como o Pico Belo Horizonte, não sofreu impactos até a década de 1960 – isso até ser criada, em 1961, a Ferro Belo Horizonte S/A (Ferrobel), empresa criada pela lei 898/61 para explorar minério de ferro na mina das Mangabeiras.

“A Ferrobel, que deu origem à atual Urbel, com objetivo totalmente diferente, existiu até 1979, três anos antes da inauguração do Parque Municipal das Mangabeiras”, diz o historiador.

Na década de 1970, quando Carlos Drummond de Andrade, residente no Rio de Janeiro (RJ), escreveu, em “Triste horizonte”, que “não voltarei para ver o que não merece ser visto”, os ventos começavam a virar em relação à necessidade de preservação, embora sem a consciência ambiental existente hoje.

Pressão militar contra a preservação

“Houve uma mobilização da sociedade contra a empresa estrangeira que atuava na serra. Era uma época desenvolvimentista muito forte, tempos do governo militar (1964-1985). Havia mais um desejo de exploração do minério de ferro por um grupo mineiro do que por estrangeiros”, explica.

Mas os belo-horizontinos sentiam na prática os efeitos da mineração. Com as detonações na serra, o solo tremia, apareciam rachaduras nos prédios e muitas eram as reclamações de moradores do Bairro Mangabeiras, na Região Centro-Sul de BH.


nascente do córrego acaba mundo, em bh, na serra do curral
Nascente do Córrego Acaba Mundo, em Belo Horizonte, que tem sua origem na serra(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A Press)


Realmente, a mineração afetava o cotidiano das pessoas, o que leva o historiador a refletir sobre as ações da Tamisa, mesmo sendo no município vizinho de Nova Lima.
 
“A mineração na Serra do Curral sempre provoca traumas na região do entorno, que cresceu muito ao longo das últimas décadas, com adensamento populacional e surgimento de novos bairros”, observa Yuri Mesquita, certo de que é vital lembrar a frase “Olhe bem as montanhas”, nome de uma exposição do artista mineiro Manfredo de Souzanetto denunciando a degradação do maciço.

“A principal avenida da capital, a Afonso Pena, termina aos pés da Serra do Curral, começando no Ribeirão Arrudas. Nossas águas vêm lá do alto, então precisamos conservar, e não destruir. Do contrário, pode ocorrer o mesmo que na Itabira de Carlos Drummond, que ficou sem o Pico do Cauê”, ressalta.

Campanha SOS Serra do Curral

Em 1996, o Estado de Minas fez uma grande campanha para mobilizar a sociedade em torno da preservação do maciço. Com o nome de “Serra do Curral, serra viva”, o jornal publicou uma série de reportagens mostrando a situação do "marco geográfico mais importante da Região Metropolitana de BH" e alertando para as consequências da remoção da cobertura vegetal da serra, da terraplenagem e dos cortes e aterros e do desmonte das rochas, os quais eram visíveis tanto do lado de Nova Lima como de Belo Horizonte, nas áreas abandonadas pela mineração. 

Lançamento de livro

Nesta quarta-feira (11/5), às 19h30, o acadêmico Luís Giffoni fará noite de autógrafos na Academia Mineira de Letras (Rua da Bahia, 1466) para o novo lançamento do livro “Serra do Curral” (Coleção ‘BH: a cidade de cada um’, da Conceito Editorial). 

quinta-feira, 19 de maio de 2022

Exército adquiriu R$ 3,5 mi em próteses penianas; para que elas servem?

Imagem: Divulgação/American Medical Systems

Letícia Naísa

De VivaBem*, em São Paulo

13/04/2022 18h16

Foi divulgado na última terça-feira (12) que o Exército brasileiro comprou R$ 3,5 mi em próteses penianas. O deputado Elias Vaz (PSB-GO) e o senador Jorge Kajuru (Podemos-GO) afirmaram que vão acionar o MPF (Ministério Público Federal) e o TCU (Tribunal de Contas da União) sobre os gastos. Ao todo, segundo os parlamentares, foram adquiridas 60 próteses, que variam entre 10 e 25 centímetros. Os números foram encontrados no Portal da Transparência. Em nota, o Centro de Comunicação Social do Exército afirmou que apenas três próteses foram adquiridas em 2021. Elas foram destinadas a hospitais militares.

 

 

Como funcionam Elas são usadas no tratamento de disfunção erétil e são implantadas no pênis para preencher espaços antes ocupados pelo sangue nos corpos cavernosos, garantindo a ereção. Com as próteses, o usuário pode ter relações sexuais sempre que desejar, mas elas não aumentam o tamanho do pênis. Existem diversas opções disponíveis de próteses: maleáveis ou semirrígidas, infláveis ou hidráulicas. Elas são implantadas direto na câmara erétil do pênis para dar sustentação necessária para o sexo. Elas não interferem na sensibilidade e capacidade do orgasmo

 

O implante é feito por meio de uma cirurgia que dura cerca de uma hora e tem baixos índices de complicação e altos níveis de satisfação. Trata-se, no entanto, de um procedimento irreversível —e última linha de tratamento para a disfunção erétil. Antes de optar pela prótese, é preciso avaliação de um urologista. Um dos tratamentos possíveis é o uso de medicamentos que estimulam a ereção, como o Viagra —que também foi adquirido pelas Forças Armadas. *Com informações das reportagens de 21/08/2020 e 03/07/2021.

https://www.uol.com.br/vivabem/noticias/redacao/2022/04/13/para-que-serve-a-protese-peniana.htm

                                                                  




Serra do Curral: PBH diz que Pico Belo Horizonte pode cair com mineração

 

Estudo da Secretaria de Meio Ambiente da capital aponta riscos ao monumento, a apenas 150 metros de uma das cavas da Tamisa


19/05/2022 08:59 - atualizado 19/05/2022 09:45


Pico Belo Horizonte ameaçado por mineração

A mineração na Serra do Curral pode levar ao desmoronamento do Pico Belo Horizonte. Um estudo feito por geólogos da Secretaria de Meio Ambiente da capital mineira aponta a possibilidade de riscos geológicos ao monumento, símbolo de BH e presente na bandeira municipal. O pico está a apenas 150 metros de uma das cavas do empreendimento da Taquaril Mineração S.A (Tamisa).

 

Serra do Curral: a história do símbolo de BH

As conclusões da pasta de Meio Ambiente foram anexadas a um documento da Procuradoria-Geral do Município (PGM), apresentado nesta quinta-feira (19/5) à Justiça Federal. O pedido é pela concessão de liminar para suspender a licença dada pelo governo estadual à mineração na Serra do Curral.

 

"Se Belo Horizonte for forçada a mudar a sua bandeira pelo deslizamento do Pico Belo Horizonte, o fato não poderá ser considerado um acidente como se tentou imputar a Mariana e Brumadinho, pois o desastre no Pico Belo Horizonte é previsível e anunciado pela falta de estudos geológicos idôneos feitos pela Tamisa atestando a estabilidade geotécnica em decorrência da exploração minerária e pelo histórico de deslizamento na região", lê-se em manifestação assinada por Caio Perona, subprocurador-geral de Belo Horizonte.

  




Serra do Curral

Estudo aponta a possibilidade de riscos geológicos ao monumento presente na bandeira municipal

(foto: Reprodução/Google Street View)

 

 

O "histórico de deslizamento" citado pela Prefeitura de Belo Horizonte faz referência ao caso do Morro do Patrimônio, próximo à mina de Águas Claras, hoje já desativada. Em 1992, houve o rompimento de um talude na área, considerada patrimônio da capital. A ruptura causou a destruição de um dos marcos que norteavam o tombamento da Serra do Curral.

  

  

O Morro do Patrimônio é um espaço visto como de "perfil semelhante" ao existente no Pico Belo Horizonte. Para corrigir o deslizamento do talude, foram gastos cerca de R$ 240 milhões, em uma ação que contou, inclusive, com 200 alpinistas industriais.

  

 

"Não está garantida a estabilidade geotécnica do Pico de Belo Horizonte e, também, não é possível afirmar que a implantação da mineração não vai causar impactos à paisagem do município", aponta uma das conclusões do estudo feito pelos geólogos de carreira da prefeitura.

 

No último sábado (14), a Tamisa pediu ao judiciário que a Prefeitura de Belo Horizonte seja excluída do debate sobre a mineração na Serra do Curral. A companhia alegou que o município não tem "competência de opinar". A versão, no entanto, foi contestada pela PGM - de acordo com a capital, a mineradora não apresentou pareceres sobre os impactos da mineração ao pico.

 

"Eventual deslizamento do talude [do Pico BH] não afetará apenas o lado de Nova Lima da Serra do Curral, mas inexoravelmente atingirá também a porção de Belo Horizonte, o que reforça a indispensabilidade de anuência de Belo Horizonte ao empreendimento".

 

  

'Distância irrisória'

 

Em 12 de maio, os geólogos João Vicente Mariano, Adria Scarpelli, Sônia Knauer e Taynara d' ngelo foram presencialmente à Serra do Curral a fim de examinar possíveis impactos da mineração ao Pico Belo Horizonte, que tem mais de 1,3 mil metros de altitude. No relatório que trata dos riscos de deslizamento, os profissionais demonstraram temor.

 

"É preocupante a localização da cava Oeste a ser implantada no sopé [encosta] do Pico de Belo Horizonte, patrimônio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). A distância linear entre o pico e a estrutura de mineração a ser implantada é irrisória e, a poucos metros, da área verifica-se cava desativada da Mina Águas Claras, onde movimentos de massa comprometeram o Marco Topográfico IV do tombamento [da Serra]".

 
 Os profissionais receiam, também, efeitos da vibração causada pelo uso de bombas durante as escavações do solo. As explosões podem fraturar a estrutura do Pico Belo Horizonte, segundo os geólogos.

 

"O uso de explosivos na remoção do minério é fonte de energia (ondas), que em sua propagação poderá promover deslocamentos/vibrações ao longo das descontinuidades, podendo resultar em movimentos de massa que venha a comprometer a integridade do já referido marco topográfico", apontam.

 

Empresa usaria parecer hídrico desatualizado

 

No domingo (15), a Procuradoria de BH já havia ido à Justiça apontar que a Tamisa usou parecer desatualizado da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) a respeito dos impactos hídricos do empreendimento.

  

 

A capital mineira considera que os estudos apresentados são de 2018, posteriores a alterações em praticamente todo o projeto da Tamisa e anteriores à crise hídrica pós-rompimento da Barragem B1 da Mina Córrego do Feijão (2019), em Brumadinho, e suspensão da captação no Rio Paraopeba da Copasa para a Grande BH.

 

Segundo manifestação da própria empresa de água e esgoto, a Tamisa recebeu, em 2018, um parecer favorável ao projeto apresentado, desde que diversas condicionantes fossem adotadas para garantir a segurança do fornecimento de água para a Grande BH a partir do Rio das Velhas.

 

A autorização do governo mineiro aos pleitos da Tamisa veio em 30 de abril, durante reunião do Conselho Estadual de Política Ambiental (Copam). O aval ocorreu já durante a madrugada, em meio a uma conferência que já durava cerca de 18 horas.

 

 

 

Em que pese os questionamentos, o Palácio Tiradentes tem defendido a licença concedida à Tamisa e os meandros do processo de análise do empreendimento.

 

"O processo de licenciamento segue todos os ritos técnicos. Todas as normas e os limites técnicos estabelecidos na lei foram seguidos. Nós temos muita segurança técnica do processo e da forma como foi analisado", disse Marília Melo, secretária de Estado de Meio Ambiente, no início deste mês, à "TV Globo".

 

 

Além da Prefeitura de Belo Horizonte, ambientalistas, artistas, escolas, universidades e a Arquidiocese de BH já se manifestaram contra a devastação que a mineração da Tamisa vai provocar na serra que é símbolo da capital mineira.

https://www.em.com.br/app/noticia/gerais/2022/05/19/interna_gerais,1367557/serra-do-curral-pbh-diz-que-pico-belo-horizonte-pode-cair-com-mineracao.shtml