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domingo, 20 de março de 2022

Oito músicas de Aldir Blanc que fizeram sucesso na voz de Elis Regina


GUILHERME ARAUJO

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O Brasil se viu órfão de um de seus maiores compositores na manhã desta segunda-feira (4). Aldir Blanc, autor de uma extensa obra musical e literária, morreu aos 73 anos vítima de complicações da Covid-19. Blanc, que nasceu no Rio de Janeiro e abandonou a medicina, ainda jovem, pra se dedicar à música, estava internado desde o último dia 10 de abril no CER do Leblon. Ele chegou a ser transferido, após um agravamento de seu quadro, para o Hospital Pedro Ernesto, pertencente à rede pública.

Foi necessária uma campanha de amigos e artistas para a liberação de um leito, mas o boletim mostrou que sua situação não se estabilizava. Após a confirmação de que tinha contraído o vírus, dias depois, ele veio a óbito. Em quase 60 anos de carreira, o compositor se mostrou acima de qualquer outra coisa um observador das ruas e do cotidiano da capital carioca. Ele narrou como ninguém a vida no subúrbio, consagrando-se ainda tempos depois  como cronista.

Músicos prestam homenagens a Aldir Blanc, morto pelo novo Coronavírus

Mas nada foi parecido com sua atividade nas artes. Assinou mais de 600 letras, entre as quais várias foram interpretadas por Fafá de Belém, Simone e Clara Nunes. Mas foi graças a Elis Regina, esperta que só, que alcançou fama ao lado do parceiro João Bosco. Foi assim que Aldir Blanc se tornou um pilar da MPB e galgou espaço definitivo em nossa memória afetiva.

Na voz da pimentinha ficaram conhecidas, por exemplo, “O Bêbado e a Equilibrista”, “Querelas do Brasil” e “O Rancho da Goiabada”. Mas não foram só estas suas únicas composições interpretadas por Ela. Entre os discos “Elis 71” e “Essa Mulher” (1979), somam-se cerca de 15 faixas escritas por essa dupla, a maioria, dona de um sucesso estrondoso. Relembre algumas delas.

O Bêbado e a Equilibrista (1979)

Na noite de Natal do ano de 1977 morria o comediante Charles Chaplin, na Suíça. Aqui no Brasil, João Bosco quis homenageá-lo e criou um samba. Horas mais tarde, convidou Aldir Blanc pra pôr letra no que havia rascunhado. Assim surgiu “O Bêbado e a Equilibrista”, clássico da MPB e hino não-oficial da Lei da Anistia. Foi ao som dessa música que brasileiros exilados durante o período da ditadura militar puderam voltar ao país.

Estão representados em seus versos os artistas que ousavam levantar sua voz contra a repressão, os generais que detinham o poder, bem como familiares de vítimas da truculência. Mas além de tudo isso, a letra também se mostra um pedido de desculpas da própria Elis para o cartunista Henfil. Anos antes, ela foi obrigada a cantar na Olimpíada da Semana do Exército, evento organizado pelo regime. Isso fez com que Henfil, que tinha o irmão Betinho exilado, a usasse como tema de uma charge. Na ilustração, ele mostrava a cantora sendo “enterrada” após o episódio. Era seu fim para aqueles que sofriam com os horrores dos anos de chumbo.

Foi aí que surgiu o verso:

“Louco, o bêbado com chapéu-côco
Fazia irreverências mil pra noite do Brasil, meu Brasil
Que sonha com a volta do irmão do Henfil
Com tanta gente que partiu num rabo-de-foguete
Chora a nossa pátria, mãe gentil
Choram Marias e Clarices no solo do Brasil
Mas sei, que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente, a esperança”

Com tanta coisa pra dizer, é impossível não sentir um aperto no coração ao ouvir essa história.

O Rancho da Goibada (1978)

A interpretação acima vem de “Transversal do Tempo”, show que Elis colocou na estrada em 1978. Em “O Rancho da Goiabada” (que aliás acompanha “Construção”, de Chico Buarque, em um medley imponente) a artista mergulha no dia-a-dia dos chamados boias-frias. Os protagonistas são trabalhadores rurais que não possuem as mínimas condições para poder suportar os carmas da vida. Em resumo, estamos diante de uma letra tocante que expõe a realidade de pessoas humildes que nutrem pequenos prazeres em um universo em que a desigualdade fala mais alto.

“É goiabada-cascão com muito queijo
Depois café, cigarro e um beijo
De uma mulata chamada Leonor ou Dagmar
Amar
O rádio-de-pilha, o fogão-jacaré, a marmita, o domingo
no bar
Onde tantos iguais se reúnem contando mentiras
Pra poder suportar”

Querelas do Brasil (1978)

Perceba que Elis pouco a pouco foi se transformando em uma das vozes mais firmes contra o regime militar. Também neste show (talvez dono de seu repertório mais político?) surgiu “Querelas do Brasil”. A música é uma sátira da adoração das elites pelos costumes de nações estrangeiras como os Estados Unidos. Sabe aquele esquema de sempre sobrepor a cultura do outro sobre a nossa? Qualquer semelhança com o presente é mera coincidência.

E repare também nas palavras escolhidas pra esse trava-línguas. Brasileiríssimas!

“O Brazil não conhece o Brasil
O Brasil nunca foi ao Brazil
(…)
O Brazil não merece o Brasil
O Brazil tá matando o Brasil
Gereba, saci, caandra, desmunhas, ariranha, aranha
Sertões, guimarães, bachianas, águas
E marionaíma, ariraribóia
Na aura das mãos do jobim açu
Oh, oh, oh”

Transversal do Tempo (1977)

O disco “Elis” (1977) se encerrava no mais puro estilo Elis de ser. A cantora deixava sua mensagem e saía, cabendo a você lidar com as possíveis (e muitas vezes dolorosas) interpretações. Em “Transversal do Tempo”, icônica faixa gravada no auge da carreira, ela reflete sobre questões internas, mas não sem antes olhar pro lado. Desenha em uma espécie de poesia urbana uma metáfora de si, tendo como base o trânsito de uma metrópole desconhecida.

“As coisas que eu sei de mim
São pivetes da cidade
Pedem, insistem e eu me sinto pouco a vontade
Fechada dentro de um táxi
Numa transversal do tempo
Acho que o amor é a ausência de engarrafamento”

Dois Pra Lá, Dois Pra Cá (1974)

Não seria nenhum exagero dizer que “Dois Pra Lá, Dois Pra Cá”, um bolero intenso lançado em 1974, é uma das músicas mais deliciosas de Elis. A letra descreve a aflição de um flerte na pista de dança, um daqueles que estremece cada ponta do nosso corpo com o toque do outro. Um romance que deixa os sentidos à flor da pele, mas que ao mesmo tempo não permite ser livre. Imagine só o esforço feito pra não errar os passos de dança diante do amado e ao mesmo tempo ter que lidar com a dor de “um torturante band-aid no calcanhar”?

“Tremia mais que as maracas
Descompassado de amor
Minha cabeça rodando
Rodava mais que os casais
O teu perfume gardênia
E não me pergunte mais
A tua mão no pescoço
As tuas costas macias
Por quanto tempo rondaram
As minhas noites vazias”

Bala Com Bala (1972)

Após gravar “Agnus Sei”, outro sucesso de Aldir Blanc e João Bosco, em 1971, Elis viu em “Bala Com Bala” um hit em potencial. Reservou a letra logo de cara, visto que preparava aquele que seria seu mais emblemático disco, a ser lançado no ano seguinte. De fato, é uma daquelas músicas que desprezam apresentações. Fez parte de um ponto de transição na carreira da artista e é considerada por muitos críticos como uma das mais importantes da MPB.

Entre seus versos mais memoráveis:

“Quando a luz acende é uma tristeza,
Trapo, presa
Minha coragem muda em cansaço
Toda fita em série que se preza,
Dizem, reza
Acaba sempre no melhor pedaço”

Um Por Todos (1976)

Em 1976 Elis Regina entregou ao púbico o álbum “Falso Brilhante”, que reunia o repertório do mesmo show que vinha apresentando em longas residências no Rio e em São Paulo. Entre canções de Mercedes Sosa, Milton Nascimento e até mesmo Rita Lee, ela também ostentava duas pérolas compostas por Aldir Blanc e João Bosco: “Um por Todos” e “Jardins de Infância”. Sobre esta primeira, a melodia alucinada flerta abertamente com o rock n roll e vem acompanhada por uma narrativa que descreve a saga de um herói indigno, que não tem simpatizantes. Está só, contra tudo e todos. Vem daí o título.

“Do ventre chão da terra mãe
Nasce o herói improvisado
Querido filho pranteado
Da fortuna e do acaso
Avante, um por todos e todos por um!”

Jardins de Infância (1976)

Já a segunda, “Jardins de Infância”, funciona mais ou menos como uma fábula musicada, cheia de referências à cultura oral.

“E como um conto de fada
Tem sempre uma bruxa pra apavorar.
O dragão comendo gente
E a bela adormecida sem acordar.
Tudo que o mestre mandar
E a cabra cega roda sem enxergar.
E você se escondeu,
E você esqueceu.”

                                           



Osmar Terra segue um perfil de acompanhantes de Londrina

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Sabe o que acontece quando você dá print em um perfil? O print mostra as contas que você segue e que também seguem aquele perfil. E foi assim que descobrimos que o Osmar Terra segue um perfil de acompanhantes de Londrina 🤡



12:32 PM · 1 de mar de 2022

domingo, 10 de maio de 2020

Morte de mulher de 39 anos é a primeira confirmada por Covid-19 pela Prefeitura de Teófilo Otoni

Nota emitida pela Prefeitura de Teófilo Otoni nesta sexta-feira (8) — Foto: Prefeitura de Teófilo Otoni/Divulgação

Nota emitida pela Prefeitura de Teófilo Otoni nesta sexta-feira (8) — Foto: Prefeitura de Teófilo Otoni/Divulgação

A Prefeitura de Teófilo Otoni confirmou nesta sexta-feira (8) a primeira morte por Covid-19 no município. A cidade tem 23 casos confirmados da doença.

Segundo a prefeitura, trata-se de uma mulher de 39 anos que estava internada no Hospital Bom Samaritano. Ela morreu na terça-feira (5) por complicação respiratória. O município não informou se ela tinha comorbidades.


“O Governo Municipal se solidariza com a família, e à população reforça a importância de cumprir com as medidas preventivas através do uso de máscara, manter o isolamento social, lavar as mãos com sabão com frequência e utilizar álcool gel”, disse a nota da prefeitura.

Veja mais notícias da região em G1 Vales de Minas Gerais.

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Cigana de 22 anos é morta a tiros em Jacinto; PM suspeita que mandante seria o ex-marido

Vítima foi morta a tiros no Centro da cidade. Dois suspeitos foram presos na tarde desta quinta-feira (7).

Por Alice Mourão*, G1 Vales de Minas Gerais

 07/05/2020 16h24  Atualizado há um ano


Sabrina Alves da Silva, de 22 anos, foi morta em Jacinto — Foto: Redes Sociais/Reprodução

 Uma cigana de 22 anos foi morta a tiros nessa quarta-feira (6), no Centro da cidade de Jacinto. De acordo com a Polícia Militar, uma denúncia anônima informou que uma mulher havia sido atingida por disparos de arma de fogo.

 

Ao chegarem no local, militares encontraram Sabrina Alves da Silva já sem vida, atingida por tiros nas costas, cabeça e na região do ombro.

 

Ainda de acordo com a PM, dois homens chegaram de bicicleta e efetuaram disparos contra a vítima. Os militares ainda ressaltaram que o possível mandante do crime, seria o ex-marido dela.

 

A jovem é da cidade de Itamaraju (BA) e estava morando em Jacinto há cerca de seis meses, após um desentendimento com o ex-marido, que não aceitava o fim do relacionamento. Os militares ainda contaram que ele teria descoberto uma suposta traição da mulher e, por vingança, chegou a cortar uma das orelhas da vítima e fazer ameaças de morte.

 A Polícia Militar informou ainda que dois suspeitos foram presos na tarde desta quinta-feira (7), em Almenara, e que continuam com as buscas para a localização do suposto mandante do crime.

 O corpo da vítima foi encaminhado para o Instituto Médico Legal (IML) de Almenara.

 

*Sob supervisão de Matheus Mesmer

https://g1.globo.com/mg/vales-mg/noticia/2020/05/07/cigana-de-22-anos-e-morta-a-tiros-em-jacinto-pm-suspeita-que-mandante-seria-o-ex-marido.ghtml

                                                                    


Morre compositor Aldir Blanc, aos 73 anos, de Covid-19

Compositor de clássicos como 'O bêbado e a equilibrista', Aldir Blanc estava internado desde 10 de abril com problemas respiratórios

CB

Correio Braziliense

postado em 04/05/2020 08:15

Aldir Blanc morreu em decorrência de complicações da Covid-19Morreu nesta segunda-feira (4/5) o compositor Aldir Blanc. O músico tinha 73 anos de idade e testou positivo para a Covid-19, diagnóstico confirmado dia 22 de abril. Aldir Blanc estava internado desde o dia 10 de abril com problemas respiratórios e infecção urinária. Ainda não há informações sobre enterro e velório do compositor, mas, como ele foi vítima de Covid-19, a cerimônia de despedida deve ser rápida e reservada.

 

A família e os amigos de Aldir Blanc chegaram a fazer uma movimentação pela internet para que o compositor fosse transferido para uma UTI porque o hospital onde ele estava internado não tinha leitos vagos. A estratégia deu certo e o músico foi entubado com dificuldades respiratórias em uma unidade hospitalar do Rio de Janeiro.

 

[SAIBAMAIS]Sozinho ou ao lado de parceiros, como João Bosco, Aldir Blanc é compositor de clássicos como Bala com bala, Mestre-sala dos mares, De frente pro crime e Dois pra lá, dois pra cá. Aldir também e autor de O bêbado e a equilibrista, canção que, na voz de Elis Regina, acabou se tornando um grito contra a ditadura militar no Brasil.

https://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia/diversao-e-arte/2020/05/04/interna_diversao_arte,851051/morre-compositor-aldir-blanc-aos-73-anos-de-covid-19.shtml