Reinaldo Neiva Ferreira conseguiu retirar moradores de prédio antes de ser soterrado; buscas na Zona da Mata já confirmam 38 mortos
O cenário de destruição causado pelas chuvas em Juiz de Fora revelou um ato de heroísmo em meio a tragédia na Zona da Mata. O policial penal Reinaldo Neiva Ferreira, de 36 anos, perdeu a vida ao tentar salvar vizinhos, incluindo idosos, durante o temporal que assolou a cidade na última segunda-feira (23).
Natural de Juiz de Fora e lotado na Penitenciária Ariosvaldo Campos Pires desde 2017, Reinaldo agiu prontamente ao perceber o risco de desabamento no prédio onde morava. Após conseguir retirar diversos moradores em segurança, o policial retornou ao imóvel para certificar-se de que não havia mais ninguém no local. Foi nesse momento que ocorreu o soterramento. Seu corpo foi localizado pelas equipes de resgate entre os escombros na madrugada desta quarta-feira (25).
A Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) e a Polícia Penal de Minas Gerais (PPMG) emitiram notas de pesar, solidarizando-se com a esposa e familiares do servidor, destacando sua bravura e o sacrifício supremo no cumprimento de um dever humanitário.
Balanço da tragédia na Zona da Mata
Com a localização do corpo de Reinaldo e de outras vítimas, o número de mortos na região subiu para 38, conforme atualização da Defesa Civil Estadual. O balanço detalha a gravidade da situação:
- Juiz de Fora: 32 mortos e 33 pessoas ainda desaparecidas.
- Ubá: 6 mortes confirmadas e 2 desaparecidos.
- Identificação: A Polícia Civil informou que 27 corpos já foram identificados oficialmente.
Este já é considerado o período chuvoso mais letal em Minas Gerais nos últimos seis anos, com um total de 50 óbitos contabilizados em todo o estado desde o início da temporada. Diante da dimensão do desastre, o Governo de Minas decretou luto oficial de três dias.
Esforços de resgate e assistência
O Corpo de Bombeiros mantém a mobilização com cães farejadores e sensores de calor na tentativa de localizar os 35 desaparecidos. Contudo, a operação é de altíssimo risco, uma vez que o solo saturado favorece novos deslizamentos em áreas de encosta.
Na área social, Juiz de Fora enfrenta um desafio crítico com pelo menos 3.000 pessoas desabrigadas. Além disso, 600 moradores foram retirados de casa preventivamente devido ao risco geológico. Escolas públicas municipais seguem servindo como pontos de acolhimento e triagem para as famílias afetadas.
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