Além dele, também há mandados de prisão contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e contra o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar. Ambos já estão presos. Marco Antônio Cabral, filho de Sérgio Cabral é alvo de busca e apreensão
Pastor Marcio Poncio. — Foto: Instagram/Reprodução
O pastor Márcio Poncio foi preso, nesta quinta-feira, em mais uma fase da Operação Unha e Carne da Polícia Federal, que apura as relações entre políticos e o crime organizado no Rio de Janeiro. Ele foi encontrado em um flat na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste da capital.
Além dele, também há mandados de prisão contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e contra o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar. Ambos já estão presos e o ex-parlamentar será transferido do Complexo Penitenciário de Bangu, em Gericinó, para um presídio federal. Por volta de 8h20, Bacellar chegou à sede da PF, na Zona Portuária do Rio, com uma Bíblia na mão
Os agentes ainda cumprem 14 mandados de busca e apreensão contra integrantes do Poder Legislativo na cidade do Rio e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O Supremo Tribunal Federal ainda determinou o bloqueio de R$ 22 milhões dos investigados.
Um dos alvos de mandado de busca e apreensão é o filho do ex-governador Sergio Cabral e pré-candidato a deputado estadual Marco Antônio Cabral. Em nota, a defesa dele afirmou que o cumprimento do mandado ocorreu de forma tranquila, com total colaboração às autoridades. Marco Antônio nega qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou o recebimento de valores de origem ilícita.
Segundo a PF, o objetivo da operação é encontrar outros indícios de lavagem de dinheiro praticada pela nova cúpula do jogo do bicho e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Rio.
As investigações começaram depois que a PF apreendeu listas com Adilsinho com registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de dinheiro. As listas chamaram a atenção por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do estado do Rio. Ao menos 20 políticos são investigados por receberem mesada do bicheiro, que foi preso em fevereiro na Região dos Lagos.
Quem é Marcio Poncio?
O pastor Márcio Poncio é empresário e figura conhecida nas redes sociais por ser o patriarca da família Poncio, que ganhou notoriedade nacional na internet. Ele é pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade) e do cantor Saulo Poncio.
Além da atuação religiosa, que nas redes sociais se apresenta como membro da Igreja da Nuvem, Poncio construiu uma trajetória empresarial no ramo do tabaco, o que rendeu o apelido de "pastor do cigarro".
Na política, ele é pré-candidato a deputado federal pelo Solidariedade. Em 2022, Poncio já tinha tentando se eleger deputado federal, mas não conseguiu uma vaga, terminando como segundo suplente com cerca de 33 mil votos.
Nas redes sociais, ele faz publicações junto com a filha em que afirma que a dupla "vai defender o cidadão fluminense". Em um vídeo, o pastor afirma que "a boa política não se vende e não se corrompe"
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Márcio Poncio e a filha, Sarah Poncio. — Foto: Reprodução/ redes sociais
Relembre outras fases da Operação Unha e Carne
A Operação Unha e Carne teve quatro fases entre dezembro de 2025 e maio deste ano. A ação apura um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas de ações policiais contra o Comando Vermelho e as relações de agentes públicos com os principais grupos criminosos do estado.
Em maio, o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso na 4ª fase da Operação Unha e Carne. O objetivo era combater fraudes na compra de materiais e na aquisição de serviços, como obras para reformas, na Secretaria Estadual de Educação. As investigações começaram depois que a PF teve acesso a conteúdos extraídos do computador de Rodrigo Bacellar.
A 1ª etapa da operação, em dezembro do ano passado, teve como alvo o então presidente da Alerj, deputado Rodrigo Bacellar, hoje cassado. De acordo com a Polícia Federal, o parlamentar teria vazado informações sigilosas para beneficiar o CV. O principal interessado no vazamento seria o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias, apontado como articulador político da facção e atualmente preso.
Bacellar chegou a ser preso preventivamente por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, mas foi solto dias depois — após decisão tomada em plenário da Alerj —, com medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.
Dias depois, a 2ª fase aprofundou as apurações sobre a origem dos vazamentos. Nessa etapa, o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, foi preso preventivamente suspeito de repassar informações a Bacellar, que encaminhou a TH Joias.
A 3ª fase foi deflagrada em 27 de março de 2026. Nessa etapa, Rodrigo Bacellar foi preso novamente, desta vez em casa, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio. A nova prisão foi determinada por Alexandre de Moraes após a cassação do mandato do político pelo Tribunal Superior Eleitoral, no caso conhecido como escândalo da Ceperj, e após denúncia formal apresentada pela Procuradoria-Geral da República.
A denúncia da PGR inclui, além de Bacellar, TH Joias, o desembargador Macário Júdice Neto e outros investigados. Segundo o órgão, há indícios de uma cadeia de proteção institucional às facções criminosas..
Pastor Márcio Poncio é preso pela PF em nova fase da Operação Unha e Carne
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