quinta-feira, 2 de julho de 2026

Pastor Márcio Poncio é preso pela PF em nova fase da Operação Unha e Carne

 Além dele, também há mandados de prisão contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e contra o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar. Ambos já estão presos. Marco Antônio Cabral, filho de Sérgio Cabral é alvo de busca e apreensão

Por — Rio de Janeiro

Pastor Marcio Poncio. — Foto: Instagram/Reprodução

O pastor Márcio Poncio foi preso, nesta quinta-feira, em mais uma fase da Operação Unha e Carne da Polícia Federal, que apura as relações entre políticos e o crime organizado no Rio de Janeiro. Ele foi encontrado em um flat na Praia da Barra da Tijuca, na Zona Sudoeste da capital.

Além dele, também há mandados de prisão contra o bicheiro Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, e contra o ex-deputado estadual Rodrigo Bacellar. Ambos já estão presos e o ex-parlamentar será transferido do Complexo Penitenciário de Bangu, em Gericinó, para um presídio federal. Por volta de 8h20, Bacellar chegou à sede da PF, na Zona Portuária do Rio, com uma Bíblia na mão

Bacellar chega à sede da PF com uma Bíblia na mão. Vídeo: Anna Luiza Barreto/CBN

Os agentes ainda cumprem 14 mandados de busca e apreensão contra integrantes do Poder Legislativo na cidade do Rio e em São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O Supremo Tribunal Federal ainda determinou o bloqueio de R$ 22 milhões dos investigados.

Um dos alvos de mandado de busca e apreensão é o filho do ex-governador Sergio Cabral e pré-candidato a deputado estadual Marco Antônio Cabral. Em nota, a defesa dele afirmou que o cumprimento do mandado ocorreu de forma tranquila, com total colaboração às autoridades. Marco Antônio nega qualquer participação em organização criminosa, lavagem de dinheiro ou o recebimento de valores de origem ilícita.

Segundo a PF, o objetivo da operação é encontrar outros indícios de lavagem de dinheiro praticada pela nova cúpula do jogo do bicho e possível ramificação do esquema junto a integrantes dos poderes Executivo e Legislativo do Rio.

As investigações começaram depois que a PF apreendeu listas com Adilsinho com registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e contabilidade vinculada à lavagem de dinheiro. As listas chamaram a atenção por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do estado do Rio. Ao menos 20 políticos são investigados por receberem mesada do bicheiro, que foi preso em fevereiro na Região dos Lagos.

Quem é Marcio Poncio?

O pastor Márcio Poncio é empresário e figura conhecida nas redes sociais por ser o patriarca da família Poncio, que ganhou notoriedade nacional na internet. Ele é pai da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade) e do cantor Saulo Poncio.

Além da atuação religiosa, que nas redes sociais se apresenta como membro da Igreja da Nuvem, Poncio construiu uma trajetória empresarial no ramo do tabaco, o que rendeu o apelido de "pastor do cigarro".

Na política, ele é pré-candidato a deputado federal pelo Solidariedade. Em 2022, Poncio já tinha tentando se eleger deputado federal, mas não conseguiu uma vaga, terminando como segundo suplente com cerca de 33 mil votos.

Nas redes sociais, ele faz publicações junto com a filha em que afirma que a dupla "vai defender o cidadão fluminense". Em um vídeo, o pastor afirma que "a boa política não se vende e não se corrompe"

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Márcio Poncio e a filha, Sarah Poncio. — Foto: Reprodução/ redes sociais

Relembre outras fases da Operação Unha e Carne

A Operação Unha e Carne teve quatro fases entre dezembro de 2025 e maio deste ano. A ação apura um suposto esquema de vazamento de informações sigilosas de ações policiais contra o Comando Vermelho e as relações de agentes públicos com os principais grupos criminosos do estado.

Em maio, o deputado estadual Thiago Rangel (Avante) foi preso na 4ª fase da Operação Unha e Carne. O objetivo era combater fraudes na compra de materiais e na aquisição de serviços, como obras para reformas, na Secretaria Estadual de Educação. As investigações começaram depois que a PF teve acesso a conteúdos extraídos do computador de Rodrigo Bacellar.

A 1ª etapa da operação, em dezembro do ano passado, teve como alvo o então presidente da Alerj, deputado Rodrigo Bacellar, hoje cassado. De acordo com a Polícia Federal, o parlamentar teria vazado informações sigilosas para beneficiar o CV. O principal interessado no vazamento seria o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, o TH Joias, apontado como articulador político da facção e atualmente preso.

Bacellar chegou a ser preso preventivamente por decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, mas foi solto dias depois — após decisão tomada em plenário da Alerj —, com medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica.

Dias depois, a 2ª fase aprofundou as apurações sobre a origem dos vazamentos. Nessa etapa, o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, foi preso preventivamente suspeito de repassar informações a Bacellar, que encaminhou a TH Joias.

A 3ª fase foi deflagrada em 27 de março de 2026. Nessa etapa, Rodrigo Bacellar foi preso novamente, desta vez em casa, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio. A nova prisão foi determinada por Alexandre de Moraes após a cassação do mandato do político pelo Tribunal Superior Eleitoral, no caso conhecido como escândalo da Ceperj, e após denúncia formal apresentada pela Procuradoria-Geral da República.

A denúncia da PGR inclui, além de Bacellar, TH Joias, o desembargador Macário Júdice Neto e outros investigados. Segundo o órgão, há indícios de uma cadeia de proteção institucional às facções criminosas..

Pastor Márcio Poncio é preso pela PF em nova fase da Operação Unha e Carne

Quem é Márcio Poncio, pastor e empresário preso pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne

 Conhecido como "patriarca da família Poncio", o empresário do ramo do tabaco, pai da deputada estadual Sarah Poncio e do cantor Saulo Poncio, foi preso em um flat na Barra da Tijuca

Por O Globo — Rio de Janeiro

Pastor Márcio Poncio — Foto: Reprodução

Preso na manhã desta quinta-feira pela Polícia Federal durante a quinta fase da Operação Unha e Carne, Márcio Poncio, de 52 anos, é pastor evangélico, empresário do ramo do tabaco, suplente deputado Federal e patriarca de uma das famílias mais conhecidas das redes sociais brasileiras. A investigação apura indícios de lavagem de dinheiro relacionados à nova cúpula do jogo do bicho e possíveis repasses a agentes públicos. Poncio foi preso no flat do Gran Hyatt, na Barra da Tijuca, na Zona Sedoeste do Rio. Segundo a PF, esta etapa da operação foi desencadeada após a apreensão de listas atribuídas ao contraventor Adilsinho, que indicariam registros de supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações ligadas à lavagem de capitais.

    O pastor Márcio Poncio — Foto: Reprodução Instagram
    O pastor Márcio Poncio — Foto: Reprodução Instagram

    Nascido no Rio de Janeiro, Márcio construiu seu patrimônio atuando no mercado do tabaco, atividade que lhe rendeu o apelido de "pastor do cigarro". Paralelamente à atuação empresarial, desenvolveu uma trajetória religiosa de mais de duas décadas. Nas redes sociais, onde reúne milhares de seguidores, se apresenta como "servo de Deus, membro da Igreja da Nuvem, patriarca da família Poncio, empresário e suplente deputado Federal".

    Foi justamente a exposição da família nas plataformas digitais que transformou o sobrenome Poncio em uma marca conhecida nacionalmente. O grupo ganhou notoriedade ao compartilhar a rotina familiar, a ostentação de patrimônio e episódios que repercutiram amplamente na internet. Márcio é pai do cantor Saulo Poncio e da deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade-RJ).

    Casado com a pastora Simone Poncio, de 50 anos, o empresário viveu períodos conturbados recentemente. Em 2023, ele anunciou publicamente a separação do casal. No ano seguinte, os dois divulgaram a reconciliação e, em março deste ano, revelaram que estão esperando mais um filho.

    Vida na política

    Além da atuação religiosa e empresarial, Márcio também buscou espaço na política. Em 2022, disputou uma vaga para deputado federal pelo Rio, mas terminou como segundo suplente, com cerca de 33 mil votos. Três anos depois, anunciou candidatura à Prefeitura de Três Rios, no Centro-Sul Fluminense, em eleição suplementar convocada após a cassação do mandato do então prefeito Joa Barbaglio (Republicanos). Na ocasião, acabou derrotado por Jonas Dico (Podemos).

    Enquanto isso, sua filha, a deputada estadual Sarah Poncio (Solidariedade), consolidou rapidamente alianças políticas na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), aproximando-se do grupo político liderado por Rodrigo Bacellar e de deputados aliados. Em fevereiro deste ano, Sarah passou a integrar a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Casa, substituindo o deputado Chico Machado (PL) em meio a uma disputa interna no partido, após o parlamentar se aproximar do grupo político do prefeito Eduardo Paes (PSD).

    Família Poncio — Foto: Reprodução
    Família Poncio — Foto: Reprodução

    Entenda a operação

    Na ação desta quinta-feira, policiais federais cumprem três mandados de prisão preventiva e 14 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em endereços ligados aos investigados nas cidades do Rio de Janeiro e de São João de Meriti, na Baixada Fluminense. O STF também determinou o sequestro de bens e valores de até cerca de R$ 22 milhões.

    Esta é a quinta fase da investigação conduzida pela Polícia Federal. As etapas anteriores apuraram a existência de uma suposta rede de proteção que teria permitido o vazamento de informações sigilosas sobre operações contra o Comando Vermelho (CV), comprometendo ações policiais e beneficiando integrantes da facção. Segundo os investigadores, os repasses de informações teriam prejudicado diligências e possibilitado a destruição ou ocultação de provas.

      A nova fase da operação teve início após a apreensão, em poder de Adilsinho, de listas que indicariam a existência de registros relacionados a supostos pagamentos indevidos, doações eleitorais e movimentações contábeis ligadas à lavagem de dinheiro. De acordo com os investigadores, os documentos chamaram a atenção por apontarem possíveis repasses diretos de valores a agentes políticos do Estado do Rio.

      Segundo a Polícia Federal, as investigações prosseguem com a análise do material apreendido, o rastreamento do fluxo financeiro sob investigação e a apuração da eventual participação de beneficiários, intermediários e operadores do esquema.

      A operação se insere no contexto da decisão do STF no julgamento da ADPF 635/RJ, conhecida como ADPF das Favelas, que, entre outras medidas, determinou que a Polícia Federal conduzisse investigações sobre a atuação dos principais grupos criminosos violentos em atividade no estado e suas conexões com agentes públicos.

      Operação Unha e Carne

      As primeiras fases da Operação Unha e Carne foram deflagradas entre dezembro de 2025 e março deste ano. Na primeira etapa, Rodrigo Bacellar, então presidente da Alerj, tornou-se alvo da investigação sob suspeita de repassar informações sigilosas da Operação Zargun, que mirava o Comando Vermelho. De acordo com a Polícia Federal, o principal beneficiado pelo suposto vazamento seria o ex-deputado Thiego Raimundo de Oliveira Santos, conhecido como TH Joias, apontado como articulador político da facção e preso durante a ofensiva.

      Ainda em dezembro de 2025, a investigação avançou para a segunda fase e passou a apurar a origem dos supostos vazamentos. Na ocasião, a Polícia Federal prendeu preventivamente o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto, do Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). Segundo os investigadores, o magistrado teria repassado informações sigilosas a Bacellar, que posteriormente as transmitiria a TH Joias. A PF afirma ter reunido mensagens, registros de ligações e outros elementos que apontariam para uma relação próxima entre os dois.

      A terceira fase da operação foi deflagrada em março deste ano. Rodrigo Bacellar voltou a ser preso, desta vez em sua residência, em Teresópolis, na Região Serrana do Rio. A medida foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes após a cassação de seu mandato pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), no âmbito do caso Ceperj, e depois de denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR). Na ocasião, a investigação passou a ser tratada também no contexto da ADPF 635, conhecida como ADPF das Favelas, por envolver possíveis impactos sobre a atuação do Estado no combate ao crime organizado.

      Em maio, a quarta fase da Operação Unha e Carne ampliou o foco das investigações e passou a apurar um suposto esquema de fraudes em contratos da Secretaria de Estado de Educação do Rio de Janeiro. A Polícia Federal cumpriu sete mandados de prisão e 23 de busca e apreensão na capital e nos municípios de Campos dos Goytacazes, Miracema e Bom Jesus do Itabapoana, por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF).

      Segundo a corporação, as apurações apontaram indícios de direcionamento de contratos para aquisição de materiais, contratação de serviços e realização de obras de reforma em escolas estaduais. As empresas beneficiadas teriam sido previamente selecionadas e manteriam vínculo com a organização criminosa investigada.

      Quem é Márcio Poncio, pastor e empresário preso pela Polícia Federal na Operação Unha e Carne