terça-feira, 1 de setembro de 2026

Justiça absolve ex-prefeito acusado de matar a esposa

A justiça absolveu Fúvio Luziano Serafim, de 44 anos, ex-prefeito de Catuji, Minas Gerais, da acusação de matar a esposa, a médica Juliana Pimenta Ruas El-Aouar. A decisão é do juiz Marcelo Feres Bressan, da 1ª Vara Criminal de Colatina.

Segundo laudo cadavérico, Juliana morreu por asfixia mecânica decorrente de broncoaspiração, edema cerebral e, possivelmente, intoxicação por morfina. Para o Ministério Público, houve feminicídio e Fúvio agiu “com emprego de asfixia e emprego de violência de cunho doméstico e familiar”.

Além de feminicídio, Fúvio respondia por omissão de socorro e por oferecer drogas de Juliana. No entanto, o juiz entendeu que não houve nenhum destes crimes e afirma que o casal era viciado em remédios controlados.

“Esclareço, inicialmente, que o cenário do crime indicava a ocorrência de um feminicídio extremamente violento, com dolo direto, por espancamento, de um marido contra sua esposa. O quarto de hotel estava em total desalinho, havia garrafas de bebidas, ampolas de medicamentos e manchas de sangue pelo local. Já o corpo da ofendida apresentava diversos hematomas”, diz, na decisão.

Mas, segundo o juiz, “ainda durante as investigações policiais, verificou-se que a hipótese inicial não ocorreu. Revelou-se, todavia, situação não menos trágica, qual seja: um casal profundamente drogadicto em medicações de uso controlado”,

Na decisão, o juiz afirma que se não trata “de um feminicídio clássico, com dolo direto, mas sim de um crime com dolo eventual, em que o réu, segundo a imputação do Ministério Público, seria o responsável pelo resultado morte, já que fornecia medicamentos em excesso para serem consumidos pela esposa Juliana e se mostrou indiferente na prestação de socorro, mesmo tendo, segundo a tese acusatória, causado o risco”.

Em audiência judicial, o pai da vítima, disse que o casal era dependente de quetamina. Relatou que a filha, em razão do vício na medicação, desenvolveu “problemas de saúde” e ficou internada por algumas vezes em hospitais e clínicas de reabilitação, assim como Fúvio.

Afirmou que Juliana se auto aplicava as doses do remédio no abdômen e nas perna e que Fúvio também a injetava, mesmo contra a vontade dela, até mesmo enquanto estava internada. Narrou diversos episódios em que, após a aparição dele no local, a vítima ficava cambaleante, “aérea” e desmaiava. Por esse motivo, acredita que ele levava remédios para consumo de ambos.

“Disse que, quando sua filha retornou para casa, voltou “a ter quedas”, apresentava hematomas pelo corpo e, em uma oportunidade, feriu a testa, sendo necessário pontos de sutura”, disse, relembrando o episódio em que Juliana apareceu machucada.

Ainda segundo o pai de Juliana, Fúvio também caía, chegando a quebrar o braço em um espelho. Contou que, uma semana antes dos fatos, Juliana ligou pedindo para buscá-la, pois não aguentava mais viver com o marido drogado, confidenciando, pela primeira e única vez, que era agredida por ele. “Todavia, não denunciava as agressões em razão do denunciado ter ameaçado matar alguém de sua família”.

Nada do que foi levantado inicialmente ficou provado e, consequentemente, por falta de provas, Fúvio foi absolvido.

Crime

O caso aconteceu na madrugada do dia 3 de setembro de 2023. Juliana foi encontrada morta no quarto 362 de um hotel no Centro de Colatina, onde estava hospedada com o marido.

Na janela abaixo do quarto foi encontrado parte de um vidro do medicamento cetamina. Ainda foi recolhido “pó branco”, encaminhado para análise. Fúvio ficou preso por quase três meses, mas foi solto e respondia o processo em liberdade.

Médica morta em Colatina: Justiça recusa laudo contra ex-prefeito




Assessor de Nikolas tinha negócios com empresa investigada pela PF

Operação Rejeito: inquérito em tramitação na Justiça Federal aponta que o advogado Thiago Rodrigues teria intermediado negociação de lavra de minério

Repórter da editoria de Política do jornal Estado de Minas
29/09/2025


Por meio de nota, Nikolas informou "o profissional atua regularmente como advogado, com escritório registrado, e não há qualquer impedimento jurídico"
crédito: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press

 Thiago Rodrigues de Faria, assessor jurídico do deputado federal Nikolas Ferreira (PL), foi um dos intermediários, por meio de um contrato de confiabilidade, de uma negociação envolvendo uma lavra de minério e uma das empresas investigadas pela Operação Rejeito, a Gmais Ambiental, que, segundo a Polícia Federal (PF), seria de fachada. A Gmais, de acordo com a investigação, teria como verdadeiros donos e gestores o delegado da Polícia Federal Rodrigo Teixeira e o lobista Gilberto Carvalho, ligado ao PL mineiro, ambos presos pela Operação Rejeito.

Todas essas informações fazem parte das centenas de páginas do inquérito em tramitação na Justiça Federal ao qual o Estado de Minas teve acesso.

Thiago Rodrigues também assina a denúncia feita por Nikolas contra a deputada federal Duda Salabert (PDT) na Polícia Federal, por supostas irregularidades na prestação de contas de campanha eleitoral. Essa denúncia foi elaborada com base em informações levantadas pelo empresário e ex-deputado estadual João Alberto Paixão Lages, também preso na Operação Rejeito.


Ela foi protocolada na PF com o apoio de Rodrigo Teixeira e de Gilberto Carvalho – que também já foi assessor na Câmara Municipal de Belo Horizonte do vereador Uner Augusto (PL), suplente de Nikolas quando o deputado exercia mandato no Legislativo municipal.


    Conforme as investigações, o assessor jurídico de Nikolas, lotado no gabinete do parlamentar em Brasília, assinou em janeiro deste ano, por meio de sua empresa (Thiago Rodrigues Sociedade Individual de Advocacia), constituída em agosto de 2024, um contrato de intermediação de compra e venda de um lavra minerária em sociedade com a Gmais, empresa que teria sido criada para ocultar os verdadeiros donos, segundo a PF.

    Made with Flourish

    Esse contrato também teve como sócia a mineração Topázio Imperial, que detém os direitos minerários de uma lavra onde está localizada uma das barragens de maior risco do estado. O grupo, ainda de acordo com as investigações, estava interessado em vender a lavra da Topázio para exploração minerária. Mas, antes, precisava desembaraçar a empresa, detentora dos direitos minerários de uma lavra em Ouro Preto, no Distrito de Rodrigo Silva, cuja exploração foi suspensa em função de uma ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF).

      Isso por causa da barragem Água Fria, considerada um dos sete barramentos com maior risco de rompimento no país. A barragem, conforme o MPF, foi construída nos mesmos moldes das que romperam em Mariana, em novembro de 2015, e Brumadinho, em janeiro de 2019.

      Atividades suspensas

      A Gmais, em cujo endereço funciona uma clínica de estética, no Bairro Santo Agostinho, Região Centro-Sul de Belo Horizonte, tinha procuração da Topázio para atuar junto aos órgãos ambientais, visando a retomada das atividades minerárias. A partir da Operação Rejeito, a Gmais teve suas atividades suspensas, além dos bens sequestrados e os sigilos quebrados por autorização judicial.

      A empresa já teve como sócio oficial Gilberto Carvalho, mas ele deixou a empresa e em seu lugar ficou seu marido, Luiz Fernando Vilela Leite.

      Pelo contrato, assinado em janeiro deste ano com a Gmais, Thiago Rodrigues, por meio de seu escritório, receberia 25% do lucro total, estimado entre de US$ 30 e US$ 45 milhões, caso a autorização para voltar a minerar a área da Topázio fosse concluída com sucesso e a lavra vendida. A Gmais ficaria com 50% e um escritório de contabilidade (Estabil Contabilidade), com 25%.

      “Chamaram a atenção os valores prováveis da negociação sobre os quais os apresentantes seriam remunerados. O valor inicial era de US$ 30.000.000,00 podendo ultrapassar os US$ 45M, valor que geraria 20% de comissão aos parceiros Gmais, Estabil escritório contábil e Thiago Rodrigues advocacia”, diz um trecho do inquérito.

      Toda essa transação foi feita por meio de um contrato de confiabilidade, cujos nomes dos beneficiários não poderiam aparecer publicamente, e que, de acordo com as investigações, contou com a participação de Thiago Rodrigues na elaboração dos termos do contrato.

      Rodrigues também foi o responsável, segundo a investigação, pela criação, em abril de 2024, de um grupo de WhatsApp juntamente com Gilberto Carvalho, batizado de Projeto Ferro, no qual os investigados discutiam os termos da transação envolvendo a lavra da Topázio, firmada por meio do contrato assinado em janeiro deste ano, e cuja versão final, de acordo com as mensagens interceptadas, foi enviada para a conferência de Thiago Rodrigues.

      Projeto Ferro

      Em uma das conversas nesse grupo, Thiago Rodrigues pede uma reunião com alguém identificado por ele apenas como R, mas que para a PF seria o delegado Rodrigo Teixeira. “Chegou a falar com o R sobre um call nosso?”, escreveu no grupo Projeto Ferro o assessor jurídico de Nikolas Ferreira.

      Ainda de acordo com as investigações, antes de ser firmado o contrato da Gmais para o arrendamento da lavra da Topázio, várias versões de minutas foram trocadas entre os investigados. E, em uma delas, quem figuraria como sócio era o ex-deputado João Alberto Lages.

      Rodrigo Teixeira, que antes da operação ocupava o cargo de diretor do Serviço Geológico Brasileiro, órgão ligado ao Ministério de Minas e Energia, é investigado por suposta atuação oculta e ativa no mercado minerário, mediante a utilização de pessoas jurídicas interpostas e articulações com empresários investigados por organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro.

      Pedido de votos no Crea-MG

      Muito ligado ao PL mineiro, Gilberto Carvalho teve Nikolas Ferreira como principal cabo eleitoral em sua campanha para o comando do Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura de Minas Gerais (Crea-MG). Ele também foi assessor da coronel Cláudia Romualdo, que foi candidata a vice-prefeita da chapa do deputado estadual Bruno Engler (PL) à Prefeitura de Belo Horizonte, em 2024. Ele é apontado pela Operação Rejeito como o lobista junto ao Legislativo e aos órgãos públicos.

      Por meio de nota, o deputado Nikolas Ferreira afirmou que “trata-se de uma área (de mineração) disponível no mercado”. “O advogado, no exercício de sua atividade privada, pode intermediar esse tipo de negociação. Importante destacar que a área mencionada não é de titularidade de nenhum dos investigados. O profissional atua regularmente como advogado, com escritório registrado, e não há qualquer impedimento jurídico.

      Ressalta-se que se trata de atividade privada e que o deputado não possui qualquer relação”. Procurado, Thiago Rodrigues afirmou que “como advogado recebeu a proposta de tentar vender essa área”

      Zema defende Lava Jato, cita Banco Master e inquéritos sobre Lulinha

      Em ato diante da sede da PF em Curitiba, candidato do Novo critica impunidade e relaciona casos recentes ao debate sobre combate à corrupção

      Nara Ferreira
      Repórter
      Interessada por alimentação, comportamento e ciência, iniciou sua carreira no Estado de Minas como estagiária de Saúde e hoje é repórter da área. Vencedora do Prêmio de Jornalismo CDL/BH, também já cobriu política, cultura, esportes e temas gerais.
      31/08/2026


      O candidato afirmou que o país precisa fortalecer o combate à corrupção
      crédito: ALEXANDRE GUZANSHE/EM/D.A PRESS

      Romeu Zema (Novo), candidato à Presidência da República, iniciou a agenda desta semana em frente à sede da Polícia Federal, em Curitiba (PR), ao lado de apoiadores e integrantes de movimentos ligados à Lava Jato. Durante o encontro, nesta segunda-feira (31/8), o ex-governador de Minas Gerais criticou a impunidade no Brasil, principalmente em casos de corrupção, e defendeu punições mais rigorosas para quem desvia dinheiro público.

      O candidato afirmou que o país precisa fortalecer o combate à corrupção e acabar com "a sensação de que pessoas poderosas não são devidamente responsabilizadas pelos crimes que cometem".

        Ao defender a operação iniciada em Curitiba, Zema classificou a Lava Jato como um marco no enfrentamento a desvios de recursos públicos. "Estou aqui para reforçar e relembrar que a Lava Jato foi a maior investigação, maior luta, do Brasil contra a corrupção", afirmou.

        Na sequência, Zema citou casos recentes que envolvem investigações sobre o Banco Master, descontos indevidos em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e suspeitas relacionadas a Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

        "E, infelizmente, foi desmontada [a Lava Jato] pelos intocáveis de Brasília, mas, se Deus quiser, nós vamos continuar com essa luta contra a corrupção. Nós estamos hoje assistindo estarrecidos tudo isso que está acontecendo aí: Banco Master, desconto indevido dos 'velhinhos', agora um esquema envolvendo uma lobista, o filho do presidente. E será que vamos continuar da mesma forma que antes, fica tudo por isso mesmo? Pessoas que devolveram recursos que foram roubados, soltas sem condenação, será esse o país que o brasileiro deseja?", questionou.

        Lava Jato

        A PF e o Ministério Público Federal (MPF) em Curitiba iniciaram a "Operação Lava Jato" em 2014 para investigar esquemas de corrupção e lavagem de dinheiro que envolveram a Petrobras, empreiteiras, empresários e políticos.

        Lula foi preso em 2018 em um dos desdobramentos da operação. Posteriormente, as condenações contra o petista foram anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após decisões que apontaram problemas na competência da Justiça Federal do Paraná para julgar os processos.

        O atual senador Sergio Moro (PL), candidato ao governo do Paraná, era o juiz responsável pelos processos da Lava Jato em Curitiba, enquanto Deltan Dallagnol (Novo), candidato ao Senado pelo Paraná, atuava como procurador do MPF em Curitiba.

        Lulinha e Banco Master

        Ao mencionar episódios recentes, Zema fez referência a casos que atingem o entorno político de dois dos principais adversários na disputa pela Presidência: Lula e o senador Flávio Bolsonaro (PL).

        Três inquéritos sob responsabilidade dos ministros do STF André Mendonça e Flávio Dino foram abertos envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. As apurações partiram de elementos encontrados em buscas e quebras de sigilo realizadas no âmbito da "Operação Sem Desconto", que investiga suspeitas de desvios em aposentadorias e pensões do INSS.

        • As investigações também apuram relações envolvendo Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS” e apontado como um dos personagens centrais do caso.

        Já a menção ao Banco Master ocorre em meio às investigações envolvendo Daniel Vorcaro, ex-acionista controlador e ex-diretor executivo da instituição. O caso culminou na liquidação extrajudicial do banco, em novembro de 2025, e na prisão do empresário, dentro das apurações sobre suspeitas de fraudes financeiras.

        Flávio Bolsonaro, filho de Jair Bolsonaro (PL) e também candidato à Presidência, negociou com Vorcaro um investimento milionário no filme "Dark horse", produção sobre a trajetória de seu pai

        Zema defende Lava Jato, cita Banco Master e inquéritos sobre Lulinha

        ‘Tudo 2’: Campanha de Bruno Engler usa slogan associado ao Comando Vermelho

        Lema faz referência apenas ao número do candidato nas urnas, segundo a assessoria



        Banner de Bruno Engler exposto em Belo Horizonte
        crédito: Marcos Vieira/EM/D.A. Press

        A campanha do deputado estadual Bruno Engler (PL) pela reeleição em Minas Gerais adotou um slogan que também é usado como lema do Comando Vermelho (CV), facção criminosa do Rio de Janeiro.

        A expressão “é tudo 2” estampa diversas peças da comunicação do candidato, como banners expostos nas ruas de Belo Horizonte e no interior. O lema faz referência ao número de Engler nas urnas, 22222, além de incentivar o voto em outros candidatos do PL, como Flávio Bolsonaro, que disputa a Presidência, e Flávio Roscoe, candidato ao governo de Minas.

        Entretanto, em áreas afetadas pelo crime organizado, a frase tem outra conotação. “‘Eu sou 2’, ‘Tá tudo 2’, ‘O 2 domina’ são formas de expressão do poder de uma das mais conhecidas facções criminosas do país, o Comando Vermelho”, explicaram os acadêmicos Rosana Vieira de Souza e Lucas dos Reis Diniz, da Unisinos, do Rio Grande do Sul, em artigo publicado na revista Fronteiras em 2015.

        Questionada pelo Estado de Minas, a assessoria do deputado afirmou que a expressão faz referência exclusiva ao número da candidatura. “Bruno Engler repudia e trabalha firmemente contra todas as organizações criminosas”, completou.

        Engler foi o deputado estadual mais votado em Minas na eleição de 2022, com quase 6% dos votos totais. Neste ano, o parlamentar deve voltar a ser um dos principais candidatos escolhidos no estado.