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sexta-feira, 11 de março de 2022

Dia Nacional de Combate ao Trabalho Escravo, 18 anos do massacre dos 4 fiscais do Ministério do Trabalho em Unaí, MG: 18 anos de impunidade. Até quando?

 Arquivo CPT/MG

 28/01/2022

Por estarem fiscalizando a existência de situações análogas à escravidão em fazendas dos Mânicas, quatro fiscais do Ministério do Trabalho em Unaí, MG, foram assassinados dia 28/01/2004, às 8h15, os auditores fiscais do Ministério do Trabalho Nélson José da Silva, João Batista Soares Lage e Eratóstenes de Almeida Gonçalves, e o motorista Aílton Pereira de Oliveira em uma emboscada na região rural de Unaí. Os 4 mandantes do massacre continuam impunes: Antero Mânica, Norberto Mânica, Hugo Alves Pimenta e José Alberto de Castro foram condenados a 100 anos de cadeia cada um em julgamento de primeira instância na Justiça Federal em Belo Horizonte, mas o Tribunal Regional Federal da 1a Região (TRF-1) anulou o julgamento do fazendeiro/empresário e ex-prefeito de Unaí Antero Mânica. Até quando ficarão impunes?

A chacina dos fiscais em Unaí, MG, completa 18 anos no dia 28/01/ 2022

Em 28 de janeiro de 2004, quatro servidores do Ministério do Trabalho foram assassinados, sendo três auditores do trabalho – Eratóstenes de Almeida Gonsalves, João Batista Soares Lage, Nelson Pereira da Silva e o motorista Ailton Pereira de Oliveira. Todas as vítimas foram executadas com tiros na cabeça. Passados 18 anos do crime, todos os mandantes e jagunços da chacina estão soltos, alguns aguardando o cumprimento de sentença. É o caso dos mandantes dos crimes, Norberto Mânica, Hugo Pimenta e José Alberto de Castro. Cada um desses mandantes condenado a mais de 60 anos de prisão. Apontado pelo Ministério Público como um dos articuladores da chacina e condenado pelo juri popular a mais de 80 anos de prisão, Antero Mânica, ex prefeito da cidade de Unaí, teve sua condenação anulada pelo TRF 1 por falhas processuais  e aguarda novo julgamento. Já os executores Erinaldo de Vasconcelos, Rogerio Alan do Santos e Willian Gomes de Miranda foram condenados a mais de 100 anos. Todos cumprem prisão domiciliar, sendo que Rogerio Alan dos Santos está foragido após se envolver em outro crime. Chico Elder Pinheiro, que contratou os pistoleiros para o crime,  morreu na prisão em 2013 sem ser julgado. Humberto Ribeiro dos Santos teve a pena já  prescrita.

Segundo o então delegado Regional do Trabalho e atualmente assessor da Assembleia Legislativa de Minas Gerais, Carlos Calazans, a luta por justica continua. “Seguimos lutando por justiça, apesar de a desesperança bater em nossa porta. Nós, os amigos das vítimas, seus familiares e todos os/as auditores/as fiscais do trabalho que lutam por justiça e pelas causas sociais não iremos desistir. Este crime foi contra o Estado Brasileiro e suas Instituições. Passados 18 anos é com tristeza que constatamos a impunidade sobre os mandantes e a liberdade dos assassinos”, lamenta Calazans que se dedica a manter viva a memória do dia 28 de janeiro de 2004.

1 – Palavra Ética na TVC/BH: Helba Soares, viúva do fiscal Nelson José, da chacina de Unaí . 21/10/15

2 – Marinês, viúva do fiscal Erastótenes, fala sobre o Massacre dos Fiscais em Unaí. 04/09/2013