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domingo, 26 de setembro de 2021

Aprovam Supremo Tribunal Federal e de 25% Pesquisa Datafolha

Aprovam Aprovam Supremo Tribunal Federal e de 25% Pesquisa Datafolh Matéria exibida no CNN Sábado do dia 25 de setembro de 2021. #CNNBrasil 25 de set. de 2021


Efeito Bolsonaro: 61% das empresas que entraram na B3 em 2021 perderam valor

das 41 estreantes da Bolsa seguem o Ibovespa, que cai 5% no ano com ruídos políticos e fiscais 


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Alan Santos/PR - 20.set.2021

Acompanhado de Michelle, o presidente Jair Bolsonaro acena ao desembarcar no Aeroporto Internacional John Fitzgerald Kennedy, em Nova York, nos EUA

O Brasil viveu um boom de IPOs (oferta pública inicial) em 2021, mas a maior parte das ações que estrearam na B3 (Bolsa de Valores de São Paulo) neste ano está operando no vermelho. O baque é fruto do mau-humor que tomou conta do mercado diante dos ruídos políticos e das incertezas fiscais que rondam o governo de Jair Bolsonaro.

Dados levantados pelo Poder360 mostram que 25 empresas brasileiras que abriram o capital em 2021 viram seus papeis perderem valor até a última 3ª feira (21.set.2021). São 61% dos 41 IPOs registrados no ano. O levantamento comparou o preço fixado em cada IPO e o fechamento do mercado na 3ª feira.

A maior queda foi da OceanPact. As ações da empresa de serviços marítimos estrearam na B3 em fevereiro a R$ 11,15, mas terminaram o pregão da 3ª feira  valendo R$ 3,91. O baque de 64,9% ocorre em meio a atrasos contratuais e a um acordo de reajuste salarial que vai impactar o caixa da companhia.

A TC, ex-TradersClub, também opera no vermelho. Os papeis da plataforma de investidores caíram de R$ 9,50 para R$ 6,44 em menos de 2 meses. Com o baque de mais de 32%, a empresa anunciou a recompra de até 1 milhão de ações nesta semana com o objetivo de “maximizar a geração de valor para os acionistas”. A empresa avaliou que “o valor atual de suas ações não reflete o real valor dos seus ativos combinado com a perspectiva de rentabilidade e geração de resultados futuros”.

Já a Raízen, que em 4 de agosto levantou R$ 6,9 bilhões no maior IPO do ano na B3, tem andado de lado. Os papeis da empresa de biocombustíveis nunca superaram os R$ 7,40 fixados no IPO. A cotação mínima foi de R$ 6,35, em 9 de setembro. Na 3ª feira, fechou em R$ 7,28.


Efeito Bolsonaro

Para especialistas, o baque das novas ações da B3 indica o humor ruim do mercado. No início deste ano, havia mais liquidez e o clima era de otimismo com a recuperação econômica. Porém, agora, o que predomina é a cautela. Há incerteza com os ruídos políticos e o rumo das contas públicas.

O Ibovespa, que atingiu 130 mil pontos em junho, opera perto dos 112 mil pontos hoje. Os papéis de muitas empresas seguiram a trajetória de queda, e quem pensava em abrir o capital está reavaliando a empreitada.

Segundo a CVM (Comissão de Valores Mobiliários), há 31 pedidos de IPO em análise, dos quais 6 foram registradas neste mês, como o da Interplayers Soluções Integradas. Porém, as desistências já somam 43 em 2021. Privalia e BBM Logística, por exemplo, suspenderam o IPO devido à volatilidade do mercado.

Dados da B3 reforçam que o boom de aberturas de capital visto no início de 2021 perdeu fôlego. Depois de um 1º semestre de 26 IPOs e mais 12 ofertas em julho, houve 4 em agosto e 1 em setembro até agora. O próximo deve ser o da rede de academias Bluefit, marcado para 28 de setembro. Especialistas dizem que a janela de oportunidade está se fechando, porque a volatilidade não deve ceder até as eleições de 2022.

“Houve uma concentração de IPOs no início do ano, porque muitas empresas estavam ávidas por entrar na Bolsa e o mercado estava se recuperando no início. Porém, o momento agora é de aversão ao risco, por causa dos problemas do país e das dúvidas fiscais. Isso gera volatilidade, tira a pressão compradora, afeta a Bolsa e frustra os investidores dos IPOs”, afirmou o economista da BlueMetrix Ativos Renan Silva.

“O mercado como um todo está sofrendo pelos problemas macroeconômicos. O investidor estrangeiro, que comprou boa parte desses IPOs, está muito ressabiado e revê a sua posição, porque o Brasil não está fazendo o seu dever de casa”, afirmou o economista da Órama Investimentos Alexandre Espírito Santo. Ele citou a questão dos precatórios e do novo Bolsa Família como duas das grandes fontes de incerteza do mercado hoje.

Para o mercado, esse clima de volatilidade vai tornar os IPOs mais escassos a partir de agora. A expectativa é que quem já esteja preparado e tenha uma história boa o suficiente para atrair investidores insista no plano, mas que outras empresas suspendam a abertura de capital ou diminuam os preços para entrar na Bolsa.

“O ambiente mais favorável não está mais presente, e o poder de barganha dos investidores é um pouco maior agora, mas ainda há apetite para investimentos interessantes, a preços razoáveis. Outros ofertantes podem adiar para esperar uma janela melhor, mas ano que vem tem eleição, então a janela talvez não seja tão longa assim”, disse o gerente de research da Ativa Investimentos Pedro Serra.

Exceções: 39% valorizaram

Das 41 estreantes da B3, 16 viram suas ações se valorizarem depois do IPO. O destaque é a Intelbras. As ações da fabricante de produtos de telefonia e segurança eletrônica subiram quase 20% já no 1º dia de negociação e  mais quase 67% depois. Foram precificadas em R$ 15,75 em fevereiro e hoje estão valendo R$ 30,81, alta de 95,6%.

A 2ª maior alta é da Boa Safra. As ações da produtora de sementes de soja estrearam na B3 a R$ 9,90 e hoje valem R$ 13,90, valorização de 40,4%. O CEO da Boa Safra, Marino Colpo, disse que a alta mostra a força do agronegócio. “O investidor sabe que o agronegócio é o setor que mais cresce no Brasil e quer investir no setor, mas tem poucas opções desse tipo na Bolsa. Esse tipo de empresa tem muito a crescer na Bolsa”, afirmou Colpo.

Ele acrescentou que o desempenho da Boa Safra contribui com o resultado. A empresa entrou na B3 com mais de 15 mil investidores pessoa física e hoje já tem 40 mil, segundo o CEO. “Crescemos em média 38% ao ano nos últimos 3 anos e vamos usar todo o dinheiro captado no IPO para investir no negócio, para crescer mais”, afirmou.

https://www.poder360.com.br/economia/efeito-bolsonaro-61-das-empresas-que-entraram-na-b3-em-2021-perderam-valor/