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segunda-feira, 17 de julho de 2023

30 trabalhadores são resgatados de condições análogas à escravidão em Minas Gerais

Fiscalização flagrou alojamento sem parede e risco de asfixia em fazenda de café na cidade mineira de Lajinha.

Por Alice Mourão e João Vitor Nunes, g1 Vales de Minas Gerais 

10/07/2023  


30 trabalhadores são resgatados de condições análogas à escravidão em Minas Gerais — Foto: Ministério Público do Trabalho/divulgação 

 

Um grupo de 30 trabalhadores que estava em condições de trabalho análogas à de escravos foi resgatado em uma fazenda no município de Lajinha, Minas Gerais.

 

A ação foi cumprida pelos Auditores-Fiscais da Secretaria de Inspeção do Trabalho, Polícia Rodoviária Federal, Ministério Público do Trabalho e Defensoria Pública Federal. 

De acordo com o Ministério Público do Trabalho de MG, o grupo formado por 29 homens e uma mulher, estava sendo explorado na colheita de café. O resgate foi feito no dia 3 deste mês, durante operação interinstitucional e foi divulgado nesta segunda-feira (10). 

Segundo o auditor-fiscal Claudio Secchin, os trabalhadores estavam ocupando seis alojamentos classificados como "precários" pela fiscalização. Em quatro deles, a água disponível para o consumo era retirada diretamente de córregos e transferida para as caixas d'águas com emprego de bombas tipo 'sapo', sem qualquer tipo de tratamento para o consumo humano. 

"Nenhum recurso de purificação de água era fornecido, filtros de barro ou purificador; eles também não tinham papel higiênico, cama, colchão, nem roupa de cama", relata o auditor-fiscal Claudio Secchin, que coordenou a operação"; disse.

Ainda de acordo com o auditor-fiscal, risco de asfixia foi detectado em um dos alojamentos, onde os trabalhadores dormiam na cozinha ao lado de um fogão a lenha. "Um alojamento sem paredes expunha os trabalhadores ao frio intenso e ao risco de contato com animais ou pessoas estranhas. Instalações elétricas improvisadas, expunham os trabalhadores a riscos de choques por contato com a rede energizada"; explicou.

 


30 trabalhadores são resgatados de condições análogas à escravidão em Minas Gerais — Foto: Ministério Público do Trabalho/divulgação

  

Nas frentes de trabalho, os empregadores não disponibilizavam refeitório, nem sequer banheiros, o que obrigava aos trabalhadores a se alimentarem aos pés das árvores de café e fazerem necessidades no mato.

 

Segundo o procurador do MPT no Espírito Santo, Marcos Mauro Buzato, os trabalhadores foram aliciados em municípios de Alagoas, Bahia e Minas Gerais e só poderiam retornar às cidades após o final da colheita.

 

"Eles foram contratados pelos filhos do proprietário, por meio de pessoas interpostas, os chamados 'gatos', chegaram em ônibus de empresas de transporte regular de passageiros e em vans, alguns com passagens pagas pelo produtor rural, outros tendo custeado do próprio bolso. A fazenda é reincidente da prática do aliciamento, segundo a equipe de fiscalização"; disse.

Ainda de acordo com o Ministério Público do Trabalho, equipe do Grupo Especial de Fiscalização Móvel, não encontrou documentação que relativa a com contratos de trabalho registrados nem sobre avaliações clínicas antes do início de suas atividades.

 

De acordo com o procurador do MPT, a operação de resgate resultou no pagamento de cerca de R$ 170 mil aos 30 trabalhadores a título de verbas trabalhistas; Dois salários mínimos a cada trabalhador como reparação por dano moral individual, determinado pela DPU, o que totalizou R$ 79 mil e o pagamento de R$ 50 mil a título de reparação por dano moral coletivo determinado pelo MPT.

  

"Foi celebrado com o responsável pela propriedade termo de ajustamento de conduta pelo qual o proprietário da fazenda se comprometeu a não mais praticar as condutas irregulares constatadas, posteriormente será feita a inspeção no local para verificar se as obrigações estão sendo cumpridas"; explicou.



30 trabalhadores são resgatados de condições análogas à escravidão em Minas Gerais — Foto: Ministério Público do Trabalho/divulgação

 

"Caso constatado descumprimento, terá o proprietário de pagar multa de R$ 10 mil por clausula descumprida, acrescida de mil reais por trabalhador encontrado em situação irregular", relata o procurador Marcos Buzato.

Os Auditores-Fiscais do Trabalho emitiram as guias de Seguro-Desemprego do Trabalhador Resgatado, pelas quais cada um dos resgatados faz jus ao recebimento de três parcelas de um salário-mínimo cada. Os custos para retorno dos trabalhadores às suas cidades de origem também foram arcados pelo empregador. Cerca de R$ 300 a R$ 400 para cada trabalhador. 



 30 trabalhadores são resgatados de condições análogas à escravidão em Minas Gerais — Foto: Ministério Público do Trabalho/divulgação

 

Vídeos do Leste e Nordeste de Minas Gerais

https://g1.globo.com/mg/vales-mg/noticia/2023/07/10/30-trabalhadores-sao-resgatados-de-condicoes-analogas-a-escravidao-em-minas-gerais.ghtml

                                                                   


  


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