domingo, 6 de junho de 2021

Extremista preso confirma que pregava a intervenção – mas era “no voto”

Em depoimento à Polícia Federal, o blogueiro Oswaldo Eustáquio diz que acusações contra ele são produto de um mal-entendido

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Por Hugo Marques Atualizado em 21 fev 2021, 11h19 - Publicado em 20 fev 2021, 18h19


Oswaldo Eustáquio: agora é só no voto reprodução/Reprodução

 O blogueiro Oswaldo Eustáquio, que está em prisão domiciliar em função de sua participação nos atos antidemocráticos, confirmou, em depoimento  à Polícia Federal,  que defendeu mesmo uma “intervenção popular” no Congresso Nacional durante manifestações consideradas antidemocráticas do ano passado.


atualizado 19/07/2020 15:48

O blogueiro Oswaldo Eustáquio apareceu na manifestação, deste domingo (19/07), em apoio ao presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na Esplanada dos Ministérios. O investigado discursou em um carro de som localizado na frente da Catedral Metropolitana de Brasília, mas não pode seguir com os manifestantes em direção ao Congresso Nacional.

 Mas teria havido um mal-entendido. Ele explicou que a intervenção popular a que ele se referia seria feita através do voto — democraticamente, portanto. É um ajuste de versão conveniente diante da atual conjuntura.


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O blogueiro é um dos investigados no inquérito instaurado pelo Supremo Tribunal Federal para apurar os atos antidemocráticos.  Preso no fim do ano passado, Oswaldo está impedido de utilizar as redes sociais, de conceder entrevistas e sair de casa.  Na penitenciária da Papuda, em Brasília, onde ficou detido, ele levou um tombo quando tentava consertar um chuveiro, lesionando a coluna vertebral. Correu o risco de ficar paraplégico.


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Militante nas redes sociais, Oswaldo nega que tenha defendido o fechamento do Congresso ou do Supremo. De acordo com as investigações, ele é suspeito de financiar manifestações que ocorreram em Brasília. Por conta disso,  teve a prisão preventiva decretada e, atualmente, cumpre a decisão judicial  em regime domiciliar, usando uma tornozeleira eletrônica.

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Num tom bem abaixo do que custava usar em suas pregações radicais antes de ser detido, Oswaldo, agora, diz  que tem planos de seguir a carreira política, provavelmente disputando uma vaga no Congresso em 2022.  Ele comentou com a família que, quando for autorizado a voltar a utilizar suas redes sociais,  vai retomar as críticas que fazia ao Congresso e ao STF — sempre ressaltando, é claro,  que a  tal “intervenção” que defende  se dará “no voto”.

Blogueiro diz que foi torturado na prisão

Em nota enviada a VEJA, Sandra Terena, esposa de Oswaldo Eustáquio, diz que o marido não baixou o tom de suas críticas e nem ajustou sua versão. O que ocorre, segundo ela, é que ele está impedido de ter acesso às suas redes sociais por determinação da justiça. “A decisão do STF não permite que ele utilize qualquer rede social, nem por assessoria, nem por foto, nem símbolo que dê a entender que seja fala dele. Também está proibido de receber visita. Isso está distante de baixar o tom. Quando Oswaldo Eustáquio voltar a falar, diferente do que foi escrito na matéria ele vai subir o tom”, diz Terena.

Sandra faz uma grave denúncia:  Oswaldo Eustáquio teria sido torturado quando estava preso. “Meu marido foi torturado na prisão da Papuda, desmaiou de tanto apanhar. Foi vítima de uma técnica de tortura chamada extração, onde dois policiais o seguravam pelos braços, torcendo as mãos dele, outro no pescoço até perder o ar. Depois outro policial penal jogou spray de pimenta no seu rosto. O procedimento foi realizado até ele desmaiar. Seu estado é de paraplegia por após uma prisão ilegal por crime de opinião”.

Na nota, a esposa reclama ainda que o marido está preso há 10 meses, sem que haja qualquer acusação formal contra ele.

“Oswaldo Eustáquio está preso sem tipificação criminal, sem crime, sem condenação, sem acusação, sem indiciamento, no âmbito de um inquérito que a própria PF, através de um relatório informou que não encontrou elementos para indiciamento e que não vê mais motivos para continuar essa longa investigação, que apenas tem gerado prejuízo ao erário”, diz.

Extremista preso confirma que pregava a intervenção – mas era “no voto” | VEJA

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