No mês passado, foi lançado “Pecado de Amor”, o novo CD do Eduardo Costa.
São 16 canções, muitas delas já cantadas
em alguma época por outros sertanejos. O estilão continua o mesmo.
Romântico, com suas intepretações bastante peculiares, e com espaço
crescente para batidas de samba, algo que o cantor sempre admitiu
gostar.
O CD, produzido por César Augusto, conta com a participação de Alexandre Pires na faixa “Presente de Aniversário”.
Eduardo, ao que parece e pelo que ele
responde na entrevista, já não se importa muito com crítica. Passa a
impressão de ter compreendido que ser artista popular é bem melhor que
ser “o” artista da mídia, mesmo tendo feito, intencionalmente, mais
televisão nos últimos meses.
Sobre a nova fase da carreira, e principalmente sobre o novo trabalho, conversei com ele. Segue abaixo a entrevista.
O que esperar do novo CD do Eduardo Costa?
A gente tá num momento bom da música
sertaneja, público crescendo, muita gente aparecendo. O meu CD é a cara
do meu público, eu fiz e sempre faço pensando na pessoa que vai no meu
show, que canta junto comigo. O artista tem que agradar aquela pessoa
que gosta dele, que compra o CD, que vai no show, o resto não importa.
Eu acho que consegui escolher um repertório muito legal não só pra quem
gosta de música sertaneja, mas pra quem gosta de música no geral. É um
trabalho muito bem produzido, pensado, nada feito na correria. Acho que
tá bem a cara do Eduardo Costa de hoje.
Você sempre gostou muito de
regravar o “lado B” de artistas conhecidos, tanto que o projeto “No
Boteco” era basicamente isso. No novo CD, também há algumas canções que
pouca gente vai se lembrar que já foram gravadas antigamente. De onde
vem esse gosto?
Tem muita música que fica perdida na
carreira dos artistas. Todos eles têm, Chitão, Rionegro, Leonardo,
sempre alguma música muito boa passa batido nos CD’s. Como eu ouvi
música demais nos anos 1990, eu sempre guardei muitas dessas músicas na
cabeça. Tenho um monte ainda que eu vou usar em outros discos, mas nesse
agora especialmente eu resolvi puxar umas lá de trás. Eu acho muito
legal isso. O povo ouve, tem aquela impressão de que já ouviu antes, mas
não consegue lembrar de onde é. Gosto bastante de fazer isso.
Mas você tem essas música anotadas em algum lugar?
Não, nada. É na cabeça mesmo. Quando
eu paro pra lembrar de música, pra pensar em repertório, são essas
músicas que aparecem. De tanto que eu ouvi e gostei, nunca esqueço
delas.
Há uma participação especial no seu CD, que é do Alexandre Pires.
Como surgiu a ideia de ele participar?
O Alexandre é meu amigo pessoal,
mesmo. Eu já gravei com o Chitão, Zezé, Belo, Amado, Chico Rey, e tenho a
intenção de conseguir gravar com todo mundo que eu admiro. Já fazia
tempo que eu pensava no Alexandre, e aí quando eu compus o “Presente de
Aniversário”, que é um samba, tive certeza que era a música que a gente
tinha que gravar junto.
O fato de você ser um artista popular faz com que seus CD’s sempre tenham destaque entre os produtos piratas…
Cara, você sabe da minha história,
sabe que a pirataria acabou me divulgando muito, mas eu ainda tenho uma
relação antiga com o CD. Eu dou muito valor no meu músico, na fase de
produção, por isso eu ainda acho legal quando uma pessoa vai na loja e
compra o produto. Claro que eu sei da realidade, eu vivo esse mercado
todo, mas é uma coisa mais pessoal mesmo gostar do ato de comprar o CD.
Sei que o que importa no final das contas é que a pessoa ouça minha
música.
Em meio ao ‘novo’ sertanejo,
você segue fazendo a linha romântica que acabou ficando em segundo plano
no mercado, tanto que igual a você, não há quase ninguém investindo no
estilo…
Eu acho que tem espaço pra quem
queira investir na música romântica, mas é uma questão também de apostar
e se dedicar, é um estilo como outro qualquer. Tem algo que o
universitário influenciou bastante que é reduzir os tons mais agudos. O
pessoal dessa nova geração não tem o costume de cantar com aqueles
agudos lá em cima, e isso acaba influenciando a turma que vai surgindo, e
o interesse pela música romântica, cheia de interpretação, acaba
diminuindo. Pra cantar o tipo de música que eu canto, o agudo é
fundamental. Acho que tem espaço pra tudo sim, o sertanejo tá muito
aberto hoje pra todo mundo.
Você tem algum artista pra citar desse estilo que você gosta?
Se tivesse que citar um, eu citaria o
Léo Magalhães. Ele também não tá nem aí se chamam de brega, se dizem
que é muito simples. Ele é muito bom, canta muito bem. Gosto muito do
trabalho que ele vem fazendo. Se ele continuar nessa linha, misturando
aquele arrochinha simples do Nordeste com as letras populares, eu acho
imbatível.
Compararam muito o Léo a você no começo da carreira…
Isso é bobagem. O povo compara, fica
arrumando intriga em tudo. Tem mais é que aparecer cada vez mais gente
apostando em música pro povo.
Você parece ter mudado um pouco
em relação a críticas, não fica mais dando respostas, não parece
arredio.
Você resolveu se controlar ou realmente deixou de se importar?
Passei dessa fase, sinceramente. Eu
sou antenado com o que falam, presto atenção quando vejo que a crítica é
construtiva. Posso até nem gostar, mas paro pra pensar depois se aquilo
que alguém disse faz sentido. O que eu deixei de dar importância mesmo é
pra quem fala mal só por falar. Tô nem aí mesmo. Eu tô preocupado com
quem gosta de música sertaneja, com quem vai pegar meu CD com a intenção
de curtir minhas músicas novas. Hoje, se o cara falar algo que não me
acrescenta em nada, eu realmente não tô nem ligando.
Você é figura mais presente hoje nos programas de televisão do que antigamente. É alguma estratégia nova?
Eu tinha a cabeça um pouco fechada,
não achava que a televisão poderia me ajudar muito. Mas esse lance de
ser popular faz com que você tenha que aparecer em um programa aqui,
outro ali, trabalhar um pouco sua imagem pra te divulgar mais pro povo.
Eu dei uma maneirada no jeito de falar em público, tem muita criança que
me ouve, muita senhora que é minha fã, então passei sim a me preocupar
mais com essa coisa de imagem e de televisão. Sinto que isso tá sendo
positivo pra minha carreira.
O público gosta.O que tem chamado muita é sua mudança física, visível por conta das fotos que você publica no Twitter…
Eu quero ser um cara melhor sempre, e
nessa coisa de aparência eu precisava mexer. Eu sou um cara muito
agitado, você sabe disso, quem me conhece sabe disso. A academia foi um
jeito de descontar um pouco essa hiperatividade, comecei a viciar mesmo,
me ajudou muito. Como eu gostei do resultado, virou vaidade também. Eu
gosto, as fãs gostam, as mulheres gostam, tem que cuidar da aparência
mesmo.
Eduardo Costa - Pecado de Amor Acústico 2012