Profissional da saúde de Formiga, em Minas Gerais, usou as redes sociais para ofender uma mulher de outro estado. Santa Casa e Coren-MG se manifestam.
Técnica em enfermagem trabalha na Santa Casa de Formiga (MG) e terá conduta avaliada pela instituiçãocrédito: Santa Casa de Formiga/Divulgação
Uma técnica de enfermagem da Santa Casa de Caridade de Formiga, na Região Oeste de Minas Gerais, foi denunciada à instituição por falas ofensivas e gordofóbicas contra uma mulher de Santa Bárbara d'Oeste, no interior de São Paulo, por meio das redes sociais. De acordo com Nathalia Carmo, vítima das ofensas, a agressora começou a comentar suas publicações no Facebook e, posteriormente, no Instagram.
Dentre os xingamentos, a profissional da saúde, identificada como Aline, apontava principalmente a aparência física de Nathalia. "Ela veio para minha rede do Instagram com comentários totalmente nojentos, totalmente desproporcionais. Não conheço a Aline. Nunca tive contato com ela. Moro a quilômetros e quilômetros de distância dela", disse em vídeo publicado no perfil do Instagram da vítima, que soma mais de 119 mil seguidores.
Segundo Nathalia, que posta conteúdo sobre a vida pessoal e maternidade atípica, a injúria mexeu muito com ela, pois foram ofensas pessoais e injustificadas. "É uma pessoa que não me conhecia e, só vendo minha situação na internet, decidiu, por livre e espontânea vontade, me atacar. [...] Ela falou do meu corpo, da minha aparência, da minha capacidade como mãe, do meu relacionamento e daí é para pior”, completou.
Ainda de acordo com a vítima, depois de uma série de comentários em suas publicações nas redes sociais, Nathalia decidiu entrar no perfil da mulher que a ofendia e se assustou quando descobriu que ela era técnica em enfermagem. Isso porque, conforme relatado nos vídeos, a vítima acredita que se trata de uma profissão de doação.
Nathalia relatou que passou por uma tentativa de suicídio há cerca de dois meses, mais ou menos na mesma época em que Aline começou a xingá-la sem motivos, e que recebeu cuidado e apoio na Santa Casa onde foi atendida.
Em vídeo publicado nas redes, Nathalia conta aos seguidores que foi bastante amparada pelos profissionais da saúde e que as ações da agressora não condizem com a profissão – que demanda cuidado com o outro, independentemente do corpo que a pessoa tem.
"Tenho pessoas na família que são da área; conheço a área, já fui acolhida, cuidada, principalmente na minha última estadia no hospital dois meses atrás", reforçou. "Não acho cabível que uma pessoa que lida com pessoas todos os dias tenha esse tipo de preconceito", complementou, em outro depoimento, a decisão em trazer à público.
Pronunciamentos
Diante da repercussão do caso e inúmeras manifestações sobre a situação, a Santa Casa de Caridade de Formiga informou que instaurou um procedimento interno para apurar o caso envolvendo a técnica de enfermagem. Em nota enviada ao Estado de Minas, a instituição destacou que lamenta o ocorrido e que a profissional será avaliada sob a ótica do Código de Ética e Conduta.
"Reiteramos nosso compromisso intransigente com a dignidade humana, repudiamos veementemente qualquer forma de ataque virtual ou difamação e mantemos nosso foco absoluto na qualidade dos serviços prestados à comunidade", diz o comunicado.
O Conselho Regional de Enfermagem de Minas Gerais (Coren-MG) também repudiou a situação e informou, por meio de nota, que luta pelo combate à violência contra os profissionais. Por isso, o Conselho também apura a situação para verificar se as atitudes configuram infração ao Código de Ética dos Profissionais de Enfermagem.
“Independentemente da atuação do conselho, eventual responsabilização nas esferas cível ou criminal poderá ser buscada junto aos órgãos competentes”, conclui a nota.
A Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG) reiterou que a gestão dos profissionais que atuam em serviços assistenciais do Sistema Único de Saúde (SUS) não é realizada diretamente pela pasta estadual, ficando sob responsabilidade do município. Mesmo assim, a SES-MG reafirmou o compromisso com os princípios do SUS, como a universalidade, a equidade e o respeito à dignidade das pessoas.
Procurado, o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) informou que não há nenhum procedimento instaurado contra a profissional. Além disso, o MPMG destacou que a conduta da técnica de enfermagem não ocorreu no exercício do cargo dela e que, por ora, não há informações de que ela tenha feito vítimas na Santa Casa de Formiga. Agora, a entidade aguarda a Santa Casa dizer se a mulher cometeu outros atos ilícitos durante o exercício do trabalho dela.

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