ENQUANTO UMA MULTIDÃO TENTAVA HUMILHÁ-LO, ELE PAROU PARA FAZER UMA ÚNICA COISA: PEGAR SEU CHAPÉU. AQUELE GESTO SE TORNOU UM SÍMBOLO DA LUTA PELOS DIREITOS CIVIS.
Em setembro de 1957, os olhos dos Estados Unidos estavam voltados para Little Rock, Arkansas.
Nove estudantes negros tentavam exercer um direito garantido pela Justiça: frequentar uma escola pública até então exclusiva para alunos brancos.
Mas, do lado de fora, uma multidão enfurecida fazia de tudo para impedir que isso acontecesse.
Entre as pessoas presentes naquela manhã estava Alex Wilson.
Ele não era um simples espectador.
Wilson era editor e diretor-geral do Tri-State Defender, um importante jornal da comunidade afro-americana em Memphis. Já havia coberto a Guerra da Coreia e participado da investigação jornalística do assassinato de Emmett Till. Agora, estava em Little Rock para registrar outro capítulo decisivo da luta pelos direitos civis.
Ao seu lado estavam os jornalistas James Hicks, do New York Amsterdam News, e Moses Newson, do Baltimore Afro-American.
Naquela época, a imprensa afro-americana frequentemente era excluída dos espaços oficiais. Por isso, seus repórteres precisavam estar nas ruas, onde a história realmente acontecia.
Enquanto caminhavam em direção à escola, o clima mudou rapidamente.
Primeiro vieram os gritos.
Depois, os insultos.
Em seguida, a violência.
Um homem atingiu Alex Wilson na cabeça com um tijolo.
Outro começou a chutá-lo enquanto ele tentava se levantar.
Mesmo caído, continuou sendo perseguido e agredido por cerca de um quarteirão.
Wilson media mais de 1,80 metro, havia servido no Corpo de Fuzileiros Navais dos Estados Unidos e poderia ter reagido.
Mas fez algo que ninguém esperava.
Em vez de revidar, manteve a calma.
Enquanto era cercado pela multidão, abaixava-se repetidamente para recuperar o chapéu que caía no chão.
O fotógrafo Will Counts registrou aquele instante.
Em uma das imagens mais marcantes da história dos direitos civis, Wilson aparece curvado, enquanto um agressor o chuta e outro segura um tijolo, pronto para atacar novamente.
Ao redor, dezenas de pessoas apenas observavam.
Mais tarde, Wilson explicou por que insistia em pegar o chapéu.
Disse que ele representava a última parte de sua dignidade.
Naquele momento, tentavam humilhá-lo diante do mundo.
Mas ele se recusou a permitir que seus agressores decidissem como deveria agir.
A fotografia percorreu os Estados Unidos e revelou que a crise de Little Rock ia muito além da disputa pelo acesso a uma escola.
Ela expôs até onde algumas pessoas estavam dispostas a ir para manter a segregação racial.
Enquanto isso, os nove estudantes permaneceram apenas algumas horas dentro da escola antes de precisarem ser retirados por questões de segurança.
No dia seguinte, o presidente Dwight D. Eisenhower ordenou o envio de soldados da 101ª Divisão Aerotransportada*
e federalizou a Guarda Nacional do Arkansas.
Sob proteção militar, em 25 de setembro de 1957, os estudantes finalmente conseguiram completar seu primeiro dia de aula.
Alex Wilson morreu apenas três anos depois, em 1960.
Mas a fotografia feita por Will Counts atravessou décadas.
Muitos se lembram dela pela violência.
Outros, pelo ódio estampado na multidão.
Mas talvez seu verdadeiro significado esteja naquele homem que, mesmo sendo espancado em público, recusou-se a entregar aquilo que ninguém tinha o direito de tirar dele: sua dignidade.
Na sua opinião, um simples gesto pode se tornar mais poderoso do que qualquer discurso na luta contra a injustiça?
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