terça-feira, 21 de abril de 2026

Passado de cassação segue como sombra na visita de Eduardo Cunha a Teófilo Otoni e população reage


O ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, esteve em Teófilo Otoni, no Vale do Mucuri, no último sábado (18). O motivo oficial da visita foi a inauguração de uma emissora de rádio voltada ao público evangélico, um movimento que, segundo analistas políticos, marca uma tentativa clara de reinvenção da sua imagem pública. No entanto, a passagem do ex-parlamentar pelo município não convenceu parte dos moradores, que recebem a presença da figura central da política nacional com desconfiança.

O peso do passado

Cunha, que construiu sua carreira política como deputado federal pelo Rio de Janeiro, viveu o ápice e a queda de sua influência parlamentar na última década. Em 12 de setembro de 2016, sua trajetória em Brasília foi interrompida drasticamente quando a Câmara dos Deputados votou pela cassação de seu mandato, por 450 votos a 10.

A cassação foi motivada por quebra de decoro parlamentar. O então deputado foi acusado de mentir à CPI da Petrobras em 2015, ao negar a titularidade de contas bancárias secretas na Suíça. Posteriormente, as autoridades suíças confirmaram a existência e a titularidade das referidas contas, selando o destino político de um dos principais articuladores do processo de impeachment da época.

Estratégia de “novo começo”

A escolha de Teófilo Otoni e o foco voltado ao público evangélico indicam uma estratégia de reposicionamento. Longe dos holofotes da capital federal, Cunha parece buscar um eleitorado em Minas Gerais que, na visão de sua estratégia política, estaria menos familiarizado com os detalhes de seu histórico de desonra parlamentar.

A aposta no segmento religioso não é aleatória; trata-se de um nicho onde a pauta de costumes e o discurso conservador costumam encontrar eco. Ao inaugurar um veículo de comunicação, o ex-deputado tenta criar um canal direto com esse público, pavimentando, assim, um possível caminho de retorno ao cenário eleitoral.

Recepção fria

Apesar do esforço, o clima em Teófilo Otoni durante a visita não indicou uma adesão em massa. Em conversas com moradores, o sentimento predominante é de cautela e ceticismo. Muitos habitantes da cidade apontaram que, independentemente da nova roupagem ou do setor de atuação — no caso, a radiodifusão —, o histórico de Eduardo Cunha é um obstáculo difícil de contornar.

Para o eleitorado local, o passado político do ex-deputado parece pesar mais do que as recentes investidas comunicacionais. O episódio levanta dúvidas sobre a eficácia de buscar “territórios virgens” como estratégia para reabilitar carreiras políticas marcadas por graves denúncias de corrupção e quebra de decoro.

Por Marcos Silva

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SO PRA LEMBRA QUE O ESCREMENTO E PRESIDIARIO BOLSONARO ESTAVA FECHADO COM CUNHA
                                                                                  





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