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domingo, 27 de fevereiro de 2022

Massacre na Casa dos Sindicatos, na Ucrânia, sede de organizações sindicais e do Partido Comunista

 Massacre na Casa dos Sindicatos, na Ucrânia, sede de organizações sindicais e do Partido Comunista

ENAS FORTES: Em 02/05/2014 o edifício foi atacado e incendiado por neonazistas apoiadores do Euromaidan. A chacina resultou na morte de 42 pessoas.

Euromaidan foi uma onda de manifestações e de agitação civil na Ucrânia, que começou na noite de 21 de novembro de 2013, com protestos públicos exigindo uma maior integração europeia. O escopo dos protestos evoluiu desde então, com muitos apelos para a renúncia do presidente Viktor Yanukovytch e de seu governo.

Como disse o historiador Fernando Horta:

“Tem gente NEGANDO o neonazismo que grassa na Ucrânia… Isso é de uma filhadaputice que não tem tamanho. Parem de tratar o conflito como um fla-flu. É triste a desonestidade e/ou desinformação profissionalizadas…”
Fernando Horta
Historiador e Professor

Não há como negar a história. Não há como apagar o que aconteceu


Por Pensar a História
Twitter 24/02/2022

Cenas do Massacre na Casa dos Sindicatos de Odessa, ocorrido na Ucrânia, em 02/05/2014. Sede de organizações sindicais e do Partido Comunista, o edifício foi atacado e incendiado por neonazistas apoiadores do Euromaidan. A chacina resultou na morte de 42 pessoas.

Assista:

 Originally tweeted by Pensar a História (@historia_pensar) on 25/02/2022.

Euromaidan é o nome dado à revolução colorida que eclodiu na Ucrânia em novembro de 2013, caracterizada por uma onda de protestos massivos que serviram para chancelar um golpe de Estado.


Os protestos tiveram início após o presidente Viktor Yanukovich, aliado da Rússia, suspender as negociações do Acordo de Associação a ser firmado com a União Europeia. O acordo incluía cláusulas prejudiciais e limitava a soberania econômica da Ucrânia




Após rejeitar o acordo, o governo ucraniano tornou-se alvo de uma intensa campanha antigovernamental levada a cabo pela imprensa, ONGs e think tanks, exortando a população do país a demandar o rompimento dos vínculos com a Rússia e uma maior integração com a União Europeia.



A princípio, os protestos reuniam estudantes universitários, mas logo passaram a atrair os setores médios, partidos de oposição, empresários, organizações do terceiro setor e associações patronais. As reivindicações incluíam abertura política e melhores condições de vida



As pautas, entretanto, logo foram subvertidas em favor de um virulento discurso antigovernista, calcado sobretudo em acusações de corrupção dirigidas contra Yanukovich — convenientemente rotulado pela ONG Transparência Internacional como “o líder mais corrupto do mundo”.

O partido ultranacionalista Svoboda ganhou respaldo de uma parcela substancial dos manifestantes e os protestos antigovernamentais logo se converteram em um movimento de cariz neofascista.

Militantes armados da extrema-direita se agruparam para criar organizações paramilitares neonazistas como o Setor Direito e o Batalhão de Azov, passando a atacar as instalações públicas e a reprimir os apoiadores do governo e os manifestantes pró-Rússi



Estátuas de líderes comunistas e monumentos da era soviética foram destruídos, ao passo que colaboracionistas do regime nazista passaram a ser reabilitados como figuras heroicas — nomeadamente Stepan Bandera, líder da Organização dos Nacionalistas Ucranianos…


…que ajudou a exterminar os judeus durante os Pogroms de Lviv. Em diversas partes do país, extremistas de direita tomaram as sedes executivas e legislativas locais.






Reagindo à escalada fascista, os habitantes do leste da Ucrânia e da Crimeia, regiões que mantém vínculos históricos com a Rússia, passaram a organizar atos antifascistas e a exigir autonomia política, sendo severamente reprimidos pelas milícias pró-Euromaidan

A Rússia respondeu anexando a Crimeia e Sevastopol, baseando-se na realização de referendos que obtiveram aval absoluto à incorporação (mais de 95% de aprovação). Grupos pró e contra a Rússia também travaram violentos combates em Kiev, resultando em dezenas de mortes.


Em fevereiro de 2014, Viktor Yanukovich foi afastado da presidência e substituído pelo interino Oleksandr Turtchynov. Poucos meses depois, o bilionário Petro Poroshenko, magnata da imprensa ucraniana, assumiu o governo.






O processo de fascistização se aprofundou sob o governo Poroshenko, que incorporou as milícias neonazistas à estrutura da Guarda Nacional e instituiu a repressão sistemática da minoria pró-Rússia.


Na região de Donbass, milhares de pessoas foram presas e centenas de manifestantes anti-Euromaidan foram assassinados. Habitantes do leste ucraniano foram submetidos a uma violenta campanha russofóbica. Vilas e aldeias foram bombardeadas e atacadas com armas proibidas.

Estima-se que a repressão do governo ucraniano já tenha deixado mais de 13.000 mortos desde o golpe de 2014. O governo ucraniano baniu os partidos comunistas e organizações de esquerda e instituiu um processo de revisionismo nos livros didáticos…



…visando modificar os relatos históricos sobre o nazifascismo e o Terceiro Reich. Também instaurou uma narrativa apologética ao nazifascismo, transformando os colaboracionistas ucranianos em heróis nacionais.



A revolução colorida na Ucrânia e o governo neofascista pós-Euromaidan foram financiados pelos Estados Unidos e seus aliados europeus. John Brennan, diretor da CIA, e Joe Biden, vice-presidente dos EUA, se reuniram com as lideranças da oposição antes e após o golpe.







O senador John McCain foi nomeado conselheiro de Poroshenko e auxiliou diretamente na articulação das milícias. Victoria Nuland, subsecretária do Departamento de Estado, chegou a admitir que o governo dos EUA gastou 5 bilhões de dólares financiando o Euromaidan…


…visando retirar o 2º maior país da Europa da órbita de influência da Rússia e transformá-lo em um Estado-vassalo de Washington. Já Catherine Ashton, responsável pela política externa da União Europeia, notabilizou-se pela indiferença que manifestou…


…ao ser informada sobre o massacre dos manifestantes pró-Rússia cometido pelos neonazistas ucranianos. O alto investimento de Washington se justifica pelo retorno financeiro proporcionado às corporações europeias e estadunidenses…





…agraciadas com a política agressiva de privatizações dos setores estratégicos instituída pelo novo governo ucraniano, que abrange da entrega do setor energético ao controle das telecomunicações.



A incorporação da Ucrânia à esfera de influência da Casa Branca também traz enormes vantagens geopolíticas e fornece a OTAN novas oportunidades de expansão de sua capacidade militar.




Potencializa, por fim, o plano de obstruir a operação dos gasodutos Turkish Stream e Nordstream 2, que permitirão à Rússia fornecer gás natural para a Europa, enfraquecendo a exportação do gás liquefeito dos Estados Unido