Entre reivindicações de Teerã constam mecanismos concretos que impeçam a retomada do conflito e reconhecimento da soberania iraniana sobre o Estreito de Ormuz
O Irã rejeitou o plano de paz dos Estados Unidos, alegando exigências “excessivas” e reiterando que qualquer cessar-fogo ocorrerá exclusivamente nos termos e no cronograma definidos por Teerã. A informação foi divulgada por um funcionário do alto escalão político e de segurança à estatal iraniana Press TV, nesta quarta-feira (25/03).
Segundo o oficial, “o Irã irá encerrar a guerra quando decidir fazê-lo e suas próprias condições forem atendidas” e “não quando Trump prever sua conclusão”. A proposta da Casa Branca foi encaminhada nesta terça-feira (24/03) a mediadores no Paquistão.
A autoridade iraniana afirmou que as exigências de Washington foram recusadas e detalhou as cinco condições consideradas indispensáveis pelo Irã para o fim da guerra. “Nenhuma negociação será realizada antes disso”, afirmou.
São elas: a interrupção total da “agressão e assassinatos” pelos inimigos do país, a criação de mecanismos concretos que impeçam a retomada do conflito, o pagamento garantido de reparações de guerra, o encerramento das hostilidades em todas as frentes, incluindo grupos aliados na região, e o reconhecimento da soberania iraniana sobre o Estreito de Ormuz.

Mural na Praça Vali Asr, no centro de Teerã
Press TV
Plano de Trump
O plano apresentado pela Casa Branca incluía um cessar-fogo de 30 dias para discutir 15 pontos de negociações, entre elas, o comprometimento iraniano de nunca buscar desenvolvimento de armas nucleares, a limitação no alcance e número de mísseis do Irã, o fim do financiamento a grupos aliados na região, como Hamas e Hezbollah, e a criação de uma zona marítima livre no Estreito de Ormuz.
Segundo o oficial iraniano, Teerã qualificou as propostas do presidente norte-americano, Donald Trump, como “excessivas” e “desconectadas da realidade do campo de batalha”.
Ele mencionou as rodadas anteriores de negociações realizadas com Washington, na primavera de 2025 e no inverno de 2026, descrevendo-as como enganosas e sem intenção genuína de diálogo. O Irã, afirmou, está determinado a continuar sua defesa e desferir “golpes duros” ao inimigo, até que suas exigências sejam atendidas.
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