Aplicação das sentenças acontece em meio a um aumento no número de execuções no país.
Por Redação g1
Os Estados Unidos vivem nesta quinta-feira (13) uma situação rara: três condenados por assassinatos serão executados no mesmo dia, em diferentes estados. Será a primeira vez em quase 16 anos que a pena de morte é cumprida contra três pessoas em um único dia no país.
- Carlos Cuesta-Rodriguez, de 70 anos, foi executado às 12h13 (horário de Brasília) em Oklahoma;
- uma hora depois, Anthony Darrell Hines, de 66 anos, foi executado no Tennessee;
- Jeremy Williams, de 70 anos, foi executado por volta das 20h (horário de Brasília), no Alabama.
Todos foram condenados por homicídios em processos separados e aguardavam há anos o cumprimento das sentenças.
Em 2025, 47 presos foram executados em 11 estados, o maior número desde 2009. Neste ano, 19 execuções já ocorreram, concentradas em um pequeno grupo de estados que seguem aplicando a pena de morte com frequência.
Anthony Darrell Hines, Carlos Cuesta-Rodriguez e Jeremy Williams podem ser executados nesta quinta (13) em 3 estados diferentes dos EUA. — Foto: Departamento de Administração Penitenciária do Tennessee via AP; Departamento de Administração Penitenciária de Oklahoma via AP; Reprodução/Equal Justice Initiative
A Flórida lidera esse movimento. Sozinha, foi responsável por 19 execuções em 2025 e responde pela maior parte das execuções realizadas em 2026 até agora. Especialistas atribuem o aumento à política do governador republicano Ron DeSantis, que promoveu mudanças na legislação para facilitar a aplicação da pena capital.
O cenário também coincide com a volta de Donald Trump à Casa Branca. Defensor histórico da pena de morte, o presidente assinou uma ordem executiva restabelecendo a política federal de execuções. O governo também ampliou os protocolos para métodos de execução e passou a incentivar estados a buscarem a pena máxima em determinados crimes.
Apesar desse endurecimento, pesquisas indicam que o apoio da população à pena de morte vem diminuindo. Levantamento do instituto Gallup mostra que 52% dos americanos consideram a prática moralmente aceitável, o menor índice desde a década de 1970. Além disso, os tribunais têm imposto menos sentenças de morte do que no passado.
Outro fator que mantém o tema em debate são as falhas registradas em execuções recentes. Problemas com injeções letais, escassez dos medicamentos utilizados e questionamentos sobre métodos alternativos, como pelotão de fuzilamento e gás nitrogênio, aumentaram as críticas ao sistema.
No Tennessee, a execução de Anthony Hines chama atenção porque ocorrerá após uma tentativa fracassada de execução no mesmo estado há cerca de três meses. Na ocasião, a equipe médica não conseguiu estabelecer adequadamente o acesso intravenoso necessário para aplicar a injeção letal. Hines argumentou na Justiça que suas condições de saúde, incluindo sequelas de dois derrames, elevam o risco de complicações, mas seus recursos foram rejeitados.
No Alabama, Jeremy Williams pediu que sua própria sentença fosse executada. Ele foi condenado pelo estupro e assassinato de uma menina de 5 anos em 2021. Já em Oklahoma, Carlos Cuesta-Rodriguez foi condenado pelo assassinato da companheira em 2003 e também afirmou não desejar clemência. Advogados alegaram que ele sofre de transtornos mentais e danos cerebrais, mas o próprio preso rejeitou os pedidos para reduzir sua pena.
Os casos voltam a colocar em evidência um debate que divide os Estados Unidos: a continuidade da pena de morte em um momento em que o número de execuções aumenta, mas o apoio popular à prática vem diminuindo.
Maca na câmara de execução da Penitenciária Estadual de Oklahoma. — Foto: Sue Ogrocki / AP
EUA podem ter 3 execuções no mesmo dia pela 1ª vez em 16 anos | G1

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