Drogasil argumentou que episódio teria sido apenas uma brincadeira entre colegas de trabalho
12 de setembro de 2025
Noemi compartilhou vídeo que mostra caso de racismo na Drogasil
O vídeo de um caso de racismo ocorrido em 2018 em São Paulo viralizou nas redes sociais nesta semana. Em seu primeiro dia de trabalho na rede de farmácias Drogasil, em São Paulo, uma funcionária negra foi ofendida e filmada por uma colega com um cargo mais alto que o seu. A vítima, Noemi Ferrari, levou o caso à Justiça e foi indenizada anos depois.
No vídeo, que ela compartilhou no TikTok, a colega que a filma diz, entre risadas: “essa daqui é a Noemi, nossa nova colaboradora. Fala um oi, querida. Tá escurecendo a nossa loja? Tá escurecendo. Acabou a cota, tá? Negrinho não entra mais”. O registro foi compartilhado em grupos de WhatsApp da empresa. Assista:
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Durante o processo, a RD Saúde – dona da Drogasil da Droga Raia – argumentou que o caso não configuraria racismo, e sim uma brincadeira entre colegas. A juíza-relatora Erotilde Minharro retrucou que o episódio é um exemplo de racismo recreativo, “uma forma de discriminação disfarçada de humor, na qual características físicas ou culturais de minorias raciais são associadas a algo desagradável e inferior, mas em forma de ‘piadas’ ou ´brincadeiras’”. O tribunal fixou uma multa de cerca de R$ 37 mil à Drogasil.
Em nota enviada à reportagem, a empresa ressaltou que o caso ocorreu em 2018 e disse lamentar o episódio. “Nossa empresa não compactua com nenhum tipo de discriminação. Diversidade e respeito são valores primordiais”, pontuou. A Drogasil disse, ainda, que tem investido em iniciativas de equidade racial e que finalizou o ano de 2024 com 50% dos cargos de liderança ocupados por pessoas negras.
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