Roque Saldanha foi candidato pelo PMB nas últimas eleições. O vídeo, segundo ele, foi feito em resposta a um ataque de fake news.
Por Matheus Mesmer e Edson Soledade, G1 Vales de Minas Gerais — Governador Valadares
O radialista e ex-candidato a prefeito de Teófilo Otoni (MG) pelo Partido da Mulher Brasileira, PMB, Roque Saldanha divulgou um vídeo com conteúdo racista nas redes sociais (veja o vídeo acima).
No material, ele se dirige a um homem que, segundo ele, enviou uma foto dele com informações falsas a várias pessoas. Na resposta, o ex-candidato usou palavras que configuram injúria racial.
“Vou chamar ele de preto safado, macaco, está entendendo? Urubu de senzala, está entendendo? Preto seboso, king kong, kichute e óleo diesel. O tal do negro já é mal visto, aí aparece um preto desse, esse carvão, esse óleo diesel, óleo queimado, para acabar de desgraçar o que já está desgraçado. E aqui quem falou foi eu, Roque Saldanha”, disse.
Roque Saldanha, que disse morar em Governador Valadares, ainda ameaçou o homem no conteúdo do vídeo.
“Agora ele vai lá na delegacia, entrega meus áudios, vai lá no fórum e entrega meus áudios e fala que é eu, Roque Saldanha, locutor, apresentador e simples homem da roça aqui. Aí ele pega, também, os áudios dele, e ele pega o que ele escreveu no grupo e leva. Aí, meu amigo, eu garanto para você que Valadares vai ficar pequena para ele. Eu não mexo com ninguém, mas mexer comigo é fumo”, falou.
Em um vídeo enviado à Inter TV dos Vales, afiliada à Rede Globo, ele disse que não se considera racista e que a vítima de racismo seria ele.
“Na verdade, a vítima de racismo sou eu. Porque um cara, há mais de dois anos, que vem fazendo fake news pesados contra minha pessoa e falando, até mesmo, da minha mãe, ele está querendo é problema”, disse.
Além disso, ele falou no vídeo que é “preto” e descendente de “preto” e que “honra a cor”.
“Esse rapaz dessa polêmica que envolveu comigo, que está no Brasil inteiro essa fala, que eu fiz racismo e tal, tal, tal, não é bem assim não. Esse cara, de dois anos pra cá, dois anos e pouco pra cá, esse camarada vem me ofendendo nas redes sociais, fazendo vários fake news da minha pessoa e fake news pesados. Então, chegou uma hora que o bambu enfolhou mesmo (sic)”, explicou.
Em nota, a Polícia Civil disse que a vítima registrou um boletim de ocorrência na Polícia Militar como ameaça e que, para abertura de investigação, é necessária a representação da vítima.
"De acordo com o registro da ocorrência, a vítima vem sendo ameaçada pelo suspeito, de 45 anos, através de mensagens, por meio das quais também estaria sendo xingada com termos racistas", disse a nota.
Prisão
Roque Saldanha, radialista e ex-candidato a prefeito de Teófilo Otoni — Foto: Reprodução/Redes Sociais
Roque Saldanha, durante sua candidatura a vereador nas eleições de 2016, foi preso em Teófilo Otoni, após efetuar um disparo de arma de fogo. A Polícia Militar disse que ele não havia obedecido as ordens para que entregasse a arma e foi necessário o uso de técnicas para contê-lo.
Na época, a Polícia Civil informou que também havia um mandado de prisão em aberto contra ele, desde 2014, por não pagar pensão alimentícia no valor de cerca de R$ 17 mil.
Há quatro anos, um vídeo gravado por ele, dando explicações sobre a sua prisão, foi divulgado na internet. Ele disse que andar com revólver é “coisinhas simples”.
“Para mim, andar com um revólver na mão e andar com uma carabina nas costas, para mim, é normal, principalmente no mundo de hoje em que vivemos. Homem que é homem tem que andar é com revólver na cintura lotado de bala e, às vezes, com a carabina lotada de bala e nas costas”, disse.
A primeira pessoa a tomar a CoronaVac no Brasil foi a enfermeira Mônica Calazans, 54, que trabalha na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Instituto de Infectologia Emílio Ribas, em São Paulo. Negra, ela é moradora de Itaquera, na zona leste da capital paulista.
A vacinação ocorreu no HC (Hospital das Clínicas) poucos minutos depois de a Anvisa liberar, com restrições, o uso emergencial da CoronaVac, a vacina do Instituto Butantan, produzida com o laboratório chinês Sinovac. Além da CoronaVac, a Anvisa também liberou o uso emergencial do imunizante da AstraZeneca, a vacina da Fiocruz com a Universidade de Oxford.
Ao chegar no local de vacinação, montado pela equipe do governo estadual no HC, Mônica se encontrou com o governador João Doria (PSDB). Eles se cumprimentaram com as mãos fechadas e, na sequência, se emocionaram e choraram. Ela incentivou a população a não ter medo do imunizante.
Quantas pessoas têm receio de chegar próximas às outras? Eu tomo ônibus, metrô, as pessoas têm receio de chegar perto de você. Então, povo brasileiro, é nossa grande chance. Estou falando agora como brasileira, mulher negra, que [você] acredite na vacina. Vamos pensar nas vidas que perdemos.
Mônica Calazans, enfermeira no hospital Emílio Ribas
Enfermeira escolheu trabalhar no Emílio Ribas
Mônica é do grupo de risco do contágio do novo coronavírus: obesa, hipertensa e diabética. Mesmo assim, em maio do ano passado, quando a pandemia atingia um de seus picos, ela se inscreveu para vagas de CTD (Contrato por Tempo Determinado).
Dentre vários hospitais, escolheu trabalhar no Emílio Ribas, mesmo ciente de que a unidade estaria no epicentro do combate à pandemia. Segundo ela, a vocação falou mais alto.
Há oito meses, dia sim, dia não, Mônica sai de sua casa em Itaquera, na zona leste da capital paulista, e leva cerca de uma hora e meia no deslocamento até o trabalho, no hospital de referência para a covid-19 na região central de São Paulo.
Desde então, Mônica atua na UTI do local, que hoje possui 60 leitos e, desde abril, mantém mais de 90% de taxa de ocupação no combate à covid-19.
Corintiana formada aos 47 anos
Mônica atuou como auxiliar de enfermagem durante 26 anos. Após sua carreira como auxiliar, resolveu cursar faculdade de enfermagem. O diploma veio aos 47 anos.
Nos momentos de folga, ela gosta de assistir a séries, torcer pelo Corinthians —seu time do coração— e escutar músicas de Seu Jorge, seu cantor favorito. Viúva, ela mora com o filho Felipe, 30.
Durante a pandemia, ela teve seu irmão caçula, auxiliar de enfermagem de 44 anos, internado por 20 dias com a doença. "Eu quase perdi um irmão com covid. Diante disso, eu tomei coragem e participei da campanha da vacina. No inicio, fui muito criticada", afirmou.
"Falaram que eu era cobaia de uma pesquisa de vacina. Aprendi com uma pessoa, no dia da vacinação, que sou participante de pesquisa e estou muito orgulhosa de tudo isso, porque meu nome está no mundo inteiro", acrescentou.
Eu tenho em mente sempre que não posso me abater, porque os pacientes precisam de mim, por isso tenho sempre uma palavra de positividade e de que vamos sair dessa situação.
Mônica Calazans, enfermeira no hospital Emílio Ribas
Primeira vacinadora
A primeira vacinadora do Brasil também é mulher e enfermeira. Jéssica Pires de Camargo, 30, atua na Coordenadoria de Controle de Doenças e é mestre em Saúde Coletiva pela Santa Casa de São Paulo, segundo o governo de São Paulo.
"Com histórico de atuação em clínicas de vacinação e unidades de Vigilância em Saúde, Jéssica já aplicou milhares de doses em campanhas do SUS contra febre amarela, gripe, sarampo e outras doenças", afirmou a assessoria de imprensa do governo.
Jéssica afirmou estar orgulhosa e com esperança de que mais pessoas estarão protegidas. "Que outros colegas de profissão possam sentir a mesma satisfação que sinto ao fazer parte disso. São mais de 52 mil profissionais de saúde mobilizados nesta campanha e cada um deve receber o devido reconhecimento", afirmou Jéssica.

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